José Nilton Dalcim
Paulista de 49 anos, é jornalista especializado em esporte há 30 anos. Acompanha o circuito desde 1980. É diretor editorial de Tenisbrasil.

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Uma breve história do ranking

O tênis profissional surgiu em maio de 1968, quando uma reunião em Paris determinou o fim da proibição imposta aos jogadores que atuavam por dinheiro nos circuitos paralelos de atuar nos Grand Slam. Começava em Roland Garros a Era Aberta, já que os torneios da Federação Internacional perdiam importância diante da contínua debandada dos melhores nomes para os chamados "eventos de exibição".

Foram anos confusos. Os jogadores perceberam, com o passar do tempo, que haviam ganhado algum espaço, porém ficado à mercê da vontade da Federação Internacional. Surgiu a necessidade de se juntar num sindicato, batizado de ATP, em 1972. O mal-estar só aumentou e o estopim da crise veio em Wimbledon do ano seguinte, quando a maciça maioria dos homens boicotou o torneio como protesto à suspensão do iuguslavo Nikki Pilic. O passo imediato foi criar uma fórmula correta para determinar quais jogadores deveriam entrar nos torneios e ter o direito à cabeça-de-chave. Surgiu o ranking, talvez a maior contribuição do tênis ao esporte como um todo, hoje imitado em qualquer modalidade, do futebol ao atletismo.

A primeira lista oficial da ATP foi divulgada no dia 23 de agosto de 1973, portanto há exatos 35 anos, tendo o romeno Ilie Nastase como o melhor do mundo. Era quinzenal e reunia poucos mais de 200 nomes. Até a grande crise de 1990, quando a ATP rompeu de vez com a Federação Internacional e proclamou sua liberdade absoluta, o ranking era calculado por média: total de pontos dividido pelo número de torneios disputados nas últimas 52 semanas. Me parecia mais lógico e correto. Dava também bônus para vitórias sobre adversários bem classificados. Bater o número 1 por exemplo valia 30 pontos, ou seja, mais do que as oitavas-de-final de um grande torneio de então.

Muitas mudanças aconteceram no ranking, seja na tabela de pontuação ou no número de torneios obrigatórios. Em 2000, a própria ATP tentou enterrar o sistema ao criar a Corrida dos Campeões, que considera apenas os pontos somados ao longo da temporada, mas a idéia naufragou e hoje está relegada ao segundo plano. Ainda assim, impera a filosofia de se computar apenas os 18 melhores resultados de cada tenista nas últimas 52 semanas, tudo ainda na tentativa de incentivar os jogadores a disputar o máximo de torneios possível e agradar os promotores. Felizmente, não funciona lá na ponta do ranking, onde Roger Federer tem apenas 17 campeonatos realizados e Rafael Nadal, exatos 18.

Se a lógica prevalecer, Nadal será o 24º homem a assumir o número 1 do ranking nas próximas semanas, encerrando o mais longo reinado da história. Desde que o atual formato entrou em vigor, em janeiro de 2000, já houve 15 trocas de comando e oito diferentes líderes. O espanhol, com 22 anos, será apenas o quarto mais jovem deles, superado por Marat Safin, Andy Roddick e Lleyton Hewitt.

por José Nilton Dalcim às 21h14
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Enfim, uma tenista de ponta que fala português

Nós, que esperamos há muito tempo o surgimento de uma tenista que consiga jogar em grande nível, podemos agora ao menos ver uma autêntica jogadora de ponta falando português em alto e bom som. Michelle Larcher de Brito aprontou mais uma nesta quarta-feira e caminha a passos largos para um lugar entre as top 100. Já é, de longe, a maior tenista portuguesa da história. Aos 15 anos.

A trajetória de sucesso de Michelle começou há seis anos, quando um observador da academia de Nick Bollettieri a viu competindo entre os infantis, em Lisboa. Fez uma proposta para ela se mudar com o pai Antônio para a sede de Miami e, como se vê, fez juz ao seu salário. A menina é sem dúvida cheia de qualidades, a ponto de o próprio Bollettieri declarar que a vê como uma top 10 em pouco tempo.

Michelle tinha completado 14 anos apenas nove dias atrás quando já disputou seu primeiro torneio profissional, em fevereiro de 2007. Pouco depois, fez história no importante campeonato de Miami, ao surpreender a veterana Meghann Shaughnessy.

Desta vez, no entanto, Bollettieri optou pela calma. Ele, que incentivou a precocidade de Monica Seles, Maria Sharapova e mais recentemente de Sesil Karantcheva, preservou a portuguesinha, que só voltou a competir em nível mais alto agora em 2008. Nesta quarta-feira, derrotou a italiana Flavia Pennetta em Montreal, sua segunda vitória sobre uma top 20 e a quarta em cima de uma adversária entre as 60. Há duas semanas, em Stanford, deu um susto em Serena Williams, ao abrir 6/4 e 2/0.

Nascida a 29 de janeiro de 1993, Michelle tem 1,65m e pesa 57 quilos. Basta olhá-la para perceber o típico padrão Bollettieri: tenista agressiva, com golpes potentes de fundo de quadra, muita perna e fraco jogo de rede. E tem o que o veteraníssio treinador mais gosta: "É muito competitiva", elogia. Não é à toa que ela tem como ídolos Rafael Nadal e Martina Hingis.

Clique aqui e veja um vídeo sobre Michelle e seu treinamento.

por José Nilton Dalcim às 20h50
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Nadal pode fazer exibição no Brasil em novembro

Demorei um pouco para fazer o Blog de hoje, mas a notícia vale a pena: fãs de Rafael Nadal e aqueles que nem gostam tanto dele assim, preparem-se. A sensação da temporada 2008 poderá fazer uma exibição no Brasil, em novembro. A informação foi confirmada no final da tarde por um de seus assessores de imprensa na Espanha. A fonte não quis divulgar quem está por trás da promoção.

Na verdade, a vinda de Nadal depende de uma condição básica e, por isso, é bom todos que gostam de um bom tênis cruzarem os dedos: a presença da Espanha na final da Copa Davis contra a Argentina. Para que isso aconteça, o time de Nadal precisará passar pelos Estados Unidos, em casa e no saibro, coisa que parece a mais óbvia da face da terra, mas também que a Argentina consiga sair da perigosa má fase de suas estrelas e derrube a Rússia, em Buenos Aires, no piso lento. Os dois confrontos acontecem de 18 a 20 de setembro.

Se tudo der certo, Nadal jogaria no Brasil na terça-feira imediatamente após a final da Copa Davis, marcada para 21 a 23 de novembro. Como todo mundo se lembra, a estrela de Mallorca esteve aqui em 2005, quando ganhou o Brasil Open, então apenas seu segundo título profissional. Neste ano, ele foi sondado para disputar o torneio novamente, mas acabou indo para Roterdã, que lhe garantiu cachê de 1 milhão de euros contra os US$ 800 mil oferecidos pelos latino-americanos.

O assessor de Nadal não soube precisar quem seria o provável adversário da exibição, nem em que cidade aconteceria o duelo, afirmando que esses detalhes só deverão ser discutidos no final de setembro, caso se confirme a final da Davis entre Argentina e Espanha. A única exigência do espanhol é que o jogo aconteça, é claro, no saibro.

por José Nilton Dalcim às 22h05
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Nadal não merece a síndrome do número 2

Há pelo menos oito importantes casos no tênis profissional de jogadores com grande currículo, finais ou títulos de Grand Slam, que nunca conseguiram passar do número 2 do ranking, muitas vezes por culpa do sistema adotado no período pela Associação masculina, que não favorecia as mudanças.

O caso mais notório é do argentino Guillermo Vilas. Em 1977, ele ganhou dois Grand Slam - Roland Garros e US Open - e mais 14 torneios, entre eles Kitzbuhel, Paris e Johanesburgo, e nem assim saiu da vice-liderança. Brigou muito com a ATP. No ano passado, entrou com uma petição para que a entidade revisasse seu ranking, mas o número 1 não foi lhe concedido. Injusto, sem dúvida.

Outro nomes de peso viveram a decepção de chegar tão perto e não vingar. O norte-americano Michael Chang, por exemplo, amargou 49 semanas como segundo homem no comando e o alemão Michael Stich sofreu por 34. Também estiveram ali o croata Goran Ivanisevic, o espanhol Alex Corretja, o alemão Tommy Haas e o tcheco Petr Korda.

Seria um castigo que Nadal não merece. O espanhol já está 156 semanas ali atrás do suíço Roger Federer. Neste ano, já superou o recorde anterior de número 2, que era do alemão Boris Becker, com 136 semanas. Mas Boom-Boom Becker chegou lá no topo, em janeiro de 1989, ainda que tenha ficado em primeiro apenas por 12 semanas.

O espanhol teve até aqui o azar de conviver com a fase mágica de Federer, em que o suíço ganhava pelo menos dois Grand Slam por temporada. E desde julho de 2005, resignou-se em viver à sombra do todo-poderoso Federer, satisfeito por ser o "rei do saibro", o dono de Roland Garros e o número 2 que mais impôs derrotas sobre o 1 em todos os tempos.

Por uma daquelas ironias do destino, Nadal viveu até maio, portanto há bem pouco tempo, um de seus piores momentos. Em Monte Carlo, conseguiu encerrar um incômodo jejum de nove meses sem conquistas, o que já era suficiente para lhe darem como em decadência física. Essa vitória, virando um primeiro set quase perdido diante de Federer, talvez tenha sido o que os ingleses chamam com propriedade de "turning-point", o momento em que tudo muda.

Nadal ganhou confiança e embalou. Desde então, perdeu apenas um jogo - para Juan Carlos Ferrero, em Roma - e colecionou sete troféus, cinco deles consecutivos. Adquiriu força para superar a incrível pressão da semifinal de Hamburgo, onde estava em jogo o número 2 diante de Novak Djokovic, e repetiu a dose na penúltima rodada de Roland Garros. Mas aí já era o Nadal que se costumou a ver, forte, rápido, infalível, deslumbrante sobre o saibro.

Do eventual número 3, ele está agora às portas do topo do ranking. Apenas um milagre, técnico e matemático, evitará isso, seja em Cincinnati, antes ou depois de Pequim ou durante o US Open. E não é mais uma questão de cálculos mirabolantes, mas de completa justiça. Em apenas três meses, o espanhol eclipsou Federer e calou Djokovic. Dominou completamente a temporada e as manchetes, vencendo no saibro, na grama e na quadra dura.

É evidente que isso só foi possível porque Federer atravessa um mau momento. Mas boa parte da culpa é do próprio Nadal, que o derrotou quatro vezes seguidas e o abateu de vez no templo sagrado de Wimbledon, sinal maior e mais cristalino de que os tempos estão para mudar.

Se Rafa repetir a síndrome do número 2, será a maior injustiça da história do tênis. Pior, muito pior que a do pobre Vilas.

por José Nilton Dalcim às 19h39
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Tudo conspira a favor de Nadal

Nem Federer, nem Djokovic. O espanhol Rafael Nadal será poupado de um duelo direto contra os dois únicos tenistas que parecem ter condições de dificultar sua vida numa quadra de tênis. E assim, já na semifinal, com a defesa dos pontos do ano passado garantida, o ainda número 2 do mundo só não vai ganhar seu terceiro Masters Series da temporada se acontecer um desastre em Toronto.

Vale lembrar rapidamente que Nadal esteve pelo menos na semifinal de cinco dos seis Masters Series da temporada. Foi vice em Miami e campeão em Monte Carlo e Hamburgo, com um único fracasso na estréia de Roma. Isso sem falar que ganhou dois Grand Slam e parou na semi da Austrália. Com uma campanha de tamanha regularidade nos diferentes pisos, ele só poderia mesmo ser sério candidato ao número 1 do ranking. E os adversários estão ajudando. Federer dispensa novos comentários. E agora Djokovic parece ter perdido a mão. Foi uma decepção em Wimbledon e jogou de forma quase displicente contra Andy Murray nesta sexta-feira, dando impressão de pouca motivação e muita irritação.

Da forma combativa e determinada com que enfrentou Richard Gasquet, não parece haver a menor possibilidade de Nadal parar diante de Murray neste sábado. O britânico tem pernas, é verdade, mas nenhum golpe que possa incomodar o espanhol. Os dois jogos deste ano são bom exemplo: em cinco sets, o escocês ganhou 14 games. Gasquet jogou seu melhor set que eu me lembre, desde talvez aquela vitória mágica sobre Federer em Monte Carlo de três anos atrás. Arriscou tudo o que tinha direito com potentes golpes de base - algo que Murray raramente mostra - e morreu, é claro, pela eterna fragilidade física. Alguém acredita que Nicolas Kiefer ou Gilles Simon roube um set do espanhol?

Para completar sua fase de ouro, Nadal ainda viu o sorteio de Cincinnati lhe dar adversários pouco intimidadores. Talvez um Fernando Verdasco nas quartas ou então Djokovic na semi. Mas, se chegar a tanto, já terá recuperado mais 220 pontos em cima de Federer, que terá a obrigação de chegar ao bicampeonato para não dar adeus à liderança do ranking antes de Pequim ou do US Open. Tudo conspira a favor de Nadal. Uma mera questão de tempo. E paciência é uma das suas maiores virtudes.

por José Nilton Dalcim às 10h46
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WTA decide o que fazer com os técnicos

Duas notícias curiosas acabo de captar na Internet. A primeira vem da agência Reuters e conta que a Associação feminina suspendou os testes de dois anos e agora vai colocar em votação a idéia de o treinador dar instruções a seus pupilos no intervalos dos sets. A outra, de um jornal da Nova Zelândia, revela a história de uma menina de oito anos que foi expulsa de seu primeiro torneio por usar equipamento eletrônico de escuta durante seus jogos.

Após exatos dois anos de experimentos, a WTA anunciou que está encerrado o período de avaliação e que agora irá decidir se adota ou não a medida. Nas declarações do porta-voz Andrew Walker, não havia animação. "Ainda não se decidiu quando ou como será feita a votação". A entidade tentou reunir as jogadoras durante o torneio de Wimbledon, mas não houve consenso. Nomes como Patty Schnyder, que representa as tenistas no Conselho, acham a medida válida: "Sou a favor, mas precisamos ouvir mais opiniões. Os resultados não se mostraram tão convincentes".

A permissão de o treinador entrar em quadra e conversar livremente com as jogadoras ao final de cada set foi testada em vários eventos, incluindo os Tier I, mas não foi autorizada nos Grand Slam. Muitos acreditam que, ao se tornar uma regra, a medida vai acabar com o problema da "instrução disfarçada" que acontece normalmente e que é proibida pelo regulamento, além de tornar os técnicos mais participantes do espetáculo e conhecidos do público. No entanto, isso abriria ainda mais o abismo entre as tenistas de melhor ranking ou maior conta bancária, já que muitas jogadoras não têm dinheiro para levar seus técnicos a todos os torneios.

Eu, particularmente, fico com a segunda alternativa e vetaria a medida. Afinal, esse é exatamente o mesmo princípio de igualdade que pune a orientação da arquibancada.

Ponto eletrônico - Uma menina de apenas oito anos foi eliminada de seu primeiro torneio nacional, em Canterbury, Nova Zelândia, quando os organizadores perceberam que ele usava um aparelho eletrônico minúsculo no ouvido, através do qual recebia instrução do pai. A alegação foi que ajudava sua filha com a contagem dos games. Não era bem a verdade. Os organizadores começaram a desconfiar devido ao grande número de marcações que Anastasiya Korzh reclamava da arbitragem. O que fazer com um pai com essa absurda mentalidade?

De esquerda - Esta me escapou de comentar no final de semana do Brasileiro Juvenil, em Brasília, mas continua válida. Todos os semifinalistas dos 12 anos masculino eram canhotos, incluindo é claro o campeão e grande sensação Silas Cerqueira. Aliás, também o são o nosso número 1 dos 18 anos, Henrique Cunha, e a revelação entre os profissionais Thomaz Bellucci. E olha que a "geração Nadal" ainda nem começou a aparecer.

por José Nilton Dalcim às 11h29
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Acabou a mística do número 1

Mais do que os recordes, as façanhas, os títulos, os dólares e o ranking, o que acabou para Roger Federer é aquela mística do número 1, do senhor absoluto das quadras. A exibição desta noite em Toronto deixou claro que não existe mais o Federer infalível e calculista. Em seu lugar, está um jogador de incríveis altos e baixos, inseguro e errático, que não consegue manter o ritmo e a categoria de um set para outro.

Confesso-me surpreso. Não pela queda de produção de Federer, que era coisa prevista para mais cedo ou mais tarde, porque seria mesmo impossível e ilógico que alguém mantivesse tamanho domínio por tanto tempo. Mas sim pela forma com que ela acontece. O suíço não apenas perde espaço para Rafael Nadal e Novak Djokovic, como acrescenta derrotas absurdas para jogadores de nível mediano, como um Mardy Fish, um Gilles Simon.

Antes, Federer ganhava até jogando mal. Hoje, está duro vencer até jogando bem. Vamos lembrar do primeiro set de Monte Carlo ou de Roma, ou mesmo do set inicial de hoje em Toronto. Ali estava o Federer de antes, consciente, ousado, agressivo. Num passe de mágica, passou a cometer erro atrás de erro. Virou um jogador sem tática, como na decisão de Paris, ou sem força mental, como em Wimbledon.

É uma mudança extremamente radical, que - hoje me parece mais evidente - começou a se delinear no ano passado, quando ele caiu duas vezes seguidas para Guillermo Cañas nos pisos duros norte-americanos, resultados (me desculpem os admiradores de Cañas) completamente sem explicações.

Por ironia, talvez Federer só volte a ser Federer quando entregar de vez a liderança do ranking, tirando toda essa insuportável pressão de entrar em quadra sempre como o favorito, o homem a ser batido, com seu nome ligado a uma recorde a ser batido ou um número a ser alcançado.

O suíço pode ficar tranquilo. Esperaremos pacientemente até a sua volta.

por José Nilton Dalcim às 00h21
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Bellucci desperdiça outra chance

Ainda não chega a ser alarmante, mas incomoda a forma com que Thomaz Bellucci anda desperdiçando boas chances de ganhar partidas importantes e somar novos pontos no ranking. O "quase" desta vez foi contra o combalido espanhol Fernando Verdasco, um jogador que atravessa sua maior fase e já está no número 11 do ranking, porém se mostrou uma presa consideravelmente acessível diante do brasileiro.

A qualidade de Bellucci é inegável, assim como a maneira como vive altos e baixos dentro de determinadas partidas. Já vimos isso na Copa Davis de Sorocaba, na segunda rodada de Wimbledon e em Indianápolis. Geralmente, o paulista começa num grande ritmo, dando a impressão que vai avançar com facilidade. Então vai perdendo a precisão ao longo dos sets e acaba atuando até abaixo do nível na hora da decisão.

Falta adrenalina, preparo físico, concentração ou disciplina tática? Acho que um pouco de tudo, em maior ou menor grau. O jogo desta terça-feira em Toronto foi um bom exemplo dessa instabilidade, que às vezes acontece num mesmo set e até num mesmo game. Bellucci não é um excepcional jogador de rede, mas não se concebe erros tão básicos como os que se viu contra Verdasco em momentos cruciais.

A boa notícia é que isso tudo pode ser facilmente corrigido. A palavra-chave é experiência, ou melhor acúmulo de experiências. Vamos lembrar que Bellucci disputou, em curtíssimo intervalo, os desafios de estréia na Davis, nos ATP, nos Grand Slam e agora em Masters Series, cada evento com sua característica toda peculiar de piso, clima, quantidade de sets, qualidade de adversários e principalmente de pressão. Em junho do ano passado, ele ainda estava jogando futures.

Feito esse devido desconto, fica ainda evidente que falta um pouco mais de massa muscular e trabalho de pernas para o brasileiro se aventurar no top 50. Se hoje ele já ameaça os melhores, o que não poderá fazer com um pouco mais de físico?

por José Nilton Dalcim às 22h28
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Hamburgo pede indenização que pode levar ATP à falência

Boa parte do destino da Associação dos Tenistas Profissionais poderá estar nas mãos da Justiça norte-americana. Os organizadores do ex-Masters Series de Hamburgo iniciam nesta segunda-feira a discussão do processo que movem no tribunal da cidade de Wilmington e pedem a bagatela de US$ 75 milhóes de indenização. Se a ATP perder a causa, corre o risco de falir.

Os advogados norte-americanos contratados pelos diretores do torneio alemão alegam diante do júri que a ATP opera como monopólio e cria diretrizes de mercado anticompetitivas. E completarão o discurso dizendo que a entidade está indo contra a vontade de seus próprios membros, no caso os tenistas, já que até Roger Federer e Rafael Nadal se pronunciaram a favor de Hamburgo.

Desde que a ATP anunciou a intenção de mudar o calendário, tenta-se uma negociação. Mas Hamburgo não admite perder o status de Masters Series, muito menos a alteração da tradicional semana de maio, após Roma, para o mês de julho, depois de Wimbledon, num período que consideram muito difícil para manter os atuais patrocinadores e o interesse do público. Dizem ainda que a ATP não pode simplesmente tirar a denominação de Masters Series.

Estima-se que a ATP já tenha desembolsado cerca de US$ 7 milhões em despesas judiciais, o que piora a situação do presidente Etienne de Villiers, o arquiteto de tanta confusão. Curiosamente, o principal advogado dos alemães é o ex-diretor de Indianápolis, torneio que também levou a ATP aos tribunais, em 2003, por uma mudança inesperada de data, mas não obteve êxito.

Especialistas ouvidos pelos jornais norte-americanos não chegaram a um consenso e dizem que o júri pode decidir em favor de qualquer lado. Por isso mesmo, o calendário de 2009, que a ATP pretendia divulgar com muito estardalhaço, permanece indefinido.

por José Nilton Dalcim às 18h49
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Toronto encerra pequena trégua do tênis masculino

Rafael Nadal vai conseguir se aproximar do número 1? Novak Djokovic manterá seus bons resultados sobre o piso sintético? Roger Federer enfim conseguirá voltar às grandes conquistas?

Apenas três semanas depois de Wimbledon, as perguntas começam a ser respondidas em Toronto, o terceiro Masters Series da temporada sobre piso sintético. Por enquanto, Federer se deu melhor no sorteio da chave e pegou adversários que podem mais facilmente conduzi-lo à decisão, deixando que seus dois seguidores se degladiem numa eventual semifinal.

O Masters Series canadense tem um curioso detalhe: todos os três líderes do ranking já ergueram troféus lá. Em Montreal, Djokovic venceu no ano passado e Nadal, em 2005. Já Federer foi absoluto em Toronto, nas temporadas de 2004 e 2006.

Sem sombra de dúvidas, todos os olhos estarão voltados para Nadal. Será que o espanhol finalmente vai embalar no segundo semestre? Se ele sonha mesmo em atingir o número 1, esta é a hora. A seu favor, estão a grande fase e as três vitórias seguidas sobre Djokovic e as quatro em cima de Federer.

Porém, todo mundo sabe que, no piso sintético, Federer e Djokovic têm sido muito mais eficientes do que o espanhol. Lá em Indian Wells, o sérvio deu uma aula sobre Nadal antes de conquistar o título. O suíço dispensa elogios. Como ele próprio costuma dizer, a sua verdadeira temporada começa em julho, já incluindo as sucessivas finais de WImbledon e o costumeiro sucesso na quadra dura norte-americana.

A dúvida que fica é como estará o emocional de Federer depois de tantas frustrações. A fulminante queda na final de Paris foi até menos dolorosa do que a perda do hexacampeonato em Wimbledon, classificada por ele próprio como a pior derrota de sua carreira.

Qualquer que seja o resultado de Toronto, o ranking ainda não vai se mexer, porque os pontos do ano passado serão descontados apenas na metade de agosto. Nadal terá nesta segunda-feira 225 pontos a menos, já que não defendeu Stuttgart, e assim verá Federer quase 800 pontos à frente. Para Djokovic, começa a fase de repetir resultados e aí ele vai dizer se continuará na luta pela ponta, tanto na questão técnica como na psicológica.

Toronto tem tudo para ser mais um grande momento na temporada. Pela qualidade da chave, aliás, que ninguém se espante se o triunvirato de ferro sequer chegar no sábado que vem. Afinal, Djokovic pode cruzar com Mario Ancic, Nadal com Marcos Baghdatis e Federer tem de tomar cuidado com Fernando González e Andy Roddick. Em Masters Series, não existe moleza.

por José Nilton Dalcim às 12h37
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Brasileiro juvenil evolui, mas ainda necessita de mudanças

Muitas das imagens que mostramos aqui no Tenisbrasil do Brasileirão já foram esclarecedoras, mas nada como os números para constatar o que parece óbvio: o Brasileiro Juvenil, que por definição deveria reunir o melhor do esporte nacional e ainda por cima é o evento com maior pontuação do calendário, precisa deixar de ser grande na quantidade para ser gigante na qualidade.

Vejam a estatística. Nas quatro chaves femininas, nada menos que 21 partidas terminaram com duplo 6/0 e outros 15 duelos viram a perdedora ganhar no máximo dois games. Entre os garotos, o festival de "bicicletas" também foi incrível: 18. E nada menos que outros 36 jogos não viram o derrotado vencer mais do que dois games.

A explicação é mais política do que esportiva. Todas as federações do país, independente do ranking das categorias, têm direito a colocar tenistas nas chaves. Pudemos então assistir a jogos neste Brasileirão - e a cobertura por Tv é claríssima - onde alguns garotos e meninas não tinham a devida categoria técnica para estar num evento deste porte. Sem falar no aspecto mais importante, que é a possível desmotivação desses juvenis, que viajam, gastam e não ficam mais do que 40 minutos na quadra, expostos às vezes até a certa humilhação.

Então, para o bem do tênis de forma global, as chaves poderiam facilmente ser reduzidas. Ao invés dos 64 lugares no masculino e dos 48 no feminino (apenas os 12 fecham em 32), seria mais interessante uma redução de pelo menos 16 nomes em cada faixa etária. Com isso, os favoritos sairiam adiantados, todos teriam mais um dia de descanso ao longo da semana e certamente veríamos mais jogos equilibrados e empolgantes.

Nada contra os iniciantes. Pelo contrário. A medida teria principalmente a função de preservá-los. Afinal, existem dezenas de torneios de graduação de 2 a 5 no calendário que podem dar experiência e intercâmbio a esses tenistas, que precisam claramente subir ainda alguns degraus. A evolução técnica os levará então aO Brasileirão, que se tornaria um objeto de desejo e uma meta a ser atingida. Sem falar que tais garotos não teriam jamais as portas fechadas, já que existe o qualificatório.

A Confederação já mereceu nota 10 no aspecto de organização deste Brasileiro, mostrando uma estrutura perto do exemplar em todos os aspectos. Agora, com cautela, deveria repensar o processo seletivo para tornar o evento também um exemplo, mas na qualidade técnica.

por José Nilton Dalcim às 17h22
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Britânicos aumentam a aposta em sua nova estrela

As bolsas de apostas de Londres já estão abertas. Quem quiser apostar 1 libra e ganhar 6, pode imediatamente cravar no nome de Laura Robson como campeã de Wimbledon... de 2020! Não é brincadeira, não. A revelação britânica, que na verdade nasceu na Austrália, disparou na cotação de apostas. Antes de seu título juvenil em Wimbledon, pagava 50 para cada libra que indicasse seu sucesso.

Laura ainda tem 14 anos e já carrega nos ombros a esperança nacional de uma nova conquista em Wimbledon. A última coube a Virginia Wade, em 1977. Entre os homens, remonta a Fred Perry, nos anos 30. Como todos sabem, Laura é australiana e conseguiu o passaporte britanico poucos meses atras. Isso, no entanto, parece bastar para a euforia nacional.

Atualmente, a menina só tem contrato para uso de roupas e raquetes. Mas já é agenciada pela gigante Octagon. Um dia depois de seu feito, a imprensa britânica calculava que ela poderia se tornar a tenista mais rica de todos os tempos, com fortuna superando os US$ 30 milhões. Suas qualidades sao evidentes. Além de um jogo agressivo e de muita garra, mostra grande personalidade nas entrevistas e no assédio que recebe.

A exemplo de Martina Hingis, possui dois treinadores integrais e o objetivo é atingir um lugar entre as 500 melhores do ranking até o final deste ano. Alguns mais sensatos, porém, tentam evitar a demasiada pressão que recai sobre Laura. "Ela é fantastica, mas tudo vai ser uma questão de como a Associação Britanica irá lidar com isso", afirma Ann Jones, um dos grandes nomes do passado. "O pior de tudo é que ela é a única. No meu tempo, haviam tres ou quatro grandes jogadoras para dividir a atenção".

Seu espírito infantil ainda está lá. E fica evidente quando ela conta como ficou frustrada pelo sonho de ir ao jantar dos campeões de Wimbledon, que se realizou no domingo. Ela escolheu um vestido azul para sentar ao lado do russo Marat Safin, mas o semifinalista não pôde comparecer ao evento. "Seu agente me disse que Safin sentia muito, mas não poderia vir à festa. Foi bonito da parte dele. Levei um fora, é verdade, mas de qualquer forma Safin é um pouco velho para mim", conformou-se.

por José Nilton Dalcim às 19h07
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