Uma digna número 1. E quem leva o masculino? Vote.
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14h19 - por
José Nilton Dalcim
Nada contra Caroline Wozniacki, e seu tênis regular e dedicado, nem contra Maria Sharapova, uma deusa que não se limita a ser musa e continua a levar a carreira tão a sério. Mas o fato é que o tênis agressivo, alegre, estridente de Victoria Azarenka cai como uma luva para os novos tempos do circuito feminino.
Tal qual Petra Kvitova mostrou em Wimbledon, Vika chega ao sucesso com um jogo corajogo e mais versátil. Ainda que tenha a mesma força de golpes de fundo de uma Sharapova, Clijsters ou Serena, mostra também capacidade de dar curtinhas e fazer voleios precisos. É daquelas que buscam a linha, vibram e se esforçam em todos os pontos. O público adora.
Claro que os gritos constantes e exagerados continuam a incomodar. Mas Vika leva tudo no bom humor e chegou a brincar com o público na cerimônia de premiação, lembrando da imitação que a plateia fez durante todos seus jogos no Australian Open.
É o leste europeu de volta ao topo do ranking. Quer dizer, mais ou menos. Azarenka nasceu em Minsk, Belarus, mas aos 14 anos foi para Scottsdale, nos EUA, onde efetivamente seu tênis se formou. Ao ganhar os juvenis da Austrália e US Open de 2005, poucos duvidavam que um dia teria grande sucesso no profissional.
Em 2009, já tinha título de WTA e vitória sobre Wozniacki e Bartoli. Mas ficou famosa pelos decibéis de seus golpes e pela concussão aterrorizante que sofreu no US Open de 2010, desmaiando em plena quadra. Finalmente, no ano passado, os resultados falaram mais alto, sem trocadilhos. Foi quartas em Paris, semi em Wimbledon e vice em Istambul, um conjunto de resultados que a levou ao top 4. Como se vê, eficiência em todos os pisos.
Azarenka se tornará nesta segunda-feira a 21ª mulher a liderar o ranking e, fato bem curioso, apenas a terceira a atingir o topo imediatamente após o primeiro título de um Grand Slam, repetindo Navratilova (em Wimbledon de 78) e Ivanovic (em Paris de 2008).
Woznicki, agora, aparecerá em quarto lugar, atrás também de Kvitova e Sharapova e à frente de Stosur e Radwanska. Sem defender seu título de 2011, Clijsters desabará para o 30º lugar.
O 30º duelo - Novak Djokovic e Rafael Nadal farão às 6h30 deste domingo o 30º duelo entre eles. É uma lista maior do que o próprio confronto entre Nadal e Roger Federer, que soma 27. A diferença é que está será a 12ª final e apenas a quarta (terceira consecutiva, feito histórico) em Grand Slam.
Quem leva? O 'favoritismo técnico' é de Djokovic, como comprovam as seis vitórias seguidas em 2011, quando ele finalmente descobriu a forma de trabalhar com o topspin alto, calibrou a paralela e investiu com eficiência na segunda bola após um bom primeiro saque.
O 'favoritismo físico' é de Nadal, que mostra a mesma fortaleza de antes e verá um adversário provavelmente mais desgastado para uma final que tem tudo para ser tensa, intensa e com grandes trocas de bola.
Djokovic entrará para o livro dos recordes com três Slam seguidos ou Nadal igualará Borg e Laver com o 11º troféu? No post imediatamente abaixo, deixo você apontar vencedor e placar, concorrendo a mais uma biografia de Roger Federer, presente da Editora Évora.
O ganhador do Desafio para as semifinais foi João Carbonari, de Jundiaí. Aliás, apenas cinco votantes apontaram o placar certo em sets para as semifinais, mas Carbonari acertou a virada de Nadal e ainda palpitou dois sets de Nole na ordem correta. Parabéns!
Desafio Australian Open: vote aqui para a final
às
14h17 - por
José Nilton Dalcim
Para encerrar estas duas semanas, o Desafio Australian Open é agora para a final masculina, valendo a biografia de Roger Federer, livro da Editora Évora que vem fazendo tanto sucesso e já está na sétima edição.
Indiquem o vencedor e o placar, conforme modelo abaixo. Obviamente, leva aquele que chegar mais perto dos dois resultados. Caso queiram (e devam) fazer comentários, escrevam e opinem exclusivamente no post acima, deixando aqui só os palpites numéricos. Fica mais organizado.
A votação se encerra quando for dado o primeiro saque entre Nadal e Djokovc, no domingo às 6h40.
Se possível, seguir o modelo abaixo, que facilita muito na hora da apuração:
Djokovic vence Nadal, 3 sets a 1, parciais 7/6 5/7 6/3 6/3
Depois do sufoco, Djokovic luta por hegemonia contra Nadal
às
13h04 - por
José Nilton Dalcim
Não foi um duelo de nível técnico espetacular, mas sobraram emoção e empenho. Mesmo sem jogar seu melhor - o que, aliás, ainda não fez no Australian Open -, o sérvio Novak Djokovic está em sua terceira final consecutiva de Grand Slam, a quarta nos últimos cinco grandes torneios. Ainda assim sua hegemonia estará em jogo no domingo, justamente diante de Rafael Nadal, o homem a quem venceu seis vezes sucessivas em 2011, sobre todos os pisos. E que continua nos seus calcanhares.
Talvez estejamos mal acostumados, mas é fato que o Djokovic das três últimas partidas está alguns degraus abaixo do tenista impecável do ano passado. Sofreu apagão contra Lleyton Hewitt, passou apertado em dois sets contra David Ferrer e viveu contra Andy Murray uma autêntica montanha russa, sofrendo nada menos que sete quebras de serviço e somando 69 erros (mais de 40% de todos os pontos que o escocês fez na maratona de 4h50).
Embora seja um tenista dado à teatralidade, fica claro que Djokovic perde por vezes o fôlego após pontos muitos longos. Ele já reclamou de alguma dificuldade de respiração em entrevistas ao longo destas duas semanas e isso talvez explique a série anormal de falhas. O saque, ponto alto de sua trajetória em 2011, hoje entrou apenas 61% das vezes e, pior ainda, ele ganhou meros 66% desses pontos.
A boa imagem que sobra, no entanto, é o excelente quinto set disputado, em que pese a mancada no 5/3, quando quase colocou todo o esforço por água abaixo, já que Murray poderia muito bem ter aproveitado os breaks no 11º game e virado para 6/5. No entanto, Djokovic mostrou aquilo que costumamos a ver: um tenista forte, consciente, ousado nos pontos importantes. Isso fez toda a diferença e justificou plenamente a vitória.
Mas a batalha terá mais um duro capítulo. Dentro de 48 horas, precisa voltar à Rod Laver Arena e ratificar sua hegemonia no circuito. Uma derrota para Nadal significa ceder terreno ao adversário, perder o primeiro grande título em tanto tempo e ver o espanhol reduzir para 1.595 pontos a distância para a ponta do ranking. E, ainda mais grave, dar uma gigantesca moral para o experiente e versátil concorrente para o resto de uma temporada em que tem tanto a defender. Ninguém do outro lado da rede gosta de ver Nadal confiante, tenho certeza.
O espanhol precisará, no entanto, ser agressivo para encerrar a série de seis derrotas seguidas para Nole em decisões. Não faz parte do seu estilo, mas terá de tentar. Observem que Murray só reagiu na semifinal de hoje quando passou a atacar. Se Rafa se limitar a trocar bolas no fundo de quadra, só vai vencer se faltarem pernas ao adversário, o que me parece uma aposta errada e arriscada.
E Murray tem conserto? Passados alguns dias, quando a frustração da derrota diminuir, ele e Ivan Lendl verão que sim. Ao contrário de tantos outros, o escocês tem armas. Precisa aprender a aplicá-las com maior frequência. O forehand pode ser bem mais agressivo, o primeiro saque já foi um golpe mais contundente, os voleios são uma alternativa e tanto. Talvez já fruto do trabalho com o novo treinador, a parte mental também mostrou progressos e ele competiu até a última bola contra o melhor do mundo. Há um ano, sofreu um massacre.
Saiba mais
Conforme bem informa Greg Sharko, da ATP, pela 27ª vez nos últimos 28 torneios de Grand Slam, o vencedor do Australian Open será Djokovic, Nadal ou Roger Federer. A única vez que esse hegemonia foi quebrada foi com Juan Martin del Potro, no US Open de 2009, repetindo o que o russo Marat Safin havia obtido em Melbourne, em 2005. Nesse período todo, Federer ganhou 12 vezes, Nadal levantou 10 troféus e Djokovic, quatro.
Fortaleza Nadal impera de novo e aguarda vingança
às
14h32 - por
José Nilton Dalcim
Difícil traduzir em palavras o que é jogar contra Rafael Nadal. Comparar a um paredão não é impróprio, mas injusto. A bola não volta simplesmente para seu lado, mas sim retorna venenosa, mal intencionada, cheia de efeitos. Muitas vezes tão rápida que não há tempo de preparar uma resposta. Rafa é uma fortaleza, difícil de derrubar, muito difícil de penetrar.
E ninguém sabe disso melhor do que Roger Federer. Em que pese toda sua genialidade e criatividade, acaba se tornando uma presa desse ritmo alucinante imposto pelo espanhol, que simplesmente se recusa a perder. Aliás, eu diria que esta talvez seja a grande diferença entre os dois quando acontece o duelo direto. Enquanto Nadal perde pontos, games e sets mas se mantém determinado e lutador, o suíço se abate com rapidez quando as coisas não se encaixam e demora a reagir.
Pode-se dizer que faltou sorte a Federer hoje em dois momentos cruciais do quarto set: o break-point no 4/3, que saiu por milímetros com o forehand cruzado, e o outro break-point no 4/5, em que Nadal chegou numa bola impossível, jogou para cima e atingiu a linha de fundo. Mas sorte não decide uma partida de tênis. Longe disso. É necessário analisar o conjunto das situações e aí fica claro que Federer perdeu chances e teve muito mais altos e baixos que o adversário.
Em que pesem as passadas sensacionais, as bolas impossíveis, o esforço das pernas, acredito que o ponto crucial da partida foi na verdade o saque. Observem o incrível percentual de acerto que Nadal consegue nos games importantes ou nos pontos decisivos. Quase não falha quando precisa de um ponto no lado da vantagem, o mais propício aos canhotos. É um atrás do outro, precisos, profundos, ofensivos. Federer, ao contrário, que é o tenista que depende muito mais do serviço para executar seu plano de ação, teve um saque irregular e nem vou falar no inédito festival de duplas faltas.
Rafa venceu porque seu conjunto de habilidades foi maior do que o de Federer e obviamente se inclui aí a frieza, a regularidade, o empenho, o acreditar em si mesmo. Não vejo motivo para o suíço baixar a cabeça. Foi uma partida de excelente nível técnico, em que ele exigiu o máximo de Nadal e poderia muito bem ter saído com a vitória. Utilizou um novo plano tático - perceberam o quão pouco o slice foi usado? -, seu backhand encarou o topspin devastador com dignidade e só teve mesmo infelicidade na execução de alguns saques e voleios de suma importância.
Em sua entrevista pós-derrota, Federer declarou: "Sempre acho que ele joga melhor contra mim do que contra outros adversários". Definição perfeitíssima. Ele só deve considerar que tem muita culpa disso.
O número 2 do mundo precisa aguardar agora o outro finalista. Certamente, Andy Murray é muito mais apropriado a seu jogo e sua confiança do que Novak Djokovic. Mas o sérvio representa uma chance espetacular de vingança, após seis finais perdidas em 2011. Aliás, Nadal mostrou humildade e notável senso de humor quando foi questionado sobre qual a tática que indicaria para Murray vencer Nole: "Acho que ele deveria ser agressivo, mas não sei se vale o conselho de quem perdeu as últimas seis vezes".
Vale tudo - Um colírio para os olhos, um drama para os ouvidos. A decisão feminina do Aberto da Austrália terá duas tenistas de grande poder de fogo, belíssimo visual, loucas pela liderança do ranking. Mas também terá duas das jogadoras mais criticadas pelo excesso de ruído que fazem ao bater na bola. Vai ser no mínimo engraçado.
Maria Sharapova lutará por seu quarto Grand Slam e pela volta ao topo após três anos e meio, período em que sofreu cirurgia e tanta desconfiança. Leva o favoritismo, claro, porque Vika Azarenka tem bem menos experiência. Porém, Petra Kvitova também era zebra na final de Wimbledon e arrasou a mesma Sharapova. A vitória desta madrugada sobre Kim Clijsters é a maior credencial que a bielorrussa poderia querer, resta saber se vai segurar os nervos. Importante ainda notar que o circuito feminino terá a quinta diferente campeã de Slam seguida.
Quarteto fantástico confirma. Mas quem leva? Aposte.
às
10h25 - por
José Nilton Dalcim
Pela terceira vez nos últimos quatro Grand Slam, o 'quarteto fantástico' do tênis masculino domina tudo. Foi assim em Paris, quando Roger Federer surpreendeu Novak Djokovic e Rafael Nadal levou o título, e também no US Open, chance para Nole se vingar do suíço e derrubar novamente o espanhol na decisão. Nas duas vezes, Murray ficou fora da final.
Neste Australian Open, a ordem está trocada. Nadal e Federer duelam na manhã desta quinta-feira - é a primeira vez que ambos duelam na semi de um Grand Slam desde Roland Garros de 2005 -, enquanto Djokovic repete a decisão de 2011 contra Murray na sexta-feira (este foi o único dos 10 duelos entre eles em nível Slam). O retrospecto dá favoritismo para Nadal (17-9) e Djokovic (6-4). Mas e na prática?
Federer teve os adversários mais duros até agora e foi brilhante diante de Karlovic, Tomic e especialmente Del Potro, mostrando uma forma exuberante. Nadal cresceu ao longo do torneio, mas só foi exigido mesmo na última rodada contra Berdych. É um jogo em que pesa muito a parte psicológica, já que no plano técnico-tático os dois estão carecas de saber o que vai acontecer. A chance do suíço está em se livrar do passado. A de Nadal, em relembrar a si próprio a espetacular performance na decisão que fizeram na mesma Rod Laver Arena em 2009.
Djokovic teve um teste real nesta quarta-feira e mostrou algumas falhas no segundo set contra o batalhador Ferrer. Tivesse o espanhol alguma arma mais mortal, e talvez o jogo iria bem longe. Nole certamente cumpriu a parte mais delicada de sua trajetória em Melbourne. Afinal, caso seja derrotado a partir de agora, será para um dos quatro melhores do mundo, o que não é demérito para ninguém. Então é provável que jogue mais solto. Murray pode ser real ameaça? Sem dúvida. O escocês nunca teve problemas de golpes - pelo contrário, é um tenista dos mais versáteis - e acredito que, ainda que pequena, sua chance de vencer Djokovic numa semi seja infinitamente maior do que numa final.
O feminino, por sua vez, decide as vagas nesta madrugada. Clijsters tem de ser considerada favorita diante de Azarenka e Kvitova faz jogo imprevisível contra Sharapova. À exceção de Clijsters, todas lutam pelo número 1; à exceção de Azarenka, todas tem um Slam pelo menos no currículo. Por tudo que vi nestas duas semanas, a final mais provável é entre Clijsters e Sharapova. Para Azarenka, falta um pouquinho de experiência e autocontrole; para Kvitova, a pressão parece estar pesando demais.
Desafio vale biografia de Federer - No post imediatamente abaixo, deixo um Desafio para as semifinais, valendo a biografia de Roger Federer, livro da Editora Évora que vem fazendo tanto sucesso e já está na sétima edição.
Caso queiram (e devam) colocar comentários, façam isso aqui. Deixem seus palpites numéricos exclusivamente no outro post para facilitar a apuração e a troca de opiniões. Fica mais organizado.
Desafio Australian Open: vote aqui para as semifinais
às
10h21 - por
José Nilton Dalcim
Segue aqui o primeiro Desafio Australian Open, este para as semifinais masculinas, valendo a biografia de Roger Federer, livro da Editora Évora que vem fazendo tanto sucesso e já está na sétima edição.
Indiquem o vencedor e o placar, conforme modelo abaixo. Obviamente, leva aquele que chegar mais perto dos dois resultados. Caso queiram (e devam) fazer comentários, escrevam e opinem exclusivamente no post acima, deixando aqui só os palpites numéricos. Fica mais organizado.
A votação se encerra quando for dado o primeiro saque entre Nadal e Federer, na quinta-feira 6h40.
Se possível, seguir o modelo abaixo, que facilita muito na hora da apuração:
Nadal x Federer - Federer, 6/4 4/6 7/6 7/6
Djokovic x Murray - Murray, 7/6 5/7 6/3 6/3
Federer dá show, Nadal mostra sua genialidade
às
16h02 - por
José Nilton Dalcim

Quem, assim como eu, perdeu valiosas horas de sono na madrugada e manhã desta terça-feira, certamente está recompensado. Exatamente como se previa, a abertura das quartas de final do Australian Open viram dois jogos de qualidade técnica de encher olhos. E deu a lógica: Rafael Nadal reencontrará Roger Federer na semifinal, num duelo absolutamente sem favorito.
Federer explicou nesta madrugada por que é o maior tenista de todos os tempos. Jogou com uma desenvoltura tal que não deu espaço ao jogo pesado de Juan Martin del Potro. Não me lembro de ter assistido em 32 anos de tênis alguém disputar três games de abertura de uma partida de forma tão espetacular, com uma sequência tão sufocante de golpes espetaculares.
Delpo foi um adversário à altura. Disparou bolas incríveis da base - talvez pecando um pouco com o primeiro serviço -, mas conseguiu fazer pouco diante do volume de jogo apresentado por Federer e sua incrível variedade de velocidade e efeito de bolas. Foi bem perto de uma aula de conduta tática perfeita, algo aliás que não é a maior especialidade do suíço.
No entanto, isso tudo de nada significará se Federer não mostrar a mesma qualidade diante de seu mais temido adversário. Rafa precisou de seu notável espírito de luta e capacidade mental para superar o jogo agressivo de Berdych, que poderia muito bem ter vencido os dois primeiros sets e colocado o espanhol em situação delicadíssima.
Mas são nessas horas que a genialidade de Nadal desponta. Fundamental observar sua notável rapidez de raciocínio e como tem conseguido improvisar cada vez mais. Não tenho a menor dúvida que agora se encherá de confiança para o duelo de quinta-feira. Londres deve estar entalada na garganta. Nadal sabe exatamente o que fazer para perturbar a confiança de Federer e então veremos um ou dois primeiros sets de batalha puramente psicológica.
A rodada feminina teve um duelo também muito saboroso entre Clijsters e Wozniacki, que premiou o estilo ofensivo. Mais uma vez, a dinamarquesa sairá da Austrália sem o número 1, mas agora corre risco de cair até para o quarto lugar. Infelizmente, a outra partida foi um desastre. Azarenka ganhou de Radwanska em jogo pobre mas, talvez agora na condição de menos cotada, consiga mostrar um tênis decente contra a belga.
A rodada desta quarta-feira tem quatro grandes favoritos que, no entanto, terão de jogar um tênis já de primeiro nível para confirmar a vaga na semifinal. De todos, talvez o maior risco de zebra esteja com Sharapova, que vai pegar a embalada canhota Makarova. A teoria diz que Murray passa por Nishikori e Djokovic tira Ferrer sem perder sets, assim como Kvitova teria obrigação de atropelar Errani. Tomara que a lógica prevaleça.
Saiba mais
O sueco Mats Wilander (foto acima) é o único tenista a ter vencido o Aberto da Austrália em dois pisos diferentes. Contra todos os prognósticos, ele faturou duas vezes na grama, em 1983 e 1984, e ganhou a primeira edição no novo complexo de piso sintético, em 1988. Dono de mais quatro troféus de Grand Slam (foi tri em Paris e campeão no US Open), ele forma um seleto grupo de cinco profissionais que venceram Slam em três pisos distintos, repetindo Jimmy Connors, Andre Agassi, Federer e Nadal. Curiosamente, ele também conquistou Wimbledon, porém em duplas ao lado de Joakim Nystrom. Pai de quatro filhos, escapou de morte certa em 1988, quando tinha passagem mas não pegou um avião que foi derrubado em atentato terrorista.
Djokovic tem primeiro teste em dia de grandes surpresas
às
14h25 - por
José Nilton Dalcim
Não se pode dizer que Novak Djokovic tenha corrido qualquer risco sério no bom duelo contra Lleyton Hewitt na manhã desta segunda-feira, mas foi interessante observar como um jogador taticamente aplicado pode competir no fundo de quadra com o número 1 do mundo. Mas é claro que, no conjunto saque-devolução-físico, a distância entre eles é proporcionar ao placar da partida.
Nole deveria ter encerrado o jogo em três sets, mas viveu um momento raro de instabilidade neste Australian Open, ao permitir a reação de Hewitt. Como ele próprio admitiu mais tarde, houve certa disciplicência. De qualquer forma, foi o melhor da partida, com grandes trocas de bola, tensão, participação da torcida e empenho máximo. Bastou uma quebra no quarto set para que a lógica imperasse e Djokovic garantisse seu lugar para enfrentar Ferrer nas quartas de final.
Aliás, Ferrer continua em ritmo alucinante. Atropelou sem piedade o tênis habilidoso de Richard Gasquet e pode muito bem complicar a vida de Djokovic, contra quem tem um histórico de apertados 6-5 em favor do sérvio. Tudo bem que o placar elástico de Londres, em novembro, era diante de um outro Djokovic, mas não vamos esquecer que Ferrer exigiu três sets duros também no saibro rápido de Madri. Ou seja, Nole é o favorito absoluto, desde que jogue bem perto do seu melhor.
Mas ninguém brilhou mais neste dia do que o aplicadíssimo Kei Nishikori, o mais jovem e menos experiente entre os quadrifinalistas. Aos 22 anos, ele disputará sua primeira chance de ir à semifinal mas Andy Murray é uma barreira e tanto para sua entrada no top 20. Note-se que este japonês só mostra qualidades. Tem apenas 11 Grand Slam disputados, já ganhou cinco vezes dos top 10, incluindo Djokovic na Basileia do ano passado, e marcou contra Tsonga sua quinta vitória seguida em quintos sets.
Treinando na academia de Bollettieri desde os 14 anos, ele é uma antítese do tenista moderno: tem 1,78m e 68 quilos, portanto longe de ser um grande sacador. Terminou 2011 com 68% de pontos vencidos com o primeiro saque. Mas é capaz de gerar grande força nos golpes e tem uma estatística e tanto na devolução de segundo saque: 52%. Pena que ele perdeu 2009 quase inteiro devido à cirurgia no cotovelo e ainda contundiu as costas no US Open do ano passado.
Claro que não é impossível vencer a versatilidade de Andy Murray, porém seria um resultado definitivamente surpreendente. Em Xangai do ano passado, Kei não ganhou mais do que três games. Murray mal fez um treino contra o combalido Kukushkin e tem um histórico expressivo na Austrália, onde sua capacidade de se adaptar aos adversários e mudar seu estilo parece atingir seu máximo.
A outra grande sensação da rodada foi, é claro, o jogo agressivo da canhota Ekaterina Makarova, que balançou Serena como quis e anotou um placar indiscutível: 6/2 e 6/3. A russa mostrou qualidades em todos os quesitos - incluindo voleios dificílimos, velocidade de pernas, winners dos dois lados - e isso deve servir de alerta para Sharapova, que suou diante de Lisicki. Afinal, a Austrália tem o hábito de produzir novas estrelas.
Emoções - Serão apenas quatro jogos de simples nesta próxima rodada, mas vale a pena perder o sono e atravessar a madrugada por causa deles. Azarenka-Radwanska é o de menor importância, mas ainda assim vale assistir à nova geração. Em seguida, número 1 x atual campeã: Wozniacki e Clijsters fazem duelo imperdível. Acho que a belga só leva se estiver 100% fisicamente após a torção no tornozelo.
E o que dizer dos homens? Em plena madrugada, Federer contra Del Potro. Ambos em ótima forma, confiantes, loucos por mais um grande título. Qualquer previsão é chute, mas eu arrisco no apuro tático de Federer, que deve tentar de tudo para variar o ritmo da partida. Nadal e Berdych virá pela manhã e novamente a promessa é de ótimo duelo e muita pancadaria. O espanhol é meu favorito, porque ele adora esse tipo de desafio e costuma desmontar com maestria o poder de fogo do tcheco.
Não posso encerrar sem mencionar a ótima atuação da dupla Bruno Soares e o canhoto Eric Butorac, que já mostram excelente entrosamento, um tênis alegre e gostoso de ver. Bruno, aliás, jogou muito no fundo e na rede contra Quresh e Rojer, que são adversários de respeito. Tomara que o bom mineiro tenha encontrado o parceiro certo para dar o grande salto da carreira.
Saiba mais
A mais equilibrada final feminina em Melbourne da Era Profissional certamente foi a de 1981 em que Navratilova derrotou Evert, por 6/7, 6/4 e 7/5. As duas, de estilos e personalidades tão antagônicas, fizeram o maior duelo da história do tênis e um dos maiores de todo o esporte. Foram 80 confrontos ao longo de 15 anos, que terminou com pequena vantagem da canhota e voleadora Martina sobre a regular e determinada Chris, por 43 a 37. Foram 14 só em finais de Grand Slam, em que Martina sobrou: 10 a 4. O notável disso tudo é que ambas, uma homossexual ativista, outra musa e namoradeira, se tornaram grandes amigas (foto acima), mesmo tendo de dividir o espaço e as glórias.
Três homens e uma vaga na final
às
13h39 - por
José Nilton Dalcim

Rafael Nadal, Roger Federer e Juan Martin del Potro. Que me perdoe Tomas Berdych, mas ele está fora da minha lista de provável finalista na parte debaixo da chave, ainda que seja possível - mas nunca provável - que ele dê grande trabalho para Rafa nas quartas de final.
O maior problema do canhoto espanhol nem é técnico ou tático, mas simplesmente não encontrou ainda um desafio à altura neste Australian Open e por isso pode não estar mentalmente preparado para um jogo apertado. Tristeza esse Feliciano López. Foi tão absurdamente irregular e indisciplinado na conduta tática contra o compatriota mais famoso que cheguei a ter saudades de Thomaz Bellucci. Um marciano que sobrevoasse Melbourne não entenderia como um top 20 consegue errar tantos forehands por três palmos abertos. Talvez devessem proibir os súditos espanhóis de enfrentar Nadal no circuito, é uma irritante perda de tempo.
Rafa não tem nada a ver com isso, ainda que acabe sofrendo as consequências de também baixar o nível devido à falta de ritmo e competitividade de seus últimos adversários. Tal coisa não deve acontecer contra Berdych, que gosta de trocar bolas pesadas. O tcheco já venceu três dos 13 duelos, é verdade, mas o mais recente foi em 2006 e nessa série de nove derrotas ele só levou um set, incluindo a medíocre apresentação na final de Wimbledon. Então só mesmo se Nadal estiver fora de seu melhor para correr grandes riscos. O tcheco, aliás, aprontou mais uma das suas contra Almagro. Mas também o que se pode esperar quando dois mal-humorados de tal porte se cruzam em jogo duro?
As exibições de Federer e Delpo cumpriram à risca o que se previa. Ao vencer o primeiro set, o suíço acabou com o sonho do garoto australiano, que sacudia a cabeça e fazia biquinho de incrédulo a cada jogada espetacular do tetracampeão. O sinal mais claro da distância entre os dois foi a constante tentativa de Tomic de tentar entender em que lugar o saque de Federer iria. Observem, se puder, quantas vezes o australiano foi driblado e se mexeu para o lado errado. O argentino, por seu lado, passou como um trator pelo tênis regular porém de poucas alternativas de Kohlschreiber.
Com isso, Delpo disputará as quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez desde o US Open de 2009, aquele mesmo em que destronou Federer e virou sensação. Muito curiosa e sensata a observação de Roger hoje, na entrevista dada a Jim Courier em quadra, quando afirmou que sua expectativa era que Del Potro chegasse ao número 1. Os dois se reencontram, mas não é o primeiro duelo desde Nova York. Semanas depois, no Masters de Londres, o argentino voltou a vencer e no ano passado, em Cincinnati, deu Federer. Todo esse histórico valerá pouco na terça-feira. Tudo indica que teremos a 'primeira final' de outras muitas que virão em Melbourne nesta segunda semana.
Muito boa também a rodada feminina, com a vitória das favoritas. Claro que o duelo de Clijsters e Li roubou todas as atenções, pela qualidade e pelo drama. A belga foi heroína, a chinesa deu um vacilo inacreditável ao perder um tiebreak de 6-2 e corre risco de entrar em outro buraco psicológico por conta disso. A grande favorecida pode ter sido Wozniacki, que teve altos e baixos contra Jankovic mas deverá pegar uma adversária sem condições plenas de correr atrás das bolas. Azarenka e Radwanska fizeram sua parte e duelam pela 10ª vez.
A segunda-feira - Djokovic e Murray são amplos favoritos para as quartas diante de Hewitt e Kukushkin, embora o cazaque represente algum perigo se jogar bem solto. Os outros dois jogos prometem mais emoção: Tsonga diante do contra-ataque de Nishikori, Ferrer frente à versatilidade de Gasquet. Como experiência e físico valem muito em Slam, os dois top 10 devem levar.
Entre as meninas, jogos interessantes para Sharapova-Lisicki e Serena-Makarova. Kvitova é ampla favorita diante de Ivanovic, mas terá de errar menos e parar com a afobação. Zheng, a nova esperança chinesa, é boa tenista na quadra dura e deve ganhar de Errani.
Saiba mais
Tido como menos importante dos Slam, algo que só começou a mudar neste milênio, o Australian Open chegou a ser disputado duas vezes num ano só. Em janeiro de 1977, quando abria a temporada como acontece hoje, viu a vitória de Roscoe Tanner sobre Guillermo Vilas (que viria a ser bicampeão nos anos seguintes). A Federação Internacional resolveu então mudar o torneio para o fim do calendário, achando que isso o tornaria mais atrativo para os tenistas que disputavam vagas para o Masters, e então o Open voltou a ser disputado em dezembro de 1977, desta vez com vitória de Vitas Gerulaitis sobre o britânico John Lloyd. Curiosamente, os dois campeões viraram nota policial: Tanner foi preso por crimes financeiros e falta de pagamento de pensões de seus muitos filhos, Gerulaitis (foto acima) morreu aos 40 anos devido a intoxicação por gás.
Oitavas de final têm surpresas e fortes favoritos
às
12h10 - por
José Nilton Dalcim

Acabou a primeira semana do Australian Open. Todos os reais candidatos ao título, tanto no masculino como no feminino, permanecem de pé e isso é garantia de imprevisibilidade para a reta final do primeiro Grand Slam da temporada.
Mas não faltaram surpresas. Se Djokovic, Nadal, Federer e Murray tiveram pouco trabalho até aqui por conta de adversários frágeis, há nomes inesperados na quarta rodada. Entre eles, o veterano Lleyton Hewitt e o garoto Bernard Tomic, justamente os dois homens da casa que vivem expectativas tão opostas: um joga pelo amor à arte, o outro pelo futuro.
Hewitt deu sorte com a contusão de Roddick, mas mostrou sua capacidade tática contra Raonic, que se perdeu completamente enquanto o jogo avançava. Difícil imaginar que o finalista de 2005 vá dar trabalho a Djokovic, já que o sérvio continua a mostrar um tênis soberbo. Dessa forma, Ferrer e Gasquet devem disputar a chance de desafiar Nole nas quartas. Sou mais Ferrer, ainda que torça pelo habilidoso mas preguiçoso francês.
No mesmo lado da chave, Kukushkin e seu histórico tão pobre em Grand Slam despacharam o irregular Monfils. O cabeça 15 não mostrou sombra daquele tenista de Doha e pode ser facilmente eleito com a decepção da primeira semana. Não sei, no entanto, se isso foi tão bom assim para Murray, que terá pela frente um franco-atirador. Também menos previsível é o duelo de ataque-defesa entre Tsonga e Nishikori, ainda que o francês tenha bagagem imensamente maior. Tomara que dê a lógica, porque será fantástico avaliar o 'novo' Murray diante de Tsonga.
A parte inferior já vai para a quadra na noite deste sábado e madrugada de domingo, com todas atenções para Federer contra Tomic. Me parece que o suíço terá vantagem caso consiga se impor logo e levar o primeiro set. Caso contrário, a empolgação da torcida pode complicar. Jogo por jogo, Federer levaria por 3 a 0. Del Potro é amplo favorito contra Kohlschreiber.
Nadal também é o mais cotado no duelo contra López, que tem menor poder de fogo e se abate contra o amigo. Sem falar que possui um backhand frágil demais para segurar o topspin mágico de Rafa e é o lider de duplas faltas no torneio até aqui (23 em três jogos). Berdych, por sua vez, vai precisar do seu poderoso saque para simplificar o duelo contra Almagro. O tcheco é o jogador que venceu mais pontos com o primeiro saque (80% de média em três rodadas, um belo número).
O feminino mantém quatro candidatas ao número 1 e seis ao título. Raramente vimos algo assim. Wozniacki tem teste duro contra Jankovic, Clijsters e Li fazem jogo sem favoritismo, Azarenka e Radwanska devem vencer e se cruzar nas quartas, tudo isso nesta madrugada. Do outro lado, Serena e Sharapova estão a uma vitória do aguardado reencontro - ambas até aqui foram muito eficientes - e Kvitova parece ter caminho aberto para a semi, ainda que tenha Ivanovic pela frente nas oitavas.
Recordes? - Se a informação divulgada no site Yahoo for correta, o Australian Open acaba de bater seu próprio recorde neste sábado, com o maior público para um único dia de qualquer Grand Slam. A marca anterior era de 77.043 há dois anos, mas o sábado teria registrado 80.649, sendo 52.272 na sessão diurna (agora a maior na história do torneio) e 28.377 na noturna. Com isso, o total de ingressos vendidos de 653.860 em 2010 ainda tem chance de ser superado. No ano passado, foram pouco mais de 651 mil.
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Entre tantos heróis que o tênis australiano possui, Roy Emerson é um dos maiores, ainda que suas grandes façanhas tenham acontecido na fase amadora do tênis. Curiosamente, quando jogou seu primeiro Nacional da Austrália, em 1954, ele perdeu na estreia com dois 6/0 nos sets finais. Sete anos depois, conquistou o primeiro de seis troféus em cima de Rod Laver, repetindo entre 1963 e 1967 contra Fred Stolle e Arthur Ashe. Recusando-se a se tornar profissional, ganhou em 1964 também Wimbledon e EUA, dominando totalmente a grama. Finalmente, em 1967, faturou no saibro de Roland Garros e chegou ao 12º Slam, marca que só seria batida por Pete Sampras 23 anos depois. Emerson permanece até hoje como único tenista da história a ter vencido simples e duplas em todos os quatro Slam, em que soma 28 troféus no geral.
Federer inicia série crescente de desafios
às
12h02 - por
José Nilton Dalcim

Ninguém pode dizer que seja uma diversão enfrentar Ivo Karlovic. Um jogo em que pouco se pode fazer diante do bombástico primeiro saque, o ritmo de jogo é mínimo e qualquer vacilo pode ser fatal, como poderia ter acontecido no primeiro tiebreak. O gigante croata, no entanto, parece ter sido apenas o primeiro dos sucessivos degraus que o suíço Roger Federer terá de escalar no Australian Open 2012.
Se quiser chegar ao final da segunda semana e brigar pelo pentacampeonato, o número 3 do mundo terá agora de encarar o jogo tão variado e pouco ortodoxo de Bernard Tomic, com 15 mil pessoas a empurrá-lo, e muito provavelmente reencontrará Juan Martin del Potro nas quartas para um duelo radicalmente oposto, em que a bola viaja sempre pesada, funda, agressiva, sem tempo para respirar.
A lógica indica que o possível adversário de semifinais será Rafael Nadal e nem preciso relembrar aqui o quanto o espanhol incomoda Federer. Até agora, Rafa desfilou no torneio, sem grandes adversários, e isso vale também para as oitavas de final, em que terá pela frente o amigo Feliciano López, um tenista de grandes recursos técnicos mas de cabeça e físico duvidosos diante da fortaleza Nadal. Melhor ainda, Rafa está se poupando ao máximo nesta primeira semana.
Importantíssimo mencionar a vibração que Federer transmitiu durante a batalha contra Karlovic. Escapou por um triz de perder o primeiro set - Karlovic teve set-point no tiebreak com saque a favor, que a genialidade do suíço salvou com um lob espetacular de improviso - e se aplicou no segundo, quando só conseguiu confirmar a quebra no último game. Tomic ainda não parece um jogador completamente formado para ameaçar Federer, mas é ousado, não tem medo de cara feia e sabe usar a torcida. Aos 19 anos, são qualidades notáveis.
Del Potro, como temos observado a cada rodada, está evoluindo a passos largos. Saque afiadíssimo, os golpes sempre poderosos de fundo, muita tranquilidade e jogos rápidos. O conjunto é perfeito e suficiente para preocupar qualquer adversário. Duvido que Kohlschreiber resista a isso por mais de três sets.
No feminino, também boas notícias e expectativa. Caroline Wozniacki se mostra mesmo mais agressiva e terá um teste interessante diante da paciente Jelena Jankovic antes de encarar Kim Clijsters ou Na Li, que vão repetir nas oitavas a decisão do ano passado. Victoria Azarenka e Agnieszka Radwanska também se aproximam do confronto direto. Esse lado da chave promete.
Multa - E David Nalbandian levou US$ 8 mil de punição por discutir com o juiz e jogar água num membro da organização. Tudo bem, até é justo, é a regra. Mas alguém pode me dizer em quanto vão multar o árbitro da partida?
O sábado - Inevitável dizer que o jogo da rodada será entre a experiência e o jeito de Hewitt contra a juventude e a força de Raonic. É daqueles confrontos que qualquer resultado te deixa satisfeito. Mas o canadense leva minha torcida, porque só ele pode dar algum trabalho a Djokovic nas oitavas. O australiano não tem chance.
Equilíbrio se pode esperar de Tipsarevic-Gasquet (o sérvio não anda convencendo) e de Ferrer-Chela (jogo para cinco sets). Murray, Tsonga e Monfils devem ganhar sem sustos. Aliás, nos oito jogos masculinos do dia, teremos franceses em seis deles! Mesmo com pouca chance de vitória, vale sempre curtir o jogo bonito de Llodra e Benneteau.
No feminino, Kvitova precisa elevar o nível diante de Kirilenko. Outro bom duelo deve envolver Lisicki e Kuznetsova. No restante, favoritismo de Zvonareva, Serena e Sharapova.
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Margaret Smith Court (foto acima) pode ser considerada a maior tenista em nível Grand Slam de todos os tempos: além dos 24 troféus de simples e 62 no total (recordes absolutos), ganhou pelo menos duas vezes todos os 12 títulos possíveis desse nível, ou seja, simples, duplas e mistas. Na Austrália, faturou 11 vezes em simples, o primeiro aos 17 anos. Canhota que foi obrigada a jogar como destra, abandonou a carreira para se casar em 1966 e retornou dois anos depois já na Era Profissional. Em 1970, fechou o Grand Slam. Permaneceu no circuito até os 35 anos, já mãe de três filhos. Hoje, é pastora pentecostal e tem sua própria igreja.
Bellucci e Mello lutam, mas a sina australiana continua
às
12h16 - por
José Nilton Dalcim

A combinação de máximo empenho e de um dia irregular dos favoritos permitiu que Thomaz Bellucci e Ricardo Mello sonhassem em dois duelos que pareciam impossíveis de se ganhar. Bellucci tirou um set, Mello ameaçou e liderou em dois, mas o resultado final confirmou a lógica e manteve a sina de baixo rendimento do tênis brasileiro no Aberto da Austrália. Em toda a Era Profissional, apenas três homens conseguiram chegar à terceira rodada. Muito pouco.
Bellucci entrou com grande disposição e encontrou um Monfils desinteressado. O grave erro do brasileiro foi ter perdido logo o primeiro game do segundo set, quando tinha 40-15 e vivia ampla soberania na partida. A partir da quebra, o francês ganhou confiança. Os dois, na verdade, alternavam altos e baixos. Prevaleceu a paciência do número 15 do mundo, que sofreu com alguns ótimos serviços e forehands do brasileiro, mas também se divertiu com uma dezena de lobs. Duro mesmo foi ver Thomaz errar voleio e smash tão fáceis, o que demonstra ainda sua inconstância mental. Mas vimos desta vez ele se empenhar até o último game, como se espera é claro de um profissional dedicado.
Mello também se aproveitou de um dia irregular de Jo-Wilfried Tsonga e, incrível, abriu 4/2 no primeiro e terceiro sets, em ambos com saque a favor. O espírito de luta do brasileiro e sua capacidade tática pareceram surpreender por vezes o francês, que reservou para momentos de capital importância a sua condição de 6º do mundo. No final das contas, foram 3 sets a 0 bem disputados, com muita correria e alguns grandes pontos.
A aventura brasileira em Melbourne se limita agora às duplas, onde temos três parcerias e quatro brasileiros na segunda rodada, além da expectativa de uma nova grande campanha entre os juvenis, com Thiago Monteiro e Bia Haddad em quadra a partir do fim de semana.
Entre os grandes nomes, pouca coisa a se destacar, já que Novak Djokovic e Andy Murray passearam. David Ferrer sofreu e Lleyton Hewitt se favoreceu da contusão de Andy Roddick, marcando interessante duelo contra Milos Raonic. Note-se que o exército francês colocou também Gasquet, Benneteau, Llodra e Mahut na terceira rodada, enquanto Simon e Troicki confirmaram o mau momento que vivem.
Na chave feminina, cabeças continuam caindo, mas as principais candidatas avançaram. Atuação impecável de Sharapova, muito boa de Serena, sofrível de Kvitova. Esse lado da chave promete muito a partir das oitavas.
A sexta-feira - Nadal e Federer jogarão na Rod Laver Arena e não sofrem riscos. Por isso mesmo, todos os olhos devem se voltar para Tomic x Dolgopolov. Bons duelos também prometem Isner-Lopez e Del Potro-Lu, em que o argentino precisa tomar cuidado. No feminino, o melhor pode ficar com Clijsters-Hantuchova.
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A localização geográfica sempre foi um problema para o Australian Open, que além da distância sempre teve o clima e o fuso horário complicados. Na década de 1920, uma viagem de navio da Europa para Melborne levava 45 dias. As primeiras viagens aéreas dos EUA para Austrália surgiram em 1946. Até mesmo dentro do país as distâncias eram grandes. Quanto foi sediado em Perth, nenhum tenista da costa leste se animou a atravessar 3 mil quilômetros de trem. Em 1906, quando realizado em Christchurch, Nova Zelândia, a chave teve apenas 10 inscritos. Por isso, a Federação Internacional só deu status de "major" para o torneio em 1924, o que possibilitou Don Budge (foto acima) fazer o primeiro Grand Slam em 1938.
Em dia de viradas, juiz falha e Baghdatis vira Safin
às
12h38 - por
José Nilton Dalcim

Viradas. De Tomic, Isner, Almagro, Dolgopolov e Anderson. Uma grande surpresa: Falla. Mas nada chamou tanto a atenção em Melbourne neste terceiro dia de jogos do que o juiz Kader Nouni. Mais ainda, a falta de um regulamento que complemente a excelente introdução do HawkEye no tênis profissional. Parece o legislativo brasileiro: cria lei, mas não estabelece o conteúdo.
Não é justo dizer que David Nalbandian perdeu o jogo para John Isner devido à confusão criada pela arbitragem. Houve muita coisa depois disso que poderiam mudar o destino do placar. Mas o argentino foi prejudicado porque a ATP ainda não impôs claramente uma norma óbvia: afinal, quanto tempo o jogador tem para pedir o desafio?
O juiz errou duas vezes. Em primeiro lugar, deu um 'over-rule' sobre um primeiro saque. Um primeiro saque de Isner! Não é nada sensato. Depois, recusou o direito de revisão a Nalbandian, talvez pelo receio de mostrar publicamente a sua falha. Ainda que o argentino tivesse demorado um pouco - o que nem foi o caso -, era um lance polêmico e capital para a partida. Então para que complicar? Complicou, e deu margem à tremenda repercussão. Nalba não poupou críticas à própria ATP, aproveitando o momento em que os jogadores parecem dispostos a levantar a voz contra seu próprio sindicato.
Falla, ou talvez seja preferível dizer Fish, foi o outro destaque. O canhoto colombiano parece reservar seu melhor tênis para os Grand Slam. Não tem nada de espetacular, a não ser pernas e espírito de luta. Fish jogou abaixo da crítica. Pessoalmente, acho que já ficou tempo demais no top 10 para quem não tem um jogo tão vistoso.
No extremo oposto, Juan Martin del Potro fez uma partida excelente contra o bom Blaz Kavcic. O argentino, que talvez tenha o maior forehand que me lembro de ter visto, confessa na entrevista que está chegando perto de sua melhor forma. E isso deve servir de sinal de alerta para seus adversários, qualquer que sejam eles. Delpo sim é um digno top 10.
Já os australianos continuam vibrando com o garoto Bernard Tomic. Sem qualquer modéstia, ele se definiu como um tenista 'muito inteligente' e taticamente refinado, mas o que importa para o público é sua determinação. Virou outra partida difícil e tem chance real diante de Dolgopolov, que salvou um match-point numa partida estranhíssima contra Tobias Kamke, completando 10 sets em dois jogos.
E o acesso de fúria do bom moco Marcos Baghdatis? Como mostra TenisBrasil, quebrou quatro raquetes sucessivamente, dois novinhas em folha, e ainda foi para o quarto set. A culpa, tenho certeza, foi da raquete.
Madrugada obrigatória - Embora as chances brasileiras não sejam grandes, é obrigatório encarar a madrugada desta quarta-feira para acompanhar dois jogos bem interessantes e de muita torcida: Mello pega Tsonga por volta de 23h30, Bellucci encara Monfils às 6h. Entre um e outro, ainda vale sapear Djokovic contra Giraldo. E, lá pelas 8h, não perca Hewitt x Roddick. O Australian Open exige fôlego até do espectador.
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Desde o início da Era Profissional, o Australian Open tem sido o Grand Slam mais difícil para o campeão manter sua coroa. Isso só aconteceu nove vezes e jamais por um mesmo jogador. Wimbledon, por exemplo, teve 17 defesas bem sucedidas (Borg, Sampras e Federer repetidas vezes), enquanto Paris viu 13 (entre elas de Guga) e o US Open, 12. Curiosamente, apenas dois nomes conseguiram defender troféus em três Slam diferentes: Federer (falhou em Paris) e Lendl (que jamais ganhou Wimbledon).
Um desafio francês. Temos alguma chance?
às
13h20 - por
José Nilton Dalcim

Não vou esconder: foi um alívio a ótima vitória de Thomaz Bellucci em sua estreia no Australian Open, mantendo aliás a norma de avançar sempre uma rodada em Melbourne nos três últimos anos. Mais do que qualquer coisa, Dudi Sela representava um problema de confiança, depois da virada no US Open e da derrota feia em São Paulo. Então o importante é ver que Thomaz está com a cabeça em dia.
Ricardo Mello fez o que se esperava e despachou o trocador de bola espanhol Roberto Bautista, o mesmo tenista que eliminou André Ghem na última rodada do qualificatório. Muito mais experiente e sempre um batalhador no piso sintético, Mello anotou sua sétima vitória em 22 partidas de nível Grand Slam. Também foi a segunda vez que conseguiu ganhar em Melbourne, repetindo 2005.
Bellucci tem agora 14 vitórias em 28 jogos de nível Grand Slam, exatos 50% de aproveitamento. Vai reencontrar Gael Monfils, a quem deu muito trabalho no saibro de Acapulco em 2009, quando ganhou um tiebreak e perdeu outro antes de levar 6/1 no terceiro set. O acrobático francês é hoje o 15º do mundo, tem um tênis tão espetacular a ponto de ter batido com autoridade Rafael Nadal há poucas semanas. Mas também é um jogador que vira e mexe tem problemas físicos e se mostra desleixado na parte mental. Na Austrália, o melhor que Monfils fez até hoje foram as oitavas em 2009, quando abandonou por contusão.
A tarefa de Mello parece infinitamente mais difícil. Ele, que nunca venceu um top 10 em onze tentativas, vai enfrentar um dos melhores tenistas em atividade, que despontou para o circuito há quatro anos justamente ao ir à final em Melbourne. Jo-Wilfried Tsonga pode ser facilmente designado como um dos sérios candidatos ao título deste ano.
Que chances terão nossos brasileiros? Pequena, é claro. Mas ao menos desta vez deveremos ver os dois em quadras importantes, com imagens e direito a muita torcida.
A rodada - O complemento da primeira rodada masculina foi absolutamente o que se esperava, até mesmo em detalhes. Djokovic atropelou o frágil Lorenzi - ganhou 17 games consecutivos! -, Murray teve o esperado trabalho contra Harrison, assim como Tsonga perdeu um set de Istomin. Tranquilos, Roddick e Raonic avançaram sem sustos e assim o grande destaque ficou mesmo para o esforço de Hewitt com o apoio maciço da torcida e a virada incrível que Ferrero tomou de Troicki, após ter 2 sets a 0 e match-points na quarta série.
Entre as meninas, também ouso dizer que não houve surpresas. Sim, Kvitova, Sharapova e Serena passearam (a norte-americano fez um game só de aces), Stosur nem passou da estreia. Tudo como se esperava, já que a australiana sente uma incrível pressão quando joga em casa.
A quarta-feira - A abertura da segunda rodada ainda não empolga. Talvez tenhamos grandes jogos de Nalbandian-Isner e Wawrinka-Baghdatis, mas Nadal e Federer devem passear. O suíço, importante observar, jogará fora da Rod Laver Arena pela primeira vez desde a segunda rodada de 2004.
Fora das quadras - O agora russo Alex Bogomolov deixou um cheque de US$ 75 mil para a Associação Norte-americana (USTA) quando deixou o país e voltou a morar e jogar pela Rússa. Foi uma compensação pelos anos que a entidade investiu no seu tênis.
Já o sueco Mats Wilander, um dos grandes nomes do Australian Open na década de 80, sofreu um acidente em sua casa em Melbourne e está hospitalizado. Aos 47 anos, levou uma queda e está com ruptura num dos rins. Com isso, ele não fará comentários para a Eurosport.
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Mark Edmondson, o 'Eddo', entrou para a história em 1976, ao se tornar o tenista de mais baixo ranking a ganhar um Grand Slam (e qualquer outro torneio de nível ATP) de todos os tempos. Era um mero 212º do mundo quando derrotou o cabeça 1 Ken Rosewall na semi e superou de virada John Newcombe. Duas histórias curiosas cercam o feito. Sem patrocinador até então, Eddo recebeu cerca de US$ 400 para usar um calçado Adidas na semi. Venceu, e então a Dunlop aumentou a oferta para a final, o que obviamente ele aceitou. O que não se esperava é que deixasse cair o troféu na cerimônia de premiação (foto acima). O momento permanece histórico, ainda mais porque até agora nenhum outro tenista da casa venceu o Australian Open.
Australian Open começa quente, dentro e fora das quadras
às
12h58 - por
José Nilton Dalcim

Se o clima de um Grand Slam é naturalmente tenso, ainda mais para os grandes nomes, sobre quem recaem todas as atenções, este Australian Open ganhou um ingrediente inesperado. Uma reunião dos jogadores, que deveria ser secreta e chegou a discutir um boicote generalizado ao torneio, vazou no sábado pela boca do próprio Rafael Nadal, que ainda por cima criticou o outrora parceiro Roger Federer.
Pelo que foi dito e publicado até agora, a pendência maior é em cima da premiação dos grandes torneios. Os tenistas acham que não ganham um percentual significativo diante do enorme lucro, o que é fato. De quebra, discute-se ainda a questão de um calendário mais bem elaborado, ponto que gerou o atrito entre Nadal e Federer, já que o espanhol acusou o suíço de não ficar ao lado dos jogadores nessa questão, que tem sido de honra para Rafa. Durante as entrevistas pós-jogo da madrugada, Nikolay Davydenko também foi severo com Federer e ironizou sua imagem de "bom moço".
Para completar o primeiro dia tão agitado, Nadal revelou ter sentido uma "dor estranha" no joelho, que o levou a uma ressonância magnética na manhã da estreia. Na quadra, depois de um começo cauteloso, arrasou Kuznetsov com 42 winners e apenas 14 erros. O 'novo' Nadal marcou nove aces e perdeu apenas seis pontos quando acertou o primeiro saque.
Federer, por seu lado, também teve um início de partida mais tenso porém encarou um adversário que parecia ter boas armas, já que disparou bolas chapadas dos dois lados e chegou a quebrar um saque do tetracampeão. A diferença básica foi que Federer forçou 76 pontos e ganhou 43, enquanto o russo tentou 43 e só fez 21. Na entrevista oficial, o cabeça 3 precisou responder mais perguntas sobre Nadal e a greve do que sobre a partida, mas garantiu não ter sentido dores no ombro.
O ponto alto, em termos de emoção, foi a espetacular virada de Bernard Tomic sobre o cabeça dura Fernando Verdasco. O espanhol, com um uniforme nada discreto, controlou muito bem o garoto e a torcida nos dois primeiros sets, mas se abateu conforme o australiano reagiu. Aos 19 anos, Tomic marcou sua quarta vitória expressiva em menos de uma semana - venceu Berdych, Monfils e Fish na exibição de Kooyong -, porém o esforço físico e mental de uma estreia tão dura pode ser fatal e ele chegou a chamar o fisioterapeuta à quadra. Para sua sorte, pega agora Sam Querrey e, quem sabe, Dolgopolov em seguida.
Jogo bem interessante fez Juan Martin del Potro. O argentino sofreu altos e baixos, principalmente com o saque, mas encarou um Mannarino habilidoso e pouco previsível. A partida foi cheia de bons lances e pode ter sido a mais dura de Delpo nesta semana, já que agora pega Kavcic e depois, Serra ou Lu. Tudo indica um duelo muito bom contra Fish nas oitavas.
No feminino, Kim Clijsters iniciou a defesa do título com pouco ritmo, mas depois deslanchou. Está em rota de colisão com Caroline Wozniacki e seria realmente um ótimo momento para o torneio. A dinamarquesa tentou mostrar na estreia uma tática mais agressiva e disparou bons backhands. A curiosidade da rodada, no entanto, fica para Bethanie Mattek-Sands: ela anotou 81 winners e ainda assim perdeu para Agnieszka Radwanska no terceiro set.
Longa madrugada - Quem tiver fôlego e conseguir virar a madrugada desta segunda para terça-feira, poderá ver a estreia (fácil) de Novak Djokovic e o jogo (trabalhoso) de Jo-Wilfried Tsonga. E também torcer pelos brasileiros, que jogam todos a partir de 1 hora da manhã.
Graças ao espetacular trabalho do site oficial do torneio, será possível pelo menos ver Feijão contra Ebden, que jogam a terceira partida da Show Court 2, que tem câmeras de TV. A maior dificuldade é com a alta qualidade do 'streaming', que exige do internauta uma conexão decente. Caso contrário, vá mesmo para os já conhecidos sites não-oficiais de transmissão. Mello tem ótima chance contra o quali Bautista e Bellucci precisa espantar seus fantasmas diante do baixinho Sela.
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A única vez em que os tenistas utilizaram-se de um boicote maciço para tentar mudar o esporte foi em 1973. Em represália à suspensão dada pela Federação Iugoslava a Nikki Pilic, que havia se recusado a disputar a Copa Davis, nada menos que 80 dos principais jogadores decidiram não competir. Melhor para o tcheco Jan Kodes (foto acima), que levou o troféu. O público também não se assustou e mais de 300 mil espectadores foram ao All England Club.
Perto da 1.000ª partida, Federer busca novas façanhas
às
21h30 - por
José Nilton Dalcim

O suíço Roger Federer levantou seu 16º e último troféu de Grand Slam há praticamente dois anos, lá mesmo em Melbourne, quando se tornou tetracampeão do Aberto da Austrália. Aos 30 anos e vindo de um espetacular final de temporada em 2011, ele pode registrar novas façanhas e recordes a cada rodada. Vamos a um resumo:
- Ao entrar em quadra na manhã desta segunda-feira para enfrentar Kudryavtsev, ele atingirá 49 Grand Slam disputados consecutivamente, ficando com a chance de se tornar o terceiro profissional da história a superar a marca dos 50. Os recordistas são Wayne Ferreira (56) e Stefan Edberg (54).
- A vitória na estreia também vale o triunfo de número 60 para ele no Australian Open, o que é a maior quantia da Era Profissional. Ele perdeu apenas oito vezes.
- Registre-se o fato de que Federer jamais foi batido na primeira rodada do Aberto da Austrália em 12 participações anteriores. A última vez que isso aconteceu a ele num Slam foi em Roland Garros de 2003 para Luis Horna.
- Federer tem exatos 996 jogos disputados na carreira, podendo então chegar ao de número 1.000 se atingir a quarta rodada em Melbourne. Seu retrospecto é de 810 vitórias e apenas 186 derrotas.
- Se chegar à semifinal e portanto ganhar cinco partidas, Federer iguala a marca absoluta de Jimmy Connors, com 233 vitórias em torneios de Slam. O recorde neste momento do suíço é de 228 vitórias e 34 derrotas.
- Um eventual título daria o pentacampeonato ao suíço, algo que somente Roy Emerson obteve, com um total de seis completados em 1967.
Saiba mais
O primeiro torneio de tênis disputado na Austrália foi em 1880, em Melbourne. Vinte e cinco anos depois, surgiu o Nacional, que em 1908 já teve um campeão estrangeiro. Dessa forma, a Austrália realiza a 100ª edição do seu torneio principal em 2012 - não foi organizado nos períodos das Grandes Guerras. Desde que o tênis profissional surgiu, este será o 44º Australian Open e o 176º Grand Slam. Provisoriamente, o torneio tem a maior premiação da história (US$ 26 milhões), porém o recorde mais significativo é o de público para um único dia em qualquer Slam: 77.043 há dois anos, quando o total de ingressos vendidos chegou a 653.860. Na foto acima, o estádio principal de Kooyong no final dos anos 60.
Pequenos desafios para os favoritos, dureza para Murray
às
00h16 - por
José Nilton Dalcim
O saque poderoso de Milos Raonic, o espírito guerreiro de David Ferrer ou a fase ascendente de Janko Tipsarevic merecem respeito. Mas estão longe de estremecer o favoritismo de Novak Djokovic para uma vaga na semifinal do Aberto da Austrália.
O número 1 do mundo, na verdade, se vê diante de pequenos desafios até que cheguem as rodadas decisivas. As três primeiras partidas parecem meros treinos, ainda que o tênis vistoso de Radek Stepanek mereça aplausos. Raonic é claro sempre preocupa pelo jogo totalmente sem ritmo que proporciona, mas ele próprio corre risco diante de Philipp Petzschner e principalmente de Andy Roddick.
O número 5 e semifinalista do ano passado David Ferrer também chega cheio de predicados. Porém, não tem bolas vencedoras em número suficiente para colocar Djokovic contra a parede. Em grau ainda menor, pode-se dizer o mesmo de Janko Tipsarevic. Então, só mesmo um conjunto formidável de acasos poderá tirar Nole da penúltima rodada.
Algo bem semelhante caracteriza o sorteio e provável sequência de jogos de Rafael Nadal e Roger Federer. O espanhol poderá cruzar com sacadores como Ivan Ljubicic, John Isner ou Feliciano López, porém a distância técnico é muito grande. O maior perigo deveria ser Tomas Berdych nas quartas, mas isso dependeria de o tcheco estar num dia muito inspirado para arriscar paralelas com sua bola tão chapada.
Federer também deve ter uma primeira semana tranquila, seja contra Jurgen Melzer ou Alexandr Dolgopolov. As quartas prometem mais, já que o adversário poderá ser Mardy Fish ou Juan Martin del Potro. Em qualquer dos casos, tratando-se de melhor de cinco sets, ainda devemos apostar no suíço.
O hipotético quadro das semifinais então teria os três líderes do ranking. E quem é o mais cotado para completar a rodada? Acredito que esse setor da chave reúna a maior promessa de emoções. Andy Murray pega de cara o garotão Ryan Harrison numa estreia que deve dar trabalho. Nas oitavas, a lógica aponta duelo contra Gael Monfils, que mostrou um tênis mais agressivo em Doha. E nas quartas, viria um confronto com Jo-Wilfried Tsonga, que só tem a temer o próprio físico.
E os brasileiros? Bom, o sorteio reservou uma boa primeira rodada se considerarmos que ninguém pegou adversários de peso. Porém, difícil imaginar que Thomaz Bellucci encare Monfils ou que Mello atrapalhe Tsonga. Feijão pegou um australiano e depois deve ter Nishikori. Digamos, foi o mais sortudo.
O torneio feminino, por sua vez, está recheado de dúvidas sobre a condição física e técnica de muitas das favoritas. Wozniacki e Clijsters estão programadas para se cruzar nas quartas, mas será que chegarão tão longe? Por isso, não seria surpresa termos Radwanska ou Azarenka na final.
Kvitova merece o favoritismo, ainda mais porque pegou um grupo com Stosur, Bartoli e Pavlyuchenkova. A outra semifinalista é ainda mais difícil de apontar. Sharapova, Serena e Zvonareva têm histórico e competência, porém não dá para apostar que estejam inteiras para um torneio tão longo e desgastante. Está pintando mesmo uma nova conquista da canhota tcheca, rumo ao número 1.
Bellucci começa 2012 assim como terminou 2011
às
12h54 - por
José Nilton Dalcim
Jogo duro, decidido nos detalhes. Vantagem no terceiro set, mas que não foi confirmada e permitiu uma virada. No tiebreak final, falhas. Thomaz Bellucci iniciou a nova temporada, agora sob os olhares do técnico argentino Daniel Orsanic, com o mesmo histórico do ano anterior: ficou no quase.
Claro que é prematuro demais analisar mudanças no tênis do nosso número 1 apenas com dois jogos. E não se pode menosprezar o baixinho Olivier Rochus, um jogador experiente, osso duro de roer até para os tops do ranking, para quem o paulista perdeu na semifinal de Estocolmo de 2009.
A derrota necessariamente não muda a expectativa de Bellucci para o Aberto da Austrália. Que, na verdade, é baixa. Sem ser cabeça, precisa de sorte para fugir de feras nas duas primeiras rodadas, mas dificilmente não cruzará com um top 30 até o terceiro jogo. O lado positivo é ver que Thomaz não passou em branco nas duas últimas edições em Melbourne, tendo sempre ganhando uma partida. Quem sabe, sem pressão, a coisa anda.
Aliás, é curioso verificar a dificuldade que os tenistas brasileiros têm quando jogam na Austrália, algo que inclui até mesmo o grande Guga Kuerten, que jamais passou da terceira rodada em Melbourne mesmo no seu auge e somou apenas seis vitórias no Slam da Oceania.
Desde 1980, portanto nos últimos 31 anos, apenas três brasileiros chegaram na terceira rodada do Aberto. Na época da grama, Marcos Hocevar fez isso em 1983 e, no piso sintético, Jaime Oncins ganhou duas em 1991. E só. Retrospecto pior até mesmo que Wimbledon, onde Guga e André Sá atingiram as quartas. Nosso maior histórico em Melbourne, mais uma vez, remonta a Maria Esther Bueno, finalista em 1965 e campeã de duplas em 1960.
Veja se você acertou - Vamos às respostas do quiz:
1. Essa era fácil: The Norman Brookes Challenge Cup é o nome do troféu masculino.
2. Outra bem tranquila: Plexicushion substituiu o Rebound Ace
3. Os US$ 2,3 milhões para cada campeão será o maior prêmio da história
4. O teto retrátil da Rod Laver Arena demora 25 minutos para ser fechado. O da Hisense, apenas 10.
5. Trinity é o sensor eletrônico que vigia a rede e determina o "let" durante o saque.
6. O último torneio sobre a grama foi em janeiro de 1987. Como mudou para janeiro, o torneio não foi disputado em 1986.
7. Outra fácil: Schiavone e Kuznetsova lutaram por 4h44.
8. A final feminina de 2003 foi jogada com teto fechado porque a temperatura ambiente era de 44 graus.
9. O Brasil teve cinco homens nas chaves de 2002 e 2003.
10. Sim, é claro, Gustavo Kuerten foi nosso último tenista a ganhar duas partidas, em 2004.
Você sabe tudo sobre o Australian Open?
às
12h50 - por
José Nilton Dalcim
Dez perguntas para ver se você realmente é um fanático por tênis:
1. Qual o nome oficial do troféu dado ao vencedor de simples da chave masculina?
2. Qual o nome do piso sintético que é utilizado agora nas quadras do Melbourne Park?
3. Com a paridade entre o dólar australiano e o dólar norte-americano, o Aberto baterá recorde de premiação. Quanto levam os campeões de simples em 2012?
4. Quantos minutos se gasta, em média, para o fechamento do teto retrátil sobre a Rod Laver Arena?
5. O que é Trinity?
6. Em que ano foi disputado o último torneio em Melbourne sobre quadra de grama?
7. Schiavone e Kuznetsova fizeram na Austrália o jogo feminino mais longo da história dos Slam, com 16/14 no terceiro set. Quanto tempo durou a partida?
8. Por que a final de 2003 entre as Williams foi disputada com teto fechado?
9. O Brasil teve recorde de participantes em 2002 e 2003. Quantos entraram na chave de simples?
10. Quem foi o último brasileiro a atingir a terceira rodada do Australian Open?
Se considerarmos que cada pergunta vale 2 pontos, veja se você consegue somar pelo menos 10 (afinal, cinco respostas são fáceis) antes é claro de ficar consultando o Google. Se você chegar a 14, parabéns! 16 pontos? Incrível! Se atingir 18, é um gênio!
No próximo post, amanhã cedinho, dou as respostas.
Primeira semana da temporada 'renova' circuito
às
18h10 - por
José Nilton Dalcim
Andy Murray e seu treinador estreante, Milos Raonic com seu saque devastador, Alexandr Dolgopolov leva seu tênis refinado mais perto do top 10 e Jo-Wilfried Tsonga mostra que quer mesmo entrar na faixa dos cinco melhores do mundo. A primeira semana da temporada masculina renovou o circuito e confirmou a expectativa de que haverá uma divisão muito grande de sucesso.
A conquista do torneio de Brisbane não foi nem de longe a coisa mais importante da carreira de Murray, mas nada como começar com o pé direito a relação com o técnico Ivan Lendl, que debutou na função. As duas atuações do escocês neste final de semana foram contundentes: passou com categoria sobre a esperança Bernard Tomic e deu uma aula em cima de Dolgopolov. Tudo bem que os dois adversários não têm armas naturais para incomodar Murray, porém ele superou com louvor a primeira provação de 2012.
Aliás, o próprio Dolgopolov merece créditos. Segurou firme a cabeça na partida em que esteve bem perto da derrota diante de Igor Andreev e depois soube virar a partida contra o eclético Radek Stepanek. Melhor ainda foram os dois sets em que se mostrou muito superior ao experiente Gilles Simon. Com tudo isso, o ucraniano aparecerá nesta segunda-feira com o melhor ranking de sua carreira, cada vez mais perto do top 10.
Raonic por sua vez finalmente recuperou a confiança, comprometida após a longa parada e a cirurgia. Com 21 anos completados há 12 dias, ele fez sua terceira final de ATP e levou o segundo titulo. E tirou dois top 10 sucessivamente: Nicolas Almagro e Janko Tipsarevic. O garoto está praticamente entre os 24 cabeças na Austrália e isso é um excelente presságio.
No meio dessa juventude toda, Tsonga surge quase como um veterano, principalmente se recordarmos que ele disputou a final de Melbourne quatro anos atrás. No entanto, seu jogo ganhou nova roupagem e ganhou consistência no fundo de quadra, o que o torna menos dependente do saque. As frustrantes derrotas de Paris e Londres tiveram pequena recompensa em Doha, um torneio em que seu único duelo realmente decente foi a final contra o amigo Gael Monfils. O titulo pode aumentar ainda mais sua confiança para o Australian Open.
E por falar em renovações, houve uma de Thiago Alves. Mas no espírito. Há menos de um mês, ele foi desclassificado do future de Brasilia por destempero, reflexo de um momento delicado da carreira, em que vinha brigando contra contusões, o baixo ranking e a proximidade dos 30 anos.
Thiago investiu então em um trabalho mental e, nesse curtissimo intervalo, o resultado já valeu todo o esforço. Ganhou o Aberto de São Paulo, com direito a troféu de "melhor comportamento", mostrando a conhecida garra. Melhor ainda, saltou para perto do 230º posto. Ou seja, economizou uma penosa caminhada pelos futures e já pode sonhar com seu grande objetivo de 2012, que é disputar o quali em Roland Garros.
Sempre é tempo de mudar.
E não é que Monfils também resolveu jogar tênis?
às
16h42 - por
José Nilton Dalcim
E o 'efeito Djokovic' continua. Depois de vermos um Rafael Nadal como poucas vezes assistimos, buscando winners atrás de winners, desta vez foi o francês Gael Monfils quem trocou seu jogo por vezes irritante de bolas moles e sem objetivo por um tênis ofensivo, ousado, surpreendente.
Os frutos foram colhidos justamente em cima de Nadal, um adversário para quem o francês havia perdido oito de nove duelos, geralmente sem grandes chances e, pior ainda, sem espetáculo. Pois Monfils fez um primeiro set primoroso na semifinal de Doha, em que trocou o malabarismo pela eficiência, e mostrou que pode ser um jogador bem diferente do que habituamos a ver no circuito.
Deixou Nadal completamente sem opção, mas Monfils resolveu ser o velho Monfils no começo do segundo set e aí o espanhol abriu 4/1, porque no estilo regularidade-correria ele é muito mais tenista que o francês. Nadal, na verdade, jogou um game ruim, quando permitiu que Gael recuperasse a quebra, e aí aflorou um sintoma preocupante: a falta de confiança. Suas bolas ficaram curtas, ele parou de atacar e perdeu nada menos que cinco games consecutivos.
Por que Monfils não é esse tenista agressivo e talentoso talvez seja a mesma pergunta que fazemos quando nos deparamos com os altos e baixos de Andy Murray. O 'efeito Djokovic', me parece, passou a exigir que os tenistas de ponta deixem essa comodidade de lado e está obrigando os que realmente querem ser top 10 a ser mais incisivos.
E Federer? Pela segunda vez na carreira, abandonou um torneio pela metade, repetindo Paris de 2008. O problema é nas costas, a primeira vista um desconforto muscular que pode estar sanado até o Aberto da Austrália. Mas é sem dúvida uma má notícia, porque o saque tem sido um dos pontos altos - senão o maior - do jogo do suíço nesses últimos tempos.
Nadal mostra sua versão 2012. E agrada.
às
18h45 - por
José Nilton Dalcim
Um Rafael Nadal anotando mais de 30 winners, com número também expressivo de erros não-forçados. Isso necessariamente é igual a um tenista determinado a buscar mais o jogo, ser ousado, agressivo.
O Nadal que se viu nesta quinta-feira contra Mikhail Youzhny, em Doha, pode ser uma mostra clara do que o espanhol pretende exibir ao longo de 2012. Ao trocar de raquete por um modelo mais pesado, ele confirmou o discurso com atitude. E vimos então o saque funcionar bem e uma quantidade mais expressiva de pontos decididos na segunda bola ou com a subida à rede.
Claro que o forte do espanhol continua a ser a defesa e sua espetacular visão de quadra. O posicionamento geralmente perfeito permite encontrar ângulos incríveis para o contragolpe mortal, aliado a uma velocidade de pernas que raramente se viu no tênis.
O fato indiscutivel é que esse Nadal de hoje contra Youzhny, ainda que distante do ideal, tem uma estrutura tática mais adequada para os pisos sintéticos e para a economia do esforço fisico. E pode trazer de volta aquele grande momento que o espanhol viveu em 2008 ou 2010.
É sem dúvida uma reação ao 'efeito Djokovic'. Não se poderia esperar por outra coisa.
E Roger Federer fará seu nono duelo contra Jo-Wilfried Tsonga no espaço de 12 meses. Jogadores com grande poder de fogo, sempre fica a expectativa de uma partida emocionante, longa, decidida em detalhes. Aquecimento ideal para Melbourne, principalmente para quem vencer.
Com Lendl, apostas em Murray aumentam
às
20h49 - por
José Nilton Dalcim
Pouca gente discute o talento de Andy Murray, assim como todo mundo sabe que seu maior problema é emocional. Com o anúncio de Ivan Lendl como novo treinador, na semana passada, grandes nomes do circuito aumentaram suas apostas no britânico. Vamos ver algumas delas.
"Andy está um tenista cada vez melhor e irá aproveitar a experiência de já ter disputado a semifinal de todos os Grand Slam. Fez uma uma grande temporada em 2011 e vejo que ele está tratando melhor com suas frustrações", aponta Tim Henman. "Djokovic, Nadal e Federer ainda são os nomes fortes e os candidatos naturais aos Slam, mas se existe alguém que pode quebrar isso é Murray", enfatiza McEnroe.
Para Goran Ivanisevic, o escocês tem maiores chances de ganhar um Slam na Austrália e em Wimbledon. "Quando Andy conseguir vencer o primeiro, ficará mais fácil tentar outros. Ele precisa superar essa barreira. Sou um grande fã do seu tênis", afirma o croata, lembrando que ele jamais desistiu de vencer Wimbledon, mesmo depois de perder duas finais.
Também muito interessante foi a entrevista do próprio Lendl ao desembarcar na Austrália. Com todo cuidado, ele tentou não criar expectativas exageradas e reconheceu: "Há muita pressão sobre ele, especialmente da imprensa britânica". O tcheco acredita que Murray vive um momento muito parecido com o seu próprio, em 1984, quando tinha os mesmos 24 anos e ainda buscava seu primeiro Slam: "Por isso tenho certeza que posso ajudá-lo em algumas coisas".
Lendl lembrou que o passo decisivo foi a contratação do técnico australiano Tony Roche, que tinha larga experiência nos grandes torneios. "Eu precisava de algo que funcionasse. Roche mudou minha carreira. Espero fazer o mesmo por Andy. Mas vamos dar tempo e espaço para ele".
Murray sofreu duas vezes, mas obteve duas viradas e está nas quartas de final do ATP 250 de Brisbane, onde tem agora um teste mais interessante diante do parceiro de duplas Marcos Baghdatis. Se passar, pode encarar a esperança local Bernard Tomic. Ótima chance para vermos como anda sua cabeça.
Já em Doha, Rafael Nadal e Roger Federer tiveram uma rodada tranquila, mas o espanhol tem um desafio interessante nesta quarta-feira diante do russo Mikhail Youzhny.
Festa no parque
às
19h04 - por
José Nilton Dalcim
Em dia de Rafael Nadal e Roger Federer em quadra, dei um pulo no Parque Villa-Lobos para ver um dos meus torneios prediletos da temporada: o Aberto de São Paulo. Lá não tem megaestrelas, milhões de dólares, modelos como pegadoras de bola ou famosos na arquibancada. Mas é sempre uma festa para o tênis. A ideia de se realizar um evento num concorrido parque público, sem cobrança de ingresso, faz muito bem ao esporte.
Para os fãs, é uma aproximação espetacular do tênis profissional. Ficar ali na grade, poucos metros distante da ação, sentindo o peso da bola, o suor escorrendo, o esforço para alcançar bolas que parecem impossíveis, tudo certamente deixa a gente com uma vontade enorme de correr para uma quadra. Melhor ainda é despertar a curiosidade daqueles que nunca tiveram oportunidade de ver uma partida de tênis ao vivo muito menos praticar. O nível técnico tão alto que parece muito simples jogar. Essa sem dúvida é a tarefa essencial.
Com algumas dificuldades financeiras, o Aberto honrou a camisa e foi para a rua. Ergueu a arquibancada majestosa em cima de uma quadra de tênis gigantesca no meio das árvores, pedindo licença aos pássaros, e ficará ali, por uma semana a fio, mostrando pontos bonitos até que surja um campeão.
Ouço alguém comentar que o torneio 'empobreceu', mas não concordo. Para um challenger de US$ 35 mil, ele está até grande demais. Na verdade, viveu um choque de realidade, algo que nem sempre nossos promotores conseguem entender: future é future, challenger é challenger, ATP é ATP. Distorcer isso sempre foi o problema.
E Doha? Teve de tudo. Rafael Nadal começou muito bem, perdeu o ritmo, levou um susto ao perder o saque na abertura do terceiro set antes de enfim confirmar a imensa superioridade técnica sobre Philipp Kohlschreiber. Em direção oposta, Roger Federer fez quase um treino diante de Nikolay Dayvdenko, dominando todos os aspectos do jogo. Possível adversário do suíço nas semifinais, Jo-Wilfried Tsonga deu mostras que ainda está distante do que espera jogar em 2012.
E 2012 já começa muito promissor para Djokovic
às
15h12 - por
José Nilton Dalcim
Depois de uma primeira partida vacilante, o sérvio Novak Djokovic mandou seu recado ao tênis: perdeu apenas seis games para Roger Federer e David Ferrer e mostrou uma rápida evolução técnica nos três dias que se exibiu em Abu Dhabi.
Claro que torneios amistosos não têm o mesmo valor de qualquer ATP 250, já que a pressão praticamente não existe. Porém, Djokovic exibiu neste sábado um jogo encorpado, em que tudo funcionou. O primeiro saque, a devolução, a segunda bola, a deixadinha, a subida à rede. Flutuou pela quadra e nos fez lembrar do seu espetacular primeiro semestre de 2011.
Atropelar adversários do gabarito de Federer e Ferrer, em dias consecutivos, não é pouca coisa. Deve ter dado uma imediata injeção de confiança no sérvio, que sabe da dificilima missão que terá nos próximos meses, tendo de defender milhares de pontos. Estará na mira de todos, adversários, público e jornalistas. Então, toda vitória é muito bem-vinda.
Federer voltou a ter uma exibição irregular na disputa do terceiro lugar contra Rafael Nadal, que investiu no backhand impreciso para impor um avassalador 6/1. Para ambos, no entanto, vale mais pensar em Doha. Atual campeão, o suíço refaz a final do ano passado contra Nikolay Davydenko logo na estreia e dificilmente não enfrentará Jo-Wilfried Tsonga pelo terceiro torneio - e quarta partida - consecutivo. É muitíssimo provável que o vencedor pegue o cabeça 1 na decisão, em partidas que valem muito para quem sonha em grande campanha na Austrália.
E Andy Murray anunciou finalmente o que toda a imprensa britânica esperava desde o Finals de Londres: passa a ser orientado por Ivan Lendl, um dos cinco maiores tenistas profissionais de todos os tempos, mas que jamais exerceu a função de técnico e esteve distante do circuito, por vontade própria, por mais de uma década. O que Lendl mais pode contribuir é com a parte mental, já que foi um jogador de extrema frieza, eficiência e versatilidade. Apesar da cara sisuda e poucos amigos, o tcheco sempre surpreendeu aos mais próximos pelo bom-humor. Tomara que dê certo.
O único brasileiro em nível ATP da primeira semana do ano será o velho Ricardo Mello, com a indigesta tarefa de defender o top 100 no forte torneio de Brisbane, onde aliás está cotado para pegar Murray nas oitavas. João 'Feijão' Souza não conseguiu vaga direta nos dois torneios em que tinha chance - Brisbane e Doha - e preferiu treinar mais uma semana e só começar a temporada em Sydney.
E, é claro, um grande 2012 para todos vocês!