José Nilton Dalcim
Paulista de 49 anos, é jornalista especializado em esporte há 30 anos. Acompanha o circuito desde 1980. É diretor editorial de Tenisbrasil.

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O Masters, Agassi, ATP e as academias. Tudo em baixa.

O Masters de Doha tinha tudo para fechar com brilhantismo uma tumultuada temporada para o circuito feminino, marcada por alguns jogos e torneios sofríveis, declarações infelizes, atitudes vexatórias e certa desconfiança sobre a qualidade técnica e competência física das meninas. Mas está perdendo essa chance. Logo de cara, a russa Dinara Safina teve a infelicidade de se contundir e com isso sequer houve chance de brigar pelo número 1 com Serena Williams. Depois, vários jogos têm se arrastado por dolorosos três sets, em que vale muito a raça, mas sobram dores e espetáculo fraco.

O pior de tudo é ver as arquibancadas de Doha mais uma vez vazias. Será que ATP, WTA e ITF vão continuar essa lamentável peregrinação pela Ásia e Oriente Médio, faturando horrores mas colocando o esporte num plano secundário? Temos visto seguidamente a falta de público em torneios com dezenas de estrelas. O Masters masculino de Xangai foi uma vergonha. Uma coisa é levar o tênis a novos continentes e horizontes, procurando sua popularização. Outra é submeter a elite do esporte a uma situação desconcertante. E pensar que o Masters feminino de Nova York, nos tempos de Navratilova e Graf, deixava o masculino no chinelo em pleno Madison Square Garden.

A outra nota negativa da semana é o caso Agassi, que continua dando o que falar. Gostei muito da atitude da Agência Antidopagem (Wada), que cobrou publicamente uma explicação da ATP sobre a declaração de Agassi que seu doping positivo foi empurrado para baixo do tapete. A Agência, é claro, disse que não existe punição retroativa nesse caso, ainda mais porque o norte-americano está aposentado há três anos, mas espera o mínimo de decência por parte da entidade que rege o tênis masculino. E Navratilova não colocou panos quentes e se confessou "chocada" menos com o doping, mais com a mentira.

Ao mesmo tempo, a publicação conta-gotas do livro autobiográfico de Agassi, que o jornal The Independent vem fazendo, no mais tradicional estilo folhetim do século 19, me preocupa. Talvez na busca do sensacionalismo e do marketing, está colocando em risco a imagem tão bem construída - muitas vezes de forma artificial, como o modelo Nike de cabelos rebeldes e roupas multicoloridas - pelo americano ao longo de sua vasta carreira. Além do doping e da mentira, agora sai a declaração que ele odeia o tênis. O que virá em seguida?

Por fim, uma rápida passagem pelo Harmonia, que recebe a Copa Petrobras nesta semana com uma bela festa e muito público, trouxe duas notícias tristes para o tênis paulistano: o fechamento até o final do ano de mais duas tradicionais academias, a Wilton Tênis de tantas glórias, no Morumbi, e a do dedicado Mauro Menezes, no Alto de Pinheiros. Mais uma vitória da especulação imobiliária. Porém tanto WIlton 'Batata' Carvalho como Maurão, dois lutadores, prometem apenas mudar de endereço. Tomara.

por José Nilton Dalcim às 00h00
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Agassi cutuca o calcanhar de Aquiles da Federação Internacional

Sinceramente, a revelação do norte-americano Andre Agassi em sua biografia que sequer foi lançada, mas já causa tanto furor, não me surpreende em nada. Para quem não leu, ele contou ter usado uma droga pesada ao longo de 1997, quando deu um tempo do circuito, tão pesada que é passível de severa punição a seus portadores nos EUA. Pior ainda: mentiu para fugir à eventual punição esportiva.

O assunto doping é sempre polêmico. Até porque os próprios regulamentos não conseguiram ainda diferenciar a contento o que é usado para se beneficiar no exercício da profissão, ou seja, que teoricamente lhe dá vantagem sobre o adversário, ou o que é a utilização de caráter estritamente pessoal, ou seja, que é de seu arbítrio e não interfere na competião esportiva em si.

Não faz muito tempo, acusar alguém de doping era o mesmo que chamá-lo de viciado em drogas. Foi duro mudar esse conceito. O doping é uma violação básica das condições naturais que deve reger o esporte e precisa ser severamente punido e vigiado. O uso das drogas sociais é controverso. Ninguém cheira cocaína ou toma metanfetamina para entrar em quadra, algo incompatível com o tênis profissional de hoje.

E o tenista, uma pessoa afinal pública do porte de um Agassi, pode fazer o que quiser de sua vida particular? Ou precisa atender um item obscuro do Código de Conduta que fala que o tenista é responsável "pela integridade do esporte"?

Mas o detalhe que mais abala as estruturas é a afirmação óbvia - que também não me traz a menor novidade - de que o antidoping no tênis nunca foi confiável. A Federação Internacional soltou um comunicado hoje dizendo-se indignada com a revelação e já se defendendo, ao lembrar que apenas em 2004 assinou o acordo internacional com a Agência Antidopagem (Wada).

Conversa mole. O tênis voltou a ser olímpico em 1988 e tinha entre as exigências o combate às drogas. Nunca tratou o assunto com a devida rigidez, até que foi colocado na parede e aí sim teve de entrar nas normas internacionais. O recente caso de Richard Gasquet - que foi absolvido e terá de sofrer novo julgamento, agora independente - serve de exemplo de como se desconfia da seriedade da ITF.

por José Nilton Dalcim às 20h07
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Djokovic muda sua equipe para se tornar um tenista ainda melhor

Há dois anos, era fácil apostar que o sérvio Novak Djokovic seria a grande ameaça ao domínio de Roger Federer e Rafael Nadal nos Grand Slam e na ponta do ranking. Mas não foi isso o que aconteceu. Ao contrário, quem ocupou essa vaga de coadjuvante foi o britânico Andy Murray, que não apenas superou o próprio Djokovic como chegou à vice-liderança e impôs derrotas contundentes sobre Federer. Faltava alguma coisa para Nole dar um novo salto de qualidade e ele correu atrás disso em 2009.

O primeiro passo, talvez o decisivo, foi contratar em abril o austríaco Gebhard Phil-Gritsch, o ex-preparador físico de Thomas Muster, para trabalhar uma área em que o sérvio era deficiente. Basta lembrar os jogos importantes em que chegou até mesmo a abandonar a partida, como ocorreu em quatro Grand Slam. "Coloquei muita ênfase na parte física", conta Djokovic ao jornal britânico The Independent. "Tinha algum receio de trocar de profisisonal, porque é uma adaptação difícil de se obter, mas Gebhard foi introduzindo seu método aos poucos e nos demos bem. Primeiro, focamos o fortalecimento de pernas, depois a movimentação, que sempre foi um dos meus pontos fortes".

A segunda parte do plano foi técnica. Pouco antes do US Open, Djokovic contratou Todd Martin como treinador específico para quadras sintéticas e, ainda que Marian Vajda ainda permaneça seu técnico oficial, está claro que o norte-americano passou a ter enorme influência, não apenas técnica como na parte mental. Uma das metas de Martin foi tornar seu pupilo mais focado na partida, diminuir sua tendência de exprimir emoções, falar com o público e provocar polêmicas com a imprensa, como aconteceu no US Open do ano passado quando criticou Andy Roddick.
 
"Todd tem contribuído com conhecimento, sua experiência e principalmente com sua calma", diz Djokovic ao jornalista Paul Newman. "Ele é uma pessoa muito positiva e eu sou muito temperamental, mostro muito minhas emoções em quadra até mesmo num treino. Quando erro uma bola e jogo longe a raquete num mero bate-bola, ele me diz: 'a bola antes do erro foi boa, continue assim'. Ou seja ele sempre vê o lado positivo das coisas".

O outro ponto de influência evidente de Martin sobre o sérvio é o estilo de jogo, que ganhou mais slice e mais voleios. "Tenho agora maior variedade de golpe e aos poucos estou mais confiante. Até agora fui um bom jogador defensivo e de fundo de quadra, mas agora estou procurando evoluir no jogo de rede. Tem de ser algo gradual, como tudo na vida. Muito trabalho até se tornar natural".

Isso pudemos perceber bem desde o US Open e na temporada de pisos sintéticos da Ásia. Com melhor físico e um tênis mais rico, Nole se iguala principalmente a Murray, que tecnicamente ainda possui mais recursos, e volta a ser um dos grandes candidatos em qualquer Grand Slam e um, quem sabe, ao número 1.

por José Nilton Dalcim às 15h05
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Bellucci encerra temporada em São Paulo. Certo ou errado?

Jogar dentro de seu país é uma coisa importante para qualquer tenista, ainda mais para um jogador que está começando a ganhar projeção real. É a chance de crescer sua popularidade, mostrar seu tênis à imprensa e ao público, agradar seus patrocinadores - afinal, todos eles são empresas nacionais que pouco aparecem em eventos no exterior - e cumprir o contrato com seus agentes promocionais. Absolutamente compreensível. Mas é óbvio que, à primeira vista, a vinda de Thomaz Bellucci para São Paulo neste momento em que encontrou um padrão de jogo no piso sintético parece bastante imprópria.

Nem é uma questão de troca de piso. Mesmo tendo de encarar o saibro já na rodada noturna desta terça-feira, ele tem jogo de sobra para se adaptar. A menos que bata o cansaço, vai ganhar o título paulistano da Copa Petrobras com facilidade e isso será extremamente bom para o tênis nacional, porque deixará o esporte em evidência. De quebra, deverá somar os 90 pontos dedicados ao campeão e isso pode colocá-lo provisoriamente no 38º lugar do ranking na próxima semana, uma classificação excepcional.

O problema é que também será o fim de sua temporada, como aliás estava anteriormente previsto quando embarcou para a Ásia, há um mês. Ao retornar a São Paulo, abre completamente mão de disputar o Masters de Paris - onde teria de jogar o quali - e perde assim a sequência de bons jogos no piso duro. Pior ainda, coloca até mesmo o top 50 sob risco. Vejamos: descontados os pontos a defender nesta semana, ele aparece em 42º lugar, com 931 pontos, mas tem nada menos que nove adversários atrás de si jogando os ATPs de Lyon e Viena e São Petersburgo, que também poderão jogar semana que vem na Basileia e em Valência, além de certamente tentarem Paris.

Para o pessoal que cuida de sua carreira, não houve dúvidas: jogar São Paulo e encerrar a temporada agora é a atitude correta. Ele entrará em férias imediatamente após o torneio, com 15 dias completamente longe da raquete, em que vai aproveitar também para curtir o casamento da irmã. Depois, inicia a pré-temporada e faz o que se chama de "fisioterapia de prevenção", ou seja, toma-se uma série de cuidados para preservar seu físico, que está longe de ser o de um superatleta. Por fim, voltará a treinar em quadra no final de novembro e embarcará depois do Natal para a série de ATPs preparatórios para o Aberto da Austrália.

Embora possamos discordar deste ou aquele aspecto, ao menos fica claro que sua equipe está pensando a médio e longo prazos, tem um planejamento claramente determinado e um calendário de ações a cumprir, procurando principalmente dar a Bellucci algo que é essencial no tênis de hoje: o preparo físico correto e a prevenção de contusões.

por José Nilton Dalcim às 11h43
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Bellucci perde, mas surpreende e agrada pela ousadia

Faltou um game de serviço decente no 5/3 do primeiro set para que Thomaz Bellucci chegasse à sua terceira final de nível ATP da temporada, a primeira sobre piso sintético, e de quebra aparecesse no top 40 do ranking na lista de segunda-feira. Mas ele está perdoado, porque mostrou algumas qualidades importantes no resto da partida e enfrentou um adversário extremamente sólido no fundo de quadra.

Bellucci voltou a sacar muito bem, ainda que não tenha feito isso nos games de grande importância, como o tal 5/3 do primeiro set e o 3/4 do terceiro. Anotou mais 17 aces, um a menos que no jogo contra Joachim Johansson, e produziu o dobro de winners e quase o triplo de erros do baixinho Olivier Rochus, mostra de que realmente forçou os golpes. O que mais gostei, no entanto, foi sua ousadia de mudar completamente a tática a partir do 5/5 do primeiro set. Mesmo sem ter um voleio espetacular e cometer incríveis falhas no smash, ele decidiu ir para a cima e conseguiu encurralar o experiente Rochus.

Estava claro ali que o brasileiro dificilmente iria levar a melhor nas trocas. O belga é um paredão, com habilidade para trocar de direção e variar as jogadas como poucos. Aliás, lembremos que suas melhores campanhas foram na grama de Halle e Newport, ou seja o rapaz sabe mesmo atuar nos pisos velozes. Então Bellucci foi para a rede e saiu-se muito bem. Claro que cometeu erros - e os maiores foram justamente na quebra do segundo game do terceiro set -, no entanto isso faz parte.

Ao entrar no grupo dos top 50, é excelente perceber que Bellucci evoluiu rapidamente na quadra sintética, ganhou alternativas táticas, está mais veloz e mantém a cabeça no lugar, como vimos no final da partida, em que se recuperou de um 0/4 no terceiro set. O mais animador de Bellucci é que ele continua tendo muitos detalhes a aperfeiçoar. Sinal claro de que, aos 21 anos, ainda tem muita estrada pela frente rumo ao um ranking cada vez mais alto.

por José Nilton Dalcim às 12h10
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Vamos enfim ver (e torcer) por nova façanha de Bellucci

Finalmente, teremos a chance de ver Thomaz Bellucci atuando no piso rápido e coberto de Estocolmo. Em que pese a longa inatividade do sueco Joachim Johansson, o teste é bem duro para o brasileiro. Afinal, terá de encarar um dos mais pesados e eficientes saques do circuito, numa quadra em que ajuda muito os sacadores. De quebra, todo mundo sabe que devolução não é ainda o forte do brasileiro.

Então resta torcer. Indico já para vocês os sites que devem mostrar a partida, prevista para 10h30 de Brasília: atdhe.net, rojadirecta.com e o justin.tv. Todos eles permitem acesso livre, sem custo, mas ultimamente bloqueiam conexões para o Brasil após algum tempo. Se isso acontecer, tentem o channelsurfing.com ou o fromsport.com.

Conforme as previsões desta quinta-feira, se Bellucci for à semifinal poderá aparecer no 42º psoto na segunda-feira, dependendo ainda das campanhas de Guillermo Garcia-Lopez, Pablo Cuevas e Evgeny Korolev. Ou seja, na pior das hipóteses chegará a São Paulo como 45º. De forma otimista, poderá lutar por vaga no top 40 no saibro do Harmonia, o que seria excepcional.

Estocolmo também é momento importante para Bruno Soares e o parceiro zimbabuano Kevin Ullyett. Os dois passaram para as semifinais, mas ainda estão longe da oitava vaga para o Masters de Londres. Ocupam a 11ª posição e precisam dos 150 pontos do vice e mais ainda dos 250 do finalista para diminuir a distância. Pior ainda é saber que Simon Aspelin e Paul Hanley também estão na semi e que Frantisek Cermak e Michal Mertinak foram à semi de Moscou. Os dois já tem quatro títulos na temporada em cinco finais e estão em nono lugar do ranking de parcerias.

por José Nilton Dalcim às 19h20
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Sampras continua apostando suas fichas em Federer e Nadal

O tênis masculino continuará sendo uma batalha particular entre Roger Federer e Rafael Nadal, principalmente na briga pelos grandes títulos. A opinião é de peso. O norte-americano Pete Sampras chegou nesta terça-feira a Hong Kong, onde irá realizar uma aguardada exibição contra Andre Agassi, revivendo uma das maiores rivalidades que o circuito já viu em toda sua história. A partida acontece no domingo.

Claro que boa parte da entrevista de Sampras falou de hoje, e não do passado. E o americano não é daqueles que foge das respostas. Ele por exemplo afirmou que Federer ainda deve ganhar mais alguns títulos de Grand Slam, mas que seu maior problema será manter a motivação. E foi absolutamente sincero quando respondeu à pergunta sobre o que sentiu ao ver seu recorde quebrado em Wimbledon: "Todos nós sabíamos que isso iria acontecer, era inevitável. Então fiquei feliz por estar lá e presenciar isso".

Sampras também ainda acredita em Rafael Nadal. "Apesar de seus problemas de contusão, ele vai continuar ali no topo do ranking, pelo menos enquanto quiser", garantiu. "Ele é um animal, um grande atleta e um grande tenista. Vai ter de fazer algumas adaptações no seu jogo, mas você sempre verá Rafa nas rodadas decisivas dos grandes torneios".

Alguém aí discorda?

Bellucci salva a pátria - Mais uma semana muito ruim para o tênis brasileiro nos challengers da vida. Até mesmo Marcos Daniel e Thiago Alves já se foram em Florianópolis. Somada à queda de Julinho Silva em Santiago, é a certeza de que pouca coisa mudará no ranking. O pessoal mais abaixo também não consegue aproveitar o ótimo calendário continental. Franco Ferreiro, João Souza e Marcelo Demoliner estão deixando chances escapar.

Então, de novo, restou ao Brasil a vitória de Thomaz Bellucci. Passou pelo quali dinamarquês Frederik Nielsen, num jogo de altos e baixos, cheio de break-points, e agora pode bater Leonardo Mayer - argentino que cresceu muito em 2009 -, jogo que valerá ao paulista sua permanência definitiva no top 50. Vale a torcida.

por José Nilton Dalcim às 16h28
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Esse incrível Davydenko. E Nadal não deve ficar triste.

Não faz muito tempo e comentei aqui no Blog que o russo Nikolay Davydenko talvez seja o adversário mais inteligente quando encara Rafael Nadal. O russo sabe usar as armas que possui no ponto fraco do espanhol e, ainda que tenha perdido tantas vezes, sempre consegue abrir o buraco certo na hora certa.

Foi assim neste domingo em Xangai. Davydenko, vindo de três horas de batalha no sábado, ganhou a partida porque teve uma aplicação tática esmerada. As bolas anguladas, e não necessariamente tão velozes, no backhand de Nadal, insistentes, persistentes, foram tirando a confiança do número 2 do mundo.

E olha que o russo nem sempre teve a oportunidade de partir para a troca de direção na paralela, bola que geralmente bate muito reta, ou seja, outro golpe que incomoda Nadal. No meu ponto de vista, o espanhol parecia até mais desgastado no final da partida, algo que soa um tremendo absurdo para quem havia jogado dez games no dia anterior.

Enfim, Davydenko mais uma vez mostrou a competência que muitos não lhe dão como devido valor. É um daqueles ratos de quadra, que se vira bem em qualquer piso, sabe jogar no ataque ou no contra-ataque, tem uma postura sólida e uma fisionomia inabalável. Jamais será um jogador espetacular, porém um digno top 10.

Nadal, por sua vez, ainda carece da falta de confiança em pontos decisivos. A derrota praticamente encerra suas chances de ainda retomar o número 1 de Roger Federer, já que aparecerá amanhã a 1.710 pontos de distância. Como em Paris e Londres sua vantagem na defesa de pontos é de apenas 200, teria então de recuperar 1.510, o que exige ganhar Paris e ser finalista em Londres, além de contar com campanhas pífias do suíço.

No entanto, como devemos fazer em quase tudo na vida, é preciso olhar o outro lado. Do jeito que as coisas pareciam graves para seus joelhos, a temporada de quadras sintéticas - as que mais afetam seu corpo - pintava como um desastre iminente. Passados três Masters e o US Open, o saldo é de uma final, duas semis e uma quartas. Nada ruim.

por José Nilton Dalcim às 12h11
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O pior dos Masters 1000

Os torneios de final de temporada são geralmente menos concorridos e mais instáveis, principalmente pelo cansaço dos jogadores, mas também porque muitos deles estão correndo atrás dos pontos para o Masters e assim se sentem mais pressionados. No entanto, Xangai está batendo um triste recorde: é certamente o pior dos torneios de nível Masters dos últimos anos. E não se trata apenas da série de abandonos, mas também do nível fraco dos jogos e da ausência evidente de público.

A desistência de Roger Federer, por opção, e de Andy Murray, por problemas físicos, já seria o suficiente para diminuir a importância de Xangai. Mas ao menos os dois não precisam de resultados para ir a Londres e então as atenções se mantiveram acesas. Aos poucos, no entanto, outros grandes nomes sequer completaram seus jogos de estreia, como Juan Martin del Potro e Andy Roddick (sem falar em Tommy Haas). Stanislas Wawrinka, que se favoreceu do abandono de Roddick, entregou no dia seguinte a partida para Radek Stepanek. Situação idêntica ocorreu com Ivan Ljubicic, que foi favorecido pela contusão de Gael Monfils, mas hoje não completou um terceiro set que prometia ser interessante diante de Rafael Nadal.

E para piorar, no meio de coletivas em que mais se critica o calendário do que se fala de tênis competitivo, ainda se vê jogos de qualidade muito duvidosa e arquibancas vazias. Novak Djokovic e Gilles Simon fizeram um duelo horrível nas quartas-de-final de hoje, enquanto Nadal não apresenta nem metade de sua competência habitual, chegando a estar em perigosa situação diante de um tenista tão limitado quando o croata. Aliás, não se pode esperar muito mais da semifinal diante de Feliciano López, mas talvez Xangai seja salvo no domingo com a possível decisão entre Nadal e Djokovic.

Olhando pelo lado positivo, o circuito poderá sair da Ásia bem mais equilibrado. Nadal tem a chance de diminuir a distância para o número 1 e ficar a cerca de 1.500 pontos de Federer, enquanto o título deixaria Nole a 300 do espanhol. Nikolay Davydenko, que já tirou Jo-Wilfried Tsonga do sétimo posto, pode ameaçar agora Roddick se for mais longe. Por fim, Robin Soderling entra para o top 10 e, ufa, rebaixa Simon para o 12º posto.

Na esteira dos resultados, Thomaz Bellucci aparecerá no 45º posto na segunda-feira, com 903 pontos. Será a nona mais alta classificação de um tenista brasileiro no ranking da ATP, o que é um considerável feito. Melhor ainda, ele está 63 pontos à frente do número 50 e, como defende 62 pontos de Buenos Aires, na teoria ainda poderá permanecer no top 50 mesmo que caia na estreia de Estocolmo. Depois, terá ainda o challenger de São Paulo para concretizar a posição.

por José Nilton Dalcim às 15h16
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