José Nilton Dalcim
Paulista de 49 anos, é jornalista especializado em esporte há 30 anos. Acompanha o circuito desde 1980. É diretor editorial de Tenisbrasil.

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Oriente promete dar novas mecas para o tênis

A força do dinheiro está levando o tênis cada vez mais para o leste do planeta. Somente nesta semana, duas curiosas notícias mostram que o esporte, que fincou raízes nos EUA no início da Era Profissional e agora se notabiliza na Europa, pode explodir nos próximos anos no Oriente Médio ou principalmente no Extremo Oriente, o mercado que mais atrai hoje ATP, WTA e Federação Internacional.

Depois de realizar dois torneios milionários na semana passada no mesmo local onde organizou a espetacular Olimpíadas de 2008, Pequim já sonha em promover o "quinto Grand Slam". A premiação distribuída neste ano já foi de deixar qualquer organizador ocidental de queixo caído: US$ 6,6 milhões para chaves de apenas 32 participantes no masculino e 64 no feminino. Mais ainda: o governo já iniciou as obras de um novo estádio principal para 13 mil pessoas, com teto retrátil, que estaria entre os mais modernos do mundo.

Apesar do beleza do estádio feito para os Jogos Olímpicos, os dirigentes acharam que a quadra central não é apropridada para o China Open. "As instalações atuais não são adequadas para um evento comercial", afirma o empresário Zhang Yabin. "O novo centro poderá rivalizar com os melhores do mundo", orgulha-se ele, afirmando que 250 mil pessoas teriam visto o evento de nove dias deste ano, algo que contrasta com as arquibancadas vazias que se via na TV (aliás, se repete em Xangai). Zhang garante ainda que o custo da obra será pago 70% pelos patrocinadores.

Enquanto isso, lá nos Emirados Árabes, a força dos petrodólares vai atingir em cheio as quadras. O governo local acaba de anunciar que adotou o tênis como o principal esporte a ser desenvolvido nos próximos anos e para isso lançou um verdadeiro plano nacional de desenvolvimento. O projeto começa pelo incentivo à prática, registro de todos os tenistas e técnicos, expansão e centralização do calendário em nível juvenil e profissional nos sete emirados que compõem o país. O audacioso esquema prevê resultados a médio e longo prazos nos Jogos Olímpicos e na Copa Davis, onde os EAU estão no fundo do poço, ou seja na quarta divisão. Existem mecanismos de incentivo previstos até para duplistas.

Dinheiro é o que não faltará a eles, que organizam o prestigiado ATP de Dubai e fazem uma milionária exibiçãoi de fim de ano com vários dos melhores do mundo sob contrato. "Queremos ter mil tenistas disputando torneios nacionais ao final do primeiro ano, em que prevemos um calendário de 40 torneios", diz o diretor técnico do Tennis Emirates, Slah Bramly. "Sabemos que há um longo caminho a percorrer. O objetivo agora é apenas fomentar o tênis para o futuro". Todo o planejamento ficou a cargo de uma empresa especializada, a multinacional MediaPro. Não é ótimo ser rico?

por José Nilton Dalcim às 20h26
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Nadal reclama, reclama... e joga exibição no Ano Novo

Que o calendário do circuito masculino é pesado e desgastante, ninguém duvida. Que a exigência do tênis moderno tem levado a desgaste físico maior e contusões mais frequentes, está evidente. Mas ainda assim não dá para se conformar com o entediante discurso do espanhol Rafael Nadal. Principal vítima de seu próprio corpo na temporada 2009, ele chegou a Xangai novamente criticando o calendário... e no dia seguinte, vem a notícia: vai jogar um milionário torneio de exibição que começa, vejam só, no dia 31 de dezembro.

Então não é sério, não é mesmo? Não dá para fazer um discurso inflamado diante das câmeras e a cada vez que as coisas se saem ruins para seu lado, e depois agir completamente ao contrário. Nadal reclama do calendário e joga duplas; lamenta o circuito de saibro europeu, e disputa eventos que não são Masters; pede maiores férias, porque vai estar na final da Copa Davis nos primeiros dias de dezembro, mas enche o bolso nos Emirados Árabes e não se importa de passar o Ano Novo na quadra. Aliás, fez exatamente o mesmo no começo deste ano. Não me consta que o tênis seja popular nos EAU, muito menos que se trate de uma ação filantrópica. É caça-níquel mesmo.

Roger Federer também vai estar em Abu Dhabi, é verdade, mas o suíço não vive se queixando da vida. Ao contrário, avisou que iria mesmo reduzir seu calendário e tem se limitado praticamente aos 12 ou 13 maiores torneios, ignorando até mesmo a tão sonhada Copa Davis. Pode-se não concordar com sua escolha, mas é o caminho que encontrou para a maior longevidade possível. E Federer tem muito menos problemas físicos do que Nadal.

Outro que resolveu adotar a choradeira foi Andy Roddick. Antes mesmo do abandono em Xangai, deu coletiva para afirmar que os tenistas precisam de mais férias e uma pré-temporada decente. Não deixa de ter razão. A WTA, por exemplo, conseguiu enxugar o calendário de 2009 e está encerrando as atividades no dia 1 de novembro, duas semanas antes do Masters dos homens, que ainda têm a final da Davis (para um punhado de jogadores) em dezembro.

No entanto, não são Federer, Nadal e Novak Djokovic os novos representantes dos tenistas no conselho da ATP? Não cabe exatamente a eles bater na mesa e exigir mudanças? A ATP não é inflexível. Já retrocedeu em 2009. Diminuiu os Masters obrigatórios de nove para oito (saiu Monte Carlo) e fez concessões para os tenistas que somam mais de 600 partidas ou 12 temporadas na carreira ou estão acima dos 31 anos.

Então, senhores, parem de contar dólares, fazer discursos incoerentes e lamuriosos. Sentem-se para discutir o problema como gente grande. Ainda é tempo.

por José Nilton Dalcim às 18h13
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Depois de quatro anos, Brasil volta a ter um top 50. Mas o que isso significa?

Thomaz Bellucci, ainda aos 21 anos, passa oficialmente a pertencer à lista dos pequenos heróis do esporte brasileiro. Para o tênis, ele é ainda mais exclusivo. Ao se garantir no top 50 no ranking da próxima segunda-feira, será apenas o 13° jogador nacional a entrar nessa elite desde que os rankings foram criados, em 1973 para os homens e 1975 para as  mulheres.

Não tínhamos um tenista tão bem classificado há mais de quatro anos. Naquele 2005, logo em janeiro, Gustavo Kuerten deixou a lista dos 50 primeiros no dia 31 de janeiro para nunca mais voltar, vitimado pela contusão no quadril. Mesmo já em fase de altos e baixos, Ricardo Mello chegaria lá no dia 25 de julho do mesmo ano, mas ficou apenas uma semana no posto, até que perdeu definitivamente lugar no top 100 em outubro e assim permanece até hoje.

Ou seja, muito pouca coisa aconteceu para o tênis brasileiro nesse doloroso vácuo, em que festejamos qualquer ascensão abaixo do 100° lugar e tivemos de nos contentar com as boas campanhas de duplas dos mineiros.

Para Bellucci, há muito que se comemorar no primeiro momento. Importantíssimo lembrar sua fulminante trajetória no circuito. Há exatos dois anos, jogava futures e estava ali pelo número 250. Não deixou de avançar desde então. Em janeiro de 2008, entrou para a faixa dos 200, em março já era 150 e dois meses depois chegou ao 100, aos primeiros Grand Slam, ao desafio de jogar contra os grandes.

Tudo muito rápido e diversas vezes pareceu que ele não teria estrutura para isso. Mas Thomaz continuou sua evolução, ainda que de forma mais lenta. Chegou à final do Brasil Open, baixou para 63° e aí viveu a parte mais dura da carreira de qualquer novato, que é a de defender pontos em torneios grandes. Muita gente achou que ele, a exemplo de tantos outros, não sairia do “abismo” que significou o 143° posto de julho.

Novamente, provou determinação e qualidade e, numa reação entre espetacular e surpreendente, ganhou o ATP de Gstaad contra adversários de peso e aí cumpriu o destino que todo mundo que realmente conhece um pouco deste esporte havia traçado para ele lá atrás: a de estar um dia no top 50. Melhor ainda, chegou lá num Masters 1000, num piso que não é seu forte.

Bellucci viverá agora o mais exigente dos desafios. Como profetizou com absoluta precisão um dia Bjorn Borg, subir no ranking é fácil, difícil é permanecer lá. Continuo achando que Thomaz não é um tenista brasileiro comum e arrisco dizer que, com o empenho que já cansou de mostrar que é seu forte, a escalada prosseguirá.

Previsão – Retirados os pontos que os tenistas defendem nesta semana, a projeção inicial é que Bellucci apareça num magnífico 44° posto no próximo ranking. Ele só pode ser ultrapassado por Guillermo Garcia-Lopez e Feliciano Lopez, o que lhe dá portanto, no mínimo, o 46° posto.

De qualquer forma, esta será a 10ª melhor campanha de um brasileiro no ranking em todos os tempos. Clique aqui e veja a lista (exclusiva de Tenisbrasil, aliás) dos brasileiros mais bem posicionados na Era Profissional.

por José Nilton Dalcim às 11h10
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Já que o negócio é pensar em 2016, vamos ficar de olho na República Dominicana

Sete anos são um período curto para se sonhar com massificação ou trabalho de base, porém é um tempo mais do que suficiente para se investir nos principais talentos de hoje e lhes dar oportunidade de chegar ao circuito profissional em ótimas condições de brilhar. Então, nada mais coerente do que prestarmos muita atenção no que vai acontecer semana que vem na República Dominicana, quando quatro brasileiros entre 12 e 14 anos estarão disputando um torneio que reúne 26 países, muitos deles fortíssimos na prospecção de atletas, sob o patrocínio da gigante Nike.

Pode até ser um exagero a alcunha de "maior torneio do mundo" para essa faixa etária, como quer seus organizadores, mas não resta dúvida de que o sistema de classificação promete ser refinado, já que todos esses países realizam uma seletiva interna, teoricamente com seus principais nomes, e assim levam à etapa mundial o que de melhor existe. Estamos então falando em garotos da Argentina, Espanha, Estados Unidos, França, Rússia, Alemanha, Sérvia, Itália, Suécia e República Tcheca, ou seja, potências que levam extremamente a sério o trabalho de base, possuem uma escola de fato e estão sempre na vanguarda dos rankings juvenil e profissional.

A apresentação feita pelos promotores lembra que Rafael Nadal, Juan Martin del Potro, Robin Soderling, Tomas Berdych, Tamira Paszek, Lucie Safarova e Shahar Peer estiveram nos mundiais anteriores, que começaram a acontecer em 1997. Diante disso tudo, parece que realmente a qualidade técnica do evento pode indicar em que estágio estão Bia Maia e Silas Cerqueira, que venceram a classificatória nacional dos 14 anos, e Letícia Vidal e André Ponce, nos 12. Eu até ficaria mais atento às meninas, já que tanto Bia como Letícia mostram um grande potencial e deveriam ter um maciço apoio (falei apoio, não cobrança) nesta perigosa e longa entre-safra que atravessamos.

Os jogos terão largada na terça-feira, dia 13, e quem quiser acompanhar diariamente a competição pode acessar o site oficial do evento no endereço www.nikejuniortour.com. Ficaremos na torcida.

Bellucci - E por falar em torcida, Thomaz Bellucci tem tudo para entrar no Masters 1000 de Xangai. Na condição de cabeça 1, encara dois jogos teoricamente fáceis. Aliás, bom observar que tanto Viktor Troicki quanto Mikhail Youzhny, que tiraram o brasileiro de Bangcoc e Tóquio, foram bem longe na chave. O ranking provisório da semana coloca Bellucci no 51º lugar até a rodada de quinta-feira, restando ainda três adversários que teoricamente podem ultrapassá-lo até o domingo.

Confirmações - A exibição da musa Maria Sharapova em São Paulo deve ser mesmo na Sociedade Harmonia, no dia 29 de novembro, contra a argentina Gisela Dulko. A Reunion, que promove o evento, ainda não fez divulgação oficial. Já a Maricic renovou os patrocinadores e confirmou o future e o Aberto de São Paulo, ambos no Parque Villa-Lobos, para os primeiros dias de janeiro.

por José Nilton Dalcim às 12h27
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Serena volta ao topo e circuito feminino sorri, aliviado. Aliviado?

Não tenho a menor dúvida que Serena Williams é mais tenista, em todos os sentidos, do que Dinara Safina. E que, com isso, representa muito melhor aquilo que imaginamos como número 1 do mundo. Não me lembro de jamais ter visto a mais nova das Williams tremer numa final importante. Ao contrário, assistimos surras homéricas da norte-americana até mesmo fora da forma ideal. Gostem ou não, Serena tem personalidade e se impõe.

Mas é injusto dizer que Safina não mereceu seus seis meses de liderança. Não ganhou Grand Slam, é fato, no entanto o ranking premia corretamente a regularidade. Claro que é difícil explicar àqueles que não conhecem tão a fundo as sempre complicadas regras do ranking como alguém ganha três Grand Slam em 10 meses e não se torna a líder do circuito. Porém, a russa manteve consistência não apenas para chegar ao topo em abril como também para se manter lá - e sobe pesada pressão e críticas - até enfim ser destronada nesta semana.

Numa entrevista à agência Reuters, o presidente da Associação feminina, David Shoemaker, saiu pela tangente e garantiu, com alguma lógica, que o debate sobre as duas acabou contribuindo para o tênis. "Discutir quem merece ser a número 1 é fabuloso, ouvimos nesse período os mais variados argumentos, uns a favor da regularidade de Safina, outros do sucesso de Serena nos Slam. O tênis feminino foi o assunto".

Ironia do destino, Serena volta ao topo num momento de baixa, após o papelão que cometeu na semifinal do US Open. Aliás, o caso continua sob investigação do Comitê do Grand Slam e não está descartada ainda uma suspensão, o que tiraria a número 1, imaginem, do Aberto da Austrália, em que defende seu título. Seria um pesadelo para a WTA.

Também não pegou nada bem, exceto diante da imprensa norte-americana, as críticas que Serena fez ao ranking e, às vezes, até à própria Safina. É algo que se pensa, cochicha, mas não se diz numa coletiva, ainda que a russa tenha ganhado apenas três torneios (Roma e Madri de importantes) no seu reinado. Pesaram porém muito mais a imagem da derrota na final de Paris e a surra que levou de Venus na semi de Wimbledon nesse calvário que tem sido suas campanhas em Grand Slam.

Enfim, a líder do ranking feminino deixou de ser uma tenista de certa fragilidade emocional e com a carreira ainda em formação - vamos lembrar que Safina ainda tem 23 anos - e parou nas mãos de uma jogadora de maiores qualidades e muito mais controvérsias. O que terá sido melhor?

Com o baixo rendimento geral das mais diretas concorrentes, parece que o circuito terá de esperar mesmo a aproximação de Maria Sharapova e de Kim Clijsters do top 10, além da ainda misteriosa volta de Justine Henin, para ver o circo pegar fogo para valer.

por José Nilton Dalcim às 19h07
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CBT diz que centro de treinamento está bem perto, defende Emilio Sanchez e muda calendário

O tênis brasileiro não precisará esperar a construção do complexo para os Jogos Olímpicos do Rio, previsto para 2015, para ter o seu centro de treinamento. Isso é o que garante o presidente Jorge Lacerda, em bate-papo por telefone. O dirigente garante que o tão sonhado CT está muito perto e será na cidade de São Paulo ou o mais próximo possível dela: "Tudo o que precisamos é de um terreno. Temos várias propostas e acredito que iremos fechar uma delas nos próximos dias", festeja Lacerda, que acha imprescindível que o primeiro centro fique bem perto da sede da Confederação. "O CT do Rio já está garantido".

O presidente também garantiu que o espanhol Emilio Sanchez, contratado no início do ano para dar uma arrumada geral na casa, está trabalhando a todo vapor. "A primeira parte era dar uma consultoria geral, conversar com jogadores, treinadores, montar um estudo e propostas para mudanças. E é isso o que temos feito. Reorganizamos os departamentos internos da CBT, incluindo o fomento do departamento comercial; estamos agora reformando o calendário; mudamos a sede do Tietê para o Aeroporto e aumentamos a parceria com as federações. Tudo foi proposto pelo Emilio, mas como são coisas internas eu entendo que não aparecem tanto. Eu também quero o Sanchez na quadra, e isso só será possível quando tivermos enfim o CT funcionando". O espanhol volta ao Brasil agora em outubro.

Alterações no calendário e no formato de disputa do circuito juvenil é outra mudança fundamental, na visão do dirigente, a ser implantada na próxima temporada. "Vamos partir de vez para a regionalização, incentivando as federações a realizar competições para ganhar direito a entrar nos eventos maiores. Porque os torneios de nível GA e G1 não terão mais qualificatório, mas sim receberão os melhores de cada região. Depois, diminuiremos a quantidade de torneios GA e G!, na média apenas um por mês, e procuraremos realizar as chaves de quinta a domingo e de preferência nos feriados".

Para incentivar ainda mais a disputa dos eventos regionais, a CBT se compromete a dar 100% da taxa de inscrição à federação e ainda por cima oferecerá as bolas. "O calendário anual será fechado com dois Masters. O juvenil e também o profissional. Neste ano, já teremos o Masters profisional de 3 a 6 de dezembro, no Paradise de Mogi das  Cruzes, quem sabe com a presença de todos os oito melhores do país".

Por fim, Lacerda comemorou muito a vitória no Rio para os Jogos de 2016. "Haverá um grande incremento para todos os esportes, e obviamente o tênis se incluirá nisso. Só a construção do complexo do Rio, que será nosso segundo CT, já será espetacular, além de termos enfim um local próprio para a disputa de grandes eventos. Acho que só falta mesmo profissonalizar a gestão do esporte no Brasil", afirma ele, lembrando que atualmente 70% da verba que entra na entidade é pública e, com isso, está em constante fiscalização pelas estatais e pelo Tribunal de Contas.

por José Nilton Dalcim às 14h56
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Duas vitórias em Tóquio colocarão Bellucci no top 50

O objetivo estabelecido no início da temporada está agora a apenas dois jogos de distância. Se Thomaz Bellucci superar o russo Mikhail Youzhny na estreia do ATP 500 de Tóquio e em seguida se aproveitar do eventual cansaço do francês Gilles Simon, campeão neste domingo na Tailândia, ele estará entre os 50 melhores do mundo antes mesmo de encerrar seu calendário.

Fácil é claro que não é, mas a chance nunca pareceu tão grande. Com sua vitória isolada em Bangcoc, o canhoto paulista aparecerá no 56º lugar no ranking a ser divulgado nas próximas horas pela ATP, ou seja, uma ascensão de mais cinco postos, beneficiado principalmente pela perda de pontos de gente como Dmitry Tursunov, Janko Tipsarevic e Daniel Koellerer. Estará também à frente de Marat Safin.

Uma simples vitória sobre Youzhny, um tenista respeitável no piso sintético mas que vive uma temporada irregular e de pouco brilho, valerá a Bellucci 45 pontos no ranking graças à premiação de US$ 1,2 mihão que Tóquio oferece. Para se ter uma idea de quanto isso vale, basta ver que o uruguaio Pablo Cuevas, que estará agora duas posições à frente no ranking, terá de chegar à final do challenger de Montevidéu nesta semana para marcar 55.

Como parece confiante e em ótima forma - notem que perdeu em dois duros sets para Viktor Troicki, finalista na Tailândia -, o brasileiro pode muito bem dar trabalho a Simon, algo que não conseguiu no US Open. O francês, que se manterá no 10º lugar, ainda tem o desgaste do forte calor asiático, dos cinco jogos realizados e da viagem ao Japão. Oportunidade melhor, impossível.

Lá na ponta do ranking, os dois ATP 500 da semana não poderão causar grandes mudanças, mas ao menos esquentar uma eventual luta de posições no Masters de Xangai. Vale prestar atenção no argentino Juan Martin del Potro, que poderá ficar muito perto do quarto posto no caso de um título. A briga maior promete envolver Jo-Wilfried Tsonga, Nikolay Davydenko e Fernando Verdasco pelo sétimo posto.

por José Nilton Dalcim às 14h58
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Que Deus nos ajude

O Brasil enfim vai ter suas Olimpíadas. Já não cabem aqui discursos contra ou a favor, pois é fato consumado. O governo vai gastar a maciça parte do orçamento estimado em US$ 15 bilhões para organizar o evento em todas as suas fases e necessidades, e todo mundo sabe o que dá para fazer com essa montanha de dinheiro em termos de melhoria na estrutura social e/ou esportiva da nação.

Mas nem vamos mais nos perder nessa discussão porque agora o governo, que bancou pessoalmente a empreitada, vai ter de cumprir o que prometeu. Tem muita, muita gente que chegará a 2016 com o bolso recheado por obras superfaturadas, orçamentos mal explicados e verbas deviadas. Alguma novidade?

Melhor mesmo é olhar para a frente e saber se o governo terá outros US$ 10 bilhões para investir no esporte em si. Pior ainda que o dinheiro, temos pouco tempo para mudar a realidade da maioria das nossas modalidades. Com exceção ao futebol e ao vôlei, nos dois sexos, e a vela e talvez a ginástica, o quadro hoje nos mostra poucas possibilidades de brilhar em qualquer outra modalidade esportiva. Temos, é claro, heróis na natação, no judô, no atletismo. É pouco para a oitava economia do mundo. Nem se atreva a comparar com o poderio e avanço que o esporte chinês mostrou no ano  passado.

O tênis, infelizmente, se encaixa aí. Sem trabalho de base estruturado, não sabemos o que vai acontecer quando os Jogos do Rio começarem, porque é praticamente impossível se mudar a realidade de um esporte em tão curto espaço de tempo. Dependeremos do que já chamamos hoje de renovação. Então Bellucci estará com 27 anos, idade que equivale ao auge do atual tênis profissional, e Marcelo Melo, que começou a jogar duplas cedo, também poderá estar com excelente bagagem. Teremos no entanto de correr atrás de um representante para a chave feminina, setor hoje em que estamos bem perto do zero.

A realização de um grande evento esportivo só é útil a um país se a estrutura estiver preparada para absorver isso. O brasileiro tem, por natureza, um fascínio e um dom para o esporte e é só isso o que justifica nosso sucesso até hoje. O Pan do Rio foi um desastre nesse aspecto. Como se previa, torrou dinheiro a rodo e pouco deixou para o futuro. Teremos oito anos para evitar que isso se repita, mas o processo passa necessariamente pela conscientização do povo, a partir mesmo das urnas.

Como sou sempre um otimista, peço que Deus nos ajude.

por José Nilton Dalcim às 15h25
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A discrepância esportiva entre Brasil e Argentina

Breno Menezes, de Buenos Aires

GaudioA cultura esportiva entre Brasil e Argentina sempre foi motivo de inúmeras considerações. O futebol, claro, sempre ostentou o pilar das acaloradas discussões entre os países, com Pelé “brigando” com Maradona para confirmar que sempre foi o maior jogador de todos os tempos.

Entretanto, quando o assunto é tênis, os argentinos têm motivos de sobra para celebrar, especialmente com a conquista de Juan Martin Del Potro, em Nova York. Com apenas 20 anos de idade, o jogador de Tandil encerrou a hegemonia europeia em eventos do Grand Slam, e de Roger Federer, que batalhava pelo histórico hexacampeonato no complexo de Flushing Meadows.

Após a euforia causada por “Delpo”, o povo argentino agora rende suas atenções a Gastón Gaudio. Campeão de Roland Garros em 2004, sobre o compatriota Guillermo Coria, “El Gato” é endeusado pela mídia de seu país. Jogando a etapa de Buenos Aires da Copa Petrobras, Gaudio reuniu em sua estreia todos os veículos possíveis, efeito pouco provável de se observar no Brasil. Jogando leve e solto, ele já está nas quartas. “Não tenho planos, mas está gostoso demais jogar aqui!”, disse.

Às vésperas de começar o duelo, a torcida se degladiava sobre o poder do tenista nascido em Buenos Aires. “Ele sempre será lembrado, não é um jogador clássico, mas que sempre pede a atenção”, disse Frederico René. Mesmo opinião compartilhada por Pedro Lopes: “Gaudio faz a diferença, é um atleta que se destaca, mesmo sendo um pouco descompromissado”.

O público se amontoou para enxergar o grande ídolo derrotar o amigo Mariano Zabaleta, disparando seus belos golpes de backhand e na quinta-feira não foi diferente. E, claro, sempre resmungando muito a cada game disputado, característica marcante do experiente tenista de 30 anos. Ele resolveu retornar ao circuito depois de tirar férias, aproveitar a vida – jogar futebol. Sentiu falta do agitado mundo do tênis e conta com apoio dos compatriotas para retornar ao auge.

Muito para um ex-número 5 do mundo? Esse é ponto. No Brasil, Guga Kuerten tem o reconhecimento de poucos, mesmo com seus três títulos em Paris e da indelével marca de número 1. Com muito menos no currículo, Gaudio é tratado com extremo carinho em uma nação bastante tradicional no esporte. O diário La Nación, ainda no domingo, frisou a participação do jogador, enaltecendo que o veterano ainda tem muito a oferecer. Da entrada à saída do Vilas Club, com torcedores gritando o nome de Gaudio. As bilheterias, numa quinta-feira, lotadas... Fica a pergunta: Só temos o Guga?

por José Nilton Dalcim às 20h57
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