González pode impedir o número 1 dourado?
Numa temporada de tantos momentos marcantes, o espanhol Rafael Nadal conseguiu mais um. Depois de manter a invencibilidade em Roland Garros, quebrar o tabu em Wimbledon e finalmente subir à liderança do ranking, ele também terá a chance de ganhar a medalha de ouro nos Jogos de Pequim, algo que bem poucos heróis do tênis puderam sonhar, até porque o esporte só voltou ao programa olímpico há 20 anos.
Se é fato que Nadal pegou uma chave muito favorável até a semi, não é menos verídico que ele jogou no mais alto nível no terceiro set contra Djokovic, onde mostrou não apenas melhor preparo físico, mas também regularidade, potência, frieza e coração. Não poderia haver forma mais espetacular de comemorar o número 1 do mundo, que virá nesta segunda-feira, do que com o ouro no peito no domingo. E olha que Nadal já foi eleito recentemente como o maior atleta espanhol da atualidade.
Fernando González tem chance de impedir isso? Recordo bem de sua impecável atuação contra Nadal no Aberto da Austrália de 2007, porém isso já está quase perdido no tempo, tal foi a evolução do espanhol nesta temporada. González tem talvez o mais incrível forehand do tênis de todos os tempos, arma com que trabalha de qualquer lugar da quadra com a mesma eficiência. Resta saber se isso será suficiente diante do novo Nadal, ainda mais numa decisão em melhor-de-cinco-sets.
O chileno precisa de um dia e tanto para realizar esse feito, mas não seria nada ruim que o título olímpico permanecesse aqui na América do Sul, autêntico terceiro mundo do esporte profissional.
Como a final só acontece domingo às 5 da manhã, vale uma camiseta "Tenisbrasil 10 Anos" quem indicar corretamente campeão e placar (em sets, ou seja, 3 a 0, 3 a 1 ou 3 a 2). E, para desempate, o número total de games que serão jogados. Não esqueçam de colocar o e-mail no campo correto (a informação só aparece no cadastro e não vai ao ar).
Momentos históricos
- A Espanha sofreu derrotas sucessivas em finais olímpicas, desde o retorno do tênis em 1988: Jordi Arrese, Sergi Bruguera, Arantxa e as duplas Casal/Sanchez, Arantxa/Conchita e Conchita/Ruano Pascual, todos perderam na hora "h". Isso aumenta a responsabilidade e a façanha de Nadal.
- Federer e Wawrinka lutam pela segunda medalha de ouro do tênis suíço, tentando repetir a mágica de Marc Rosset em 1992. A Suíça, aliás, tem 46 títulos olímpicos - um deles no ciclismo deste ano -, com destaque para a ginástica artística, com 16.
- Com a queda de Blake e dos irmãos Bryan nas semifinais, o tênis masculino norte-americano ficará sem ouro pela terceira vez seguida. O último herói foi Agassi, em 1996. No feminino, a esperança fica com as Williams, que jogam semi neste sábado. O tênis não ajudou em nada na luta americana contra a China no quadro de medalhas.
- A Rússia tem três semifinalistas e portanto chance de ganhar todas as medalhas de simples. O único a subir ao pódio até hoje foi o campeão Yevgeny Kafelnikov, em 2000. O desafio se chama Na Li, e 17 mil fanáticos torcedores. A China ganhou duplas femininas em 2004, então uma surpresa.
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José Nilton Dalcim
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15h32
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Número 2 de Federer já corre perigo
O reinado de Roger Federer como número 1 do mundo, que durou espetaculares 237 semanas consecutivas, terminará dentro de quatro dias. E, ao contrário de fazer as contas para recuperar a liderança em breve, fica cada vez mais claro que a condição de 2 corre sério perigo de lhe escapar das mãos até mesmo após o US Open, ou seja, dentro de três semanas.
A fase anda mesmo difícil para o outrora soberano e imbatível Federer. Depois de exibições animadoras e convincentes no torneio de Pequim, onde derrotou nomes categorizados no piso rápido como Dmitry Tursunov e Tomas Berdych, o suíço voltou a ter uma recaída das bravas e fez uma sofrível exibição contra James Blake nas quartas-de-final, mostrando aquela coleção de erros técnicos e falhas táticas que vem se repetindo frustração após frustração.
Não se tire, é claro, o mérito de Blake. O norte-americano, provavelmente entusiasmado com a série negativa de Federer, que andou perdendo para adversários bem menos expressivos, optou por um ataque constante e muitas vezes encurralou o suíço. Quando conseguiu encaixar o antigo primeiro saque, Federer sobreviveu. Porém a direita tão imprecisa, a esquerda descalibrada e os voleios vacilantes não poderiam mesmo premiar o ainda líder do ranking. Blake quebrou um tabu de oito derrotas seguidas, onde só havia ganhado um set, e mantém a chance de alcançar o mais expressivo resultado de sua carreira, marcada por tantos sacrifícios. Ele merece.
Federer irá aparecer no ranking de segunda-feira com 5.930 pontos, ou seja, 550 atrás de Rafael Nadal, mesmo que o espanhol pare na semifinal de Pequim. O mais sintomático, no entanto, é que Novak Djokovic já atinge 5.200 e, se levar a medalha de ouro, chegará ao US Open apenas 485 pontos atrás do número 2. Como o suíço defende o título de Nova York e Nole, o vice, a simples inversão desse resultado final já bastaria para rebaixar o suíço ao terceiro lugar. Sem falar que, a partir daí, o sérvio tem meros 480 pontos a defender até o final da temporada contra 1.325 de um cada vez menos confiante Federer.
Por isso, e por uma questão moral e nacionalista, o confronto de Nadal e Djokovic desta sexta-feira é mais um grande momento da temporada. Os dois já se degladiaram pela vice-liderança do ranking em Hamburgo e Roland Garros, vencidos pelo espanhol, mas Nole acabou com a série invicta de Nadal em Cincinnati, curiosamente, sempre pela semifinal. Se o canhoto leva vantagem de 9 a 4 nos confrontos direitos, o sérvio ganhou quatro de seis partidas no piso sintético. Para completar o quadro de importância da partida, a outra semi reúne Blake e Fernando González e portanto é justo imaginar que esta será a famosa "final antecipada". Arriscaria a dizer que, pela campanha muito menos desgastante e atuações crescentes, Nadal é o favorito.
Entre as meninas, o inimaginável aconteceu, com a queda simultânea das duas Williams. Serena perdeu para a guerreira e regular Elena Dementieva, mas Venus foi despachada por Na Li, numa virada incrível, parecendo sentir o peso da torcida, algo impensável para uma jogadora com tamanha experiência. Isso poderia ser ótimo para Jelena Jankovic ou Dinara Safina, mas as duas só vão à quadra na sexta-feira e a vencedora terá de jogar duas vezes. A medalha de ouro feminina continua imprevisível.
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José Nilton Dalcim
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15h48
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Pódio olímpico: histórico e empolgante
Federer, Nadal e Djokovic. Ou Nadal, Federer e Djokovic. Ou ainda Djokovic, Federer e Nadal. Qualquer que seja a ordem, tudo indica que o tênis guardará uma imagem incrivelmente rara no próximo domingo, ou seja, um pódio ocupado pelos três melhores do mundo, lado a lado. Bela imagem.
Do jeito que estão formadas as quartas-de-final, não parece haver outra possibilidade senão as medalhas caírem no colo das grandes estrelas. Roger Federer é favoritíssimo para ir à semi contra James Blake e mais ainda para avançar à decisão contra Fernando González ou Paul-Henri Mathieu.
Rafael Nadal não pode perder set para Jurgen Melzer e deverá novamente cruzar com Novak Djokovic na semifinal, apesar de o sérvio precisar de cuidado com o jogo agressivo de Gael Monfils. Se a lógica prevalecer, o perdedor de Nadal e Djokovic não deixará então o bronze escapar contra quem sair derrotado da outra semi.
Na verdade, as quartas-de-final masculinas são até certo ponto decepcionantes. Mathieu ocupa o lugar que deveria ser de Davydenko, Monfils se aproveitou da falta de ritmo de Nalbandian e Melzer entrou no buraco aberto pela incrível queda de Murray na estréia.
Já o feminino promete mais alternativas. Podemos assistir a um domínio russo, com Safina, Dementieva e Zvonareva, ou a supremacia das Williams. Mas as duas irmãs correm o risco de serem batidas pela sérvia Jelena Jankovic, que deverá cruzar com Venus na semi e Serena na final. Ou seja, a medalha de ouro e até mesmo o pódio permanecem completamente aberto.
Pelo que vi até agora, continuo apostando na final masculina entre Federer e Nadal. Entre as meninas, Serena e Safina me parece o mais provável. Se for assim, vai valer perder mais algumas horas de sono.
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José Nilton Dalcim
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13h59
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Berdych de novo no caminho de Federer. (E histórias de Pequim).
Não há muito o que comentar sobre a segunda rodada de simples no torneio olímpico de Pequim, à exceção de dois detalhes um tanto óbvios: o tênis de Lleyton Hewitt nunca pareceu tão ultrapassado como neste dia em que foi destruído por Rafael Nadal e Roger Federer, por ironia, terá o pior momento do mundo para tentar a vingança contra Tomas Berdych, o homem que o eliminou de Atenas há quatro anos.
A entrevista de Nadal foi no mínimo curiosa. Ele insiste em dizer que o favorito em Pequim é Federer e avaliou que sua produção na partida contra Hewitt foi muito parecida com a de Starace. Em que?, ouso perguntar. Enquanto isso, Federer terá pela frente o imprevisível Berdych, que perdeu de Thomaz Bellucci não faz muito tempo, mas que é um jogador perigosíssimo no piso rápido. “Este é um jogo-chave para se pensar na medalha”, afirma o tcheco, com absoluta razão.
Outro destaque, óbvio, vai para a duríssima vitória dos mineiros Marcelo Melo e André Sá, que viraram em cima do mesmo Berdych e de Radek Stepanek. Gostaria de saber que foi o gênio dentro da Federação Internacional que determinou a ausência de tiebreak no terceiro set. Diante do pesado clima de Pequim, num torneio de apenas sete dias em que se joga em pelo menos cinco e ainda imaginando que muitos jogadores estão nas chaves de simples e duplas, isso é no mínimo desumano, para não dizer cretino.
Que venham os indianos. Será que Leander Paes e Mahesh Bhupathi estão ao menos se falando na quadra? Apenas por curiosidade, nos anos 80 os argentinos Guillermo Vilas e Jose-Luis Clerc se odiavam, porém tinham de jogar dupla na Copa Davis. Nem se olhavam, mas venciam.
Pequenas histórias
- Federer teve enormes problemas, mas com a entrevista coletiva de segunda-feira. A intérpetre que vertia as perguntas e respostas do inglês para o chinês atropelava o suíço o tempo todo. No auge da completa desarmonia, Federer não perdeu a elegância, sorriu e brincou: “Ela está respondendo por mim”.
- Nicolas Massú, o atual campeão olímpico de simples e duplas, se despediu de Pequim nesta terça-feira, mas não se deu por vencido e promete voltar em Londres-2012, quando estará com 32 anos. “Minha carreira vai além dos Jogos Olímpicos”, sentenciou, contando que viveu um período de desmotivação e que só agora retomou o prazer de jogar. Seu último título foi no Sauípe de dois anos atrás.
- O sul-africano Kevin Anderson ficou uma fera com os dirigentes de seu país, que impuseram um uniforme único para todos os atletas em Pequim, nas cores verde e dourada. Segundo Anderson, a roupa era completamente inadequada para o calor e umidade. “É uma coisa diabólica”, disparou ele, que jogou na segunda rodada com trajes da Nike. “Acho que a Mizuno não vai gostar disso, mas eu tive de pensar na minha saúde”.
- Se existia alguém muito feliz em Pequim, esse era Devin Mullings. Mero 1.025 do ranking e com apenas 1,67m, ele ganhou convite para formar duplas com Mark Knowles, esse sim um nome de peso das Bahamas, e teve a honra de pegar os irmãos Bryan. Mas foi ainda mais sortudo e acabou entrando na chave de simples por desistência de Mario Ancic. “Vou procurar não importunar Federer e Nadal, mas tentarei tirar o máximo de fotos que puder com eles”, admitiu a tietagem. Mullings, que estuda em Ohio, era ridicularizado por seus amigos de infância por jogar tênis.
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José Nilton Dalcim
às
13h35
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Pressão ou cansaço?
Não deu para ficar entusiasmado com a estréia de Rafael Nadal nos Jogos de Pequim. O espanhol mostrou uma das coisas que é mais rara em suas partidas: altos e baixos. Jogou um ótimo primeiro set, depois fez uma segunda série ruim e precisou se esforçar até conseguir o break-point que abriu caminho para a vitória.
O que mais me chamou a atenção foi ver Nadal precipitado em vários lances, procurando encurtar os pontos. Isso só pode ser reflexo do cansaço, físico e mental, não apenas pela série de torneios que vem jogando, mas da longa viagem e do incrível calor chinês. Claro que também existe a pressão. Ele virou vidraça mais do que nunca e foi sintomático assistir Potito Starace descendo o braço no fundo de quadra. Que tome cuidado com o batalhador Lleyton Hewitt.
Na contra-mão, Roger Federer superou com sobras o duro teste de primeira rodada contra Dmitry Tursunov, um especialista em piso sintético que põe a bola para andar de verdade. Federer mostrou firmeza no fundo de quadra e a tradicional eficiência no saque. Como agora a chave tende a ficar mais fácil, pode ser que o suíço recupere a confiança.
Quanto aos brasileiros, a se lamentar apenas as chances perdidas e precisos pontos no ranking desperdiçados. Mas não dava para sonhar com muito mais. A esperança de sucesso sempre foi da dupla mineira e, como a quadra parece estar rápida, dá para acreditar.
A nova estrela argentina - Ainda falta muito, principalmente com US Open pela frente, mas tudo indica que Juan Martin del Potro deu o último passo rumo à sua vaga no time argentino da Copa Davis, que enfrenta a Rússia nas semifinais, no final de setembro. David Nalbandian enfim voltou, com vitória sem graça em Pequim, mas Juan Monaco não foi nada bem.
O mais curioso é que o próprio Del Potro não se considera um especialista em saibro, que obviamente é o piso escolhido para o duelo contra os russos. Historicamente, ele sempre se deu melhor na quadra sintética. Mas os títulos em Stuttgart e Kitzbuhel mostrou que "Delpo" enfim justifica todas as expectativas em cima de seu ótimo jogo. As outras alternativas argentinas não animam: Agustin Calleri, Jose Acasuso ou Guillermo Cañas.
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José Nilton Dalcim
às
13h28
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O tênis já lucra com as Olimpíadas
Confesso que estou surpreso. Positivamente surpreso. O tênis, dentro do universo olímpico, sempre teve um certo papel de intruso. Afinal, teve a coragem de tirar a máscara, ainda que de forma um tanto tardia, e assumir perante o mundo a sua condição de esporte profissional, algo que outras modalidades tão mais populares, como o vôlei, o basquete, a natação e o atletismo, teimaram em esconder durante tanto tempo.
A Federação Internacinoal de Atletismo (IAAF) e a de basquete (FIBA), por exemplo, demoraram cerca de 20 anos para retirar a palavra "amador" de seus nomes. Enquanto o tênis distribuía publicamente dólares, expunha seus patrocinadores e cobrava ingresso já na década de 70, atletas eram severamente punidos por receber cachê e proibidos de ostentar marcas.
Coube ao tênis recolocar ordem na estrutura mundial. Ao aceitar a volta ao cenário olímpico, em 1988, a Federação Internacional impôs ao Comitê Olímpico Internacional o fato mais óbvio do planeta: Olimpíadas são sinônimo de excelência do esporte e o melhor do tênis estava no ranking mundial de profissionais. E assim aconteceu. Embora não tenham direito a premiação em dinheiro nem hotel cinco estrelas, a maioria dos grandes nomes do tênis de cada era absorveu o espírito olímpico e, historicamente, abriu os Jogos para os profissionais. Em 92, finalmente entraram as estrelas da NBA, do beisebol. Acabou a farsa.
Apesar desse relevante papel, o tênis tradicionalmente ficou um degrau abaixo das principais modalidades esportivas quanto se fala em Olimpíadas, principalmente porque possui um calendário onde pelo menos três torneios anuais são bem mais valorizados que a medalha de ouro. Isso não acontece na maciça maioria dos demais esportes, onde Mundial e Olimpíadas são os expoentes máximos.
Eis que então vem o meu espanto, ao perceber como o tênis está valorizado em Pequim. Abro jornais, percorro sites, vejo a cobertura da TV e quase todo dia estão lá uma menção, uma foto, Roger Federer, Rafael Nadal. Quem assistiu à cerimônia pela Rede Globo ouviu as várias menções ao "aguardado torneio de tênis" e até a "câmera exclusiva" foi buscar Federer e sua bandeira, sem deixar de mostrar a alegria de Nadal no desfile espanhol.
Evidente que esse sucesso se deve ao carisma e competência dos dois líderes do ranking, mas ainda assim é extraordinário perceber que eles conseguem se igualar em importância e destaque aos monstros da natação, do atletismo, da ginástica, do futebol. Tomara que um deles, ou de preferência os dois, atinja a final. O tênis viverá provavelmente um ápice nunca imaginado.
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José Nilton Dalcim
às
18h04
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A medalha ficou mais longe dos mineiros
Esse terrível regulamento que a ATP impôs desde o ano passado, em que os tenistas podem usar o seu ranking de simples para entrar na chave de duplas, derrubou drasticamente as chances de os mineiros Marcelo Melo e André Sá subirem ao pódio de Pequim.
Nem era uma questão de otimismo exagerado. Como obviamente as parcerias têm de envolver jogadores do mesmo país nas Olimpíadas, os quatro casos de maior sucesso na atual Corrida dos Campeões são os irmãos Bryan, os israelenses Erlich/Ram, os poloneses Fyrstenberg/Matkowski e os brasileiros.
Mas, como estrelas do nível Federer, Nadal e Djokovic puderam usar seu ranking de simples para a chave de duplas, houve uma inversão considerável de valores. Não só os brasileiros acabaram prejudicados, como também os poloneses, que não vão figurar como cabeças. Melo/Sá assim terão de ganhar de Mahesh Bhupatti/Leander Paes e de Federer/Wawrinka para atingir a semifinal, provavelmente contra os Bryan. Os poloneses deram mais de sorte e não pegam duplas de grande currículo até a semi.
Na chave de simples, Marcos Daniel e Thomaz Bellucci se sairam bem e fugiram dos grandes favoritos, embora dificilmente tenham vida longa no piso emborrachado de Pequim. Daniel pega o imprevisível canhoto austríaco Jurgen Melzer, que adora um piso mais rápido, e se vencer encara o top 10 Wawrinka. E ainda que obtenha uma atuação histórica, terá depois de encarar na lógica Andy Murray.
Bellucci, por seu lado, pode sonhar um pouquinho mais. Pega o veterano Dominik Hrbaty, excelente tenista no piso sintético mas tentando um retorno após contusão, e tem chance de incomodar o irregularíssimo James Blake, que talvez nem passe por Chris Guccione na estréia. Aí o nosso canhoto teria oportunidade de chegar até nas quartas contra Gilles Simon ou Robin Soderling, o que já seria um feito e tanto.
E os favoritos? Bem, como Tenisbrasil já noticiou agora cedo, Rafael Nadal não ficou nada satisfeito com o sorteio. Pudera. Ainda que os dois primeiros jogos sejam tranquilos, cruzar com Radek Stepanek nas oitavas e com Andy Murray nas quartas não é bom prognóstico. Para piorar, novamente Novak Djokovic ficou do seu lado da chave. Aliás, até David Nalbandian, que só cedeu sete games para o espanhol em dois duelos na quadra dura, está ali para ameaçar sua festa de número 1.
Então, na teoria, Roger Federer se deu bem? Considerando-se sua fase, não diria tanto. Há 12 meses, jamais um Dmitry Tursunov, um Ivo Karlovic ou um Gilles Simon seriam dor de cabeça para o ainda líder do ranking. Agora, são todos presságios de perigo e trabalho dobrado. E olha que na teoria a sorte sorriu para Federer, já que sua chave reúne alguns de seus maiores fregueses, como Davydenko (12-0), González (11-1), Kiefer (11-3), Ferrer (8-0) e Blake (8-0). Maior chance que essa, nunca mais.
Detalhes olímpicos
- Até a semifinal, todos os jogos da chave de simples serão em melhor-de-3-sets. A decisão masculina acontece em cinco.
- O último set não tem tiebreak nas chaves de simples
- O atual campeão Nicolas Massú deve cruzar com David Nalbandian na segunda rodada
- Na chave feminina, existem duas campeãs olímpicas de simples: Venus Williams (Sydney/2000) e Lindsay Davenport (Atlanta/96)
- Para quem ainda não percebeu, as rodadas diurnas de Pequim começam às 23h30 e a noturna, às 6h00 de Brasília. A abertura será no sábado aqui, domingo lá.
- Só Deus sabe o que as TVs vão mostrar do tênis olímpico
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José Nilton Dalcim
às
11h42
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Aos 87 anos, Jack Kramer diz que Budge foi o maior de todos
Pete Sampras ou Roger Federer? Rod Laver ou Bjorn Borg? Nada disso. Para um dos maiores nomes do tênis em todos os tempos, que completou nesta semana dignos 87 anos, o melhor jogador que já pisou numa quadra foi o norte-americano Don Budge.
Todo mundo pode contestar, mas Kramer tem dois argumentos irrefutáveis a seu favor: foi um tenista de primeiríssima linha e viu Budge jogar, o que a maciça maioria de nós não teve a chance. "É difícil comparar eras, mas eu acredito que, se déssemos a Budge o equipamento moderno de hoje, ele não perderia para ninguém", avaliou Kramer, em entrevista ao jornalista Thomas Bonk, do Los Angeles Times.
Para quem não sabe, Budge foi o primeiro homem a ganhar todos os Grand Slam numa mesma temporada, em 1938, feito que apenas Laver repetiu, em 1962 e 1969. Modestamente, Kramer não se inclui na lista dos melhores. Prefere citar também Ellsworth Vines, Lew Hoad, Pancho Gonzales e Roger Federer como os mais técnicos que já viu jogar.
Kramer tem um gigantesca história no tênis. Como jogador, foi o primeiro grande nome do chamado "Big Game", ou seja, do estilo saque-voleio, que lhe deu os títulos de Wimbledon de 1947 e do US Open de 1946 e 47. Então largou o circuito para jogar os torneios de exibição, que pagavam bom dinheiro. Quer dizer, nem tanto. "Fiz uma série de 88 partidas contra Bobby Riggs e ganhei US$ 87 mil. Depois outra, de 123 jogos contra Gonzales e faturei US$ 75 mil", conta.
Em seu auge, ganhou um modelo de raquete com seu nome, que até hoje é um marco no esporte. Quando deixou as quadras, Kramer se tornou o maior promotor de eventos "profissionais" de sua era, algo que de certa forma abriu as portas para o tênis como conhecemos hoje. Com justa razão, se tornou o primeiro diretor executivo da ATP.
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José Nilton Dalcim
às
17h56
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Bem-vindo, Murray, ao mundo dos grandes campeões
Andy Murray sempre foi um tenista de talento, diferenciado da maciça maioria dos jogadores atuais. Isso sempre esteve evidente. Faltavam a ele alguns requisitos básicos para se tornar um tenista mais respeitado e principalmente um digno campeão: preparo físico, determinação e cabeça no lugar. Não sei se tudo isso se juntou apenas por esta semana em Cincinnati, mas o fato é que finalmente o escocês pareceu ter superado aquele comportamento um tanto juvenil para entrar no rol dos grandes nomes.
Convenhamos que, em que pese seus altos e baixos, é muito mais animador ver Murray no sexto lugar do ranking do que todos aqueles top 10 que andaram passando pela tão nobre lista do tênis masculino. O britânico ainda carece de um golpe mais incisivo para ameaças mais constantes, porém não se pode esquecer que ele derrotou Roger Federer em fevereiro e soma agora duas vitórias seguidas sobre Novak Djokovic, todos no piso sintético. A falta de uma bola matadora o impede de brigar de igual para igual contra Rafael Nadal, que tem muito mais perna, recursos e cabeça.
No entanto, a evolução de Murray é evidente, principalmente no comportamento em quadra. Mostra-se bem menos aquele adolescente-mimado-recém-saído-das-glórias-juvenis, algo que ainda não se consegue perceber no francês Richard Gasquet, o outro grande talento da nova geração, que ainda patina e não arranca. Há uma diferença notável de postura, por exemplo, se comparado ao letão Ernests Gulbis, que já consegue se impor e fazer tremer até mesmo os melhores do ranking.
Acho que desta vez Murray veio para ficar.
Rápidas observações
- Roger Federer completa nesta sexta-feira 27 anos, certamente um de seus piores aniversários
- Cincinnati pode ter visto a prévia da final olímpica de duplas: os Bryan contra os israelenses Erlich/Ram. Espero que Melo/Sá consigam mudar isso
- Toronto anunciou faturamento de US$ 10 milhões somente com os ingressos vendidos no Masters Series deste ano, o que é quase cinco vezes mais que o prêmio oferecido. Ótimo negócio.
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José Nilton Dalcim
às
13h03
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Já estava na hora de Djokovic voltar à briga
Embora eu seja um grande admirador de Roger Federer, a ascensão de Rafael Nadal ao número 1 só pode fazer bem ao tênis. O espanhol, que possui um estilo de jogo completamente distinto de Federer, coloca para o público a juventude, a força física e o empenho como máximas. Carismático e perfil de bom-moço, tal qual o suíço, Nadal se torna para a garotada e boa parte das meninas o mesmo espelho que Federer representa para os amantes do tênis clássico com perfil de lorde.
Mas o melhor de tudo é ver que o sérvio Novak Djokovic parece finalmente ter voltado à briga. Ele, que pareceu perder a motivação depois de deixar escapar aquelas duas chances de assumir o número 2, retomou seu tênis vistoso em Cincinnati. Jogou de forma impecável a semifinal diante de Nadal, lembrando aquele tenista corajoso, frio e versátil que conquistou tão brilhantemente o Aberto da Austrália.
Aliás, este início de segundo semestre pode dar um sabor que o tênis masculino não sentia há muito tempo, já que Andy Murray também se mostra mais maduro e fisicamente mais inteiro. Ele obviamente está longe da qualidade técnica e mental do três líderes do ranking, mas possui os ingredientes para ser facilmente uma quarta força, muito mais do que qualquer outro dos top 10, até porque é outro que consegue se dar bem em qualquer piso. Aliás, Federer deveria gravar a partida em que o escocês mostrou exatamente tudo o que se tem de fazer para encarar um franco-atirador como Ivo Karlovic.
Uma rápida olhada no que cada tenista tem a defender até o final da temporada deixa a nítida impressão que Nadal não deixará escapar tão cedo a liderança e que dificilmente Djokovic poderá incomodar Federer. Mas, desde que o suíço se recupere - e deixar o fardo da liderança pode lhe fazer muito bem -, devemos esperar uma disputa acirrada por vagas em finais e títulos. E da melhor categoria.
Esta final de Cincinnati caiu como uma luva.
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José Nilton Dalcim
às
23h07
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