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Considerações sobre o duro 2008 de Federer
às 19h52 - por José Nilton Dalcim

Minha habitual blogueira Patricia, inconformada com as críticas que desabaram sobre Roger Federer, pede um debate sobre o tema. Muito justo. O melhor tenista da década vive momento delicado em sua carreira: aos 26 anos, quatro deles como dono absoluto do ranking e das quadras, vislumbra a maior oportunidade de entrar definitivamente para a história, com a conquista dos dois Grand Slam que faltam para igualar Pete Sampras e especialmente de triunfar no saibro de Roland Garros, como se as duas finais seguidas em Paris ainda não fossem suficientes para atestar sua versatilidade.

Isso tudo se traduz numa só palavra: pressão. E nem acredito que seja aquele tipo de pressão que vem do público ou da mídia, mas aquela interna, de quem quer provar a si mesmo que a barreira final pode ser ultrapassada, a consciência de que esta pode ser a temporada exata para a conquista. Então o problema do suíço está na força mental e não meramente no quesito técnico. "Criei um monstro", disse em Melbourne, numa definição mais que perfeita.

Não me atrevo a analisar golpes e as habilidades táticas de Federer, depois que um tal de Rod Laver afirma na edição de hoje do "L´Equipe" que o suíço é "o jogador mais completo da atualidade", que seus atributos o tornam "um atleta diferenciado". Nas palavras do único tenista a fechar dois Grand Slam na história, "sua habilidade para cobrir toda a quadra e seu senso de antecipação são surreais... Ele nunca está atrasado e tem o talento de determinar, com os seus golpes, como a bola voltará para ele.. Tem todos os golpes e seu serviço melhorou muito em relação ao último ano", para sintetizar as opiniões do australiano.

Talvez falte dizer que Federer encontrou realmente dois obstáculos pelo caminho e que Rafael Nadal, no saibro, e Novak Djokovic, no piso sintético, podem ser justamente a inspiração que um atleta com tantos recordes e feitos necessite para ainda ter vontade de treinar e jogar. Faltam alguns mínimos detalhes para Federer se igualar a Nadal no saibro de Roland Garros. Ele demonstrou evolução em 2007, com mais paciência, topspin, bolas nas paralelas e ataque final no backhand. E, por incrível que pareça, parece estar fisicamente mais habilitado que o espanhol, pelo menos nestes dias.

Sinceramente, penso que Djokovic seja um osso mais duro de roer, porque o sérvio oferece menores "buracos" do que Nadal e é bem mais versátil. Além disso, ganha confiança e maturidade a cada dia. Tem um saque potencialmente eficiente, muita solidez nos dois lados do fundo, perigosos contra-ataques e sabe subir à rede. Para neutralizá-lo, o suíço precisa jogar o seu melhor tênis ou contar com a sorte.

No resumo das coisas, Federer ainda deverá reinar em 2008, mas não com a onipotência de antes. O melhor que ele pode fazer é mesmo se concentrar nos grandes torneios e nos objetivos primordiais: manter o número 1 do ranking, ganhar três ou quatro Masters Series, vencer Roland Garros e Wimbledon. Precisa mais?


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Sim, Luke Jensen existe!
às 18h51 - por José Nilton Dalcim

Não sei se foi por causa da transmissão do último Aberto da Austrália, em que ele apareceu algumas vezes e até foi citado, mas não foram poucos os e-mails que recebi perguntando se era verdade que Luke Jensen jogava tênis com as duas mãos.

Bom, não é exatamente assim. Luke Jensen existe, sim! Mas ele "apenas" sacava tanto com a direita como a esquerda. Para os demais golpes, era estritamente destro. Foi duro, mas vasculhei a internet até achar um vídeo em que isso ficasse historicamente provado.

E ei-lo então, em pleno Roland Garros, ao lado do irmão Murphy, enfrentando a dupla formada por Henri Leconte e Goran Ivanisevic pelas quartas-de-final. Os norte-americanos não apenas venceram a partida, como também faturaram o título daquele ano de 1993. Dentre seus 10 troféus, o primeiro veio justamente aqui no ATP do Guarujá, em 1988. Ganharam também Monte Carlo e foram vice em Roma e Indian Wells, atingindo o nono lugar do ranking da especialidade.

Folclóricos, como se vê neste vídeo, os irmãos Jensen foram de certa forma precursores do tênis-show. Roupas extravagantes, encenações, brincadeiras e também boa qualidade de tênis os tornaram muito famosos pelo circuito. Tiveram grande papel de divulgação do tênis em seu país, a ponto de Luke ser hoje um comentarista de ponto da rede ESPN.

TV em BH - O profissional Leo Santos está encarando o desafio de produzir um programa sobre o tênis mineiro e exibi-lo na tv a cabo de Belo Horizonte. Está no ar desde outubro, retransmitido pelo canal 6 da NET e pelo canal 13 da Way TV às 8 horas de sábado (inédito) e reprises nas quartas (11h30) e sextas (6h30).

O bom conteúdo dá notícias também do tênis mundial e tem diversos quadros, como test-drive de material esportivo, tira dúvidas de regras com André Lima e dá dicas de golpes, sempre com linguagem informal e divertida. Obviamente, os produtores estão à procura de apoio. Os interessados podem contatálos pelo email leosantos@leosantos.com.br.


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Começa uma nova era para Djokovic
às 12h11 - por José Nilton Dalcim

Acabou-se a condição de surpresa, de revelação. A partir de agora, o sérvio Novak Djokovic inicia uma nova fase em sua curta porém espetacular carreira. Aos 20 anos, com um título de Grand Slam no currículo e vitórias sobre todos os principais jogadores do circuito, ele passa a ser tratado sempre como um favorito e candidato ao título. E isso nem sempre é fácil de se lidar.

A caminhada de Djokovic foi estelar, inferior apenas à de Rafael Nadal dentro desta última década. Ascendeu à lista dos 20 melhores do mundo em outubro de 2006, saltando mais de 70 posições na temporada, e seis meses depois já era o número 7. A escalada foi contínua até atingir o terceiro posto, em julho, e agora já se torna uma ameaça concreta à vice-liderança de Nadal, que poderá cair neste primeiro semestre.

Mais do que isso, o sérvio já soma duas vitórias sobre Federer e outras duas sobre Nadal, todas em piso sintético. Leva vantagem nos confrontos contra Andy Roddick, Richard Gasquet e Andy Murray (por 3 a 0!), empata com David Nalbandian por 1 a 1 e está com 2 a 3 diante de David Ferrer. Para quem está no alto nível há tão pouco tempo, é sem dúvida alguma uma trajetória de se tirar o chapéu.

Claro que ainda há muito a provar. Por enquanto, Djokovic pôde jogar solto nos grandes torneios e diante dos monstros sagrados. Mas agora tudo muda e isso já ficou bem claro na fraca final do Aberto da Austrália, onde jogou muito mal nos dois primeiros sets e quase se complicou no quarto, parecendo que não estava ali o homem que havia destronado Roger Federer 48 horas antes.

Djokovic viverá também a duríssima tarefa de defender resultados. Nos dois próximos meses, ainda que beneficiado por atuar em superfícies velozes, onde seu tênis parece se adaptar à perfeição, terá de repetir nada menos de 1.035 pontos, incluindo duas decisões de Masters Series. Depois, ainda virão as semifinais de Roland Garros e Wimbledon. Só depois disso tudo será possível avaliar a real distância do sérvio para o topo do ranking.

<b>O futuro de Tsonga</b> - A França continuará na fila dos títulos de Grand Slam. Desde 1983, Jo-Wilfried Tsonga foi o quarto tenista francês a chegar à final masculina e sair com o vice, seguindo os passos de Henri Leconte, Cédric Pioline e Arnaud Clement. O potencial sobre a quadra rápida ficou claro nas vitórias esmagadoras sobre Andy Murray e Rafael Nadal, mas fica a pergunta: qual será a consistência de seu jogo? A favor, um tênis vistoso e muita agressividade. Contra, está a sina dos surpreendentes finalistas da Austrália que perdem o rumo e a pressão de ter virado uma sensação do circuito. Novamente, a questão estará mais na cabeça do que na mão. O negócio é ficar de olho.


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A vitória da experiência
às 12h37 - por José Nilton Dalcim

Nunca me esqueço o que me disse um dia o falecido amigo e profundo conhecedor de tênis, Antonio Farias: o tênis é uma escada, você tem de subir passo a passo, não dá para pular degraus. A essa brilhante definição a gente pode chamar de experiência.

Isso foi o que decidiu o título feminino do Aberto da Austrália nesta madrugada, embora curiosamente as duas finalistas tenham exatamente a mesma idade, 20 anos. A russa Maria Sharapova, que aos 17  virou megaestrela dentro e fora das quadras, parecia uma veterana diante da tensa juventude da sérvia Ana Ivanovic, que optou por uma tática completamente desvairada, típica daqueles que ainda precisam de mais estrada para chegar ao topo.

O que diferencia os 20 anos de cada uma? Provavelmente, a vida fora das quadras. Não que a de Ivanovic tenha sido fácil, mas a russa amargou um histórico de sofrimento e esforço, desde que saiu de seu país com 5 anos, uma mão na frente e outra atrás, para tentar a sorte num país estranho, de cultura e língua tão contrastantes.

Não bastasse isso, Sharapova é hoje uma verdadeira cidadã norte-americana, o que quer dizer uma mulher madura. Ao explodir para o mundo e as câmeras fotográficas com o título inesperado de Wimbledon, ela viveu aquele sufocante estrelismo que hoje herdou Ana, ou seja, o glamour, o assédio, os flashes, as entrevistas, o suspiro da platéia, a loucura dos bastidores que fica mais forte do que ela consegue fazer dentro da própria quadra.

É extremamente saudável ver Sharapova recuperar seu excelente jogo. Tudo bem, ela não perdeu o ar arrogante, mas isso é quase um estigma do mundo do tênis, onde parece mais fácil contar os que não são. Simultaneamente, será uma mera questão de tempo para que Ivanovic aprenda a dura vida de popstar e encaixe os detalhes que faltam a seu extraordinário potencial.

Com as saídas de Kim Clijsters e Martina Hingis do circuito, estava faltando mesmo mais carisma e competitividade ao circuito feminino. A temporada não poderia começar de melhor forma.


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Uma nova vida para o tênis masculino
às 13h18 - por José Nilton Dalcim

Se alguém ainda duvidava que Roger Federer veria maiores dificuldades para manter sua hegemonia em 2008, a semifinal deste sábado em Melbourne serviu para comprovar que acabou mesmo sua vida fácil. Se no saibro a barreira é Rafael Nadal, no piso sintético surge agora o fantasma de Novak Djokovic. Ruim para os torcedores do suíço, excelente para o tênis.

Federer não jogou obviamente 100% do que pode neste sábado e isso não é uma desculpa, porém uma constatação: ou ele chega perto da perfeição, ou não conseguirá mais levar vantagem contra Djokovic no piso duro. O sérvio está com armas definitivamente poderosas e sabe o que fazer com elas para incomodar o número 1. Os golpes de base pesados e profundos não dão espaço para o ataque do suíço, o primeiro saque teve uma eficiência mortal e as devoluções são soltas e agressivas.

O aspecto que mais me chamou a atenção no duelo, no entanto, foi a postura mental. Federer não mostrou a conhecida capacidade de superar obstáculos e se impor nos momentos delicados e decisivos. Ao contrário, vacilou com o saque na mão para fechar o importantíssimo primeiro set (que na verdade ditou o resto da partida) ou para manter a vantagem no tiebreak, enquanto Djokovic contou sempre com um extraordinário sangue-frio, abusando da precisão do saque.

A decisão da Austrália, que costuma ter um elemento-surpresa, desta vez sacramenta uma nova realidade do tênis masculino: pela primeira vez em três exatos anos, nem Federer nem Nadal irá ganhar um Grand Slam. O título caberá totalmente à nova geração e, se Djokovic confirmar seu óbvio favoritismo, passará a ser ameaça séria ao número 2 de Nadal ainda neste primeiro semestre.

Aos amantes do estilo ainda insuperável de Federer, recomendo paciência. Com certeza, o suíço encontrará um caminho, quem sabe com a contratação de um técnico e na análise mais apurada de seus adversários. Os recordes ainda irão cair, mas isso vai exigir maior esforço. Os premiados seremos nós.


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O novo showman do tênis
às 13h29 - por José Nilton Dalcim

Ele não faz nada de exagerado, quando muito comemora com gestos longos um ou outro ponto muito importante, dá um grito ou solta um largo sorriso. O show de Jo-Wilfried Tsonga é exclusivamente com a raquete na mão e não poderia ter sido mais vistoso, completo e definitivo do que na semifinal desta sexta-feira, impondo uma derrota tão contundente a Rafael Nadal que fez o número 2 do mundo parecer um garoto inexperiente, acuado e medroso.

É praticamente impossível assistir a Tsonga e não lembrar do maior ídolo francês da Era Profissional, o malabarista Yannick Noah. Embora de físicos distintos, a habilidade é a mesma, principalmente nas subidas à rede, no improviso, nos voleios mágicos e desconcertantes. Dois jogadores muito soltos, com um tênis alegre e agressivo. E, por ironia do destino, dois oriundos de imigrantes africanos que triunfam num esporte de elite. Ninguém desconhece que boa parte dos franceses não tem  muita tolerância e simpatia por ex-colonizados.

Noah, de família nascida na República dos Camarões, foi justamente o último jogador do país a ganhar um Grand Slam, na histórica decisão de Roland Garros de 1983. Virou um herói nacional, mas não fez descendentes. Muitos talentos vieram depois dele, como Henri Leconte, Cedric Pioline, Arnaud Clement, sem repetir o mesmo sucesso. Quando todo mundo apostava suas fichas em Richard Gasquet, eis que surge Tsonga, destruindo nada menos que quatro dos atuais top 15, dois deles por 3 sets a 0.

Como bem observou o amigo Paulo Cleto na transmissão da ESPN, Tsonga deveria gravar a partida e mandar um DVD para Federer como o devido "copyright". Foi a mais perfeita aula de como se enfrenta Nadal numa quadra rápida. E por que Federer? Porque o suíço é dos raríssimos que possuem exatamente as mesmas armas que Tsonga, ou seja, ótimo primeiro saque, bolas rápidas e rasantes, uso constante das paralelas no backahand do espanhol e enorme habilidade para voleios curtos cruzados. Essa combinação foi exaustivamente utilizada pelo francês e deixou Nadal sem respostas.

Tsonga pode sonhar com o título? Obviamente que sim, porém Federer ou Djokovic são dois jogadores completamente diferentes, numa situação totalmente distinta, que será uma final de Grand Slam. Para início de conversa, nenhum deles possui um lado frágil para ser atacado, como o backhand de Nadal, e ambos devolvem perto da linha de forma agressiva. Se o adversário for Djokovic, talvez as chances de Tsonga sejam um pouco maiores pelo aspecto emocional, já que o sérvio também estará lutando por seu primeiro Grand Slam. Diante de Federer, o francês teria a vantagem de jogar sem qualquer obrigação, como fez contra Nadal, mas terá pela frente um adversário que, aposto, optará por chegar à rede antes do francês.

Que final! - E a decisão feminina é um sonho para o público masculino mais exigente. E não apenas pela formosura de Maria Sharapova e Ana Ivanovic, mas também pela qualidade do tênis que as duas musas estão mostrando. Sharapova me deu um susto e esmagou Jelena Jankovic. São 24 games perdidos em seis jogos, três sets seguidos com 6/0, e nenhuma ameaça. Seu segredo tem sido a consistência no fundo e a inteligente opção por atacar o segundo saque de suas adversárias.

É justamente isso o que a torna favorita diante de Ivanovic, que também sofre com o segundo serviço. Tudo indica, no entanto, que será um jogo tenso, ambas em busca de um título extremamente importante para suas carreiras e para o restante da temporada. Imperdível, não, rapazes?


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Austrália está pronta para finais históricas. Você arrisca um palpite?
às 13h52 - por José Nilton Dalcim

Chegou a hora da verdade no Aberto da Austrália. E as quatro semifinais não poderiam ser mais interessantes. Difícil apontar os favoritos à decisão e aos títulos? Façam suas apostas.

A chave masculina caminhou quase à perfeição, não fosse a decepcionante atuação de Andy Murray na estréia. Mas a presença do simpático e agressivo Jo-Wilfred Tsonga apenas ratifica a enorme tradição de o Aberto australiano produzir novos heróis, como já foi com Thomas Johansson, Arnaud Clement, Rainer Schuetler, Marcos Baghdatis e Fernando González. O garotão francês, de 22 anos, abusa da força e tem um enorme carisma. Não será surpresa se dividir a torcida australiana no duelo contra Nadal.

Mas o espanhol tem de ser considerado favorito. Apesar de não ter encarado até agora adversários de grande currículo, o fato é que Nadal mostrou evolução a cada rodada e despachou as dúvidas sobre suas condições físicas e principalmente da capacidade de se dar bem na Austrália. Se existe uma quadra sintética onde ele pode triunfar, certamente é a de Melbourne Park, que não é tão rápida. Para chegar ao título, no entanto, talvez fosse mais fácil enfrentar Federer na final, já que a pressão seria muito menor do que contra Djokovic.

Federer, por seu lado, terá seu grande teste contra o sérvio, naquela que tem tudo para ser a melhor partida do torneio e quem sabe da temporada. O suíço está em excepcional forma e soube economizar energia nas duas últimas rodadas, depois da maratona contra Janko Tipsarevic. Vimos, é verdade, um Federer com alguns altos e baixos, desperdiçando chances de fechar sets e partidas, mas ao mesmo tempo com uma força mental extremamente poderosa para superar todos os obstáculos. Claro que terá de beirar a perfeição contra Djokovic, pelo menos no papel, porque o sérvio atinge a semifinal sem esforço, com um tênis variado e brilhante, sem nada a perder contra o número 1 do mundo.

Fica evidente que, qualquer que seja o resultado destas semifinais, elas vão fazer história. Federer vai atrás do 13º Grand Slam, Nadal de seu primeiro grande troféu no piso rápido, Djokovic busca enfim seu Grand Slam e Tsonga corre por fora para entrar na lista das sensações da nova geração, na condição de maior zebra desde Guga Kuerten em Roland Garros de 97.

No feminino, a situação é um tanto diferente. A experiente Maria Sharapova contrasta com a juventude de Ana Ivanovic, Jelena Jankovic e Daniela Hantuchova. Jogo por jogo, Sharapova é de longe a mais adaptada à quadra sintética da Austrália. Na verdade, não fosse sua instabilidade emocional - e talvez o pai -, a russa justificaria sua excepcional qualidade de golpes e saque com o número 1 do ranking. E olha que ela nem sabe volear. É justamente a parte mental que coloca em dúvida sua capacidade de bater a velocidade de pernas e a persistência de Jankovic, num duelo de estilos distintos, a coisa mais saudável numa quadra de tênis. Ivanovic é favoritíssima contra Hantuchova e, se isso se confirmar, teremos novamente uma final histórica: as musas Sharapova e Ivanovic ou um duelo totalmente sérvio.

Bom, para não ficar em cima do muro, vão aí meus palpites: Federer ganha de Nadal e Sharapova bate Ivanovic nas decisões. As próximas madrugadas serão imperdíveis...


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O ranking das musas
às 12h03 - por José Nilton Dalcim

O tênis feminino, não há dúvida, é menos competitivo que o masculino. A questão é física: a mulher tem  menos força e menor velocidade do que os homens, proporcionando então um jogo mais lento e geralmente mais tático, onde o saque não costuma fazer diferença e os voleios ficam muito raros. O problema maior, no entanto, está geralmente na distância entre as top 10 ou top 20 das demais, uma lacuna que muita vezes beira o abismo.

Mas as meninas compensam esse problema com charme e elegância. O circuito está recheado de tenistas muito bem delineadas, o que acaba atraindo a atenção da mídia e do público masculino muito mais do que seu próprio nível técnico. E quando se consegue juntar as duas coisas, bem aí então ela vira musa.

E aí vem o desafio que me propôs o internauta Antônio Henrique, de Salvador: montar um ranking das musas, ou seja, das mais belas tenistas que já chegaram ao menos ao nível top 10. Tarefa dura e cheia de controvérsias. Afinal, gosto não se discute. A minha lista está aí abaixo, com rápidas explicações. Aguardo as contestações:

1. Ana Ivanovic
Além do rosto mais exótico, é uma alegria em quadra
2. Gabriela Sabatini
Único pequeno defeito: excesso de músculo nos braços
3. Anna Kournikova
A mais famosa das musas, faltou-lhe o quesito simpatia
4. Chris Evert
A mais eficiente das musas, estilo muito bem comportada
5. Maria Sharapova
Magreza excessiva no tronco e personalidade explosiva


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O primeiro grande dia do Aberto da Austrália
às 16h47 - por José Nilton Dalcim

A madrugada desta segunda-feira tem tudo para ser o primeiro grande dia do Aberto da Austrália. Não que o torneio tenha falhado em proporcionar grandes emoções e jogos espetaculares, porém toda a próxima rodada prevê equilíbrio, tensão e muita participação da torcida.

Para início de conversa, Roger Federer terá de mostrar total recuperação depois do drama vivido no duelo de 4h27 diante do sérvio Janko Tipsarevic, em que esteve tão perto de sua mais inesperada derrota num Grand Slam desde que assumiu o número 1 do ranking. Afinal, quando ele caiu na terceira rodada de Roland Garros em 2004 estava diante de um tricampeão do torneio e não de um tenista a quem costumava dominar.

O tcheco Tomas Berdych, por sua vez, vem de uma irrepreensível atuação contra Juan Monaco. Observe-se que, depois daquela queda em Atenas, Federer ganhou 13 dos 14 sets disputados contra Berdych, cuja maior fragilidade, a movimentação lateral, pareceu ter melhorado muito. E fica a dúvida: será que o tcheco não estará mais confiante numa surpresa diante das recentes derrotas e dificuldades que acometeram Federer?

Não menos emocionante promete ser o duelo já da manhã entre Novak Djokovic e Lleyton Hewitt, embora ninguém em sã consciência possa acreditar que todo o apoio da torcida poderá ajudar Hewitt a ganhar mais do que um set do poderoso sérvio. O esforço físico e principalmente mental do duelo de 4h45 contra Marcos Baghdatis, aliado à falta de golpes pesados e estilo mais variado, não deverão abalar Djokovic, mas o fato é que o sérvio ainda não foi dignamente testado neste Aberto.

Também muito interessante - embora infelizmente a TV não deva mostrar - será o encontro entre a experiência de James Blake e o estilo incrivelmente agressivo da revelação croata Marin Cilic. Deve ser um jogo de muitos winners e erros não-forçados. A julgar pelos altos e baixos que continuam a marcar seus jogos, Blake corre sério risco, principalmente porque não investe no jogo de rede, tática crucial para obter campanhas melhores.

Por fim, a rodada masculina ainda terá o confronto totalmente espanhol entre Juan Carlos Ferrero e David Ferrer. Vale lembrar que ambos costumam se adaptar muito bem ao piso sintético - Ferrero já chegou à final do US Open, Ferrer brilhou na recente Masters Cup - e mostraram ótima forma nos jogos anteriores deste Aberto. Se por um lado Ferrero chega embalado pela atuação brilhante contra David Nalbandian, encara um tabu de quatro derrotas em cinco duelos contra Ferrer. Isto sim é um jogo sem prognósticos.

Público recorde - Com 51.963 pagantes na rodada de domingo, o Aberto da Austrália completou sua primeira semana com mais de 50 mil ingressos vendidos todos os dias, algo inédito até então. O total até agora para a edição 2008 é de exatos 400 mil visitantes, recorde absoluto, o que dá a espetacular média diária de 57,2 mil espectadores.


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Rodadas da Austrália já mexem com o ranking masculino
às 17h13 - por José Nilton Dalcim

As oitavas-de-final do Aberto da Austrália nem estão completamente concluídas, mas já foram suficientes para mexer com os 20 primeiros lugares do ranking masculino, segundo cálculos de Eloi Silveira, diretamente de Paris. Quatro dessas mudanças acontecem no top 10.

O suíço Roger Federer evitou, com a espetacular virada para cima do sérvio Janko Tipsarevic, um déficit enorme. Como atual campeão, defende ainda 1.000 pontos, mas teria marcado apenas 75 caso tivesse cedido no longo quinto set neste sábado. Agora, tem 6.330 pontos (contra 7.180 antes do Grand Slam) e vê Rafael Nadal cada vez mais próximo. O espanhol também já marca 150 e está com 5.680, apenas 650 atrás do número 1. Para destronar o suíço ainda na Austrália, precisa erguer o troféu e torcer para Federer parar na semi. A primeira tarefa parece bem mais difícil do que a segunda.

A rodada deste sábado ainda registrou a saída do chileno Fernando González do top 20. Vice-campeão na última edição, ele teve atuação muito irregular e parou na terceira fase diante do gigante Marin Cilic e, com déficit de 625 pontos, saiu do sétimo diretamente para o 22º lugar. Quem também já tem enorme queda é o alemão Tommy Haas. Contundido, não defendeu 450 pontos da semi e despencou do 11º para o 24º, por enquanto.

Os “ganhadores” até o momento são Mikhail Youzhny, Tomas Berdych e Marcos Baghdatis. O russo é um dos poucos tenistas top a ir melhor que em 2007 e, já nas oitavas, sai do 14º para o 8º posto, o que poderá ser seu melhor ranking. Berdych, que teve atuação brilhante contra Juan Monaco e pode ser uma ameaça a Federer, segura o 10º lugar, superando Andy Murray e Baghdatis, que sobe no momento de 16º para o 12º. Já o australiano Lleyton Hewitt volta ao top 20.

Importante observar que David Ferrer, David Nalbandian e Juan Carlos Ferrero jogam neste domingo em jogos atrasados da terceira rodada.

Confira como está o ranking por enquanto:
1. (1) Roger Federer (SUI) - 6330 (defende 1.000, tem 150)
2. (2) Rafael Nadal (ESP) - 5680 (defende 250, tem 150)
3. (3) Novak Djokovic (SER) - 4315 (defende 150, tem 150)
4. (4) Nikolay Davydenko (RUS) - 2725 (defende 250, tem 150)
5. (5) David Ferrer (ESP) - 2540 (defende 150, tem 75)
6. (6) Andy Roddick (EUA) - 2155 (defendia 450, fez 75)
7. (8) Richard Gasquet (FRA) - 1895 (defende 150, tem 150)
8. (14) Mikhail Youzhny (RUS) - 1745 (defende 75, tem 150)
9. (10) David Nalbandian (ARG) - 1700 (defende 150, tem 75)
10. (13) Tomas Berdych (TCH) - 1685 (defende 150, tem 150) 555 em GS
11. (9) Andy Murray (GBR) - 1685 (defendia 150, fez 5)
12. (16) Marcos Baghdatis (CHP) - 1640 (defende 35, fez 75)
14. (15) James Blake (EUA) - 1610 (defende 150, tem 150)
15. (17) Guillermo Cañas (ARG) - 1598 (não defendia nada, fez 0)
16. (18) Carlos Moyá (ESP) - 1505 (defendia 5, fez 5)
17. (12) Tommy Robredo (ESP) - 1490 (defendia 250, fez 35)
18. (22) Lleyton Hewitt (AUS) - 1460 (defendia 75, tem 150)
19. (23) Juan Monaco (ARG) - 1455 (defendia 0, fez 75)
20. (21) Juan Carlos Ferrero (ESP) - 1440 (defendia 35, tem 75)
21. (19) Ivan Ljubicic (CRO) - 1440 (defendia 5, fez 5)
22. (7) Fernando González (CHI) - 1380 (defendia 700, fez 75)
23. (20) Juan Ignacio Chela (ARG) - 1355 (defendia 75, fez 5)
24. (11) Tommy Haas (ALE) - 1270 (defendia 450, fez 0)


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A França não pára de crescer
às 12h42 - por José Nilton Dalcim

Por enquanto, ainda é mais uma questão numérica do que qualitativa. Mas não dá mais para deixar de lado a gigantesca evolução do novo tênis francês, tanto no masculino como no feminino, que recheia chaves e rankings de nomes cada vez mais promissores.

A França já é o país com maior número de jogadores no top 100 do ranking masculino, com 15, três a mais que a Espanha, a quatro da Argentina e mais do dobro de Estados Unidos e Rússia. Entre os 50 primeiros colocados, iguala-se com os espanhóis: nove classificados. A questão da qualidade só fica mais evidente quando se somam os top 25, onde Argentina (com 4) e Espanha (com 5) se destacam. Isso talvez explique por que um tenista francês não vence um Grand Slam desde 1983, nem jamais tenha chegado ao número 1.

Entre as meninas, novamente a quantidade supera a qualidade, mas essa também parece uma realidade com rápida tendência de inversão. Hoje, já são 10 entre as top 100 (só perde para as 15 russas, que possuem nada menos que seis entre as 20 melhores) e entre elas surgem nomes muito promissores, como Tatiana Golovin, Pauline Parmentier, Alize Cornet e Aravane Rezai. O tênis feminino francês ao menos já chegou lá, com os recentes Grand Slam e liderança de Amélie Mauresmo.

Neste Aberto da Austrália, a França novamente tem sido sensação. É o país com maior número de inscritos nas chaves de simples, com 29, mais dos que os 26 norte-americanos e 21 russos. Colocou nove representantes na terceira rodada, embora agora somente três homens estejam nas oitavas-de-final. A vantagem é que Richard Gasquet ou Jo-Wilfred Tsonga, dois dos melhores representantes da nova geração, estará nas quartas. Sem falar nas quatro parcerias totalmente nacionais que ainda estão de pé na chave de duplas.

Nem é preciso dizer que tudo isso tem sido fruto de excelente trabalho de base feito a longo prazo. É evidente que a Federação Francesa está nadando em dinheiro, com os lucros gigantescos de Roland Garros, porém Austrália e Inglaterra não ficam atrás no quesito financeiro e estão anos-luz atrás. O que faz a diferença é a escolha correta dos programas de treinamento e incentivo. São nada menos que 300 mil juvenis registrados num universo de 1 milhão de tenistas de competição, 10 mil torneios anuais e dentre eles um circuito que não vale pontos para a ATP mas dá bom dinheiro e valioso intercâmbio.

No momento em que é urgente passar por uma reciclagem completa de objetivos e projetos, o Brasil precisa aprender com eles.


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As (primeiras) boas e más impressões da Austrália
às 17h54 - por José Nilton Dalcim

A ESPN tem sido generosa. Desta vez, o sinal internacional não anda privilegiando os sul-americanos de segundo escalão e com isso tem sido possível assistir praticamente a todos os jogos mais importantes destes quatro primeiros dias de Aberto da Austrália. Já é possível tirar conclusões? Vejamos.

Deixando Roger Federer e Rafael Nadal de lado, o jogador que mais me impressionou até agora foi Marcos Baghdatis. O vice-campeão de 2006 pegou duas pedreiras e venceu ambas em cinco duros sets, mostrando um tênis de primeiríssima linha. Além da conhecida garra, o cipriota tem mostrado um saque eficiente e golpes bem mais pesados. Claro que houve alguns momentos de queda, mesmo porque não dá para atuar num ritmo alucinante o tempo todo. Considere-se ainda a qualidade de Thomas Johansson e Marat Safin e o fato de eles atuarem com estilos completamente opostos, o que reforça a capacidade de Baghdatis em adaptar seu tênis.

Também merece louvor o francês Jo-Wilfred Tsonga. O rapaz joga na base da pressão e do risco o tempo todo, o que não é nada fácil, e está resgatando o jogo de rede. Ele vai para a frente até mesmo em bolas nada convenientes, característica básica dos grandes voleadores. É importante observar que, após surpreender Andy Murray, ele abriu a chave. Pega o espanhol Guillermo Garcia-Lopez, pode cruzar depois com o amigo Richard Gasquet e até disputar as quartas contra Nikolay Davydenko, Mikhail Youzhny ou Ivo Karlovic. Nada impossível.

O lado negativo tem sido a chave feminina, onde o que se viu até agora, com raríssimas exceções, foram jogos tecnicamente fracos e sem graça. Nem mesmo as mais experientes têm se salvado. Amélie Mauresmo, Venus e Serena Williams, Svetlana Kuznetsova devem estar deixando os amantes do bom tênis de cabelo em pé. Até Justine Henin deu uns tropeços e a melhor nota fica para Maria Sharapova. Pena que o destino determinou que ela e Henin se cruzem ainda nas quartas. Vai ser duro aguentar tantas duplas-faltas e erros não-forçados do outro lado da chave...


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O que Guga ainda pode fazer pelo tênis brasileiro
às 19h19 - por José Nilton Dalcim

Um velho amigo de bate-bola me cutucou ontem à noite. Entre as longas considerações sobre o anúncio de aposentadoria e lembranças de seu glorioso passado, ficou a pergunta: o que Guga ainda poderia fazer pelo tênis brasileiro?

Bom, antes de mais nada é essencial dizer que ele não deve nada ao tênis brasileiro enquanto instituição. O sucesso obtido foi baseado em um punhado de empresas que apostaram no seu futuro desde juvenil, na visão e dedicação de Larri Passos, no empenho brutal em treinamentos, na aposta de que valeria a pena viajar de terceira classe, dormir mal e comer sanduíche.

Isto tudo ficando bem claro, acho que Guga não poderia ser novamente desperdiçado. Já experimentamos a irrecuperável incompetência dos dirigentes e empresários, que não souberam aproveitar o seu auge para tornar o tênis um esporte bem estruturado no país. Agora, com sua aposentadoria, existe uma segunda oportunidade de utilizarmos seu carisma e suas boas intenções.

A primeira coisa que me vem à cabeça é montar uma grande turnê de despedida de Guga dentro do próprio Brasil, em todos os Estados. Clínicas, jogos de exibição, palestras ou a simples presença do tricampeão de Roland Garros e ex-número 1 do mundo para entregar um troféu ou dar uma entrevista descontraída seriam meios extreamente valiosos de dar um impulso ao tênis e, de quebra, se resgatar sua espetacular carreira, com exibição de vídeos de seus inúmeros grandes jogos. Afinal, este é um país de memória tristemente curta. Aposto que não haveria a menor dificuldade de se encontrar bons patrocinadores.

Mais para a frente, ele deveria ocupar um posto nobre na equipe da Copa Davis, principalmente se for de capitão. Não vamos esquecer, aliás, que Guga pode não estar mais apto para competir no duríssimo circuito profissional, nem voltar ao top 50, mas continua tendo o melhor saque e os mais notáveis golpes de fundo de quadra de qualquer brasileiro em atividade.

A larga experiência em Davis, tanto em simples como em duplas, e o eterno amor à camisa precisam ser capitalizados. Espero que a CBT não cometa o mesmo desatino que foi se lembrar de Thomaz Koch somente aos 60 anos.

E vocês, sugestÕes?

P.S.: Publico aí em cima uma foto-montagem do internauta catarinense Pedro Luiz Ramos (clique na foto para ver a foto ampliada). Que pena que o tênis perdeu a chance de ver esse duelo!


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