José Nilton Dalcim
Paulista de 49 anos, é jornalista especializado em esporte há 30 anos. Acompanha o circuito desde 1980. É diretor editorial de Tenisbrasil.

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As curiosidades das quartas masculinas e a potencial decisão entre as Williams

Experiência parece ser a palavra-chave das quartas-de-final masculinas, ainda que dois de seus protagonistas estejam abaixo dos 23 anos. Os oito envolvidos tem uma série de atributos em seu currículo que lhe dão perfeitamente o direito e o sonho de estar na semi, cada um a seu modo. Vejamos uma série dessas curiosidades antes de analisar cada confronto:

- Tommy Haas é o mais velho dos finalistas, com 31 anos. Seis dos oito estão acima dos 26. As exceções são Andy Murray e Novak Djokovic, com 22.
- Quatro jogadores figuram hoje fora do top 30 do ranking, mas estão longe de ser zebra. Juan Carlos Ferrero, convidado dos organizadores, é o mais baixo deles, ocupando o 70º posto. Lleyton Hewitt está em 56º, enquanto Ivo Karlovic é 36º e Haas, 34º. Os outros quatro são top 10.
- Karlovic e Haas fazem suas primeiras quartas-de-final em Wimbledon. Apenas quatro deles já estiveram na semi em Londres: Roger Federer, Andy Roddick, Djokovic e Hewitt.
- Cinco dos oito já ganharam um Grand Slam e quatro deles são ex-número 1 do ranking. Tais coincidências não aconteciam nas quartas de Wimbledon desde 1993 e em eventos de Grand Slam desde o Aberto da Austrália de 2005.
- O único estreante em quartas-de-final de Slam é Karlovic.
- Oito nações diferentes estão representadas, repetindo o que aconteceu em Roland Garros, há quatro semanas.
- Federer tem o melhor retrospecto: joga as quartas de um Slam pela 20ª vez seguida, em busca de ampliar seu recorde de 20 semifinais consecutivas.
- Seis dos oito quadrifinalistas já ganharam um título na grama. Djokovic fez duas finais. Ferrero, só uma semi.
- Três jogos de hoje se repetirão sobre a série de aquecimento das últimas semanas: Murray venceu Ferrero e Roddick bateu Hewitt em Queen's, Haas superou Djokovic em Halle

E o que nos reserva de mais interessante cada um dos duelos?

- Federer tem 8 a 1 contra Karlovic, com única derrota em Cincinnati de 2008. Nessa série, foram disputados 12 tiebreaks e o suíço ganhou nove deles. Karlovic ainda não perdeu um único game de serviço em Wimbledon deste ano. Aliás, nos 79 disputados, cedeu apenas quatro break-points. Pode assim bater o recorde de Pete Sampras, que foi campeão em 1997 com dois saques perdidos. O gigante croata cravou até aqui 137 aces. Ele é o recordista de Wimbledon, com 51 num só jogo, em 2005. O recorde de aces numa edição do torneio cabe a Goran Ivanisevic, com 212 na campanha vitoriosa de 2001.

- Murray busca contra Ferrero a vitória de número 200 de sua curta carreira, o que ainda assim será metade das 407 que o espanhol soma atualmente. O escocês tenta repetir Tim Henman e Roger Taylor como únicos britânicos a chegar à semi de Wimbledon na Era Profissional. Ferrero vive uma fase de recuperação, depois da contusão que o levou para fora do top 100. Em abril, ganhou seu primeiro ATP em cinco anos e há duas semanas fez a primeira semi sobre grama da carreira, em Queen´s. Ainda assim, ele não será o tenista de mais baixo ranking numa penúltima rodada: a marca mais recente continua com Rainer Schuettler, que era 94º no ano passado. Em 2001, Ivanisevic foi campeão como número 125.

- Na tentativa de repetir a semifinal de 2007, Djokovic precisa se vingar de Haas, mas também acabar com a sina alemã, já que ele também foi eliminado em Roland Garros por um germânico, Kohlschreiber. Haas já fez três semi de Slam, todas na Austrália, e se vencer voltará ao top 20, de onde saiu em janeiro de 2008.

- Hewitt tem vantagem mínima de 6 a 5 nos duelos contra Roddick, que ganhou os dois confrontos na grama. O norte-americano, duas vezes finalista em Wimbledon, tenta sua quarta semifinal em Londres. Já o australiano joga as quartas de um Slam pela primeira vez desde o US Open de 2006 e tenta acabar com jejum de semifinais que dura três anos e 10 meses.

Quem segura as Williams? - Dinara Safina vem tropeçando a cada rodada, mas continua se levantando graças à falta de experiência ou confiança das adversárias. Não dá para acreditar que vá segurar a pentacampeã Venus na quinta-feira. Na verdade, Wimbledon parece ter sido feito para as irmãs Williams, que tem o estilo mais perfeito para o piso, incluindo obviamente o pesado saque, algo falta demais à número 1.

Venus e Serena já fizeram três finais entre si em Wimbledon. Houve uma Williams em oito das últimas nove decisões e uma delas ganhou sete nos últimos nove anos. A história só não vai se repetir por um verdadeiro desastre.

O Brasil resiste - Perto de assistir ao 50º aniversário do primeiro título de Maria Esther Bueno em Wimbledon, o tênis brasileiro resiste, apesar da queda de Bruno Soares nas quartas diante do fantástico poderio dos irmãos Bryan, que deram um show hoje. André Sá está nas quartas de duplas mistas com a velha e simpatissíssima Ai Sugiyama - a tenista que jogou mais Slam seguidos em todos os tempos -, enquanto o alagoano Tiago Fernandes surpreende na grama e luta por vaga nas quartas. Quem sabe, um deles fica vivo até o sábado e completa a festa.

por José Nilton Dalcim às 17h54
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Murray parece estar pronto. E saiba quem são os 5 líderes do Desafio

Se era preciso mostrar garra, cabeça fria e qualidade técnica para sonhar com o histórico título em Wimbledon e o número 2 do mundo, o escocês Andy Murray cumpriu seu papel à risca nesta segunda-feira, ao sobreviver a um excelente duelo contra o suíço Stanislas Wawrinka.

Embora jamais tenha ficado perto da derrota, Murray mostrou frieza para se recuperar de um primeiro set irregular, em que foi dominado pelo excelente jogo de fundo de quadra do adversário. Quando finalmente conseguiu ser eficiente no saque, o escocês voltou a ser o tenista da primeira semana. Mas encontrou notável resistência de Wawrinka, um tenista de muitos recursos e grande físico.

O jogo, que foi um dos dois melhores de Wimbledon até aqui - o outro foi Haas contra Cilic -, também mostrou dois ingredientes importantes. O primeiro, a torcida. Murray, ao invés de se sentir pressionado por ela, soube usar isso a seu favor o tempo todo. E que público participante! O segundo, a importância definitiva do "hawk-eye", o sistema eletrônico de verificações de marca, que mudou pelo menos uma dezena de pontos, alguns deles de excepcional importância.

Para completar a cena, a partida foi jogada até as 22h39 de Londres, marcando a primeira vez que Wimbledon teve um jogo noturno, o que só pôde acontecer devido ao teto fechado e à obrigatória luz artificial. O investimento do All England Club se provou muito bem feito, com destaque para a impecável iluminação. Um show.

Os velhinhos estão de volta - Tommy Haas tem 31 anos, Lleyton Hewitt e Juan Carlos Ferrero estão fora do top 50 do ranking. Mas obviamente estão longe de ser surpresa num Grand Slam. Haas fez prevalecer sua versatilidade contra Andreev, Hewitt aplicou uma estranha virada sobre Stepanek e Ferrero, outro trintão, ganhou do 'garoto' Simon.

Os três contrastam radicalmente com a excelente e esperada performance de Roger Federer, Novak Djokovic e Andy Roddick, que não perderam sets. A última vaga ficou com o bombástico Ivo Karlovic, que também já tem 30 anos e manteve a média superior a 30 aces para despachar Fernando Verdasco. O espanhol perdeu um incrível tiebreak do quarto set com aquela antiga falta de confiança que o ataca na hora decisiva.

Feminino - As quartas femininas terão duas tenistas não pré-classificadas, mas isso não parece fazer diferença ao que se espera das semifinais. Afinal, Dinara Safina e as Williams são favoritas absolutas na rodada desta terça-feira, provavelmente na companhia de Elena Dementieva. Do jeito que estão jogando, dá para apostar fácil em outra final entre Venus e Serena.

Bruno na Central - Uma boa e uma má notícia para Bruno Soares. Ao se classificar para as quartas, ele vai enfrentar os favoritos irmãos Bryan. O lado positivo é que ele terá a honra de pisar na Quadra Central para encerrar a programação nesta terça-feira. Tenho certeza de que Bruno vai se emocionar.

Palpites - Para mostrar que os internautas do Tenisbrasil entendem mesmo do riscado, nada menos que 107 dos pouco mais de 360 participantes do nosso "Desafio Wimbledon" acertaram em cheio os  oito vencedores das oitavas-de-final de segunda-feira. O desempate veio através da quantidade de placares corretos e aí a liderança ficou com Edison (não colocou sobrenome), de São Paulo, que acertou seis dos oito resultados e assim soma 20 pontos. Logo atrás, com cinco placares corretos, aparecem quatro internautas: Thiago Pinheiro, Eduardo Noronha, Neilson Rodrigues e José Alexandre, todos com 18 pontos. Também estão com ótimas chances outros 26 "apostadores" que indicaram quatro resultados certos e assim estão com 16 pontos. 

Curioso notar que a indicação desses cinco líderes é muito parecida para as quartas-de-final, indicando Federer, Murray e Roddick como ganhadores. A diferença está no quarto semifinalista: três apostam em Djokovic, dois em Haas. Assim, se der alguma zebra, até quem errou algum vencedor na segunda-feira e está na casa dos 13 aos 15 pontos, terá chance de virar o jogo.

por José Nilton Dalcim às 19h46
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À espera das oitavas-de-final, com 350 "palpiteiros"

Cerca de 350 pessoas postaram aqui ou no meu e-mail sobre quem vai ganhar Wimbledon até as 8h20 desta segunda-feira, prazo final para quem quis participar do divertido exercício divertido: colocar os vencedores e prováveis resultados de cada partida da segunda semana do torneio masculino de Wimbledon.

Os três que se saírem melhor, ganham o livro "Entenda o Tênis", que estarei lançando nos próximos dias. Lembrando a todo como vai ser a pontuação: para as oitavas-de-final, cada vencedor vale 1 ponto e cada placar certo desse vencedor, mais 2 pontos. Para as quartas, o vencedor vale 4 e o placar certo, mais 2 pontos; Para a semi, o vencedor certo vale 8 pontos e o placar correto, mais 2. Por fim, o campeão vale 12 pontos e o placar, mais 2. Importante: não adianta acertar o placar mas errar o vencedor. Se você acertar o vencedor, mas errar o adversário, vale a pontuação do vencedor mas não do placar.

Fica aí registrado o meu palpite. Mais tarde, volto com os comentários da rodada.

Oitavas-de-final
Hewitt x Stepanek - Stepanek, 3 a 2
Berdych x Roddick - Roddick, 3 a 2
Murray x Wawrinka - Murray. 3 a 0
Ferrero x Simon - Ferrero, 3 a 1
Andreev x Haas - Haas, 3 a 2
Sela x Djokovic - Djokovic, 3 a 0
Verdasco x Karlovic - Karlovic, 3 a 1
Soderling x Federer - Federer, 3 a 0

Quartas-de-final
Stepanek x Roddick - Roddick, 3 a 1
Murray x Ferrero - Murray, 3 a 0
Haas x Djokovic - Djokovic, 3 a 2
Federer x Karlovic - Federer, 3 a 1

Semifinais
Roddick x Murray - Murray, 3 a 1
Federer x Djokovic - Federer, 3 a 0

Final
Murray x Federer - Federer, 3 a 0

por José Nilton Dalcim às 19h45
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A máquina de fazer aces pode ameaçar até Federer

Não dá para não ficar impressionado com o croata Ivo Karlovic. Mais alto tenista a figurar no top 100 desde que o ranking profissional foi instituído, em 1973, o gigante de 2,08m  é uma máquina de fazer aces.

Difícil entender como Karlovic passou quatro anos sem ganhar uma partida na grama de Wimbledon, um lugar onde seu serviço se torna ainda mais assustador. Veja a matemática simples: até chegar a Londres, ele havia anotado 485 aces em 27 partidas, média de 18. Nos três jogos que fez até agora em Wimbledon, soma incríveis 102, ou seja média de 34!

O notável saque do croata não é novidade para ninguém. Em 2007, atingiu 1.318, com média superior a 20, e repetiu a liderança no ano passado, embora o total absoluto (961) e a média (18) tenham caído. A diferença é que Karlovic parece saber melhor agora o que fazer depois do saque e está mostrando isso na grama. Na temporada, por exemplo, tem acerto de 65% do primeiro saque e 84% desses pontos vencidos. Em Wimbledon, subiu para 72% e 90%, respectivamente.

Tamanho poder de fogo já eliminou Jo-Wilfried Tsonga nesta sexta-feira e é ameaça certa para Fernando Verdasco nas oitavas-de-final de segunda-feira. A pergunta é: Karlovic tem condições de incomodar Roger Federer? Sem esquecer da vitória do ano passado, a resposta parece um perigo "sim", ainda mais se o croata tiver a sorte de pegar um dia de chuvoso e, portanto, de teto fechado.

Mas Karlovic não foi a única sensação desta sexta-feira. Novak Djokovic jogou um tênis bastante eficiente, principalmente no saque e nas devoluções, a ponto de despachar o agressivo Mardy Fish com autoridade. Robin Soderling e Fernando Verdasco cumpriram seu papel, com destaque para o sueco, que reviverá a final de Paris.

O melhor do dia, no entanto, ficou inacabado: o jogaço entre Tommy Haas e Marin Cilic, daqueles que precisam ser gravados para se lembrar o que é exatamente jogar em cima da grama, uma partida que valeu até aqui por uma final de campeonato. O empate é tão grande que cada um já perdeu dois match-points. Cilic é realmente um candidato a top 5, mas estou torcendo por Haas e algo que está cada vez mais raro no tênis atual: a habilidade pura e simples.

O sábado - O duelo imperdível parece ser Nikolay Davydenko x Tomas Berdych, embora não se assustem se Jurgen Melzer der dores de cabeça a Andy Roddick. Dois favoritos me parecem absolutos: Lleyton Hewitt e Andy Murray. O lado de baixo da chave até aqui está bem menos interessante.

Feminino - Serena Williams desfila sozinha na parte inferior da chave. Vai ser difícil evitar sua chegada a mais uma final. A rodada de sábado tem um curioso duelo entre Venus e Carla Suarez, que tirou a mais velha das Williams na Austrália e depois foi até as quartas, mas que não brilhou mais depois disso.

por José Nilton Dalcim às 19h18
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Apesar de tudo, grama ainda privilegia os bons sacadores

Embora esteja evidentemente mais lenta do que no passado, a grama de Wimbledon não perdeu sua mais importante lógica, aquela que levou os tenistas ainda no século 19 a preferir jogar na rede do que no fundo de quadra: a velocidade do saque. As primeiras estatísticas do torneio de 2009 mostram claramente que os bons sacadores estão levando vantagem, no complemento de duas rodadas.

No masculino, a média de acerto do primeiro saque após 96 jogos é de 62%. Os que fazem isso, ganham 73,5% dos pontos, o que é típico das quadras mais velozes. Os tenistas que vivem exclusivamente de saque, na verdade, atingem normalmente 90%. Outra estatística expressiva está na média de aces por partida: 20. O recordista, acreditem, é o espanhol Nicolas Almagro, com 61, seguido por Ivo Karlovic (56) e Pablo Cuevas (50). Andy Roddick marcou "apenas" 39. Entre as mulheres, os números são obviamente menos expressivos, mas ainda assim mostram a diferença da grama em relação a outros pisos: com 63% de primeiros saques positivos e 64,5% de pontos vencidos quando isso acontece, a média de aces é de 5.

Em termos de velocidade, nada muito espetacular ainda. Karlovic e Sam Querrey cravaram 226 km/h, enquanto Venus atingiu 197. A rainha das duplas-faltas não poderia deixar de ser Elena Dementieva, com 17. Aliás, na comparação entre homens e mulheres, vale destacar que 21 dos 96 jogos da chave masculina foram ao quinto set, enquanto 43 terminaram logo no terceiro. Já entre as meninas, 34 dos 96 chegaram ao set final, o que mostra um considerável equilíbrio.

Henman Hill ou Murray Mount? - A MurrayMania está tão grande em Londres que já se discute a mudança do nome daquele imenso gramado, ao lado da quadra 1, onde milhares de pessoas se sentam em frente ao telão para ver o jogo da Central. Ganhou o nome de Heman Hill porque era ali onde os súditos acompanharam as quatro semifinais do ídolo entre 1998 e 2002. Com a ascensão de Murray, a correria agora é para ver o escocês. A lotação foi absoluta nestas duas primeiras partidas.

A euforia continua. A própria Rainha entrou na festa, ao enviar uma carta de "boa sorte". Por enquanto, deu certo. Murray cometeu apenas cinco erros não-forçados contra Ernests Gulbis, num jogo que não teve muita graça diante da evidente dificuldade do letão em se mexer bem na grama. Gulbis fica cada semana mais distante daquela otimista previsão de sua chegada fulminante ao top 10.
 
O velho Hewitt - Tudo bem que Del Potro não estava bem do joelho direito e jamais teve uma movimentação decente para se dar bem num piso como a grama, mas ainda assim todos os créditos devem ser dados a Lleyton Hewitt por sua excepcional atuação desta quinta-feira. O australiano, campeão de Wimbledon há sete anos, hoje um mero 56 do ranking, mostrou muito de seus melhores momentos e declarou à BBC: "Há muito tempo não ganhava de um top 5. Fiz alguns grandes jogos aqui no passado, e acho que tudo é uma questão de como lidar com a pressão", ensina.

Reação americana - Além de Andy Roddick e das Williams, que certamente são candidatos a estar nas finais, o tênis norte-americano comemora dois novos rostos no circuito. Jesse Levine, de 21 anos, tirou Marat Safin e está na terceira rodada, sendo o único quali ainda de pé no torneio masculino. Já a adolescente Melanie Oudin tirou Sybille Bammer na estreia e agora pega Jelena Jankovic por vaga nas oitavas.

Previsões - Com os resultados desta quinta-feira, a parte superior da chave mostra a possibilidade de um ótimo duelo entre Hewitt e Radek Stepanek nas oitavas. Roddick, que deve ter trabalho com Jurgen Melzer no sábado, ainda poderá ter Berdych ou Davydenko pela frente. Murray é quem está feliz, com Troicki, Wawrinka e Gonzalez como prováveis barreiras. Não parece haver problemas.

por José Nilton Dalcim às 19h42
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Wimbledon programa seus primeiros grandes jogos

Roger Federer x Philipp Kohlschreiber, Jo-Wilfried Tsonga x Ivo Karlovic, Novak Djokovic x Mardy Fish e Marin Cilic x Tommy Haas. Talvez tenhamos que esperar até sexta-feira, mas enfim Wimbledon promete dias mais emocionantes, depois de um início bastante morno.

Federer, por exemplo, não fez mais que bons treinos na Central até agora. Mas pode ter algum trabalho contra o imprevisível alemão, responsável pela incrível queda de Djokovic em Roland Garros, mas eliminado logo na rodada seguinte. Kohlschreiber tem um jogo bastante consistente e sabe fazer um pouquinho de tudo. Não é o bastante para ameaçar o 'rei da grama', mas pode até roubar um set.

Os outros três duelos são bem menos previsíveis. Pouco satisfeito com suas atuações de um modo geral, Nole terá de encarar o saque-voleio de Fish, um jogador que teoricamente deveria subir de produção na grama. O sérvio vai precisar estar afiado.

Tsonga, que nunca passou das oitavas em Wimbledon, encara o fogo cerrado de Karlovic, que finalmente conseguiu ganhar uma partida em Londres. Já Cilic pode pagar caro o desgaste de hoje contra Querrey, diante do versátil e descansado Haas. Um curioso duelo de estilos.

Na verdade, me arrisco a dizer que esses quatro jogos definirão os quatro classificados para as oitavas-de-final.

Mas fiquem de olho, que a quinta-feira também pode ter alguns duelos interessantes, a começar por Del Potro x Hewitt, um jogo que pode muito bem ser a redenção do australiano. A mão pesada de Ernests Gulbis, ainda que em fase ruim, é perigosa para Andy Murray. E quem sabe Thiago Alves não aproveita a falta de confiança de Gilles Simon e tira o cabeça 8?

Números - Pelo terceiro dia consecutivo, Wimbledon bateu seu recorde de público. Na segunda, foram 43 mil; na terça, 46 mil; e hoje, 46.826 pagantes, número que supera em 5.991 o mesmo dia do ano passado.

A outra estatística a destacar foram as nove duplas-faltas - sete delas no set decisivo - que  ajudaram a enterrar Maria Sharapova. Foi bom para o público conhecer o bom tênis e o belo rosto da argentina Gisela Dulko.

A foto - E vocês viram a foto aí de cima? É o exato momento em que Michael Llodra derruba a pegadora de bola, na tentativa de buscar um drop-shot de Haas, e se contunde. Que coisa!

por José Nilton Dalcim às 20h04
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Wimbledon bate recorde de público e fatura US$ 98 milhões com a nova Quadra Central

A primeira boa frase do dia veio do porta-voz do All England Club para explicar o sucesso de público logo no primeiro dia de evento: "Parece que todos disseram 'vamos esquecer a recessão e passar um dia divertido em Wimbledon'". Isso foi para comemorar o recorde de 42.811 ingressos vendidos na segunda-feira, quase 3.500 a mais que o primeiro dia de 2001, ou seja, exatamente os 3.500 lugares a mais que o complexo passou a oferecer com as reformas feitas.

Outra mostra evidente desse aumento de interesse foi o pedido de mais de 14 mil pessoas pelas entradas vendidas diariamente no Club. No ano passado, não eram mais que 1.500. "As pessoas se sentaram e tentaram decidir onde gastar melhor o dinheiro tão duramente ganho. Felizmente, parece que decidiram gastar aqui", brincou Johnny Perkins. "Se nossa capacidade fosse para 100 mil pessoas, acho que teríamos 100 mil entradas vendidas". Com efeito, o que se viu nestes dois primeiros dias foi lotação até mesmo nas quadras secundárias e falta de mesas no sofisticado Champagne Bar.

Muito mais dinheiro, no entanto, entrou para o Club com a expansão de 2.500 lugares na Quadra Central. Cada assento foi vendido por US$ 45 mil, dando direito ao comprador de um lugar fixo na Central entre 2011 e 2015. O valor é cinco vezes mais caro do que comprar ingressos para toda uma temporada do Chelsea, mas ainda assim se esgotou em maio e gerou uma receita extraordinária de US$ 98 milhões ao All England Club. "Não posso dizer que Wimbledon está acima da crise mundial, mas sim que o Club soube lidar melhor com a atual realidade e que o torneio continua a mexer com as pessoas".

O adeus de Safin - Em sua última temporada, o russo Marat Safin deu precoce adeus a Wimbledon nesta terça-feira, ao cair diante de Jesse Levine. Em sua 10ª participação no torneio, semifinalista no ano passado, o cabeça 14 disse que terminará a carreira sem arrependimentos: "Poderia ter feito mais, porém estou satisfeito com o que obtive". Calcula-se que o temperamental ex-número 1 tenha quebrado 700 raquetes em sua vida profissional.

Frase direta - A segunda frase curiosa, e um tanto indelicada, do dia foi do jornal britânico Daily Mail, sobre os grunhidos das jogadoras em quadra: “Por que as tenistas em Wimbledon soam como se estivessem trabalhando pesado ou num filme pornô?"

Mais um joelho - Depois de Nadal e Safina, o chileno Fernando González também reclama dos joelhos. "Sinto dor, muita dor, nos dois joelhos. E isso fica ainda pior na grama ou nas quadras sintéticas, onde você precisa brecar de forma brusca".

Sem piedade - A terceira frase interessante vem do australiano Lleyton Hewitt: "Não se pode pensar em mulheres jogando cinco sets, nenhuma delas aguentaria, ainda mais sete jogos num torneio", foi sua resposta, quando o assunto, para variar, chegou à igualdade de premiação e esforço entre masculino e feminino em Wimbledon.

Fato histórico - A Austrália dominou Wimbledon por cerca de 20 anos, entre as décadas de 50 e 70, um período em que brilharam Lew Hoad, Ashley Cooper, Neale Fraser, Rod Laver, Roy Emerson e John Newcombe. Neste ano, Hewitt é o único inscrito, o mais baixo índice de toda a Era Profissional.

A rodada - Excelente o jogo entre Murray e Kendrick, um autêntico duelo de tênis jogado na grama. A rodada, muito morna, valeu ainda pela boa atuação de Del Potro e Hewitt, sem falar na façanha do velhinho Santoro. E Thiago Alves cumpriu a sua parte, num jogo estranhíssimo contra Andrei Pavel, ao menos a julgar pelo placar. Não me surpreenderia uma nova vitória em cima de Gilles Simon.

por José Nilton Dalcim às 19h39
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Sustos e tiebreaks marcam primeira rodada. Como sempre.

Muito da lógica que você se habitua a ver no circuito masculino corre sério risco quando se chega às quadras de grama. E isso não envolve apenas a queda de tenistas bem classificados, que não se adaptam ao piso escorregadio e veloz.

Vejam o caso de James Blake e Feliciano Lopez. São dois jogadores que, na teoria, deveriam se dar muito bem em Wimbledon. O primeiro, por seu jogo reto e agressivo; o outro, ainda por cima canhoto, com seu saque-voleio tradicionais. Mas ambos novamente decepcionaram e sequer passaram do primeiro dia. Dá para explicar?

Aliás, deve-se estender o problema para Robin Soderling e Jo-Wilfried Tsonga, que levaram aquele susto. Idem para Novak Djokovic, que pareceu muitas vezes incomodado com o piso. Neste último caso, uma falha é mais evidente: se o sérvio não se aventurar um pouco mais à rede, vai ser difícil repetir a semifinal de 2007.

Com grandes sacadores em quadra - Fish, Karlovic, Querrey, Minar - e a dificuldade natural em se quebrar serviços até de tenistas não tão eficientes no saque levarão fatalmente o torneio masculino a dezenas de tiebreaks, todos os dias. A segunda-feira não foi diferente e já viu 24 desempates.

O único que se livrou com eficiência de todas essas armadilhas foi Roger Federer. Depois de um primeiro set mais equilibrado, ele se soltou um pouco mais e se deu ao luxo de alguns lances geniais. Importante lembrar que foi seu primeiro jogo na grama, depois da longa temporada de saibro. O adversário, tímido, obviamente ajudou.

Federer ainda não tem com o que se preocupar. Pega Guillermo Garcia-Lopez na quarta-feira e deve depois enfrentar Kohlschreiber ou Minar. Como Soderling dificilmente vai se atrapalhar contra Marcel Granolers ou com o ganhador de Almagro e Beck, parece que o duelo de Roland Garros vai mesmo se repetir lá na frente.

Djokovic terá uma boa partida contra Simon Greul, que veio do quali, para pegar melhor ritmo antes de encarar Fish ou Tipsarevic. Buraco mesmo aconteceu na chave onde estava Blake. Assim, Marin Cilic - que tem uma segunda rodada perigosa contra Querrey - e Tommy Haas podem se aproveitar.

A rodada da terça-feira tem poucos jogos realmente atraentes, já que todos os cabeças-de-chave parecem amplos favoritos e dificilmente acontecerá uma zebra. Fica obviamente a expectativa por Andy Murray e o primeiro passo da trajetória rumo à final.

E é claro vamos ficar de olho em Thiago Alves, que tem duas boas chances. Dá para ganhar do romeno Andrei Pavel e até encarar o instável Gilles Simon. Se é que ele passa da estreia. Se conseguir tudo isso, é bem capaz que voltaremos a ter um top 100.

por José Nilton Dalcim às 18h29
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Wimbledon: a história, o desafio e a espera por novas façanhas

Um dos seis únicos torneios sobre piso de grama que restam no calendário masculino, Wimbledon ainda tem de ser considerado o mais importante torneio do tênis. É uma questão de história, e todos os tenistas reconhecem o peso gigantesco que isso significa. O tênis, como esporte, surgiu exatamente na Quadra Central em que Roger Federer abrirá a edição deste ano dentro de algumas horas. Foi para a disputa do primeiro campeonato, em 1877, sob o nome simplório "The Championships", que se estabeleceram formato da quadra, a contagem e as regras com as quais jogamos até hoje. Precisaria mais?

Sim, porque pouca gente sabe - e eu conto isso no livro "Entenda o Tênis" que sairá dentro de alguns dias - que Wimbledon também teve papel essencial em outro momento decisivo da história: o surgimento da Era Profissional. Foi por sua influência e persistência que, em 1968, a Federação Internacional determinou a abertura dos Grand Slam a todos os jogadores, encerrando a longa rejeição aos profissionais. Naquele 1968, Wimbledon deu 26  mil libras de premiação total, menos do que receberá cada perdedor de terceira rodada em 2009. Um salto e tanto.

O fato de manter a original quadra de grama como marca registrada faz de Wimbledon um campeonato mais único do que nunca, um autêntico desafio. Em um ambiente em que não existe publicidade visível e que a roupa predominantemente branca continua obrigatória, é fácil explicar por que tem sido o Grand Slam com menor variedade de campeões. Nenhum profissional ganhou o torneio em sua primeira visita. Dos 50 diferentes tenistas a faturar um Slam na Era Profissional, apenas 19 ergueram um troféu lá. Com a saída de Nadal, a chave deste ano tem apenas Roger Federer e Lleyton Hewitt como antigos vencedores. Na verdade, apenas 13 dos 128 inscritos obtiveram um título sobre qualquer quadra de grama, com destaque para Andy Roddick, Ivo Karlovic, Tommy Haas e agora Andy Murray.

Murray, aliás, tem todos os holofotes. O último homem da casa a ganhar Wimbledon foi Fred Perry, em 1936, e dois anos depois veio o último finalista, Henry Austin. As semifinais de Tim Henman, entre 1998 e 2002, foram o melhor que os britânicos tiveram desde então. Murray, no entanto, já quebrou algumas barreiras. É o jogador local com mais alta cabeça-de-chave desde Roger Taylor, há 26 anos. Na semana passada, encerrou um jejum em Queen´s de 71 anos, tornando-se de quebra o primeiro britânico a ganhar um torneio em seu país desde Greg Rusedski (na verdade nascido canadense), em 2005.

Enquanto toneladas da caríssima taça de morangos com chantili serão consumidas ao longo dos 13 dias de competição - por não realizar jogos no domingo intermediário, Wimbledon é o mais curto dos atuais Slam -, várias marcas poderão ser quebradas. Um dia antes da maratona pela quadra, vamos ver algumas curiosidades:

- Wimbledon é o único dos Slam que mantém todas as rodadas de duplas masculinas em melhor-de-cinco sets. A últiima rodada do quali segue a norma.

- A 42ª edição profissional de Wimbledon perdeu um considerável atrativo com a desistência de Rafael Nadal. Será apenas a quinta vez nesse período que o campeão não volta para defender sua coroa e a primeira vez que o número 1 reinante não atua em Wimbledon desde o abandono de Gustavo Kuerten, em 2001.

- Os britânicos são os organizadores de Slam que mais sofrem com o jejum de títulos: 73 anos. Os australianos não ganham seu Aberto desde 1976; os franceses, 1983; e os norte-americanos, 2003.

- Existem seis campeões de Grand Slam no torneio deste ano: Federer, Djokovic, Roddick, Hewitt, Ferrero e Safin. O suíço divide o recorde profissional de títulos em quadras de grama com Pete Sampras, com 10.

- A japonesa Ai Sugyama completa 61 Grand Slam seguidos, recorde absoluto. No masculino, Wayne Ferreira chegou a 56.

- O recorde de presenças em Wimbledon desde 1968 pertence a Jimmy Connors, com 21. Ele também lidera a contagem de vitórias, com 84, seguido por Boris Becker (71) e Sampras (63). O percentual mais espetacular continua o de Bjorn Borg: 51 vitórias e apenas 4 derrotas em nove participações.

- Federer possui 175 vitórias em Slam na carreira e precisará de três para se igualar a Stefan Edberg. Mas ainda ficará longe dos quatro líderes: Connors (233), Agassi (224), Lendl (222) e Sampras (203). Em Wimbledon, o suíço soma 44 e pode superar Agassi (46), Lendl (48), Edberg e Ivanisevic (49). Se ganhar o torneio, iguala-se a Borg (51).

por José Nilton Dalcim às 13h21
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Saída de Nadal faz Wimbledon perder muito de sua graça

Wimbledon tinha tudo para ser mais um momento espetacular na temporada 2009, como já havia acontecido na Austrália e em Roland Garros, mas a ausência forçada do atual campeão e número 1 Rafael Nadal muda radicalmente tudo. Até mesmo a luta pelo número 1 do ranking fica seriamente arranhada.

Claro que Roger Federer e Andy Murray não têm nada a ver com isso. Eles, que já tinham a maior parte dos holofotes sobre si, independente de Nadal, agora ficam ainda mais favoritos a uma possível final. O escocês continuará ameaçando a vice-liderança de Federer, o suíço poderá voltar à ponta do ranking, mas em ambos os casos é necessário um atributo fundamental: ganhar o campeonato.

A ausência de Nadal é lastimável em todos os sentidos. Não saberemos agora o quanto Roland Garros poderia ter abatido sua parte mental, nem se a conquista do ano passado colocaria mais apetite ou mais medo em seus adversários, incluindo os tops. O espanhol ficará ainda impedido de lutar por um título em que necessariamente seria um dos favoritos - fez três finais seguidas - e não será mais a barreira maior para Murray e para Federer.

Como já falamos em outros posts, a tendinite no joelho mostra-se definitivamente um empecilho para o espanhol. E vem por aí a temporada de pisos duros, que prejudicam ainda mais as articulações. Importante ainda lembrar que, mal completou 23 anos, e Nadal já deixou de disputar quatro Grand Slam por contusão (Roland Garros e Wimbledon de 2004 e Austrália dois anos depois), algo que não aconteceu na carreira inteira de Federer até aqui, para citar um exemplo moderno.

E o que acontece com a chave masculina agora? Bem, virou uma bagunça generalizada. Só mesmo a tradição pode explicar o motivo de o All England Club não ter adiado a confecção da chave, já que a dúvida sobre Nadal era de fundamental importância. Bem, eis então que Juan Martin del Potro saiu do lado inferior e agora encabeça a chave, mas ainda acho que vai dar Andy Roddick neste quadrante e ele será assim o adversário de Murray na semi. O escocês também se deu bem e não tem mais James Blake no caminho.

Para Federer, pouca coisa muda, exceto talvez a motivação de não ter Nadal no caminho, como aconteceu na segunda semana de Paris. Já Novak Djokovic ganhou mais um problema com a entrada de Blake, que se junta a possíveis adversários do nível de Mardy Fish, Tommy Haas e Marin Cilic.

Para o tênis brasileiro, a saída de Nadal tem um bom consolo, já que deu lugar à entrada de Thiago Alves. Melhor ainda, ele vai pegar o versátil, porém instável e quase aposentado Andrei Pavel, o que significar uma importante vitória para ele.

por José Nilton Dalcim às 18h45
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Sorteio abre caminho para uma final entre Federer e Murray

Não bastasse a séria contusão de Rafael Nadal, que pode ainda tirar o atual campeão do torneio, a formação da chave principal de Wimbledon sinalizou ainda mais a possilidade de uma histórica decisão entre Roger Federer e Andy Murray. Podem apostar, é tudo o que o All England e a imprensa britânica sonhariam em ter.

Nadal vive mesmo um inferno astral. Além do problema no joelho, que é peça fundamental na grama, pegou uma chave cheia de jogos duros e perigosos, o que pode ser um motivo a mais para sua desistência. Em condições normais, ele atropelaria Arnaud Clement e não se importaria muito com Lleyton Hewitt, mas num momento de confiança em baixa os dois duelos podem complicar. Ele ainda poderá encarar o saque pesado de Dmitry Tursunov, o jogo eclético de Radek Stepanek e por fim cruzar com os aces de Roddick. Mas, se isso acontecer, lá nas quartas-de-final, já será um enorme lucro em vista de seus problemas físicos.

E Murray ficou ali, na parte de cima da chave. Seu caminho está recheado de bons tenistas em pisos velozes. Precisa tomar cuidado com a ansiedade da estreia, diante do experimentado Robert Kendrick, mas a partir daí a sequência não parece lhe impor problemas. James Blake surge como melhor candidato a seu adversário nas quartas-de-final. Então, a menos que a pressão seja mesmo insuportável, é lúcido imaginar que o escocês surge como favorito a estar na decisão, ainda mais se Nadal pular fora.

Do outro lado da chave, é difícil imaginar outra coisa que não seja um passeio de Federer até a semi, que começa por Yen-Hsun Lu e pode ter apenas maiores dificuldades contra Robin Soderling, nas oitavas. Mas o próprio sueco precisa tomar cuidado logo na estreia, diante do bombástico saque canhoto de Gilles Muller, e até mesmo com o quali Andreas Beck. Se superar novamente Soderling - seria um 11 a 0 -, o suíço aguadaria então um adversário sem grande currículo em Wimbledon ou na grama, entre Verdasco, Tsonga e Karlovic. Verdasco numa passou das oitavas, Tsonga joga apenas seu segundo Wimbledon e Karlovic, em que pese o saque, perdeu na estreia das quatro últimas edições do torneio.

O candidato natural à outra vaga na semi é Novak Djokovic. O sérvio no entanto precisará recuperar a confiança e tem uma estreia nada promissora para isso: Julien Benneteau. A partir daí, pode embalar, ainda que tenha Mardy Fish, Tommy Haas, Marin Cilic e Juan Martin del Potro pelo caminho. Tudo pode ficar mais fácil se Delpo for removido ao lugar de Nadal na ponta da chave, em caso de desistência do espanhol, conforme já explicado pelos organizadores.

Claro que Djokovic, que tem semifinal em 2007, sempre é um adversário de respeito, mas ainda assim Federer é favorito absoluto num piso traiçoeiro como a grama, em que ele tanto se sente à vontade, ainda que ela não seja tão veloz como em outros tempos.

Neste momento, olhando a chave, não consigo mesmo ver outra coisa senão uma final entre Federer e Murray.

por José Nilton Dalcim às 10h49
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ITF estuda tornar gritos como ofensa ao Código de Conduta

Depois da polêmica criada em Paris com a juvenil portuguesa Michelle de Brito, a Federação Internacional de Tênis estuda incluir definitivamente os grunhidos como parte do Código de Conduta, ficando assim passível de punição assim como as demais atitudes consideradas antiesportivas, como palavrões ou arremesso de bolas ao ar e raquetes ao chão.

Todos devem se lembrar da confusão gerada na partida entre a garota Michelle e a francesa Aravane Rezai, quando a adversária reclamou que os insistentes gritos dado pela portuguesinha ao bater na bola estava tirando sua concentração. O árbitro geral chegou a ser chamado à quadra e recomendou que Michelle diminuísse o barulho. Revoltada, a menina alegou que era seu jeito de jogar e acabou sendo facilmente derrotada após a discussão.

Atualmente, o regulamento permite que o árbitro puna uma jogadora se considerar que o grito causou algum prejuízo para a adversária na disputa de um determinado ponto, como se fosse uma obstrução, mas limita isso à repetição do ponto em si. Punição maior só poderá acontecer se o juiz achar que a atitude foi proposital. Discute-se agora tornar o excesso de ruído uma parte definitiva do Código de Conduta, com perda sucessiva de ponto, game e até a desclassificação.

"Perdi a conta de quantas pessoas já me escreveram dizendo que essa gritaria toda desmotiva se assistir a um jogo feminino", afirma a britânica Sue Barker, uma das consultoras da Federação Internacional. "É pouco atraente, gostaria de ver alguma atitude contra isso. Se não for colocado na regra, será difícil conter".

O difícil, no entanto, é estabelecer o critério para o chamado  "grunhido severo".  Há dois anos, a russa Maria Sharapova causou tanto distúrbio em Wimbledon a ponto de um importante jornal medir os decibéis de seus rugidos, afirmando que eram maiores de 90, ou seja, mais perturbadores que um trem ou uma ambulância e portanto fora dos limites recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Será que os juízes terão agora de carregar tal aparelho?

De novo, a sorte - O tênis brasileiro depende agora de sorte para não ficar sem representantes nas chaves de simples do Grand Slam britânico. Na rodada decisiva, Thiago Alves e Caio Zampieri não ganharam sets, mas ao menos Thiago terá a chance de entrar como "lucky-loser", a exemplo de Roland Garros. Importante lembrar que o regulamento dos Grand Slam indica sorteio entre os quatro tenistas de maior ranking eliminados na última rodada do quali.

Aliás, curioso observar que apenas quatro dos 16 principais cabeças-de-chave do quali conseguiram passar à chave principal, e apenas dois deles figuravam entre os oito mais bem classificados no ranking. Na lista dos que avançaram, estão nomes conhecidos, como Taylor Dent e Xavier Malisse, e um único sul-americano, o colombiano Alejandro
Falla.

por José Nilton Dalcim às 12h28
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Favoritos mantidos, brasileiros sonhando

Ciente de que criar polêmica seria mesmo uma grande bobagem, o All England Club fez mínimas alterações na lista de cabeças-de-chave para Wimbledon. Melhorou uma posição de Marin Cilic, o que não muda nada, e valorizou Marat Safin, que saltou do grupo dos últimos 16 para o dos primeiros 16, evitando teoricamente adversários mais perigosos. No feminino, corretíssima a reclassificação de Maria Sharapova. A campeã de 2004 aparecerá como 24ª favorita, ao invés de ficar jogada no meio da chave.

Tudo isso só aumenta a expectativa pelo sorteio de sexta-feira. A posição do britânico Andy Murray desta vez é a que mais interessa: ficará em cima, numa suposta semifinal contra Rafael Nadal, ou na parte de baixo, podendo antecipar a briga com Roger Federer pelo número 2? Não se pode é claro ignorar Novak Djokovic, ainda que eu o considere uma força de segundo escalão na grama. Mais interessante será ver onde vai ficar Andy Roddick, sem esquecer os grandes sacadores, que podem sempre aprontar alguma zebra, como Ivo Karlovic, Jo-Wilfried Tsonga, Sam Querrey.

E o tênis brasileiro chega à terceira rodada do qualificatório com duas chances de entrar no torneio e evitar o fiasco de 2007, quando não tivemos representante na chave principal. De forma geral, a grama tem sido bem pouco amistosa para os brasileiros nos últimos anos. Em 2003, chegamos a vencer quatro partidas (duas com Flávio Saretta, outras com Guga Kuerten e André Sá), mas passamos em branco em 2004, 2005 e 2006. Só voltamos a ganhar no ano passado, com a isolada vitória de Thomaz Bellucci.

Thiago Alves - que voltou a treinar com o antigo técnico Edvaldo Oliveira, uma parceria que vem desde os tempos de juvenil - deve ter mais dificuldade para superar o jogo agressivo do austríaco Alexander Peya, um homem que costuma jogar Copa Davis e já disputou Wimbledon quatro anos seguidos. Já Caio Zampieri tenta jogar seu primeiro Grand Slam diante do eslovaco Lukas Lacko, que tem no currículo duas participações no Aberto da Austrália. Seria espetacular ver os dois avançarem.

De qualquer forma, a menos que nossos mineiros resolvam jogar muito na chave de duplas, parece que a maior história brasileira em Wimbledon deste ano vai ser mesmo a homenagem que os organizadores farão a Maria Esther Bueno, pelo 50º aniversário do primeiro de seus três troféus de simples. Coincidentemente, a decisão de 1959 se deu no mesmo 4 de julho que será a final feminina desta vez. Ave, Maria!

por José Nilton Dalcim às 16h15
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Federer e Murray dominam as atenções em Wimbledon

Duas derrotas seguidas no saibro, uma contusão no joelho que coloca em dúvida sua capacidade física e pronto. O número 1 e atual campeão Rafael Nadal deixou de ser o favorito em Wimbledon até mesmo para seu tio e treinador, colocando os holofotes sobre o suíço Roger Federer e o britânico Andy Murray. Todos os demais parecem meros coadjuvantes.

A queda na cotação de Nadal é justa. Todo mundo sabe que a questão física é básica para o estilo e principalmente a confiança do espanhol. A grama, por suas características, exige também muito das articulações, já que o quique irregular e baixo da bola faz com que o tenista se agache muito mais do que o normal para executar os golpes.

Federer assim saltou à condição de estrela máxima. O suíço vai em busca do sexto troféu, o que o deixaria atrás somente de Pete Sampras, mas automaticamente acabaria por superar o mesmo Sampras na quantidade de títulos de Grand Slam. De quebra, Federer ainda pode no mínimo diminuir de forma contundente a distância para a liderança do ranking. Nesta terça-feira, já foi eleito como principal candidato de Bjorn Borg e Patrick Rafter, dois homens que entendem muito da grama.

Murray, por seu lado, tem o estlo e o histórico corretos para tentar o título aguardado há 73 anos por seus compatriotas. Ele deixou claro em Queen´s, na semana passada, que o saque, o voleio, o slice e a sempre necessária improvisação na grama são seus ingredientes para se sair melhor do que as quartas-de-final no ano passado.

Eu particularmente considero um exagero descartar Nadal da lista dos grandes favoritos, porque sua capacidade de recuperação tem sido espantosa. Além disso, jogar à sombra de Federer e Murray poderá ser excelente para ele.

O escocês, por seu lado, tem um peso enorme nas costas e tenho dúvidas se ele saberá lidar com tamanha pressão da exigente imprensa local. Desde que despontou, há dois anos, os britânicos apostam que ele vai ganhar Wimbledon um dia. Murray entrou no clima e apresentou nesta terça-feira o uniforme que irá usar - a mesma roupa de Fred Perry, em 1936. A atmosfera toda está criada.

Por fim, Federer precisará apagar toda a festa de Paris e recomeçar a tarefa, o que também não é algo tão fácil assim.

Wimbledon, mais do que nunca, promete.

por José Nilton Dalcim às 15h20
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