Djokovic encontra o caminho e promete incomodar os líderes em 2010
Quem é o melhor tenista em atividade? Acho que ninguém mais duvida que é o sérvio Novak Djokovic. Enquanto seus adversários tropeçam na irregularidade e nos altos e baixos de seu preparo físico, Nole conseguiu uma façanha ao ganhar dois torneios tão duros nesta reta final de temporada, com resultados que ninguém pode ousar contestar.
Paris deu a Djokovic seu quinto título de Masters, aliás todos diferentes, e isso o iguala agora ao virtualmente aposentado russo Marat Safin, deixando então como terceiro na lista dos jogadores que estarão no circuito em 2010.
Além de tirar o peso dos ombros e conquistar enfim um título de peso em 2009, o mais significativo foi sua incrível regularidade nos Masters: fez pelo menos quartas em todos os nove, semi em sete e decidiu cinco, tanto no saibro como no sintético.
Ao longo de suas 76 vitórias, seu recorde pessoal e melhor marca do ano, estiveram três contundentes vitórias sobre Roger Federer, dois shows contra Rafael Nadal e uma vitória incontestável diante de Juan Martin del Potro em Roma. Só faltou mesmo bater Murray na final de Miami, mas é importante considerar que o sérvio até então estava na fase de baixa.
Importante ainda observar que, nos eventos de Grand Slam, Djokovic só faltou às quartas de Roland Garros. Portanto, ainda que chegue a Londres com chances mínimas de sonhar com o número 2 - estará 1.250 pontos atrás de Nadal e só pode somar 1.500, ou seja, tem de ganhar o troféu invicto e torcer para o espanhol só vencer uma partida na fase preliminar -, Djokovic aproveitou muito bem a reta final para se recolocar na condição de ameaça aos líderes em 2010.
Gael Monfils também merece citação, após a longa final deste domingo, em que se viu mais coração do que técnica no terceiro set, onde os dois literalmente se arrastavam pela quadra. Cuidado ao criticá-los. Só quem esteve numa quadra de tênis, em qualquer nível, sabe o quão difícil é jogar cansado, o quão impossível é jogar exausto.
Para mim, no entanto, Monfils continua sendo a promessa que não consegue vingar, nem tanto pelo ranking (aparecerá afinal como 13º no ranking final da temporada) mas especialmente pelo jogo exageradamente defensivo, às vezes sem coragem, que chega a me irritar.
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José Nilton Dalcim
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15h49
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Federer vacila e Nadal entra de vez na briga pelo número 1
O suíço Roger Federer poderia ter um final de temporada mais tranquilo, mas já deu um passo em falso, na decisão da Basileia, e um considerável tropeção na estreia de Paris. Com isso, a defesa do número 1 e a oportunidade de somar o quinto final de temporada na liderança - das últimas seis - começa a correr risco.
Federer saiu de Paris com 10.150 pontos e, com duas vitórias suadas do espanhol, já vê o canhoto perigosamente mais próximo, ou seja exatos 1.125 pontos. Isso já é suficiente para haver briga das boas em Londres, onde o campeão invicto fatura 1.500. Mas Nadal ainda pode ir mais longe em Paris.
Ainda que não esteja com um tênis convincente, e encare nesta sexta-feira o jogo agressivo e acrobático de Jo-Wilfried Tsonga, ele pode ganhar e somar mais 180 pontos. Na hipótese de uma final, seriam mais 420 sobre o atual montante e um eventual título reduziria drasticamente a distância para a casa dos meros 205 pontos.
Seria, na verdade, um encerramento bem interessante para uma temporada em que os dois efetivamente dividiram as atenções. Os primeiros cinco meses foram todos de Nadal, com a grande conquista na Austrália e a tradicional soberania no saibro europeu, até que Federer virou o jogo na final de Madri e caminhou para dois troféus históricos em Paris e Londres, onde retomou com todo direito a ponta do ranking.
Esse possível duelo ganharia ainda mais molho na formação dos grupos, onde um Djokovic, um Del Potro, um Davydenko ou um Soderling apimentariam a vida de um ou de outro. Torço por isso.
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José Nilton Dalcim
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23h29
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Safin vai fazer muita falta ao tênis
Ele não levou a carreira tão a sério quando poderia. Viveu sua vida de playboy, noitadas. Quando realmente jogou tênis para valer, virou número 1 do mundo, faturou dois Grand Slam, ganhou de todo mundo. Marat Safin, russo com sotaque e jeito latino, diz adeus ao tênis competitivo numa fase em que não consegue mais arrancar as mesmas glórias, vítima de contusões e falta de confiança. O fim era inevitável, ainda que aos 28 anos e 65º do ranking.
Não dá para os brasileiros esquecerem que Safin viveu seu primeiro auge justamente na Era Guga, quando rivalizou com o catarinense na ponta do ranking, nos torneios de saibro. Saque e golpes extremamente poderosos, brilhou em qualquer piso. Seu jogo mais espetacular, que vem sempre à minha lembrança, é a semifinal da Austrália em 2005 contra Roger Federer, um dos momentos de maior técnica que assisti no tênis atual. Aqueles cinco sets resumem Marat, que conseguia ser genial e genioso em questões de segundos.
Claro que Safin também não foi um exemplo em quadra. A vida desregrada dos bastidores, que tanto influiu em resultados e depois no mau preparo físico e contusões, foi menos visível do que sua ira contra a raquete, contra os árbitros, contra o mundo. Mas se ao mesmo tempo Safin era um bad-boy, sua conduta completamente espontânea lhe deu um inegável carisma. Com o microfone na mão também assustava, ora com tiradas de excelente humor, ora com pitadas de venenosa ironia.
Na soma de tantas facetas, não resta menor dúvida que Safin fará gigantesca falta ao tênis, um esporte que necessita não apenas de grandes vencedores e de rebatidas sensacionais, mas também de calor humano.
Que dia - Rafael Nadal, irreconhecível, escapou por milagre e incompetência de Nicolas Almagro. Roger Federer, de novo com altos e baixos, parou num dia inspirado de Julien Benneteau. E em plena madrugada, Andy Murray ficou bem perto da eliminação diante do irregular James Blake. Paris, como sempre, é um martírio para os líderes do ranking. Novak Djokovic ficou bem mais favorito, se aguentar o cansaço.
Acabou - Bruno Soares e Kevin Ullyett disseram adeus a Paris, ao sonho de ir ao Masters e à parceria. Fizeram ótimos seis meses e um segundo semestre muito ruim. Serviu certamente para o mineiro ganhar ainda mais experiência e, quem sabe, embalar com outro bom parceiro em 2010.
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José Nilton Dalcim
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23h12
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True lies
O livro autobiográfico de Andre Agassi enfim foi às livrarias nesta segunda-feira, chegou a estar entre os mais vendidos no site da Amazon e o norte-americano, em meio a um turbilhão de poucas defesas e muitas lamentações, não se fez de rogado e fez uma tarde de autógrafos em sua Las Vegas. Certamente, vai se tornar um best-seller, pelo menos no meio esportivo, já que a publicidade feita com bombásticas revelações sobre o uso de drogas fez o seu devido trabalho. E estrago.
Há dezenas de artigos sobre o "Open" nesta terça-feira nos principais sites esportivos. Muitos deles reproduzem novos trechos. A agência AP, por exemplo, cita outras passagens em que o norte-americano revela sua intimidade com maconha e álcool, que são citadas em vários pontos do livro. Seu pai - que se recusou a ler a autobiografia - forçava o filho a tomar Excedrina antes de qualquer jogo durante sua fase infanto-juvenil, porque o remédio possuía cafeína.
Em longa entrevista dada no fim de semana, Agassi explicou que suas revelações sobre o uso da droga cristal ao longo de 1997 vieram porque ele não conseguia mais viver com suas mentiras. "Quanto me retirei das quadras, pude pensar com mais calma sobre tudo o que aconteceu na minha vida", afirmou o ex-número 1 do mundo. "Essas coisas atormentavam a minha vida". Mas voltou a dizer enfaticamente que jamais usou drogas para competir e lamentou as reações negativas de personalidades como Martina Navratilova e Roger Federer.
Mas não foi só. No livro, Agassi também despeja rancores contra vários tenistas. Pete Sampras foi, é claro, um dos maiores alvos. Em certo ponto do livro, Agassi diz que "Sampras parece mais robótico que um papagaio... Invejo sua pasmaceira... Gostaria de imitar sua espetacular falta de inspiração, ou sua peculiar falta de precisar de uma inspiração".
Sobre Michael Chang, ele ironiza: "Ele agradece Deus, credita tudo a Deus, e isso me ofende. Deus está tomando partido num jogo de tênis, e está contra mim. Venci Chang e as blasfêmias". E mais: "Quando Chang ganhou Roland Garros, em 1989, me senti mal. Como, entre tanta gente, ele ganhou um Slam antes de mim?"
Sobram também críticas para Boris Becker (que teria mandado beijos para a então esposa Brooke Shields durante uma partida), Jim Courier, Thomas Muster e Yevgeny Kafelnikov. Revela ainda ter perdido de propósito para Chang uma semifinal na Austrália para não jogar contra Becker. "Precisava entregar o jogo de uma forma que o público não percebesse".
Na entrevista dominical à AP, Agassi é direto: "Não tenho arrependimento sobre tudo o que está no livro".
Veja no vídeo ao lado a participação de Agassi na CNN, em sua primeira entrevista sobre o livro. Ontem foi confirmado que ele aceitou encarar David Letterman no famoso talk-show, ainda sem data acertada.
Urubus - Algo aqui me incomoda: Agassi errou feio, mas tem muita gente pegando carona na desgraça alheia e querendo aparecer. Essa história de tirar a medalha de ouro de Atlanta é absurda, o Sergi Bruguera deveria se envergonhar disso. O exame em que o norte-americano admitiu ter sido pego por doping foi em 1997, portanto muito depois dos Jogos. E o Safin, logo ele, resolveu criticar Agassi. É para dar risada.
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José Nilton Dalcim
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11h46
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Djokovic e Murray colocam molho na reta final da temporada
O sérvio Novak Djokovic e o escocês Andy Murray, embora por caminhos distintos, venceram neste domingo os dois ATP 500 da semana e apimentaram o final de temporada. Não apenas diminuem muito o favoritismo de Roger Federer e Rafael Nadal para os dois últimos torneios do ano, como também deram oportunidade para que o ranking fique mais concorrido.
Nole merece a nota máxima, não apenas porque derrotou Federer com um tênis de altíssima qualidade num piso e num clima que só favoreciam o adversário, mas também porque esteve duas vezes tão perto da derrota na Basileia e mostrou notável capacidade mental de escapar das quedas diante de Stanislas Wawrinka e mais ainda contra Radek Stepanek. Em Valência, Murray encontrou uma chave bem mais tranquila, só teve trabalho mesmo diante de Fernando Verdasco, mas merece louvor por ter voltado logo com título após seis semanas de parada forçada.
O resultado dessas duas campanhas pode se refletir no ranking. Como ainda temos 2.500 pontos em jogo (máximo que poderá somar um tenistaque ganhe Paris e Londres, ou 1.600 se for finalista em ambos), vemos que Nadal tem uma chance matemática de recuperar o número 1. Ele precisaria somar 1.300 pontos a mais que Federer, o que certamente não é nada fácil mas possível. A seu favor, Federer precisa somar 200 pontos a mais que Nadal em Paris para fechar sua quinta temporada como líder e nem depender de Londres.
O mesmíssimo raciocínio serve para o duelo direto entre Nole e Murray, que estarão separados por 370 pontos se retirarmos a pontuação a defender. O sérvio até pode sonhar com o número 2, uma tarefa bem mais difícil, já que a distância é de 1.935 pontos. O britânico, por seu lado, precisa se cuidar com o argentino Juan Martin del Potro, que ganhará seu posto se fizer 735 pontos a mais na soma de Paris e Londres.
Há também uma briga direta entre Fernando Verdasco e Nikolay Davydenko, com vantagem de 330 pontos para o russo. Na contramão, o francês Jo-Wilfried Tsonga pode deixar o top 10 se não jogar bem nesta semana.
O fato curioso é que Paris parece um torneio incrivelmente aberto. Federer não convenceu, Nadal e Del Potro sofrerão com a falta de ritmo, Murray é imprevisível e Djokovic poderá sentir o desgaste da semana puxada na Basileia. Como Tsonga, Soderling e González se arrastam atrás das contusões, quem sabe o título não cai no colo de Davydenko e Verdasco? Façam suas apostas.
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José Nilton Dalcim
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18h42
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Davydenko e Verdasco ficam a um passo de Londres
Talvez nem seja preciso esperar o Masters 1000 de Paris na semana que vem para vermos definido o quadro dos oito participantes do ATP Finals de Londres. Com os resultados até aqui dos torneios 500 da semana, é praticamente certo que o russo Nikolay Davydenko e o espanhol Fernando Verdasco garantam as duas vagas que estão abertas.
Semifinalistas em Valência, os dois abriram vantagem considerável sobre o sueco Robin Soderling, que está agora a 380 pontos de Verdasco e a 710 do russo e, ainda por cima, está fazendo um sacrifício para se recuperar da lesão no punho. Meros 50 pontos atrás dele, o chileno Fernando González ainda pode sonhar, mas já deu para perceber que ele terá de ser no mínimo semifinalista e superar seus problemas nos pés.
Mesmo jogando em casa, Jo-Wilfried Tsonga precisará de um milagre para ir a Londres, ainda mais que também não está bem fisicamente. Radek Stepanek entrou na briga de última hora, ultrapassou Marin Cilic mas ainda assim está 945 pontos atrás de Verdasco neste momento. Sua situação só se tornará viável caso avance na Basileia e o espanhol caia neste sábado.
Para completar esse quadro, saiu também a chave de Paris e isso só reforça a chance de Davydenko e de Verdasco. Para ganhar o torneio, Soderling terá provavelmente de tirar Davydenko, Djokovic e Nadal, enquanto González tem pelo caminho Del Potro, Murray e Federer. Nada fácil.
Confirmado esse quadro, há de se lamentar a ausência de Soderling e de Tsonga em um torneio sobre piso sintético coberto como o de Londres, onde são tenistas muito respeitáveis, mas diante de uma temporada marcada por contusões e altos e baixos dos dois, não dá para reclamar do destino.
Bellucci cai uma - Com os resultados das quartas-de-final dos ATP 500 de hoje, está garantida a presença de Thomaz Bellucci no top 40 por mais uma semana. Ele só perderá uma posição, devido à subida de John Isner. Mas terá de ficar na torcida na semana que vem, já que nada menos que sete adversários (por enquanto) podem ultrapassá-lo. O maior risco está com Ivo Karlovic e James Blake.
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José Nilton Dalcim
às
20h11
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A pequena Imbituva ensina o caminho das pedras para o tênis brasileiro
Provavelmente você nunca ouviu falar em Imbituva, muito menos sabe onde fica esse pequeno município paranaense de cerca de 28 mil habitantes. Conhecida como "Cidade das Malhas" por seu investimento no setor têxtil, está no típico interior do Estado, a 174 km da capital.
Mas é dali que surge um dos trabalhos mais sérios que já ouvi falar nos meus muitos anos de tênis. Sem alarde, sem pressão e sem objetivo financeiro, Imbituva criou o Centro Regional de Tênis. Vejam a definição do modelo: caça de talentos + oportunidade + treinamento sistemático = grande chance de se formar um atleta de elite. Não dá para ser mais feliz na definição.
Tudo começou em janeiro, por iniciativa do técnico Didier Rayon - aquele que revelou os irmãos Teliana e José Pereira -, que idealizou o conteúdo técnico e a programação de clínicas, através de seu método de ensino. Encontrou em Imbituva um grupo de amantes do tênis, que forneceu estrutura e o universo. Nas palavras do diretor do Tênis Clube local, Paulo Pupo, "achamos os tenistas e os pais certos para entender um projeto de médio e longo prazos, em que a disciplina é o ponto alto, aliado à qualidade de vida do interior".
O projeto deu largada no início deste ano, engloba outros clubes da região e seus professores e reúne 32 jogadores neste primeiro momento. Não há patrocinador de qualquer espécie. O objetivo básico é desenvolver o tênis na região, implantar uma filosofia de trabalho e treinamento, dar acesso social ao tênis através de programas em escolas públicas e formar uma equipe técnica competente.
Em tão pouco tempo, o progresso já é visível. Depois de várias clínicas e algumas semanas de treinamento mais intenso - subsidiado pelos participantes para cobrir despesas básicas -, o projeto cumpriu tão bem seus objetivos que já planeja incluir outros 16 garotos de 8 a 15 anos em 2010. Nesses seis meses em que os juvenis trabalharam com Didier, o TC de Imbituva ficou em quinto lugar no Interclubes estadual, mesmo jogando apenas metade das chaves. Obteve vitórias tranquilas sobre os principais clubes na faixa de 10 e 12 anos. Garotos de 9 anos jogando uma categoria acima! Na Copa Itaú colegial, uma menina dos 10 anos faturou a etapa estadual e, como prêmio, passou duas semansa treinando nos EUA.
No dia 28, o projeto encerra sua primeira temporada e vai promover um amplo dia de atividades, que incluem palestra, prova de inglês e jogos. O objetivo para 2010 é aumentar um pouco mais a parte competitiva. "As crianças batalham muito em quadra, com disciplina técnica e tática, e tenho certeza que logo todos ficarão sabendo seus nomes pelo Brasil afora", aposta Pupo.
Num país sem política esportiva, muito menos para a formação de atletas de ponta, fica claro que só mesmo a boa vontade nos salva. Um projeto moderno e bem organizado, um profissional competente e um sistema de trabalho bem focado darão sempre resultados. Obrigado pela lição, Imbituva.
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José Nilton Dalcim
às
18h09
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Simpósio consagra Larri e dá verdadeiro panorama do tênis nacional
Enquanto a maioria dos trabalhadores deste país encararam o feriadão de Finados com um bom descanso, sol e tarnquilidade, cerca de 500 técnicos do Brasil encheram a arquibancada do Paineiras do Morumby, enfrentaram calor, banco de madeira e cansaço, mas não tiraram os olhos da quadra de saibro, onde valiosas palestras aconteceram por três dias consecutivos. Entre muita gente de cabelos grisalhos, rostos bem conhecidos, a boa surpresa foi ver na plateia uma maciça presença da 'nova geração', professores saindo da faculdade e iniciando carreira, já ligados na necessidade de traçar novos horizontes e se manter atualizado.
O mais curioso de se observar num evento de tamanha magnitude é a diversidade do tênis pelo Brasil. Como são diferentes as necessidades de um treinador que veio do Sul do Pará, viajando por mar, terra e ar para chegar a São Paulo. Entre um experiente treinador do Rio de Janeiro, que esbanja conhecimento do esporte e do circuito, encontramos também um grupo de verdadeiros adolescentes de Minas, um tradicional professor de Maceió. Cada um conta sua história, sua realidade. Ali está também um empresário, projeto em mãos para construir uma segunda grande e equipadíssima academia em Teresina. Fora das palestras, discute-se de tudo nas rodinhas, da direita do Federer à taxa de inscrição das Federações. Essa troca incessante de informações é sem dúvida o maior lucro do Simpósio.
Claro que o ponto alto foi Larri Passos. Pela primeira vez na longa carreira, o homem que levou Guga Kuerten ao número 1 do mundo se dirigiu diretamente a um grande grupo de treinadores e aproveitou para falar por 10 horas, contando ricas e emocionantes histórias. Mostrou seus métodos de treinamento, o trabalho com a criançada, contou o que espera do tênis brasileiro a médio e longo prazos. Final apoteótico, ajoelhou-se e beijou o saibro, sob flashes e aplausos. Muitos podem ver nele algum excesso de estrelismo ou de marketing, mas uma coisa não se pode negar: Larri é um espelho para a maioria dos treinadores, o exemplo de dedicação e sucesso que tanto nos faz falta.
Sharapova, só na TV - Se você sonhava em ver de pertinho a musa Maria Sharapova em sua exibição no Brasil, diga adeus. A russa não irá mais se exibir no Harmonia, nem no dia 29, como anteriormente previsto. Ela jogará agora no dia 6 de dezembro, na Fazenda Boa Vista, a 100 km de São Paulo, em um encontro reservadíssimo para 800 seletos convidados. E só. Ao público, restará a transmissão ao vivo da partida pela TV a cabo.
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José Nilton Dalcim
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11h27
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O presente e o futuro
Todos os olhos estavam voltados para o saibro da Sociedade Harmonia, em São Paulo, na torcida para que Thomaz Bellucci cumprisse seu favoritismo e levantasse mais um troféu na temporada, que o empurasse mais seis posições para cima do ranking, além é claro do gosto de desforra em cima de Nicolas Lapentti. Mas talvez devêssemos também ter olhado para um torneio bem menos divulgado, lá na periferia de Porto Alegre. Pois se o presente hoje está com Bellucci, o futuro deu suas primeiras caras por lá.
Como eu havia dito no começo da semana, Bellucci nem precisou jogar um tênis brilhante para ganhar a etapa brasileira da Copa Petrobras. Perdeu um único set, justamente o primeiro que disputou após a viagem da Suécia e a mudança de piso, e desde então não teve mais adversários. É o que deveríamos esperar dele, não apenas por uma questão de ranking muito superior, mas porque estava claro seu amadurecimento. Não sentiu pressão por jogar em casa, diante da família e dos amigos, olhos atentos da imprensa e de (muitos) desconfiados em meio ao público.
Dificilmente Bellucci conseguirá se manter entre os top 40 até o último ranking do ano, que ainda vai computar dois ATP 500 e o Masters de Paris, já que a maioria dos seus adversários diretos permanece na Europa. Pouco importa. Ele foi além de seu objetivo e dos nossos prognósticos. Tem chance de começar a temporada como cabeça-de-chave nos ATPs da Oceania e, quem sabe, um punhado de vitórias não o leve até a ser cabeça no Aberto da Austrália. Se a equipe técnica continuar empenhada em melhorar seu preparo físico e cuidar de alguns detalhes na escolha de golpes, podemos sonhar com um top 30 em breve.
Não menos importante, porém, foi a semifinal que aconteceu sexta-feira lá em Porto Alegre. Vejam só: Guilherme Clezar contra Tiago Fernandes, ambos 16 anos, buscando seus maiores resultados já entre os profissionais. Deu Clezar, até com certa facilidade, e ele se tornou assim o mais jovem tenista brasileiro a disputar uma final que conte pontos para o ranking da ATP que eu tenho notícia. Observe-se que era apenas o segundo torneio profissional de Clezar, que logo na estreia eliminou o cabeça 1.
Enquanto um treina no Instituto Gaúcho, o outro está agora sob o sistema de Larri Passos. Longelíneos, tênis moderno, preparo físico, versatilidade, trabalhadores. O futuro, senhores, já começou.
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José Nilton Dalcim
às
16h03
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