Cada vez mais distantes
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20h00 - por
José Nilton Dalcim
Até que Juan Monaco ameaçou, mas a conclusão após a rodada de oitavas de final em Roma é a mais óbvia possível: como Andy Murray não consegue mesmo acompanhar o ritmo, os três líderes do tênis masculino estão cada vez mais distantes, não somente na matemática fria do ranking mas principalmente no domínio da quadra.
Novak Djokovic chegou a estraçalhar a raquete de tão frustrado com sua incrível série de erros no primeiro set e poderia muito bem ter conhecido uma derrota precoce caso Monaco aproveitasse o 2/1, com saque a favor, que obteve na segunda série. Porém, mesmo sem estar no seu melhor dia, reagiu como se espera do número 1 do mundo e deve ter ganhado enorme confiança para encarar Jo-Wilfried Tsonga. Aliás, o francês parecia perdido no primeiro set contra Del Potro, até que conseguiu uma quebra e se valeu depois da evidente falta de mobilidade do argentino, sofrendo com o joelho.
Roger Federer também viveu alguns altos e baixos num jogo de ótimo nível diante do bom e velho Juan Carlos Ferrero. Trocas de bola pesada, muitas alternativas táticas, correria. O final do segundo set presenteou o esforço do espanhol, que acabou por se entregar na terceira série à superioridade incontestável do adversário. Em rota de colisão com Nole, o suíço é franco favorito contra Andreas Seppi, que fez outra maratona, lutou 3h20, salvou seis match-points e ergueu a torcida para tirar Stanislas Wawrinka (outro que vive o conhecido drama das vitórias perdidas).
Rafael Nadal também cumpriu o script imaginado na véspera e atropelou Marcel Granollers com sua conhecida competência sobre o saibro. Somado à nova vitória encantadora de Tomas Berdych, agora sobre Nicolas Almagro, espera-se que o jogo entre o espanhol e o tcheco, conhecidos desafetos, seja o primeiro grande momento do torneio e uma verdadeira prévia do que pode acontecer em Roland Garros.
Murray deixou de vez a lista dos favoritos no saibro europeu. Não que Richard Gasquet não tenha jogado um tênis de grande qualidade. É que o escocês continua sem padrão de jogo, algo que ficou evidente nos três sets tão distintos que fez diante de Gasquet. Aliás, o renovado francês pode dar trabalho a David Ferrer e se tornar a surpresa nas semifinais romanas.
Bem interessante também está a chave feminina, em que teremos Sharapova x Venus, um duelo pouco habitual no saibro mais lento. Quem ganhar, deve pegar Petra Kvitova, que vê a grande chance de recuperar confiança antes de Paris. As quedas de Azarenka e Radwanska na parte superior abriram um buraco, que provavelmente será ocupado por Serena Williams e Na Li. Ou seja, Roma pode servir como uma luva para embaralhar ainda mais qualquer débil favoritismo em Roland Garros.
Djokovic parece estar bem perto do Brasil
às
19h57 - por
José Nilton Dalcim
Declarações pipocam na Internet. Um jornalista da revista Veja e o ex-flamenguista Dejan Petkovic estão falando a mesma língua e, se isso for verdade mesmo, o sérvio Novak Djokovic se exibirá no Rio de Janeiro no dia 17 de novembro deste ano. Não por acaso, Ronaldo Nazário de Lima, o Fenômeno, esteve semana passada em Madri e assistiiu a uma partida de Nole. É a sua promotora, a 9ine, quem estaria finalizando a vinda do número 1, compatriota de Petkovic, ao país.
Em março, em entrevista ao site Ahe!, Petkovic disse que só faltavam pequenos detalhes para a assinatura do contrato. O camisa 10, um apaixonado por tênis e fã de carteirinha de Djokovic, deixou a entender que o adversário poderá ser Guga Kuerten ou Thomaz Bellucci. Segundo Lauro Jardim, que escreve o Radar da versão online da revista Veja, o local da exibição será a HSBC Arena.
Embora ainda não se saiba se Djokovic irá a outros países do continente, uma coisa é fato: o tênis de primeira linha redescobriu a América do Sul. Vale lembrar que Nadal e Djokovic estiveram em Bogotá recentemente e que Roger Federer fará excusão a pelo menos Brasil, Argentina e Colômbia, com chance de ir ao Chile também.
Roma - Com exceção de um game de serviço perdido por Federer e um pequeno susto de Nadal na hora de fechar a partida (fantasma de Madri?), e o complemento da primeira rodada em Roma foi trivial. Vale observar a excelente atuação de Berdych, que continua em momento mágico, e as quedas de Tipsarevic e Isner, que não chegam a surpreender em se tratando de saibro italiano.
As oitavas de final prometem duelos de primeira, a começar por Delpo x Tsonga, Murray x Gasquet, Berdych x Almagro, Ferrer x Simon. Até os favoritos devem ter trabalho: Djokovic x Monaco e Federer x Ferrero podem não ser jogos fáceis. Só mesmo Nadal surge com amplo favorito contra Granollers. Seppi é a esperança final do tênis italiano, Wawrinka que se cuide.
Se a lógica prevalecer, as quartas devem ter confrontos imperdíveis: Djokovic x Del Potro, Nadal x Berdych e Murray x Ferrer. Tomara.
Brasil fica sem o tradicional torneio de Campos do Jordão
às
22h46 - por
José Nilton Dalcim
Disputado ininterruptamente desde 2001, um dos mais tradicionais torneios do calendário nacional deixará de ser realizado em 2012. A Try Sports, que promovia o challenger de Campos do Jordão, confirmou nesta terça-feira o cancelamento do evento. O motivo: falta de um acordo financeiro com o Tênis Clube da cidade, único local com capacidade para abrigar o evento.
Campos do Jordão é uma estação de inverno famosa e por isso mesmo sempre foi procurada pelos promotores de tênis. Os primeiros torneios disputados na serra aconteceram na verdade nos anos 80, promovidos pela Koch Tavares de então. O interesse dos patrocinadores sempre foi grande, porque o local traz status devido a seu público sofisticado.
A Confederação Brasileira aproveitou a brecha e fechou contrato com o Tênis Clube de Campos do Jordão. Fala-se em R$ 300 mil com direito a exclusividade até 2016. Com isso, garantiu a realização do ITF feminino de US$ 25 mil deste ano, que está marcado para o dia 16 de julho, mas não houve tempo hábil para obter uma data junto à ATP (a data da Try Sports permanece e a promotora poderia realizar o challenger em outro local, caso tivesse pedido mudança no prazo regulamentar). A CBT solicitará um período em julho para retomar o torneio masculino em 2013.
Com essa mudança inesperada, o tênis brasileiro terá apenas um challenger nos próximos meses, marcado para Recife, entre 6 e 12 de agosto, com premiação de US$ 35 mil. Ele será o sétimo torneio da categoria do calendário 2012.
Outra novidade em relação à Confederação é que já está aprovada a data de 25 de fevereiro de 2013 para o WTA comprado pela entidade, que será disputado sobre piso sintético e com premiação de US$ 220 mil. A boa notícia é que ele será imediatamente anterior a Indian Wells e Miami, o que pode trazer bons nomes ao país. O local continua em disputa: Florianópolis, São Paulo, Brasília e Salvador estão interessados.
Roma - Antes de falar dos jogos, uma observação se faz necessária: está terrível ver a bolinha no piso manchado do Fóro Itálico. Cheguei a ter sinceras saudades do saibro azul de Madri.
Entre o pessoal importante, atuação de gala de Novak Djokovic e um incrível sufoco para Andy Murray, que penou contra o velho guerreiro David Nalbadian depois de aplicar 6/1. David Ferrer despachou Fernando Verdasco com categoria e foi muito legal ver Juan Carlos Ferrero em ótima forma contra Gael Monfils.
Mas o grande jogo do dia foi mesmo entre Del Potro e Llodra. Um espetáculo o duelo de estilos, em que o francês provou que ainda é possível fazer saque-voleio em pleno saibro e diante de um top da qualidade do argentino. Quem não viu, perdeu um show.
Bate Bola - Sem modéstia, sugiro dar uma olhada na entrevista com Jofre Portas no Bate Bola lançado hoje. Além de falar coisas curiosas sobre o início da carreira de Nadal, ele prevê a queda brusca do tênis espanhol e disse que o Brasil precisa aproveitar seu momento no cenário internacional. De quebra, deu um belo recado aos pais. Vale conferir.
O melhor de cada um
às
18h28 - por
José Nilton Dalcim
Numa segunda-feira de calmaria, após tantas emoções em Madri, uma pausa para refletir - e se divertir - com as melhores frases dos protagonistas.
"Não há segredo para ninguém que qualquer tenista preferiria ser 1 do que 2".
Roger Federer, retratando o óbvio.
"Nunca pensei muito no recorde (de semanas na liderança de Sampras). Eu não preciso bater cada recorde de Sampras. Ele é meu ídolo e já estou feliz por estar perto dele".
Federer, mas será mesmo?
"Ser cabeça 2 ou 3 (em Paris) não muda nada em meu jogo. Vou ter que ganhar a semifinal de um jeito ou de outro".
Rafael Nadal, tentando ser positivo.
"Estou onde eu queria estar: sou o número 1 do mundo, estou ganhando Grand Slam".
Novak Djokovic, incontestável.
"No começo do ano, vejo o ranking como a liga de futebol. Você começa do zero, depois vai somando e quem sabe vai terminar como 6 ou 5".
Nadal, que provavelmente quis dizer 1 ou 2.
"Roland Garros é um lugar onde Nadal sempre será o maior favorito".
Djokovic, novamente incontestável.
"A maciça maioria dos tenistas trocaria sua carreira inteira apenas pelo que eu consegui no saibro"
Federer, talvez um tanto esnobe, mas alguém ousaria negar isso?
"Os homens são um frouxos, por isso que a tarefa de ter bebês cabe a nós. Não ficamos reclamando (da quadra azul), vamos lá e nos esforçamos ao máximo".
Serena Williams, sem rodeios.
"Will Smith me disse que sou um cara legal o bastante para ser um agente".
Federer e seu futuro.
Federer supera Sampras como maior 'top 2' do ranking
às
15h16 - por
José Nilton Dalcim
Único a vencer 16 Grand Slam, um dos dois a atingir 20 Masters, o segundo maior líder do ranking masculino e o maior milionário do tênis profissional, o suíço Roger Federer poderá ser definido a partir desta segunda-feira também como o homem que mais tempo figurou entre os dois primeiros postos da classificação internacional.
O suadíssimo título em Madri levará Federer a assumir o segundo lugar do ranking pela 92ª semana de sua carreira e, somadas às 285 em que liderou, totaliza 337 semanas no top 2. Com isso, enfim supera o norte-americano Pete Sampras, com quem estava empatado até então com números muito semelhantes: Sampras tem 286 como 1 e outras 90 como 2.
Claro que isso é apenas um dado curioso para dar mais sabor à grande conquista de Federer sobre o piso escorregadio de Madri, em que foi testado o tempo inteiro pelo tcheco Tomas Berdych. Ouso dizer que poucas vezes um vice mereceu tanto o troféu de campeão, porque o número 7 do mundo fez uma partida incrível na maior parte do tempo, conseguindo enorme produtividade com seu estilo ofensivo, em que procurou insistentemente paralelas e linhas.
O grande elogio que Federer merece foi quanto a sua capacidade de manter a cabeça fria e utilizar sua grande arma, o saque, em todos os momentos delicados da partida final. Definitivamente, não foi fácil encontrar brechas para desequilibrar Berdych. Vimos incontáveis games de serviço ameaçados, dezenas de trocas de bola em que o suíço sequer tentou ir na bola. O tcheco vacilou muito mais com o saque a favor do que no papel de devolvedor. Enfim, Federer pode realmente ficar feliz, porque a vitória foi quase heróica.
Claro que haverá uma mudança quiçá radical na próxima semana, quando o circuito muda para o saibro vermelho e mais lento de Roma. Não é como Monte Carlo. Porém, depois da rapidez que se viu em Madri, vai ser uma repentina mudança de velocidade. Com os pontos dos Masters zerados, Novak Djokovic estará menos de 1.800 pontos à frente de Federer, que abriu 325 de Nadal. Portanto, todo mundo na briga.
Aliás, o mesmo se pode dizer do circuito feminino, que viu neste domingo a esmagadora vitória de Serena Williams sobre a líder Victoria Azarenka, repetindo o que fizera à número 2 Maria Sharapova duas rodadas antes. Claro que a velocidade de Madri ajudou a norte-americana, mas ainda assim é notável como essa trintona, tal qual Federer, mostra competência e disposição para encarar a nova geração.
E Thomaz Bellucci? Já está fora de Roma, novamente batido por Mikhail Youzhny, outra vez desperdiçando boa vantagem no terceiro set. Para sua sorte, o 69º do mundo não está ameaçado e ele ainda tem chance de chegar a Roland Garros no top 70, onde então decidirá sua chance de ir aos Jogos Olímpicos de Londres.
O saibro azul só joga a favor de Federer
às
22h22 - por
José Nilton Dalcim
O suíço Roger Federer ganhou um incrível presente dos promotores de Madri. Ao tornar a quadra ainda mais veloz do que o habitual, o torneio irritou os dois líderes do ranking, provocou uma série de surpresas e transformou o terreno ideal para o tênis agressivo do número 3 do ranking.
O resultado é que Federer poderá deixar Madri como o vice-líder, a 1.770 pontos do número 1, um resultado completamente imprevisto para a metade da temporada de saibro europeia. Se isso realmente se confirmar - impossível não imaginar Roger como favorito diante de Tipsarevic, Berdych ou Del Potro - estará aberta a porta para a tentativa de volta à liderança, que poderia se dar em Wimbledon e/ou nos Jogos Olímpicos.
Mais nova vítima do piso escorregadio, Novak Djokovic deixou claro que seguirá a sugestão de Rafael Nadal e não voltará a Madri na próxima temporada se o saibro azul persistir. O campeão do ano passado se mostrou pouco à vontade desde a estreia, reclamando da dificuldade de equilíbrio para executar golpes de fundo mais exigentes.
Mas por que isso incomoda menos Federer? Em primeiro lugar, porque ele ganha mais pontos com o saque e tem a opção de subir à rede. Também, ao jogar mais próximo da linha de base, consegue minimizar o deslocamento lateral, ainda que isso lhe custe alguns golpes bem descalibrados. Contra Ferrer, num jogo mais difícil do que indica o placar de duplo 6/4, percebeu-se bem o esforço de o suíço recuperar o passo em alguns momentos.
Tipsarevic é certamente um adversário respeitável. Porém está fazendo sua melhor campanha no saibro na carreira e talvez só mesmo um dia menos inspirado de Federer possa ajudá-lo. Berdych e Del Potro estão jogando um tênis excepcional. Ambos aproveitam bem o saque, estão muito afiados com suas bolas retas de fundo de quadra, mas não têm a mobilidade como principal característica e devem sofrer com as bolas baixas e curtas. Acho que o argentino leva pequena vantagem nesta semifinal.
Aliás, o feminino também terá duas partidas interessantes: a repetição do duelo Azarenka-Radwanska, fortíssimas candidatas a Roland Garros, e Serena-Hradecka, num choque total de estilos e experiências. Serena, aliás, esmagou Sharapova de novo e é outra que certamente deve estar muito feliz com o veloz piso que inventaram.
P.S. Peço desculpas pelo atraso em publicar no novo post, mas eu tinha de ir à Sociedade Harmonia ver e entrevistar (para o Bate Bola) um dos meus ídolos, Fabrice Santoro. Valeu a pena, acreditem.
Não foi o piso quem derrotou Nadal
às
15h58 - por
José Nilton Dalcim
Atualizado às 19h49
A derrota de Rafael Nadal não tem nada a ver com o saibro azul, mas certamente coloca ainda mais ingrediente na polêmica causada pela mudança do piso no mais importante torneio espanhol. A queda tão precoce do ídolo nacional, ferrenho crítico da inovação, irá certamente enterrar a tentativa de perpetuar a nova quadra. Ele já avisou: nem vai jogar em 2013 se a coisa ficar como está.
Mas existem duas coisas distintas que me parece importante observar: Nadal jogou mal provavelmente por causa do piso, mas ele não perdeu devido à quadra. Tentarei ser mais explícito.
Rafa fez provavelmente sua pior partida sobre o saibro desde 2005 em circunstâncias normais (ou seja, sem cansaço ou contusão). Cometeu toda a sorte de erros, inclusive técnicos, e talvez aí o piso escorregadio tenha influenciado. Ele não se mostrou confortável e viu-se cenas de irritação com o desequilíbrio das pernas. Na verdade, a celeuma tão ostensiva que ele próprio criou contra os promotores pode ter gerado mais uma pressão, como se não bastassem todas as pressões naturais do tênis.
Nadal, no entanto, não perdeu por causa da quadra. Afinal, não me consta que tenham alterado o piso depois que ele chegou a 5/2, saque a favor, voleio extremamente fácil. Apesar dos pesares, o número 2 do mundo construiu a vitória. Não ganhou porque não foi o Nadal que conhecemos: errou feio, segurou o braço, vacilou em pontos decisivos e em bolas tranquilas. Sentiu o peso do momento.
Claro que Verdasco merece elogios pela forma com que lutou quando tudo parecia perdido, por ter acreditado até o fim, coisa que nem sempre se viu nele. E foi genuína sua emoção e lágrimas ao final do duelo de 3h09, encerrando a série de 13 derrotas. Se ele vai ganhar agora de Berdych, é outro assunto. O tcheco atropelou Monfils de forma impiedosa. E eu que esperava uma boa partida! Quem passar pega Del Potro ou Dolgopolov, jogo bem interessante. O ucraniano jogou brilhantemente contra Tsonga.
O resultado tão inesperado abriu porta para uma hipótese que poucos imaginariam: Federer pode recuperar o número 2 do ranking ainda em Madri, caso conquiste o título. Isso porque na segunda-feira já caem os pontos de Roma. Mesmo uma final já deixaria Federer grudado no espanhol, ainda que seja difícil imaginar que ele fará melhores campanhas em Roma ou em Roland Garros do que o espanhol. Ao contrário da véspera, o suíço precisou de pouco esforço para detonar Gasquet e se torna favorito natural para encarar Ferrer, que escapou por milagre contra Almagro.
Djokovic continuou a demonstrar sua insatisfação com a quadra, mas tirou Wawrinka em dois dedicados sets e reencontra Tipsarevic. Ele e Federer, como era de se esperar, foram solidários a Nadal. O saibro azul de Madri vai durar muito pouco.
Enquanto isso, Andy Murray escreveu no Twitter: "Parece que estão gostando do saibro azul em Madri... Eu cheguei em Roma e o saibro aqui está horrível".
Federer usa a matemática para escapar da zebra
às
20h39 - por
José Nilton Dalcim
A diferença final do placar indicou apenas um game a mais vencido (na verdade, um tiebreak) e quatro pontos a menos marcados. Não poderia ter sido mais apertada a volta de Roger Federer ao saibro europeu. Houve alguma culpa de sua falta de atividade, um pouquinho devido ao piso escorregadio, mas o maior motivo foi o tênis ousado e quase descomprometido de Milos Raonic.
O canadense impôs o saque, encurtou os pontos o mais que pôde e se saiu muito bem quando precisou aplicar devoluções, passadas ou se manter no fundo de quadra. Em que pese a evidente carência de maior mobilidade, ele encarou Federer em trocas de bola importantes e, como tem sido sua principal característica, jamais teve medo de ousar. Esteve bem perto da vitória. O 15-40 no 3/3 do set final foi uma chance incrível.
Federer, que também havia perdido o primeiro set para Raonic em Indian Wells, não pareceu confortável em quadra na maior parte do tempo. A devolução de saque seria, é certo, um problema, mas um conjunto de coisas não funcionou. Seu imenso leque de recursos o salvou. Apesar de não mostrar tanta firmeza nos voleios, decidiu que pressionar a devolução de backhand do adversário seria o melhor caminho para a virada e contou com o percentual positivo. Levou passadas e errou pontos na rede, porém matematicamente valeu a pena. É assim que se vence no tênis.
A lógica diz que ele terá menor trabalho contra Gasquet e provavelmente chegue bem mais confiante para o duelo contra o freguês David Ferrer, que se atrapalhou com a quadra e com a versatilidade de Stepanek.
Na outra chave, Rafael Nadal desfilou absoluto em cima do descalibrado Nikolay Davydenko, que apesar de tudo ainda continua a ser o tenista com maior saldo positivo em cima do canhoto espanhol (6 a 5), graças às quatro últimas vitórias seguidas que havia obtido. Os tempos definitivamente são outros.
Rafa tem agora Verdasco, no entanto será bem mais interessante o eventual confronto diante de Berdych. Que, aliás, faz um dos dois grandes jogos da quinta-feira contra Gael Monfils. O outro certamente é entre Del Potro e Cilic, ainda mais que o croata se parece cada dia mais com aquele top 10 de tanto potencial de dois anos atrás.
Azul. De raiva.
às
20h22 - por
José Nilton Dalcim
O pior que poderia acontecer, aconteceu. Thomaz Bellucci, depois de um início espetacular de partida, foi cedendo espaço, permitiu a reação e amargou uma terrível derrota logo na estreia do Masters 1000 de Madri no tiebreak do terceiro set. Ele lutou, é bem verdade. E seu adversário foi um nome de peso no circuito, Richard Gasquet. O que na verdade aumenta a frustração pela nova chance perdida.
Diante de um oponente que vinha do nível do mar de Estoril - onde o saibro continua vermelho - era mesmo de se esperar que Bellucci tomasse conta da partida no primeiro set. Ele foi além: jogou um tênis de alto nível, com golpes pesados, grande regularidade e apuro tático, fazendo Gasquet se mexer pela quadra e buscando sempre o contrapé.
Faltou saber matar a partida (tenho a impressão que já escrevi isso antes). Perdeu intensidade no segundo set e um game de saque mal jogado bastou para complicar (idem). Daí a confiança também diminuiu (déjá vu?). Lutou como um bravo e evitou a queda iminente, mas depois fez um tiebreak muito instável. Ou seja, os dois sets finais foram o retrato de sempre do número 1 brasileiro, com extremos altos e baixos. O francês, tenho certeza, saiu de quadra aliviado.
Bellucci permanecerá portanto no risco iminente de perder a vaga direta nos Jogos Olímpicos de Londres. No ranking desta semana, a linha de corte para os 56 inscritos (lembremos que existe o limite de quatro por país) seria exatamente o 70º posto, ou seja, ele está no limite com o provável 68º posto da próxima segunda-feira. Ele vai a Roma na próxima semana sem pontos a defender e depois terá apenas Roland Garros para se safar, um torneio em que foi terceira rodada no ano passado e marcou 90 pontos.
Se servir de algum consolo, Novak Djokovic também sofreu com o saibro azul e ameaçou colocar chuteiras na próxima partida, ironizando o piso escorregadio que deixou Gasquet maluco. Uma coisa é fato: a quadra ficou ainda mais veloz, a tal ponto que até Gael Monfils foi obrigado a disparar winners (alguém viu a espetacular jogada entre as pernas?)
Por isso mesmo, estou bem curioso para ver as partidas de Rafa Nadal e Roger Federer nesta quarta-feira. Uma atuação ruim ou uma derrota desastrosa vão fazer ambos despejarem contra a organização do torneio. Rafa não vem poupando críticas, mas Federer se manteve suiçamente esquivo até agora. Se Raonic jogar tudo o que fez hoje contra Nalbandian, podem vir problemas. Para todos.
Aliás, a organização conseguiu irritar o mundo inteiro hoje, com a queda de horas a fio no placar oficial. Até o site do evento ficou fora do ar. E me desculpem, mas colocar modelos para pegar bolas num uniforme brega daqueles é dar um tiro no pé, não?
Esse Madri vai mesmo ficar para a história.
O desafio azul
às
11h09 - por
José Nilton Dalcim
Confesso que não cheguei a ficar espantado, nem encantado com o saibro azul de Madri. Ao contrário, me ficou a sensação que os promotores deram um tiro no pé. Na intenção era "azular" o piso para aumentar a identificação com o patrocinador principal, o Mutua, acabaram matando a publicidade da própria marca que figura no fundo de quadra. No meio de tanto azul, o fundo sumiu.
Em que pese a polêmica, não imagino que a cor da quadra vá mudar qualquer coisa. É fácil perceber o quanto o saibro madrilenho é mais veloz em relação à maior parte do circuito europeu e isso, a rigor, pode ajudar principalmente os bons sacadores. Nestas primeiras partidas já disputadas, incluindo a chave feminina, vimos muitos pontos e games sendo decididos de forma bem rápida.
Isso só deve ajudar Novak Djokovic, que pode ter algum trabalho com o saque de canhoto de um Feliciano López ou o jogo aguerrido de Gilles Simon já lá nas quartas. Bem mais curiosa está a chave de Roger Federer. Fazendo sua estreia no saibro, o campeão de 2009 terá Raonic ou Nalbandian logo de cara e mais à frente terá certamente testado por David Ferrer (ou Nicolas Almagro). O suíço seria favorito natural em todos os casos, mas é preciso ver se a parada não o enferrujou demais.
Rafa Nadal é o mais incomodado com o saibro azul e daí você pode esperar duas posturas: irritação se as coisas não andarem bem ou um sentimento de superação. Em se tratando de Nadal, melhor apostar na segunda hipótese. Sua chave ficou sem Andy Murray, mas ele pode ter interessantes duelos pela frente, já que deve encarar o tênis agressivo de Tomas Berdych nas quartas e esperar o que vai acontecer entre Jo-Wilfried Tsonga, John Isner e Juan Martin del Potro para uma possível semi.
Precisando desesperadamente marcar pontos, Thomaz Bellucci talvez tenha ganhado uma boa notícia, ao ser sorteado contra Richard Gasquet. O habilidoso francês, vice no Estoril, pode estar desgastado fisicamente (o que nunca foi seu forte) e mais ainda sentir a diferença enorme entre jogar no saibro lento português e na velocidade de Madri. Se conseguir a vitória, terá chance real contra o decadente Viktor Troicki e quem sabe reencontrará Federer, ainda em sua segunda partida do torneio.
O torneio feminino também tem tudo para ser um ótimo aquecimento para Roland Garros. A animada Maria Sharapova, por exemplo, pode cruzar com Jankovic nas oitavas, Serena ou Wozniacki nas quartas.
Bellucci começa Madri como 68º do ranking
às
23h23 - por
José Nilton Dalcim
Vindo de duas semanas de pouco atividade, devido à sempre problemática contusão de abdome, o paulista Thomaz Bellucci tem um desafio e tanto pela frente a partir de segunda-feira, quando começa o azulado Masters 1000 de Madri, um dos saibros mais velozes do circuito atual devido à altitude de 655m em relação ao nível do mar da capital espanhola.
Retirados por antecipação os 360 pontos que defende no torneio - o calendário de 2012 está uma semana defasado das datas de 2011 por causa dos Jogos Olímpicos -, o número 1 do Brasil aparecerá pelo menos no 68º posto na lista da próxima segunda-feira, com chance (bem pequena) de perder mais uma ou até quatro posições para concorrentes que estão em quadra em Belgrado e Munique.
Isso quer dizer que Bellucci precisará de um sorteio muito favorável para que consiga ganhar partidas. Sua única vantagem é não ter nada a defender em Roma (parou na estreia), mas em seguida tem de repetir 90 de duas vitórias em Roland Garros. Caso contrário, beirando o número 70, há um risco considerável de ele não obter a vaga olímpica, cujo ranking de corte deve ficar próximo ao 75º e será definido justamente ao final do Grand Slam parisiense.
O tênis brasileiro fica assim numa inesperada e delicada situação de não conseguir colocar um representante sequer nas chaves de simples dos Jogos de Londres. Já considerando a boa campanha de Belgrado, João Souza está neste momento no 102º posto, com 519 pontos. Portanto, necessitará ganhar cerca de 120 novos pontos, uma tarefa difícil já que ele não tem vaga em Madri ou Roma, restando lutar no duríssimo qualificatório.
Conversando com quem entende do assunto, a ruptura do músculo do abdome sofrida por Bellucci é considerada uma das mais chatas para um tenista, já que a região é especialmente importante na execução do saque e geralmente o tratamento exige uma parada completa de atividade. Vamos torcer para que ele tenha se recuperado e possa jogar seu máximo em Madri.
Dedos cruzados.
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Números mostram que saque de Nadal evolui em 2012
às
00h07 - por
José Nilton Dalcim
O jejum de títulos e a série negativa contra Novak Djokovic terminaram, a alcunha de 'rei do saibro' voltou e até mesmo a chance de brigar pela liderança do ranking não parece mais tão distante. Boa parte dessa reação do espanhol Rafael Nadal se deve ao empenho em melhorar um ponto fundamental: o saque.
Estudo feito por Joel Drucker e publicado no site da ATP já mostrava progresso de Nadal nos quatro torneios disputados sobre o piso sintético neste início de temporada. Antes de Monte Carlo, o espanhol havia ganhado 88% dos games de serviço, 6% a mais do que em 2011, e salvado 71% dos break-points contra 63% da temporada anterior.
O que vimos no saibro de Monte Carlo e Barcelona foi relevante. Nadal manteve a média de 88% de games de saque vencidos, o que certamente é mais difícil nos pisos lentos, e conseguiu aumentar os break-points evitados, que saltaram para 73%. Isso quer dizer que Nadal não tem apenas colocado o primeiro serviço em quadra, com efeitos, como costumava fazer, mas que está mesmo forçando mais.
O percentual de acerto do primeiro saque cresceu significativamente na quadra dura, indo de 65% para 70% em comparação às duas fases de piso duro. E caiu muito pouco no saibro, chegando a 69%. "Ter um saque que ganhe mais pontos e ao mesmo tempo que seja um problema para adversários como Djokovic, que tem excepcional devolução, são pontos essenciais para Nadal", analisa Drucker. E concordo completamente com ele.
O colunista assinala que a melhor temporada de Nadal sobre o saibro foi em 2010 e teve números notáveis: ganhou 91% dos games de serviço, salvou 77% dos break-points e ganhou todos os 22 jogos que disputou, tornando-se o primeiro e único a ganhar seguidamente os três Masters de saibro e Roland Garros.
Ranking - Ainda dá para Nadal brigar pelo número 1 na temporada de saibro? Matematicamente sim, mas é muito pouco provável. A distância para Djokovic caiu para 2.850, já que o líder do ranking abriu mão de Belgrado. Se o espanhol ganhar Madri e Roma, somará 800 e tirará pelo menos mais 800 do sérvio, que defende os títulos. A diferença ficaria então na faixa de 1.250 pontos, quantia impossível de ter tirada em Roland Garros. Então, só mesmo campanhas muito fracas de Nole nos três torneios podem dar alguma chance de briga. Não acredito.
Jogadores ganham primeira batalha na guerra dos prêmios
às
19h45 - por
José Nilton Dalcim
Liderados pelos quatro melhores do ranking, os tenistas conseguiram finalmente falar a mesma língua e obtiveram duas importantes vitórias. No anúncio de aumento de premiação, tanto de Roland Garros como de Wimbledon, o maior percentual ficou para os perdedores de primeira rodada, com severa diminuição dos ganhos para as rodadas de oitavas de final em diante.
A Federação Francesa anunciou 7% a mais na premiação total, que sobe para a casa dos R$ 47,1 milhões, dando 20% a mais para os derrotados na estreia. Já Wimbledon aumentou em 10% e atingiu o patamar de R$ 49,1 milhões. Favoreceu bem mais os que caem na primeira rodada, que terão faturamento maior de 26% (de R$ 35,1 mil para R$ 44,3 mil), enquanto os que forem adiante a partir das oitavas receberão "apenas" 5% a mais.
O presidente do All England Club, Philipp Brook, revelou na quarta-feira ao diário Daily Telegraph que ficou surpreso: "Nadal, Federer, Djokovic e Murray pediram um encontro comigo em Indian Wells e solicitaram em nome de todos os tenistas que fosse feito algo em favor dos jogadores de ranking mais baixo, que consequetemente têm mais despesas e menos patrocinadores para viajar pelo circuito", contou Brooks. "Isso não acontece em muitos esportes, eles merecem crédito por isso".
A reportagem do Telegraph lembra muito bem que o milionário mundo do tênis profissional ainda paga muito mal suas estrelas. Segundo eles, o 100º mais bem pago jogador de futebol fatura até US$ 10 milhões numa temporada, enquanto qualquer golfista entre os 250 do ranking atinge mais de US$ 1 milhão. Em comparação, o italiano Simone Bolelli fechou o ano de 2011 como 100º da ATP e com acúmulo total de US$ 300 mil. Num esporte individual e de proporções mundiais como o tênis, que exige equipe e viagens constantes, as despesas são muito elevadas e comem pelo menos metade disso.
Curiosamente, a única voz que se levantou contra a medida foi a do croata e já aposentado Ivan Ljubicic, que já foi membro do conselho diretivo da entidade. Para ele, esse aumento de premiação nas rodadas iniciais seria algo como "recompensar os fracassados".
Explicando - A decisão de Mardy Fish em não disputar os Jogos Olímpicos levantou discussões, principalmente entre a mídia norte-americana. Afinal, não é uma atitude esperada para um top 10. Ele, no entanto, justificou que está vivendo problemas de saúde pouco habituais, como uma estranha fadiga que não tem motivo aparente.
Momento histórico - O Camboja conseguiu um feito histórico no final de semana: em sua primeira participação na Copa Davis, ganhou o Grupo 4 do Zonal Ásia/Oceania, o mais baixo da Copa Davis, que equivaleria a uma "quinta divisão". O fato curioso disso é que existem menos de 30 quadras de tênis em todo o país, quase o mesmo do que as 27 do complexo de Doha, no Catar, onde foram disputadas as partidas. Aliás, o clube Pinheiros, em São Paulo, tem sozinho 24.
Nadal, Djokovic e Federer contestam o azul de Madri
às
20h45 - por
José Nilton Dalcim
O primeiro torneio sobre saibro pintado de cor azul será disputado dentro de duas semanas em Madri. Contra a vontade da maioria dos jogadores, entre eles exponentes como Rafael Nadal, Novak Djokovic e Roger Federer. Os tenistas foram voto vencido em novembro, quando a ATP autorizou Madri a fazer a mudança de cor, e acusam hoje o então presidente da entidade, Adam Helfant, de ter agido de forma autoritária e atendido apenas o interesse dos promotores.
O sempre polêmico Ion Tiriac, romeno que detém o direito de promover o mais importante torneio da Espanha, afirma que gastou US$ 10,6 milhões para reformar as quadras da Caixa Mágica com o intuito de melhorar a visibilidade da bola para os espectadores, especialmente da TV. Mas poucos acreditam realmente que sua intenção tenha sido tão nobre. Na verdade, azul é a cor do principal patrocinador do evento, o banco Mutua.
"Madri já é o único torneio da série de saibro na Europa disputado com altitude e quadra com teto retrátil e agora teremos ainda um piso de cor diferente. Não acho que seja ideal para os tenistas uma mudança tão grande na semana anterior a Roma e pouco antes de Paris", discursa Nadal. "Não consigo entender como a ATP aceitou isso. Os jogadores foram contra, mas o presidente votou por todos nós".
"É incrível que o presidente da ATP possa decidir alguma coisa sem que os tenistas aprovem. Isso precisa mudar", contesta Djokovic. O sérvio diz não ser contrário a inovações, que podem ser benéficas para o circuito, mas isso tem de ser aprovado pelos jogadores. "Todo mundo com que conversei não concordou, incluindo Rafa e Roger (Federer). Então, se os tops não gostam da ideia, não tem sentido aprovar".
"Essa é uma longa história, mas acho triste que você tenha que jogar sobre um piso que os tenistas não aceitaram. E mais triste ainda que Rafa, jogando dentro de seu próprio país, tenha que lutar contra algo que ele não quer", declarou Federer.
O único dos top 4 que não se mostrou radicalmente contra a mudança foi o escocês Andy Murray. "O fato ruim é que estamos há poucos semanas de Roland Garros, que é disputado no saibro tradicional. Mas para ser sincero, assisti a alguns jogos de Madri no ano passado (pela TV) e era realmente difícil ver a bola".
O novo presidente da ATP, Brad Drewett, prometeu reunir os jogadores no próximo mês e diz que poderá revogar a medida que autorizou a mudança de cor no piso já para 2013.
De minha parte, eu vasculhei a internet em busca de vídeos que mostrassem ao menos alguns lances sobre o saibro azul. Não existe quase nada, a não ser um encontro neste fim de semana dos voluntários (clique aqui para ver) e um sobre a construção da quadra (clique aqui). Não consegui avaliar. Fiquem à vontade para ver os vídeos e comentar.
Nadal confirma expectativa. Mas o saibro continua aberto.
às
20h23 - por
José Nilton Dalcim
Talvez a única surpresa deste domingo em Monte Carlo tenha sido a completa falta de reação do sérvio Novak Djokovic no segundo set de sua final diante do rei absoluto do torneio monegasco, Rafael Nadal. Mas até isso era de certa forma esperado. Com evidente desgaste mental sofrido ao longo de uma semana em que se misturaram desafios esportivos e pessoais, Djokovic explicou no final do dia o óbvio: estava emocionalmente sem energia.
Nadal já seria um adversário bem difícil de ser superado em Mônaco sob condições normais. Um dos pisos mais lentos do circuito atual, ele permite que o espanhol execute à perfeição seu estilo. E não é só isso. A série incrível de títulos e vitórias no torneio, sobre todos os maiores expoentes do tênis atual, lhe dá uma gigantesca confiança, um sentimento de invencibilidade.
A fraqueza de Djokovic, como se temia, foi ter entrado em ritmo inadequado em quadra, como há havia acontecido por duas vezes na semana. A perda do primeiro set para Nadal se mostraria um desastre no quesito mental, mas ainda assim a atuação foi muito frágil. Se colocados na balança todos os ingredientes desta semana, é completamente compreensível.
O fim da série de sete derrotas consecutivas, no entanto, não é sinal de que Rafa reinará soberano no saibro europeu, exceção é claro ao torneio de Barcelona que começa nesta segunda-feira e onde dificilmente ele deixará de erguer o sétimo troféu. O resultado positivo estará no fato de que Nadal provavelmente vai se sentir bem mais leve. Porém, Djokovic também sabe que as circunstâncias que viveu em Mônaco foram anômalas. E não se pode esquecer que a altitude de Madri torna o jogo bem mais veloz e que Roma, com piso mais rígido, é um meio termo entre os outros dois Masters do saibro.
Então, a temporada de terra batida continua bem aberta e talvez ainda mais interessante, com Nadal revigorado.
Ranking - Djokovic aumentará para 3.555 pontos sua distância na liderança do ranking nesta segunda-feira, o que é bem mais que os dois Masters e a semi de Roland Garros que tem a defender na temporada europeia de saibro. Como não se imaginam surpresas espetaculares nesses torneios, ele deve chegar com grande folga em Wimbledon e ganha enorme chance de ser o cabeça 1 nas Olimpíadas.
Marcas - Nadal sobe sua marca no saibro para 236 vitórias e 18 derrotas, aumentando a eficiência para 92,9%. Desde sua ascensão definitiva em 2005, está com 209 triunfos em 217 confrontos, ou seja, 96,3%. Agora, são 33 títulos em 37 finais, ficando a sete de Thomas Muster (40) e a 12 de Guillermo Vilas (45). Os dois únicos a deixá-lo com o troféu de vice foram Djokovic e Roger Federer.
Confirmado - O duelo que talvez muita gente gostaria de ver no Brasil vai acontecer em Buenos Aires, no dia 12 de dezembro: Federer irá enfrentar Juan Martin del Potro, tendo na preliminar Guillermo Coria contra Gastón Gaudio. O ingresso deverá ser salgado: cerca de R$ 160.
A maior chance de Nadal
às
19h58 - por
José Nilton Dalcim
Se existe um lugar onde Rafael Nadal tem de ser considerado favorito contra Novak Djokovic é no saibro lento da úmida Monte Carlo. Não existe lugar mais perfeito para seu tênis e a história está aí para mostrar, com números e fatos, que o canhoto espanhol tem sido imbatível no Principado, quem quer que seja seu adversário. Até Nole já perdeu dele lá, na final de 2009.
O favoritismo também serve para a decisão deste domingo. Nadal leva vantagem teórica em todos os planos. No técnico, Monte Carlo é a representação perfeita do autêntico saibro europeu dos velhos tempos, ou seja, onde a força não é fator decisivo, mas sim pernas, preparo físico, inteligência tática, concentração máxima. O ponto tem de ser trabalhado. E nisso Rafa é um mestre.
Na questão tática, é sabido de que os spins altos no backhand não vão incomodar Djokovic, mas na mesma proporção as paralelas de backhand do sérvio terão menor eficiência. São dois tenistas que chegam em todas as bolas.
Mas o quesito que mais pende para o lado de Nadal é o mental. Além de estar no seu Olimpo, o espanhol demonstrou ao longo da semana vivenciar astral bem mais alto e aí nem é preciso lembrar da tragédia pessoal que atingiu Novak. O sérvio tem feito um elogiável esforço para continuar vencendo, mas diante de Nadal, cuja distância é mínima como provou Melbourne, a coisa tende a ser diferente.
Na verdade, imagino que só exista uma chance real de Nole levar esse titulo e cravar uma oitava vitória seguida sobre o rival: ganhar o primeiro set. Isso vai igualar tudo no plano psicológico e aí ele pode até levar em dois sets. Caso comece tão vacilante como se viu diante de Dolgopolov e Berdych, será extremamente difícil conquistar um dos raros grandes troféus que ainda lhe falta.
Aliás, Djokovic tentará repetir Gastón Gaudio e ganhar três vezes de Nadal no saibro. E buscará ser o primeiro a vencer três finais do espanhol na terra batida (ele e Roger Federer venceram duas até hoje).
Adeus - Preciso registrar aqui o pesar pela perda do amigo e batalhador Beto Almeida, uma das grandes pessoas que conheci nos meus 30 anos de tênis. Estivemos juntos há poucas semanas em Ribeirão Preto e, apesar de estar muito debilitado, Beto não deixou de falar com empolgação do tênis, de seus projetos e anseios. Vai fazer muita falta.
Tudo pronto para o 31º capítulo
às
18h52 - por
José Nilton Dalcim
Tomas Berdych resiste a Novak Djokovic? Está 8 a 1. Gilles Simon dá trabalho a Nadal? O placar é um pouco menos elástico, 4 a 1. Mas no saibro lento de Monte Carlo, é praticamente impossível não imaginar que os dois melhores do mundo irão decidir o título no domingo e chegar a um incrível 31º duelo.
Claro que Nadal x Federer se tornou um clássico, nem tanto pelas 21 finais em 28 duelos, mas principalmente pela importância dos títulos em disputa e ainda mais pelo antagonismo dos estilos. Mas vejam só. O espanhol e o sérvio fizeram até hoje 30 partidas, 12 delas valendo ttroféu. Dos últimos nove confrontos, quatro valeram título de Grand Slam e outros quatro de Masters (houve mais duas finais de Masters). E isso desde 2006, ou seja, em pouco mais de cinco temporadas completas.
Berdych merece elogios pelo tênis que demonstrou contra Andy Murray. A quadra favorecia muito mais a paciência (muitas vezes irritante) do escocês, mas Berdych soube atacar na hora certa. Deveria até ter vencido em dois sets porque o escocês foi uma decepção no plano tático. Limitou-se a trocar bolas, a querer ganhar na regularidade e no toque, o que não combina com o número 4 que ocupa no ranking.
Simon por sua vez se aproveitou muito mais do dia fraco de Tsonga. Não é mesmo um tenista verdadeiramente de saibro, mas improvisa bem e compensa com suas pernas espetaculares. Difícil imaginar que dará muito trabalho a Nadal, desde é claro que o espanhol jogue seus 75%. O mesmo se pode dizer de Berdych contra Djokovic. O tcheco tem na verdade mais recursos que o francês - principalmente o saque -, mas a cabeça está a anos-luz do sérvio.
Com a vitória de hoje, Nadal ganha uma rodada de quartas de final sobre o saibro pela 33ª vez consecutiva. A última vez que chegou lá e perdeu foi para Igor Andreev, em Valência de 2005. Nesse exato período, ganhou 207 jogos e perdeu oito, ou seja, 96,3% de eficiência, jamais tendo perdido mais do que dois jogos por ano na terra batida. Mesmo se considerarmos os dois primeiros anos da carreira, em 2003 e 2004, ele ainda atinge 92,8% (234 vitórias e 18 derrotas).
Bellucci faz força para perder. Conseguiu.
às
19h38 - por
José Nilton Dalcim
Como vencer uma partida se você joga 17 games e comete a média de 2,3 erros por game? Como se pode incomodar um adversário se você lhe dá de presente 40 pontos do seu total de 73, ou seja 55% dos pontos de graça?
Impossível. Me permito aqui 'roubar' a abertura do texto sobre o jogo de TenisBrasil, que para mim reflete os dois momentos de Thomaz Bellucci em Monte Carlo de forma cristalina: "Tudo o que fez de correto diante do número 6 do ranking na véspera, acabou dando errado frente ao 55º do mundo no saibro pesado de Monte Carlo". Exatamente isso. A paciência para buscar a bola mais ofensiva na hora certa, o primeiro saque afiado, a variação tática simplesmente sumiram.
O holandês Robin Haase não é bobo, mas não é gênio. Ficou trocando bolas e esperou as falhas de Bellucci. Ele próprio perdeu dois serviços de forma bisonha, mas em nenhuma das vezes que sacou com 2/3, no primeiro e segundo sets, o brasileiro jogou de forma decente. Atuação desastrosa, quase incompreensível para quem vinha mostrando tamanha qualidade nas partidas anteriores.
Alguém me disse que Bellucci se atrapalha com adversários defensivos. Mas existem poucos tenistas mais defensivos do que Ferrer, e tudo se encaixou ontem. Aliás, como aconteceu com o mestre do contraataque Andy Murray no ano passado. A minha impressão é que Bellucci foi vítima outra vez de sua ansiedade. As condições eram difíceis: quadra pesada, clima úmido, jogo lento. Até Haase, que está longe de ser um Nadal em termos de movimentação lateral, chegava nas bolas mais difíceis e devolvia tudo. Ganhar muitos pontos com o primeiro saque? Pouco provável. Mas Bellucci ficou ali, martelando, beliscando linhas, sem visão tática mais apurada do que estava acontecendo.
Enfim, página virada. Olhando o lado positivo, Bellucci ganhou duas partidas na lentidão de Monte Carlo, obteve a maior vitória da carreira e reagiu no ranking. Precisa de um pouco de sorte em Barcelona e em Munique, principalmente para manter a confiança em alta até Madri, onde a altitude lhe devolve suas condições prediletas.
Números - Já que comecei o post de hoje com dados estatísticos, nada melhor do que falar em Novak Djokovic e Rafael Nadal pelo mesmo ângulo. Vejam que notável. Desde o início da temporada mágica de 2011, Nole fez 100 partidas e ganhou 92 delas. E o 'rei de Mônaco' tem agora 41 vitórias em 42 partidas disputadas no Principado, período em que cedeu apenas oito sets. Sensacional em ambos os casos, não?
Djokovic nos emocionou hoje. Diante de uma tragédia pessoal, o espírito profissional falou mais alto. Foi à quadra e jogou com o coração. Impossível não se arrepiar com a cena final, os dedos para o céu e as lágrimas correndo soltas. E olha que Dolgopolov jogou bem, principalmente o primeiro e terceiro sets, o que reforça o feito do número 1.
E o jogo de Rafa? Bem, jogo é força da expressão, porque Mikhail Kukushikin mal serviu para sparring. Um dado chama a atenção: o canhoto espanhol venceu 72% dos pontos disputados, algo muito superior à média de 60% de jogos masculinos profissionais, o que demonstra o quão longe ele está do 68º do mundo numa quadra de saibro lenta.
Quanto às quartas, fico mais curioso para ver Murray x Berdych (mas às 5h30 da manhã? Que dureza!). A atuação de Jo-Wilfried Tsonga na quadra pesada foi tão notável que ele pode até atropelar Gilles Simon. Difícil acreditar que Stanislas Wawrinka roube set de Nadal e Nole só terá algum trabalho com Haase se o seu emocional estiver perturbado.
Registro histórico - Como jamais podemos esquecer dos feitos de Guga Kuerten, vale mencionar que Djokovic completou nesta segunda-feira a 42ª semana como líder do ranking e fatalmente igualará Guga na próxima semana. Desde 2001, apenas Federer, Nadal e Hewitt ultrapassaram a marca de Guga na quantidade de semanas como líder.
Bellucci relembra seus dias de Madri e marca maior vitória
às
17h53 - por
José Nilton Dalcim
A Copa Davis pode ter mudado a temporada de Thomaz Bellucci. A espetacular reação contra Alejandro Falla, num jogo que certamente teria determinado a queda brasileira em caso de derrota, motivou de vez o nosso número 1. Dono de um tênis que todo mundo sabe ser de grande qualidade, tudo de repente parece ter se encaixado e, desde o domingo mágico contra Santiago Giraldo, ele talvez tenha se lembrado do lugar que ocupou entre os 25 melhores do mundo.
O desempenho desta quarta-feira contra David Ferrer foi brilhante. Novamente, é justo se dizer que o espanhol não jogou no mesmo nível que vinha tendo na temporada, mas também é fato que Bellucci assumiu a mesma postura de suas três últimas partidas. Ou seja, começou num grande ritmo, agressivo mas com poucos erros, e isso sufocou o número 6 do mundo. Era nítida a falta completa de rumo que Ferrer mostrava nos games finais do segundo set, como a não saber mesmo o que mais adiantaria diante do ousado canhoto.
Pode não ter sido a maior atuação do brasileiro na carreira, porém certamente registrou sua maior vitória individual. Vale lembrar que, quando superou Andy Murray em Madri, o escocês vivia uma fase bem pouco inspirada. Ferrer, além de ser muito mais jogador de saibro - é o atual vice-campeão de Monte Carlo, entre tantas outras coisas -, não pode se queixar de falta de ritmo ou de confiança. Perdeu porque Bellucci se mostrou tão superior como o placar indica.
Thomaz está bem perto de mais uma quartas de final de nível Masters, ainda que todo cuidado seja necessário diante de Robin Haase, que jogará exatamente na condição de franco-atirador. Mas o holandês tem um tênis parecido com o de Kevin Anderson da estreia, ou seja, muita potência e menor regularidade do que o saibro lento de Monte Carlo exige, então mais do que natural que Bellucci seja o grande favorito. Se confirmar, terá tudo para uma revanche contra o agora número 1 do mundo Novak Djokovic, que levou aquele susto no ano passado em Madri porque o brasileiro jogou da mesma forma com que surpreendeu Ferrer e destruiu Giraldo.
Quanto a Djokovic, um jogo muito tranquilo como era de se esperar diante de Seppi. Também Rafa Nadal não fez muito mais do que um bom treino contra Jarkko Nieminen, um tenista perigoso e de potência, que até chegou a roubar um serviço do espanhol. A rodada desta quinta não deve trazer maiores perigos para nenhum deles.
Com Olimpíadas em perigo, Bellucci dá outra mostra de reação
às
20h08 - por
José Nilton Dalcim
Foi bem legal assistir a um motivadíssimo Thomaz Bellucci em sua estreia na dificíliima temporada de saibro na Europa. Tudo bem, Kevin Anderson não jogou aquelas coisas, foi precipitado e falhou muito nas devoluções, porém há muito mérito do brasileiro na própria atuação fraca do adversário. Porque Thomaz soube ser agressivo desde a primeira bola, buscou movimentar sempre Anderson e abusou de winners. Para completar, o saque continuou afiado e houve excelentes variações, de deixadinha a saque-voleio.
A missão do número 1 nacional nesta nova fase de sua carreira é complicada. Beirando o top 50, não será jamais cabeça de chave nos grandes torneios e precisará repetir preciosos pontos para não amargar severa queda no ranking, o que às vésperas das Olimpíadas pode ser um desastre monumental. Vale lembrar que a lista dos participantes será baseada na classificação de 11 de junho, ou seja, imediatamente após Roland Garros e o término da temporada de saibro. Calcula-se que o ranking de corte seja por volta do 75º posto.
Monte Carlo ilustra muito bem o tortuoso e áspero caminho das pedras. Depois de sua ótima estreia no torneio monegasco, Bellucci vai encarar logo o espanhol David Ferrer, um dos raríssimos especialistas de saibro de carteirinha da atualidade, que ainda por cima vive a melhor fase de sua carreira e anda extremamente confiante. Vencer o número 6 do mundo nesta quarta-feira me parece uma tarefa mais difícil do que foi bater Andy Murray ou Tomas Berdych em Madri do ano passado.
O que se pode desejar é que ao menos Bellucci tenha uma atuação digna contra Ferrer, no grau exato em que não mexa com sua confiança, que parece estar em alta depois da virada heróica na Copa Davis de Rio Preto. Daí, é esperar por melhores sorteios para as demais etapas.
A rodada desta terça-feira teve ainda o passeio de Andy Murray diante do decadente Viktor Troicki, um bom Jo-Wilfried Tsonga (bom, mas o aniversariante cansou de treinar em Monte Carlo, não?) e a desilusão de Juan Monaco, que teve incrível torção de tornozelo quando estava com tudo para ganhar a partida. Pior ainda, é o tipo de contusão que pode tirá-lo por quatro semanas da quadra e atrapalhar justamente seu calendário de saibro em momento de alta.
Nesta quarta, estreiam Novak Djokovic e Rafael Nadal, mas em jogos que não parecem perigosos. O espanhol reclamou ontem do joelho e do pouco tempo de treino, mas não acredito que isso tire o apetite do 'rei do saibro'.
O que esperar do saibro europeu
às
11h16 - por
José Nilton Dalcim
A temporada de saibro deu a largada na semana passada, em Houston e Casablanca, mas o que importa mesmo é o que acontecerá a partir da terça-feira na lentidão de Monte Carlo. Será o início de um período curto porém intenso sobre a terra batida para os melhores do mundo, que inclui um Grand Slam, três Masters e um 500.
Claro que a grande expectativa é sobre um duelo direto entre Rafael Nadal e Novak Djokovic pelo domínio sobre o saibro e, quem sabe, até a liderança do ranking. A tarefa é bem difícil para ambos. O espanhol inesperadamente perdeu duas finais para o sérvio em 2011, em Madri e Roma, mas manteve a soberania em Monte Carlo, Barcelona e principalmente em Paris.
Para colocar mais ingredientes no molho, Rafa retorna a seu habitat com a eterna preocupação dos joelhos e Nole, a bem da verdade, não tem se mostrado mais tão imbatível como antes. A dúvida, no entanto, é: existe algum adversário à altura no saibro?
O lógico seria pensar em Roger Federer e Andy Murray, mas o suíço encurtou ao máximo sua participação no saibro e limitou o calendário a Madri, Roma e Paris, certamente se poupando fisicamente para a fase de grama, que inclui as Olimpíadas. No fundo, ele pode se aproveitar do desgaste dos dois líderes, exatamente como aconteceu em Roland Garros do ano passado.
Murray seria um candidato mais natural. Embora não tenha disputado qualquer final em 2011, ele mostrou progressos com três semis, incluindo o Aberto francês. Treinado agora por um autêntico especialista no saibro - curiosamente, Ivan Lendl ganhou seu primeiro Slam, após muita cobrança, aos 24 anos e em Paris -, não custa imaginar um salto de qualidade no tênis do britânico.
Os demais aparecem como coadjuvantes. David Ferrer e Nicolas Almagro já se habituaram a ficar pelo caminho; Juan Martin del Potro permanece como uma incógnita diante dos grandes; e John Isner poderá responder sobre suas chances a partir de Madri, um saibro aliás mais veloz e que combina melhor com seu estilo. Zebras? Talvez o embalado Juan Monaco ou o recuperado Marin Cilic consigam arrancar uma ou outra boa campanha.
Quanto à liderança, não dá para haver luta pelo número 1, a menos que algum grande desastre aconteça. Descontados os pontos de Monte Carlo, Nadal está nesta segunda-feira mais de 3.400 pontos atrás e só teria chance matemática se Djokovic perdesse muito precocemente em todos os Masters ou em Roland Garros, algo que não passa pela cabeça de ninguém.
E Thomaz Bellucci? Vai ficar por conta da sorte na formação das chaves. A lógica diz que terá de enfrentar um cabeça de chave inevitavelmente entre a primeira e segunda rodadas de qualquer torneio grande. Além da semi e dos 360 pontos em Madri, tem 90 em Paris, num total de 450. Assim, se conseguir ao menos ganhar uma partida em cada Masters somará 135, podendo repetir os 90 em Paris, o que minimizaria a queda que parece inevitável para a faixa do 60º posto.
Paris tenta afastar perigo do boicote. E Minas vai ter CT.
às
12h20 - por
José Nilton Dalcim
Boicote a Roland Garros? Por enquanto, são apenas boatos, mas a imprensa francesa começa a dar destaque à possibilidade de os tenistas novamente voltarem à carga com seu descontentamento diante do calendário e principalmente da distribuição de premiação nos grandes torneios. Segundo a principal TV esportiva a cabo do país, que entrevistou o ucraniano Sergey Stakhovsky, o assunto tem sido tratado entre os tenistas e não está totalmente descartada a chance de uma retirada.
A Federação Francesa diz estar tranquila, mas se antecipou a qualquer crítica no início desta semana, ao anunciar o aumento da premiação de Roland Garros. O crescimento no geral foi de 7% em relação a 2011, porém o valor da primeira rodada cresceu 20% (18 mil euros) em detrimento das quartas de final, que teve acréscimo de apenas 3,3%.
Isso de certa forma vai em direção ao que os tenistas do escalão inferior desejam. Porém, está bem distante do que os líderes do movimento, entre eles Rafael Nadal e Andy Roddick, argumentam. Enquanto modalidades como a NBA repartem com os atletas 50% do faturamento - participação obtida após recente greve -, eventos como o Aberto francês faturam 47,5 milhões de euros e pagam 17,5 milhões aos tenistas dos dois sexos. Os jogadores acham a disparidade enorme, mas a Federação reage e explica que grande parte desse lucro é destinado ao desenvolvimento do tênis.
Stakhovsky, que se tornou uma espécie de porta-voz dos descontentes, argumenta: "Para jogar Indian Wells e Miami, eu coloquei dinheiro do bolso. Não vale a pena estar no top 100 com o aumento dos custos. Mesmo um futebolista ucraniano top 100 ganha mais do que eu. Os grandes patrocinadores só querem saber dos quatro ou cinco melhores do ranking". Ele estima que 30% da premiação no circuito masculino acabe no bolso de Djokovic, Nadal, Federer e Murray e por isso o movimento precisa ser encabeçado pelos tenistas de baixo.
O capitão francês da Copa Davis, intimamente ligado à Federação, não acredita em boicote. "Não vai acontecer. Estão todos atentos à reivindicação dos jogadores, que muitas vezes são legítimas. Mas todos terão de jogar em Paris, devido ao alcance global e a seus contratos", aposta ele, que não perde a chance de alfinetar Federer: "Os Grand Slam estarão de pé daqui a 15 anos, quando as estrelas de hoje terão desaparecido. Para alguns, isso vai acontecer em breve".
CT em Minas - Internautas mineiros me encaminham reportagem do portal Terra da semana passada, dando conta que um grupo europeu está bancando a construçãode um gigantesco Centro de Treinamento para tênis no Vetor Norte de Belo Horizonte, com custo estimado em R$ 3,6 milhões e capacidade para atender até 1.500 pessoas por dia.
O complexo terá 24 quadras, sendo oito cobertas, tanto para saibro como para quadra sintética, com previsão de entrega no primeiro semestre de 2014. A ideia, na verdade, é ter quatro quadras funcionando já no próximo ano.
Outra ótima notícia é que o local contará também com uma arena multiuso, que poderá ter grande utilidade para torneios nacionais e internacionais. "Será uma referência para o Brasil", acredita o empresário Paulo de Tarso, consultor do empreendimento.
Rússia: respeito, mas esperança
às
08h55 - por
José Nilton Dalcim
Fossem cinco anos atrás, e enfrentar a Rússia mesmo dentro de casa seria desanimador. Mas hoje, apesar do devido respeito ao adversário, dá para comemorar. Os russos, que têm atualmente três tenistas no top 40, serão a barreira para o tênis brasileiro retornar ao Grupo Mundial da Copa Davis, em duelo marcado para setembro, logo após o US Open.
A última vez que os russos jogaram no saibro em uma rodada da Davis foi em 2008. Naquela temporada, ainda com Marat Safin, ganham dos tchecos em casa e depois perderam da Argentina, com placar apertado, em Buenos Aires. Davydenko tinha grande peso no time, mas os tempos eram outros.
Na recente derrota russa para a Áustria, num piso sintético coberto, Davydenko só atuou em duplas, ao lado de Mikhail Youzhny, e ambos anotaram o único ponto dos visitantes. Os titulares de simples foram Igor Kunitsyn e Alex Bogomolov. No ranking desta semana da ATP, não há qualquer russo entre os top 30. Youzhny, que se diz aposentado da Davis mas sempre volta e joga, é o 35º, seguido pelo ex-top 10 Davydenko, agora 38º. Bogomolov, que andou perdendo na estreia até de challenger, figura como 40º.
Claro que apesar de estar longe de seus melhores dias - ganharam a Davis de 2002 e 2006, com Kafelnikov e Safin -, é um país com grande tradição e merece respeito, até porque o Brasil de hoje também não tem um time espetacular. Sem um número 2 experiente, tudo fica nas mãos de Thomaz Bellucci e da dupla. Não pode haver falhas.
No ano passado, mesmo na quadra dura coberta, estivemos a dois match-points da vitória contra os russos e da vaga, graças a um fim de semana inspirado de Bellucci. Com o desempenho de Rio Preto, deve-se imaginar que o fantasma de jogar a Davis em casa foi superado e que a torcida então virou uma arma importante. Dá para acreditar sim que a hora de voltar à elite da Davis chegou.
Aliás, observe-se que, no caso de uma eventual ascensão ao Grupo Mundial de 2013, a chance de jogar em casa também é muito boa. Diante dos oito cabeças de chave, segundo o ranking de hoje, receberíamos Espanha, Croácia, República Tcheca e Áustria; teríamos sorteio de sede diante da Sérvia; e jogaríamos fora contra Argentina, EUA e França.
Nos outros sete duelos da repescagem, destaque para a Suíça, que corre risco na Holanda caso Federer não atue. O Chile terá mínimas chances ao ir para a Itália e Alemanha deve fazer um duelo bem equilibrado contra a Austrállia, em qualquer piso. Japão recebe Israel como favorito, a Suécia irá até a Bélgica, os sul-africanos recebem o Canadá e o Cazaquistão duela com o Uzbequistão.
O grande momento de um tênis sem-teto
às
11h06 - por
José Nilton Dalcim
O tênis brasileiro vive, sem dúvida, uma fase de ouro. Tudo bem, não temos um top 30 no momento, mas não faltam esperanças. O trabalho de base, ainda que longe do esperado, dá frutos. Os promotores aumentam e sofisticam o calendário, os grandes eventos chegam a atraem multidões. Mas continuamos sem teto, aguardando pacientemente o centro prometido para os Jogos do Rio em 2016.
Ao mesmo tempo que comemoramos a vinda de torneios promissores para cá, fica a inevitável interrogação: onde? O Brasil Open se mostrou um sucesso absoluto em sua mudança para São Paulo, mas o ginásio do Ibirapuera não é um exemplo de arena de primeiro mundo. Se a imponência da nave principal ainda encanta, o resto do complexo está defasado e só mesmo a ânsia do público sulista para transformar tudo em festa.
Em poucas semanas, ganhamos também o WTA da Confederação Brasileira e nos próximos dias deve ser anunciado o evento conjunto no Rio de Janeiro, que terá o ATP 500 e o WTA. Isso sem falar que poderemos ter um concorrido duelo de Copa Davis em setembro. Ah, Roger Federer tem exibição marcada, Novak Djokovic também pode vir.
Mas em todos os casos, a questão permanece: onde? Não estaríamos então trocando os pés pelas mãos? Trazendo grandes eventos sem sequer termos um local apropriado para abrigá-los? Os promotores certamente irão improvisar, e sempre o fazem com inegável competência. O público talvez vá sofrer, mas lotará arquibancadas. Vai reclamar e sofrer, porém aplaudir. Exatamente por isso continuamos sem uma arena decente para o tênis. Aliás, para a maciça maioria dos esportes, uma aberração para quem pretende ser potência olímpica.
De qualquer forma, como amantes do tênis, temos de comemorar as conquistas. O Brasil já realiza hoje etapas dos dois maiores circuitos de ex-profissionais, tem um dos nove mais importantes torneios juvenis do mundo, uma série digna de futures e challengers que o colocam na vanguarda da América Latina e em igualdade com a Europa. Se agregar ao ATP 250 um pomposo ATP 500, com dois WTA de US$ 220 mil, se tornará um dos 10 maiores calendários do circuito internacional, com movimentação próxima dos US$ 4 milhões só em premiação direta.
Tanto tênis na televisão e no noticiário irá gerar um impulso inevitável de popularização e levará obrigatoriamente mais gente entusiasmada à quadra. Sensacional. Eu só me pergunto: onde?
Bellucci acaba com o fantasma da Copa Davis
às
19h15 - por
José Nilton Dalcim
O final de semana, que começou tão preocupante, terminou da forma mais positiva possível. Além de abreviar a classificação em cima da perigosa Colômbia com uma atuação de top 30, Thomaz Bellucci acabou de vez com o fantasma da Copa Davis que parecia tanto incomodá-lo. O drama vivido na sexta-feira, quando esteve tão perto de uma noite desastrosa, parece ter virado a motivação definitiva e eis que nosso número 1 esqueceu o cansaço e jogou de forma brilhante contra Santiago Giraldo.
Bellucci fez o que esperávamos dele. Com um segundo jogador de simples indefinido - Feijão e Rogerinho pecam pela inexperiência na Davis e no circuito de ponta, o veterano Mello não quer saber do saibro -, a responsabilidade de marcar dois pontos será sempre do canhoto paulista. Além disso, ficamos na dependência da dupla, um campo em que felizmente temos mais alternativas. Melo e Soares tiveram um sábado exemplar em Rio Preto, mas também existe Sá como boa alternativa.
Esse quadro será provavelmente idêntico quando setembro chegar. Tomara que Bellucci tenha então reagido na carreira individual - terá uma provação no saibro europeu - e que Feijão ganhe consistência. Muitos alegam, com certa razão, que não temos um grupo completamente pronto para o Grupo Mundial da Davis e que a ascensão será efêmera.
Normal se isso acontecer, porque estamos longe de ser potência. No entanto, isso não nos tira o direito de estar lá, como Israel, Índia, Cazaquistão ou Chile o fizeram em edições recentes, para ficar em poucos exemplos. Não me digam que qualquer um desses países tenha mais tradição, estrutura, calendário e público do que o Brasil.
E a repescagem? Como explico em artigo mais extenso no TenisBrasil, jogaremos obrigatoriamente em casa contra a Suíça de Roger Federer, a desmontada Rússia ou a versátil Itália. Por outro lado, será muito mau negócio sair contra alemães, suecos e canadenses. Para completar e ficarmos exatamente com 50% de chance para cada lado, se cairmos contra Cazaquistão ou Israel (e também o Japão, se ele entrar na lista dos cabeças), terá de haver sorteio de mando.
Como promoção para o tênis, claro que Suíça seria o top, mas teríamos pouca chance de vencer. Pensando nesse aspecto, me agrada pegar a Rússia aqui. É uma das grandes forças do tênis, mas está numa entressafra das bravas. Se for para jogar fora, uma Suécia sem Soderling ou Israel nos dão mais chance. Teremos de esperar a manhã de quarta-feira.
E as semifinais? A Argentina demorou para garantir a lógica (nota 10 para Del Potro e menção honrosa para Cilic, que parece estar recuperado) e vai receber a sempre imprevisível República Tcheca, que pode jogar bem em qualquer piso, mas depende só de dois jogadores. Sou mais Argentina.
A sensação da Copa Davis, no entanto, é John Isner, que tem levado o time norte-americano nas costas e, incrível, em plena quadra de saibro. Inegável a ascensão do rapaz, que estabilizou seu tênis ao ganhar consistência no fundo de quadra. Mas como ganhar no piso lento espanhol? Algo me diz que os norte-americanos vão torcer para dar Nadal e Ferrer na final de segunda-feira do US Open.
P.S.: Desculpem a observação, mas não é que deram mesmo os 3 a 1 para o Brasil que meu eterno otimismo previu na quinta-feira? Rsrs.