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Sempre na vanguarda e de olho nos lucros, US Open inicia sua 42ª edição
às 11h22 - por José Nilton Dalcim

Pioneirismo e bom negócio. Esses têm sido os pilares que sustentam os 42 anos de história do US Open, que continua sendo o segundo mais importante torneio do calendário, embora isso pouco preocupe a Associação Norte-americana. Afinal, eles construíram ao longo desse tempo o mais lucrativo torneio de tênis de todos os tempos e o maior evento esportivo de realização anual e sede permanente do planeta.

Quando o profissionalismo chegou, em 1968, o então Nacional norte-americano mudou de nome. Abriu as portas para os profissionais, mas curiosamente seu primeiro campeão foi o amador Arthur Ashe, que sequer pode levar para casa os US$ 14 mil prometidos, tendo de se contentar com a ajuda de custo diária de US$ 20. Desde então, o US Open tornou-se o campeonato que mais oferece prêmios aos jogadores, atingido o incrível total de US$ 21,6 milhões neste ano, dando nada menos que US$ 1,6 mi a cada campeão. Aliás, desde 1973, distribui idêntica premiação aos dois sexos, algo que Wimbledon demorou 35 anos para aderir.

Criar espetáculo é uma coisa que os americanos sabem fazer como poucos. Em 1970, peitaram a Federação Internacional e instituíram o tiebreak - que copiava o sistema do circuito profissional paralelo dos anos 60 - em todos os sets, o que virou tamanha atração a ponto de os organizadores adotarem um sistema de bandeiras para indicar que numa determinada quadra estava acontecendo um desempate. O público então corria todo para lá. Até hoje, é o único dos Slam que mantém o tiebreak no quinto set.

A mudança em 1978 do har-tru de Forest Hills para o piso sintético de Flushing Meadows, um gigantesco centro construído no bairro de Queen´s e que passou a servir de quartel-general da poderosa USTA, foi outra grande jogada de marketing. O US Open passou então a ter rodada noturna, outro fato inédito nos grandes torneios de então, e a cobrar ingressos separadamente para duas jornadas, o que praticamente dobrou o faturamento com venda de ingressos. Também ergueu o Arthur Ashe Stadium, com 23 mil lugares, a maior arquibancada fixa do tênis, e assim foi também aumentando os números, até atingir o recorde absoluto de 720 mil entradas vendidas no ano passado.

Sempre na vanguarda, o Slam americano gostou da experiencia em Miami e adotou há dois anos o Hawk-Eye, sistema eletrônico que permite ao tenista verificar uma marcação. O sucesso indiscutível levou os promotores a instalar o sistema numa terceira quadra em 2009, extendendo-o ao Grandstand. Também de olho na bilheteria e na maior motivação do público, vai alterar agora a programação da rodada noturna, que passará a ser aberta por um jogo masculino, às 19h30 locais, seguido por um feminino. A nova edição também traz uma alteração fundamental nas transmissões das partidas: serão agora duas TVs a cabo e uma rede aberta para os Estados Unidos e cinco jogos diários ao vivo (e gratuitos) pelo site oficial.

O único campo em que o US Open ainda se mostra atrasado é na questão da cobertura das quadras. O Aberto da Austrália construiu seu novo centro, em 1986, já com dois ginásios; Wimbledon acaba de inaugurar o teto translúcido da Quadra Central e o Aberto da França tem um projeto pronto para instalar cobertura dentro de dois anos. Em Nova York, não há sequer um plano estabelecido para isso. Qualquer um que já tenha visto a imponência do Ashe Stadium talvez entenda o quão difícil seria a instalação de um teto ali.

Dinheiro, é claro, não parece um problema. Não há números oficiais, mas estima-se que o US Open gere lucro na casa dos US$ 50 milhões, entre placas de publicidade, direitos de TV, ingressos, comercialização de lounges e venda de artigos aos visitantes. É uma máquina de fabricar dólares, mas também de divulgação do tênis. A gente agradece.

Três páreos duros - Thomaz Bellucci cumpriu seu papel com brilhantismo, ganhou a vaga na chave principal mas não vai ter tarefa fácil diante do chinês Yen Hsun-Lu, o mesmo que o tirou do Aberto da Austrália e tem um jogo perfeito para o piso sintético. Assim, os brasileiros vão ter de jogar muito para passar da rodada de abertura, já que Thiago Alves pega Lleyton Hewitt e Marcos Daniel encara Jose Acasuso. E uma nota de louvor a Júlio Silva, que ficou muito perto da vaga num grupo dificílimo e  num piso que não é o seu melhor.

Olhando o quadro final dos que passaram pelo quali, importante notar que apenas 7 dos 16 principais cabeças-de-chave do masculino avançaram (e só 3 dos 8 primeiros), enquanto no feminino só vingaram duas das 16 maiores pré-classificadas. Além de Bellucci, outros quatro sul-americanos passaram: os argentino Horacio Zeballos e Juan Pablo Brzezicki, o colombiano Alejandro Falla e o equatoriano Giovanni Lapentti, que será nosso adversário na Copa Davis dentro de quatro semanas. O esquadrão americano também se reforçou com Donald Young, Jesse Witten e Michael Yani.


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Federer só tem a temer Roddick, Nadal se dá bem, Murray vai ser testado
às 16h16 - por José Nilton Dalcim

Um sorteio e destinos bem diferentes para as grandes estrelas do tênis no US Open deste ano. Enquanto o suíço Roger Federer encontra uma chave aparentemente muito tranquila, o espanhol Rafael Nadal pode aproveitar para embalar e ganhar confiança e o escocês Andy Murray vai ter um teste dos mais duros se quiser seu primeiro título de Grand Slam.

Federer precisa de três vitórias para garantir o número 1 e nem se preocupar com os concorrentes e então parece que isso vai se decidir já contra o velho freguês Lleyton Hewitt. Aliás, se os cabeças prevalecerem, só vai dar freguesia: James Blake ou Tommy Robredo nas oitavas, Robin Soderling ou Nikolay Davydenko nas quartas. Pode ser que Sam Querrey resolva entrar na briga, mas duvido.

Só mesmo lá na semifinal é que Federer pode enfim encontrar tensão, principalmente se Andy Roddick confirmar. Seria a revanche de Wimbledon, na terra do adversário. Tomara que aconteça. Para isso, o norte-americano tem alguns adversários de qualidade, como Fernando Verdasco ou Tommy Haas, mas dificilmente deixará de chegar às quartas e ao provável duelo contra Novak Djokovic. O sérvio tem um grupo dos mais variados, desde a estreia contra Ivan Ljubicic até os possíveis duelos com Radek Stepanek ou o reencontro com Philipp Kohlschreiber, aquele que o tirou de Roland Garros num dia inspiradíssimo.

A rigor, Nadal também teve sorte na formação da chave, já que terá condições de subir de produção a cada rodada. Seu maior adversário das oitavas seria Gael Monfils, mas todo mundo sabe que o francês não mete medo no espanhol. Confiante, Nadal pode muito bem superar Jo-Wilfried Tsonga ou Fernando González nas quartas e se apresentar para o duelo contra Murray na semi.

O escocês vai ter trabalho. De cara, o imprevisível Ernests Gulbis. Depois, o perigoso Ivo Karlovic, os versáteis Marin Cilic e Stanislas Wawrinka. E, quem sabe, quartas-de-final contra Juan Martin del Potro. O argentino pode ter alguns jogos duros, mas me parece grande candidato até mesmo à final.

Alguns jogos bem curiosos na primeira rodada da chave masculina: o duelo chileno entre González e Nicolas Massú, outro argentino entre Del Potro e Juan Monaco e o encontro de veteranos de Juan Carlos Ferrero e Fabrice Santoro.

Para os brasileiros, dúvidas. Thiago Alves dificilmente terá chances se Hewitt estiver totalmente em forma, Marcos Daniel pode ir até a terceira rodada se bater Jose Acasuso na estreia.

No feminino, foi especialmente interessante ver Kim Clijsters no meio das Williams, pronta para estragar a festa nacional. Muito cuidado com ela. E a parte de cima ficou com uma massa russa da pesada: Safina, Dementieva, Sharapova, Kuznetsova. A menos que Jankovic jogue muito, vai ser duro evitar uma russa na final.


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US Open sorteia chave nesta quinta e começa a responder dúvidas
às 18h59 - por José Nilton Dalcim

Constante ao longo da temporada nos demais Grand Slam, a expectativa pelo sorteio da chave do US Open é grande. Parece consenso entre os analistas que a posição dos grandes nomes e o provável cruzamento entre eles, principalmente a partir das oitavas e quartas-de-final, poderá decidir muita coisa.

Para começo de conversa, o campeão e o vice do ano passado estarão obrigatoriamente em extremidades opostas, abrindo a possibilidade de vermos novamente Roger Federer e Andy Murray na final do dia 13 de setembro.

Me parece que qualquer um deles prefere ter Novak Djokovic como adversário de uma eventual semifinal do que Rafael Nadal, ainda que não se saiba exatamente qual é a condição física do espanhol. Vale lembrar que os dois têm retrospecto bem negativo contra Nadal. Então para que arriscar?

Outro detalhe importante nessa formação da chave é o queridinho da casa Andy Roddick, que joga talvez o tênis mais eficiente de sua carreira. Claro que é preciso respeitar o cabeça 6 Juan Martin del Potro, mas Roddick incomodaria muito mais qualquer um dos quatro cabeças. Federer, por exemplo, costuma passear contra o argentino, que por sua vez tem apenas uma vitória (e no saibro) em cinco jogos contra Murray.

Claro que ainda há pelo menos outros dois top 16 que seria ideal evitar no piso de média velocidade de Flushing Meadows: o malabarista Jo-Wilfried Tsonga e o peso-pesado Robin Soderling, que são sempre uma ameaça e seriam barreiras bem cedo, ainda nas oitavas-de-final.

Quem conseguir essa formação ideal de chave - fugir de Nadal na semi, Roddick nas quartas, Tsonga ou Soderling nas oitavas-, estará a meu ver com meio caminho andado.

No feminino, existem componentes aparentemente mais complexos, porque a belga Kim Clijsters estará solta na chave e a russa Maria Sharapova deve ser a cabeça 29, portanto um risco já na terceira rodada.

Sem falar que a lista de favoritas talvez seja mais extensa: Safina, Serena, Venus, Dementieva, Jankovic, Kuznetsova e até a decadente Ivanovic têm  histórico suficiente para estar na final. E outras, como Azarenka, Stosur e Radwanska, são ótimas candidatas a surpresa.

Parece que, enfim, o torneio feminino não vai começar nas quartas-de-final como estamos tão acostumados.


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Ah, mas que inveja desses espertalhões norte-americanos
às 22h42 - por José Nilton Dalcim

Os Estados Unidos têm cerca de 20 milhões de praticantes  de tênis com alguma assiduidade, o que é algo em torno de 7% de sua população. O universo pode ser considerado espetacular, mas não para eles, que possuem uma indústria tremendamente ativa e que precisa desovar seus produtos, renovar estoques, movimentar a máquina.

Então eles sabem da importância de seu maior campeonato para atrair a atenção. E fazem tudo com extrema sagacidade. A ampliação da cobertura do US Open é um exemplo incrível dessa visão moderna e agressiva. Atendendo aos contratos assinados em maio do ano passado, o Slam será mostrado por dois canais a cabo do tamanho da ESPN e do Tennis Channel, sem prejuízo da transmissão aberta da CBS. Vai ser um mar de tênis na tevê, que é de longe o veículo que mais impulsiona qualquer esporte em todo o mundo.

Para quem não sabe, o US Open é o mais popular evento esportivo do planeta, dentre as promoções realizadas anualmente e com um local fixo. No ano passado, chegou ao recorde de 720 mil espectadores nas arquibancadas. Isso mostra a grande repercussão dos 14 dias de Flushing Meadows, que é um cenário feito para outros recordes, como o de maior premiação do tênis e do maior estádio do esporte.

Com o novo acordo televiso, os jogos serão mostrados num total de 100 horas ao vivo pelo sistema HD da ESPN2, outras 72 horas pelo Tennis Channel e mais 40 da CBS, sem falar nos highlights noturnos e nos noticiários. O TC promete 70 horas extras com o programa "Breakfast at the Open" e quer chegar a um total de 240 horas de cobertura, incluindo especiais e boletins.

Para aquecer o evento, a ESPN Classic mostrará 12 horas seguidas de momentos históricos, culminando com o antológico jogo entre Jimmy Connors e Aaron Krickstein nas quartas de 1991, no dia em que Connors completava 39 anos e realizou uma das maiores viradas que eu já vi. Os canais a cabo, aliás, prometem uma cobertura dinânica, saltando para as quadras onde esteja acontecendo um lance decisivo. Contrataram um time de comentaristas de deixar o queixo caído: John McEnroe, Darren Cahill, Brad Gilbert, Bud Collins, Martina Navratilova, Connors, Pam Shriver, Mary Joe Fernandez.

Entre as inovações, o TC irá construir um "estúdio virtual" na sede da Califórnia, onde terá até uma quadra para demonstração tática e um painel com dezenas de vídeos para disparar gráficos. Todos prometem mostrar as partidas da rodada noturna até o último ponto, qualquer que seja o horário.

Dá para se ter então uma dimensão do tamanho da exposição que o tênis, como um todo, vai ter nas duas semanas. Claro que seria muito importante para eles que os tenistas da casa fossem o mais longe possível, mas os americanos sabem que não dá para sentar e esperar a sorte. Então, a DirecTV já armou uma grande exibição para amanhã, no Bryan Park de Manhattan, onde acontecerá uma clínica aberta. Os professores serão as irmãs Williams, os irmãos Bryan, James Blake e Anna Kournikova.

E não é então para sentir inveja de tamanha competência?


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Tarefa dura para os brasileiros no quali de Nova York
às 20h58 - por José Nilton Dalcim

Meu otimismo quanto à chance de o tênis brasileiro colocar mais um ou até dois nomes na chave principal de simples do US Open diminuiu consideravelmente ao ver o sorteio da chave, realizado agora há pouco em Nova York. Vale lembrar que são necessárias três vitórias entre terça e sexta-feira para chegar lá.

Até mesmo Thomaz Bellucci poderá encarar dificuldades, ele que confirmou a condição de cabeça 1. Depois da estreia contra o anônimo Giancarlo Petrazzuolo, ele deve pegar o búlgaro Grigor Dimitrov, o garotão de 18 anos que é 266 do mundo mas tem um estilo perfeito para o piso sintético, como todo mundo pode recordar daquele incrível jogo diante de Rafael Nadal em Roterdã. E a última rodada indica a presença do experiente Dominik Hrbaty ou do local Scoville Jenkins. Nada fácil para o paulista, que não vence uma partida sobre quadras duras desde o quali de Miami, no final de março.

A segunda melhor oportunidade parece estar com o experiente Ricardo Mello, um tenista que gosta desse tipo de quadra e vem da conquista de Brasília. Com oito chaves principais de Grand Slam disputadas na carreira, duas delas no US Open, o campineiro tem um russo desconhecido, depois os franceses Adrian Mannarino, cabeça 4, e Sebastien de Chaunac, cabeça 23. Dá para torcer.

Tarefas praticamente impossíveis estarão com Danielzinho Silva, Júlio Silva, Caio Zampieri e Eric Gomes. E até mesmo Ricardo Hocevar e João Feijão Souza vão ter de lutar muito. Hocevar pode chegar ao menos à terceira rodada, tendo então Arnaud Clement como mais provável adversário, enquanto Feijão pega de cara o suíço Marco Chiudinelli.

Aos que olharem atentamente a chave do quali, vão encontrar alguns nomes curiosos, como o já citado Clement, finalista do Aberto da Austrália. Também estarão lá o argentino Guillermo Cañas (sequer como cabeça), Michael Russell (aquele de 2001), o campeão de Roland Garros Gaston Gaudio e o outrora candidato a top 10 Xavier Malisse.

Nem seria necessário dizer, mas nenhum brasileira aparece na chave do quali, fazendo com que encerremos mais uma temporada sem ver uma jogadora nacional numa chave principal de Grand Slam. A última, acreditem, foi Andrea Vieira no mesmo US Open de 1993. Triste.


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Quem é mesmo o favorito ao US Open, Big Mac?
às 15h12 - por José Nilton Dalcim

Os números 2 e 4 do mundo lutaram, mudaram de tática, fizeram de tudo, mas não ganharam sets de Roger Federer nas duas rodadas decisivas de Cincinnati. Lembrando que o piso de lá é idêntico ao de Nova York, onde ninguém foi melhor que o suíço nos últimos cinco anos e 35 jogos, só me resta perguntar a John McEnroe: quem é mesmo o favorito ao US Open?

Federer fez dois primeiros sets espetaculares, um no sábado contra o embalado Andy Murray, e outro no domingo contra o revigorado Novak Djokovic. Depois, o jogo ficou mais enrolado, ele cometeu mais erros, o adversário andou mais agressivo. Na hora do aperto no placar, no entanto, em que vale demais a experiência e a confiança, deu Roger.

Se transferirmos essa contabilidade para os cinco sets máximos de um Grand Slam, me parece que a diferença se acentua em favor do suíço, seja pelo retrospecto, pelo físico ou pela maior facilidade que tem em mudar o ritmo de um golpe ou a tática de um game. Tirando o versátil Murray, não há jogador no circuito com essa capacidade.

Maior ganhador de Grand Slam da história, Federer agora está a um passo da inevitável quebra de recorde de títulos Masters. Impossível imaginar uma coleção maior que esse conjunto, mas ele ainda está bem perto dos 64 troféus de Pete Sampras.

Em termos de ranking, duas observações importantes. Federer chegará ao US Open com 2.430 pontos sobre Murray e só mesmo um desastre inominável o tirará do número 1. Na verdade, ele só precisará de três vitórias para não se importar com o escocês. Já Djokovic não pode mais sonhar com o número 3 de Nadal, a menos que ele ganhe o torneio e o espanhol caia na estreia, duas coisas que parecem muito difíceis nesta altura do campeonato.


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Federer joga como autêntico nº 1, Djokovic volta a ser grande
às 19h55 - por José Nilton Dalcim

Quem achava que Roger Federer já estava satisfeito com seus feitos espetaculares na Europa, a resposta veio com superlativos na semifinal de Cincinnati deste sábado. Ele não apenas venceu Andy Murray com sobras, mas principalmente mostrou o tênis que se espera de um autêntico número 1 do mundo.

Confesso que já estava com saudades desse Federer que vi hoje. Um jogador ofensivo, procurando definir os pontos, subindo constantemente à rede, atacando o segundo saque adversário. Ou seja, o suíço impôs seu ritmo de jogo e esteve muito bem em quase todos os aspectos. Cometeu, é claro, um erro de estratégia aqui ou ali, falhou na escolha deste ou daquele golpe, mas nada que não seja absolutamente natural para um tenista de tantos recursos e criatividade.

Federer também colocou Murray no patamar correto. Ao invés de competir na regularidade e nas trocas de ritmo, em que o escocês é excepcional, fez aquilo que vimos na final de Madri contra Rafael Nadal: um volume de jogo sufocante, que não dá tempo para o adversário respirar. Os constantes ataques ao segundo serviço é uma das táticas mais antigas do tênis, cujo objetivo é enfraquecer na verdade o primeiro saque, tamanha a pressão que impõe.

Claro que o suíço ainda não ganhou Cincinnati e tem pela frente uma barreira de respeito, a julgar pelo que Novak Djokovic jogou esta noite contra Nadal. O que me parece de extrema importância foi a determinação que mostrou contra Murray, como a dizer a todo mundo que ele ainda não se cansou de vencer e fazer história.

A bem da verdade, diga-se que Djokovic também mostrou seu melhor nível de jogo neste sábado à noite de meses e meses, relembrando aquele sérvio que ameaçou severamente o duelo Federer-Nadal há 18 meses. Agressivo a partir do bom saque, ele ainda comete um pecado, a meu ver, que é a falta de coragem de ir um pouco mais à rede para definir os pontos, mas de qualquer forma mostrou garra, perna e vigor mental para derrotar o espanhol.

Se mantiver esse tênis, Djokovic é ameaça certa para Federer. E também vai entrar na briga pelo US Open.


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Federer x Murray vale o orgulho, Nadal começa a evoluir
às 17h34 - por José Nilton Dalcim

O duelo que não aconteceu em Montreal finalmente está marcado para este sábado à tarde em Cincinnati. O número 1 do mundo Roger Federer e o vice-líder Andy Murray, que estão longe de ser bons amigos, têm muitas coisas a acertar. Para ambos, a vitória e o eventual título valem muito.

Federer ainda tenta reaquecer a cabeça para o US Open, depois do longo descanso e os feitos na Europa, e tem uma excelente oportunidade de recuperar de vez a confiança. Porque é sabido o quanto o estilo de ritmos alternados do escocês o desagrada, a ponto de ele amargar o duro placar de 6 a 2, com quatro derrotas consecutivas, curiosamente todos os duelos disputados sobre piso sintético, que é o predileto de ambos.

A última vez que o suíço levou a melhor sobre Murray foi na decisão do US Open do ano passado. Duas derrotas aconteceriam logo depois, em Madri e em Xangai, mas outras duas vieram nesta temporada em que Federer já demonstrava reação, em Doha e Indian Wells.

Se para Federer o título em Cincinnati significará o 16º Masters e principalmente a abertura de uma distância bem confortável como número 1, para Murray é a chance de um raro feito no circuito atual, a garantia do cabeça 2 em Nova York e a oportunidade clara de chegar à liderança do ranking até mesmo no US Open.

Importante lembrar que a última vez que um tenista ganhou no Canadá e em Cincinnati seguidamente foi em 2003, com Andy Roddick, e desde então apenas Federer e Rafael Nadal conseguiram a façanha de ganhar Masters consecutivos.

Mas números me parecem agora supérfluos. O que estará em jogo neste sábado é o orgulho, um ingrediente espetacular para um jogo como este.

Nadal na luta pelo título - Quem viu o jogo desta noite entre Rafael Nadal e Tomas Berdych pode ter certeza: o espanhol está na luta real pelo título. Mais veloz, cometendo cada vez menos erros e com a conhecida capacidade mental, o espanhol teve um adversário duro e soube conduzir muito bem a partida, tanto no ataque como na defesa. E depois do péssimo jogo que vi entre Novak Djokovic e Gilles Simon, começo a achar que Nadal está com grande chance de ir à final e aí...

Aliás, estão na semifinal os quatro líderes do ranking e isso também é sintomático. Em termos de ranking, Nadal ainda pode recuperar o 2 se levar o título, mas ao mesmo tempo pode ter Djokovic muito mais colado caso o sérvio vença no sábado e principalmente ganhe no domingo. Eletrizante.


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Para McEnroe, título do US Open ficará para um Andy
às 00h04 - por José Nilton Dalcim

Você pode dizer tudo que quiser sobre John McEnroe, mas uma coisa é certa: o rapaz entende de tênis, e muito. Então, vale prestar a atenção sobre seu palpite para o próximo US Open: a aposta é que um Andy vai levantar o troféu, pode ser Murray ou pode ser Roddick.

Dono de sete títulos de Grand Slam, quatro deles no piso sintético de Nova York, Big Mac não colocaria suas fichas em Roger Federer por uma razão muito simples: "Acho que Roger alcançou seu máximo da temporada com o histórico título em Roland Garros e depois com a quebra do recorde de Pete Sampras em Wimbledon e a volta ao número 1. Ele viverá uma queda natural a partir daí", profetiza.

"Dependendo do sorteio da chave, pode dar Murray ou Roddick. Nunca vi Roddick jogar tão bem como agora e Murray está no seu piso e no seu torneio favoritos. Os dois devem estar incrivelmente sedentos por um grande título", avalia ele, que é comentarista da BBC para Wimbledon e acaba de assinar contrato para participar das transmissões da ESPN para o Slam norte-americano.

McEnroe explica por que acha que o sorteio pode ajudar muito Murray: "Ele tem tudo para ser o cabeça 2, então estará do outro lado da chave de Federer. Com (Rafael) Nadal de cabeça 3 e Roddick, de 5, poderá justamente coincidir de todos eles ficarem no lado de cima da chave, o que deixaria Murray com uma porta muito aberta. Acredito que a solução desse problema seja justamente o sorteio".

Capitão da Davis e também comentarista da rede a cabo, Patrick McEnroe concorda com quase tudo, exceto com o eventual campeão: "Não saberemos exatamente o quanto Nadal etá bem de físico até que ele passe as primeiras rodadas do Open e certamente Roddick vive excelente fase, mas ainda aposto em Federer. Acho que os dois títulos de Slam na Europa tiraram o peso de suas costas. Claro que ele pode estar menos concentrado agora, porém todos sabemos o quão perigoso ele é quando joga solto".

Os dois irmãos discordam também sobre como a vida de pai pode afetar o número 1. "Seu maior desafio agora são as gêmeas", dispara John. "Sou pai de duas meninas de nove meses, então lhes garanto que isso é um desafio e tanto, mas algo me diz que Roger não vai mudar tanto como as pessoas imaginam".

Apostas da sexta-feira - Dois jogos parecem fáceis de prever o resultado nas quartas-de-final desta sexta-feira em Cincinnati: Federer deverá manter seu tabu contra Hewitt e Murray vai atropelar Benneteau. Considero Djokovic favorito contra Simon, embora a previsão seja de uma partida longa, cheia de trocas de bola e poucos winners, o que então pode dificultar mais para o sérvio.

Duro mesmo é adivinhar como Nadal irá se comportar diante do agressivo Berdych. O nível do espanhol melhorou um pouco mais diante de Mathieu, mas que tem um estilo radicalmente oposto ao do tcheco, que saca pesado, bate reto e usa muito as paralelas. Alguém arrisca?


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Cincinnati promete, Toronto assusta
às 22h20 - por José Nilton Dalcim

Dois torneios de grande importância para o ranking e o próximo Grand Slam, mas com incrível diferença de rumo. Enquanto os homens de Cincinnati prometem colocar novamente nas semifinais o que há de melhor, as meninas assustam pela fragilidade em Toronto.

Rafael Nadal precisa aproveitar a chance de ganhar jogos, pegar ritmo e recuperar confiança. Fez uma partida dura, em que precisou de bolas certas na hora certa para tirar Andreas Seppi, e agora pode embalar contra Paul-Henri Mathieu e chegar às quartas em cima do irregular Tomas Berdych ou o kamikaze Chris Guccione.

É muito possível então que cruze com Novak Djokovic, que ainda está longe do seu melhor tênis, porém já mostrou um saque mais seguro e deve superar Jeremy Chardy. Vai ter mais trabalho contra Nikolay Davydenko, favorito diante de Simon, e me parece que falta justamente uma vitória convincente sobre um adversário top para que o sérvio reencontre o caminho.

Do outro lado da chave, Andy Murray sentiu o esforço da semana em Montreal, quase escorregou diante de Nicolas Almagro e precisa de muito cuidado agora contra o versátil Radek Stepanek, que provavelmente não vai se incomodar com a mudança de ritmo que habitualmente o escocês impõe. Quem passar, não vai ter trabalho contra Julien Benneteau ou Guillermo Garcia-Lopez.

Então tudo indica que enfim veremos o Murray x Roger Federer que escapou em Montreal por incrível incompetência do número 1. Ele pega um de seus maiores fregueses, David Ferrer, cujo estilo não incomoda o suíço em nada, e teria depois Lleyton Hewitt, a quem já cansou de vencer, ou o limitado Sam Querrey.

Enquanto isso, no Canadá, a número 1 do mundo Dinara Safina comete 17 duplas-faltas e perde uma partida de 14 quebras de saque em 28 games jogados, enquanto a ex-líder Maria Sharapova faz outras 17 duplas-faltas, mas vence. Jogo incrível, pelo lado negativo, viveu Vera Zvonareva, que ganhou um duelo em que fez 11 duplas-faltas em nove serviços e mostrou quebras em 10 dos 18 games!

De forma geral, os jogos femininos desta quarta-feira mostraram que as sacadoras perderam metade dos games de serviço. E estamos num piso rápido. Mas pelo menos o torneio tem duas atrações: Kim Clijsters, com sua volta cada vez mais triunfal, e Samantha Stosur, que mudou seu tênis da água para o vinho e se tornou uma jogadora que dá gosto de assistir.

Pelos meus cálculos, Clijsters já está hoje entre as 180 do ranking e, se vencer Jelena Jankovic, vai para baixo do 150. Com sorte no US Open para ficar numa chave promissora, voltará ao ranking entre as top 100.


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Em nome dos jogadores, Roddick protesta contra troca de bolas
às 20h26 - por José Nilton Dalcim

O norte-americano Andy Roddick, dizendo falar em nome da maioria dos principais jogadores, deu uma interessante entrevista na semana passada, em Montreal, que passou um tanto desapercebida em meio a um torneio tão agitado. O número 5 do mundo, que conhece como poucos os torneios disputados na temporada de verão da América do Norte, reclamou enfaticamente da troca de marca de bolas durante o chamado "US Open Series".

"É um tanto complicado para os tenistas essa troca de bolas entre um torneio e outro, parece uma medida fora do bom senso", dispara Roddick. Ele cita como exemplo a disputa de Washington com a marca Wilson, depois a realização dos dois Masters com a Penn e então a volta para a Wilson no US Open. Qualquer tenista amador sabe a diferença básica entre os dois tipos de bola, uma mais rápida e leve, outra mais lenta e com quique mais baixo.

"Talvez isso não signifique muito para tenistas amadores, mas para os profissionais a mudança é grande", explica o número 5 do mundo. "Infelizmente, ao formar o US Open Series, eles não levaram isso em consideração". Como se sabe, o Series é uma sequência de campeonatos disputados sobre o mesmo piso deco-turf II de  Flushing Meadows, cujo objetivo maior é justamente dar um perfeito preparativo para o mais rico dos Grand Slam do tênis.

Quando um repórter perguntou o que os tenistas farão para que isso mude, Roddick foi irônico: "O que você sugere? Não jogarmos?", indagou. O jornalista sugeriu que os jogadores façam uma petição e então, com a língua afiada de costume, ele retrucou: "Podemos falar o que quisermos... Mas quem sabe possamos usar a imprensa para nos aproximar dos promotores", espetou.

Mistas em Londres? - O Comitê Olimpico Internacional aceitou considerar a hipótese de incluir as duplas mistas nos Jogos Olímpicos de Londres, mas logo de cara já fez uma exigência, certamente muito difícil de cumprir: o torneio terá de contar com os maiores nomes do ranking de simples. Então, esquece. A maioria das estrelas já fez um esforço danado para jogar simples e duplas em Pequim, e seria praticamente impossível pedir que jogassem também as mistas, lembrando que o torneio olímpico se desenrola no máximo em nove dias.

Sharapova no Brasil? - O jornal "El Economista", de Santiago, afirmou na edição de segunda-feira que a musa Maria Sharapova fará uma partida na capital chilena contra a argentina Gisela Dulko no dia 2 de dezembro e, em seguida, jogará no Brasil, numa série de três exibições previstas para a América do Sul. Vamos torcer para ser verdade.


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Algumas coisas que talvez você não saiba sobre Andy Murray
às 18h13 - por José Nilton Dalcim

Os holofotes estão no momento sobre ele. Andy Murray, novo número 2 do mundo, o homem com maior número de vitórias e títulos na temporada, continua a ascensão ininterrupta na curta carreira. O taurino de 22 anos, que treina a maior parte do tempo em Barcelona, tem apenas quatro temporadas completadas como profissional mas já coleciona 13 títulos, quatro deles do nível Masters.

Vamos então ver alguns detalhes curiosos sobre a história, o tenista e o homem que, sem dúvida, é hoje o maior candidato a suceder Roger Federer e Rafael Nadal na ponta do ranking.

Sobrevivente - Aos 8 anos, ele escapou do chamado 'Massacre de Dunblane', quando um desequilibrado entrou em sua escola e matou 16 crianças e um professor. Murray escapou ao se esconder numa sala. Na autobigorafia "Hitting Back", ele conta que o assassino era um conhecido da sua família, que pegava carona com sua mãe.

Escocês e britânico - Murray não gosta quando o chamam de anti-inglês e explica que houve uma confusão criada por um jornal à época da Copa do Mundo de 2006, quando uma reportagem afirmou que ele havia comprado uma camiseta do Paraguai para torcer contra a Inglaterra.

Milionário - Ele já soma US$ 8,5 milhões em prêmios oficiais, comprou um apartamento de cobertura com um jardim no telhado (um sonho de infância) e quer agora uma casa em Miami. Mas jura que dinheiro é o que menos importa: "A última coisa que eu penso quando estou numa quadra de tênis é dinheiro. Quero ganhar torneios e não me preocupo com o prêmio".

Comidas e bebidas - Pizza, cookies e sorvete de creme são as delícias (nada esportivas, aliás) que enlouquecem Murray. Ele também é fanático por um frappuccino de chocolate da Starbucks e diz não suportar bebida alcoólica: "Por duas vezes, eu me embriaguei em Barcelona e prometi nunca mais fazer isso. Hoje, eu odeio o gosto do álcool, não gosto nem de champanhe. Jamais experimentei uísque". QUe heresia para um escocês!

Hobbies - Fora das quadras, ele gosta de correr de kart, lutar boxe e jogar futebol; ouvir aos rappers Eminen e 50 Cent; assistir a jogos de futebol e seriados como a comédia "The Office". Seu filme favorito, não por acaso, é "Coração Valente", mas ele adorou "Fahrenheit 11-9".

Bom-humor, mau humor - "Ao contrário do que todo mundo pensa, tenho um grande senso de humor", garante. Mas não perde a chance de fazer críticas: "Os tenistas britânicos são preguiçosos. Você vai no multimilionário centro nacional de treinamento de Roehampton e as quadras estão sempre vazias. A Liga Britânica deveria parar de jogar dinheiro fora contratando treinadores estrangeiros, temos gente boa o suficiente por lá".

Favoritos - Nascido na terra do tênis sobre grama e crescido sobre o saibro espanhol, Murray gosta mesmo é da quadra sintética e assim o US Open se tornou o torneio predileto. E seu jogador favorito? Acreditem, Fabrice Santoro.


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