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Escalada ao número 1 começa em Madri para Djokovic
às 10h23 - por José Nilton Dalcim

Se quiser ter uma chance real de disputar o número 1 do mundo até Wimbledon, o sérvio Novak Djokovic depende demais do que acontecer na próxima semana em Madri. Porque, em toda a temporada de saibro europeia, esse parece o único lugar em que o favoritismo do espanhol Rafael Nadal não é absoluto.

Partindo desse princípio, é possível afirmar que haverá uma luta direta pela liderança em Roland Garros desde que o sérvio consiga um excelente resultado em Madri e conte ainda com um tropeço do concorrente direto, nem que seja uma queda na semifinal. O que, a rigor, não é completamente fora de questão, já que Nadal terá como possíveis adversários de penúltima rodada Roger Federer ou Robin Soderling.

Caso conquiste Belgrado neste domingo, um torneio que joga com os pés nas costas, Nole chegará nesta segunda-feira na menor das distâncias que já esteve para a ponta do ranking. Como os pontos de Roma irão cair ao mesmo tempo, devido à mudança de calendário, ele estará a 2.205 de Nadal.

Por isso Madri é tão importante. Os dois somarão ali todos os pontos que conseguirem acumular (na verdade, Djokovic terá de descontar 45 de Belgrado do ano passado). Um título de Nole e uma semi de Nadal, por exemplo, baixaria a diferença em mais 595 pontos. Na semana seguinte, em Roma, o espanhol volta a ser favorito, mas defende os 1.000 de Madri, enquanto Djokovic não tem nada novamente e pode somar um eventual 600 de vice.

Dessa forma, não seria de assustar que os dois chegassem a Roland Garros com uma diferença na casa dos 1.195 pontos. Importante lembrar que Nadal nada pode somar em Paris e que o sérvio parou nas quartas em 2010 e assim fez 360. Para ultrapassar, precisaria de uma derrota inesperada do espanhol, o que é difícil de acreditar, mas de qualquer forma um vice no Aberto francês colocaria Nole a menos de 400 pontos do líder de olho na grama de Wimbledon.

O sorteio - O croata Marin Cilic e o argentino Juan Martin del Potro podem ser adversários difíceis para Nadal numa eventual terceira rodada. O austríaco Jurgen Melzer é o melhor candidato para as quartas e Federer ou Robin Soderling, na semi. O suíço pode testar Milos Raonic, rever Fernando Verdasco, enquanto Soderling está na chave do perigoso Nicolás Almagro.

Do outro lado, Djokovic pode ter trabalho já na terceira rodada contra Stanislas Wawrinka e encarar David Ferrer nas quartas. Andy Murray se recuperou enfim da lesão no cotovelo, mas tem chave dura, seja contra Ljubicic ou Simon na estreia ou com Troicki em seguida.

Thomaz Bellucci, cada vez mais ameaçado de ficar fora da lista de cabeças em Paris, precisa de boa estreia contra o convidado Pablo Andujar e pega em seguida Troicki ou Florian Mayer. Com sua altitude, Madri tem um saibro mais veloz, justamente o que o canhoto brasileiro mais gosta. Vamos esperar.


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Brasil perde um batalhador, mas pode ganhar um bom técnico
às 14h38 - por José Nilton Dalcim

O que parecia inevitável agora é oficial. O gaúcho Marcos Daniel, aos 32 anos, 14 deles como tenista profissional, vai tentar um último de seus tantos esforços para disputar Roland Garros, no final de maio, e se despedir honrosamente das quadras. Ele está virtualmente derrotado por uma série de lesões, a mais recente delas no ombro.

Apesar de ter alcançado o número 56 do ranking, Daniel não teve um histórico espetacular no circuito de primeira linha. O máximo que conseguiu foi a semifinal em Gstaad de 2009 - mesmo torneio vencido por Thomaz Bellucci. Venceu 24 de 65 jogos de nível ATP ao superior, apenas um de 17 em Grand Slam e perdeu as duas tentativas em Masters.

Sempre se deu muito melhor nos challengers. Em outubro do ano passado, levantou seu último troféu, no clube Harmonia, em São Paulo, ao derrotar nada menos que Bellucci. Era sua 22ª final e o 14º triunfo dessa categoria, recorde nacional, em que ganhou 242 jogos e perdeu 147. Na Copa Davis, disputou cinco confrontos e tem cinco vitórias em sete partidas.

Daniel certamente será lembrado por muito tempo como o "rei da Colômbia". Seus números no saibro de lá são impressionantes: oito títulos de challenger (seis deles em Bogotá), com 53 vitórias e apenas sete derrotas, chegando a uma série invicta de 22 jogos.

De olho no plano de aposentadoria da ATP, que pode garantir um mínimo de US$ 2 mil mensais ao tenista por um prazo de 20 anos consecutivos, Daniel vem lutando contra seus limites há um bom tempo. No ano passado, teve altos e baixos, mas ainda conseguiu disputar torneios de peso, como Miami e Wimbledon. No segundo semestre, voltou aos challengers e recuperou a vaga no top 100 com os títulos em São Paulo e Medellín.

Mas os problemas físicos voltaram no começo desta temporada e se agravaram em Chennai, a ponto de ele ser obrigado a abandonar a partida de estreia na Austrália diante de Rafael Nadal após perder 11 games. Acima do peso e sem ritmo, voltou em Blumenau há três semanas, perdeu do 542º do ranking em Santos e por fim entendeu no Estoril que dificilmente vai recuperar a boa forma sem correr mais riscos.

Se irá perder um tenista que sempre foi sinônimo de esforço e dedicação, o tênis brasileiro poderá ganhar um treinador experiente. Daniel, que passou os últimos tempos com Larri Passos, tem conhecimento do circuito, é excelente elaborador de calendários e possui respeitabilidade para ficar agora do outro lado do balcão, num Brasil que necessita demais de técnicos de alto nível competitivo. Tomara que ele aceite esse novo desafio.

Jogo importante - Bellucci fará uma partida de grande importância nesta sexta-feira, no saibro português, diante do uruguaio Pablo Cuevas. Muito mais do que uma prévia da Copa Davis, ainda tão distante, o duelo terá gigantesca importância para trazer de volta confiança no nosso número 1.

Bellucci ganhou duas partidas, um alívio para uma temporada irregular, porém continua mostrando defeitos na escolha tática e principalmente insegurança em momentos decisivos. Superar o bom Cuevas e chegar à semifinal é então um passo decisivo na temporada europeia, que ainda tem três eventos muito grandes.

Aliás, o ranking também é uma preocupação. Com a queda dos pontos de Roma devido à mudança de calendário, ele pode deixar o 31º posto e perder até cinco posições, o que começaria a colocar em dúvida sua condição de cabeça de chave em Roland Garros.


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Tênis feminino tenta sair do ostracismo
às 17h45 - por José Nilton Dalcim

Nada de espetacular aconteceu em termos de ranking. Títulos, só os menores. Mas é inegável que o tênis feminino brasileiro finalmente está se mexendo. Além de ganhar um calendário mais consistente em terras nacionais, está cada semana mais comum vermos nossas meninas em torneios espalhados pelo circuito e, melhor ainda, tentando a sorte no saibro e no piso sintético.

Grande sensação de 2010, a carioca Ana Clara Duarte ainda não embalou nesta temporada, mas conseguiu ganhar duas partidas em torneios de nível US$ 100 mil, um no saibro de Cali e outro no sintético de Johanesburgo, e se aventurou no qualificatório do WTA de Estoril.

Roxane Vaisemberg preferiu o piso norte-americano e está indo muito bem. Fez uma semi de US$ 25 mil, furou dois qualis e chegou numa semi de US$ 50 mil na semana passada, com vitória sobre a 109ª do ranking. Vivian Segnini também está por lá e ficará quatro semanas seguidas.

Com participações em Buenos Aires, Caracas, Santiago, México e até mesmo na Itália, chegamos a ter brasileiras em três ITFs diferentes numa única semana, e todos fora do Brasil. Teliana Pereira foi campeã no México, Nanda Alves andou bem nas duplas, mas o bom mesmo tem sido ver nomes bem pouco conhecidos, como Raquel Piltcher - que ganhou duplas no México -, Marcela Bueno e Eduarda Piai.

A rigor, o ranking ainda não refletiu muita diferença. Ana Clara atingiu seu recorde pessoal com o 230º, Roxane está em 282º (apenas um posto pior que sua melhor marca), Segnini aparece agora em 351º (já foi 321º) e Nathalia Rossi é 398ª (40 atrás do que obteve em 2010). Em duplas, temos duas top 200, com Nanda em 157º e Ana Clara em 189º.

Claro que o maior sonho do tênis feminino brasileiro atual é colocar alguém no top 100. Meta ousada, quando vemos que Duarte sequer realizou a meta de entrar num quali de Grand Slam. No entanto, a disposição de pegar a mala e se aventurar lá fora, a maciça maioria sem treinador e pouco dinheiro, mostra ao menos que elas resolveram tentar. Já é um passo enorme.

Nesta semana, no saibro do clube Paulistano, acontece mais uma etapa do Circuito Itaú, composto de seis torneios de US$ 10 mil. Estive na primeira fase, em Ribeirão Preto, e ficou evidente a necessidade das meninas terem intercâmbio e enfrentar a pressão do circuito profissional. Gostei muito do tênis solto da paulista Eduarda Piai e a gaúcha Monique Albuquerque me pareceu com ótima cabeça.

Como bem me disse Fernando Meligeni, falta um modelo de sucesso para elas, o que os garotos tiveram de sobra com Guga, o próprio Fininho, os duplistas mineiros, Thomaz Bellucci, mostrando que é possível se meter no top 30 e ganhar torneios de primeira linha.

Bom começo
- Por falar em Bellucci, começo tranquilo no Estoril, como era de se esperar, e grande chance de ir às quartas. Aì espera por Jo-Wilfried Tsonga e Pablo Cuevas. No saibro de Belgrado, Ricardo Mello voltou a mostrar que o tênis não termina aos 30 e marcou outro ótimo resultado na temporada em cima do grandalhão John Isner.


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Estão faltando saibristas?
às 21h03 - por José Nilton Dalcim

Quem se lembra bem do início da grande arrancada de Gustavo Kuerten no circuito internacional, que o colocou como um dos maiores tenistas sobre o saibro da Era Profissional, certamente tem na mente o nome de seus tão temidos adversários.

Primeiro, eram Thomas Muster, Sergi Bruguera, Yevgteny Kafelnikov. Depois vieram Alex Corretja, Magnus Norman, Juan Carlos Ferrero, Guillermo Coria e Gastón Gaudio. Uma geração e tanto de verdadeiros especialistas no piso de saibro.

A terra batida também teve outros grandes momentos. No auge de Bjorn Borg, havia Guillermo Vilas, Ilie Nastase, Manoel Orantes, Adriano Panatta, Jose Higueras. Já Mats Wilander conviveu com Ivan Lendl e logo depois vieram Michael Chang, Andre Agassi, Miloslav Mecir.

Borg se destacou porque era amplamente melhor que seus conterrâneos. A geração seguinte viu uma divisão bem mais equilibrada de forças. Guga dominou o saibro porque impôs um estilo agressivo que poucos ousavam fazer.

É fácil perceber que o saibro tinha então grandes artistas. Nem citei sul-americanos de peso, como Andrés Gomez, Jose-Luis Clerc ou Marcelo Ríos, o francês Yannick Noah, o espanhol Carlos Moyá ou o russo Marat Safin.

O que se vê nos últimos cinco anos é uma diminuição gradativa - e preocupante - dos saibristas. Isso explica facilmente o domínio inconstesti de Rafael Nadal, que só perdeu no seu piso predileto desde 2005 quando encontrou problemas físicos ou estafa. E aí se combinam dois fatores: além de ser um dos dois maiores tenistas sobre o piso lento da história, ainda encontra uma escassez de adversários que sonhem lhe roubar sets.

De todos os top 25 atuais, contam-se nos dedos aqueles que fazem do saibro o seu ganha-pão: David Ferrer, Nicolas Almagro, às vezes um Gael Monfils ou um Fernando Verdasco. Os demais literalmente se viram no saibro - alguns bem, como Roger Federer, Robin Soderling e Jurgen Melzer -, mas focam o piso sintético. A Argentina, outrora grande potência da quadra de terra, não tem um único especialista de importância.

A explicação mais óbvia para isso é o domínio cada vez maior das quadras sintéticas, que hoje representam quase 70% do calendário. O saibro continua forte na Europa, mas geralmente relegado a ATPs menores e muitos challengers. Os tenistas top sabem que, para se manter lá em cima do ranking, precisam muito, mas muito mais da quadra dura do que do saibro, e menos ainda da grama. O próprio Nadal é exemplo. Quando dominou a superfície sintética, mudou o rumo do tênis.

Isso diminui os feitos de Rafa? Claro que não. Estivesse ele frente a Guga ou a Borg, e ainda assim teria grandes chances de repetir todas as brilhantes conquistas, porque seu jogo sobre o saibro é absolutamente perfeito, em que a agressividade espera a hora certa de se manifestar e ganhar o ponto. Além disso, tem preparo físico e controle emocional como poucas vezes se viu no circuito e essa combinação faz toda a diferença do mundo nas quadras mais lentas.

Mas o que falta a ele, e especialmente aos torneios e ao público, são concorrentes à altura. Viu-se em Monte Carlo e Barcelona que, mesmo a 70% de sua capacidade, o canhoto espanhol raramente tem um set difícil. Se perde o saque, recupera em seguida e destrói psicologicamente o oponente. Dá pena.

Com a altitude de Madri, há uma pequena chance de vermos maior competitividade dentro de duas semanas, mas que tende a acabar quando vierem a maior lentidão de Roma e o exigente 'melhor-de-5-sets' de Paris. Nadal perder hoje no saibro parece obra de ficção.

Destaques - Fim de semana teve reação de João Souza, o Feijão, e recorde de André Sá no challenger de Santos, assim como a derrota de Caroline Wozniacki para a ascendente Julia Goerges. E um sorteio no Estoril que pode enfim dar o empurrão aguardado a Thomaz Bellucci. Uma chave para ir, no mínimo, às quartas.

E Novak Djokovic escolheu a dedo sua volta ao saibro: joga como superfavorito em Belgrado, caminho ideal para sua invencibilidade em 2011 correr mínimos riscos. Não vejo a hora de ver como ele se sairá em Madri e Roma.


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Espanha ratifica soberania no tênis masculino
às 19h15 - por José Nilton Dalcim

O tênis masculino vive uma aparente incongruência. Embora sua temporada de saibro corresponda a menos de 30% do calendário, o ranking da próxima segunda-feira mostrará três espanhóis no top 10. Prova de que, outrora potência sobre o piso lento, a Espanha tomou de vez a soberania do circuito.

Rafael Nadal dispensa comentários em sua liderança absoluta do calendário em 2010, além de já ter completado 90 semanas na ponta e estar extremamente perto das marcas de Andre Agassi (101) e Bjorn Borg (109). Se não for surpreendido precocente em Roland Garros e Wimbledon, será difícil impedir isso ainda nesta temporada.

Embora dono de um jogo muito menos versátil, David Ferrer soma troféus no piso sintético, assim como semifinais na Austrália e no US Open e quartas em Indian Wells, Paris e Cincinnati nos últimos quatro anos. O terceiro integrante passa a ser Nicolás Almagro que, aos 25 de idade, tem bola para brilhar em muitos lugares. É fato que chega ao top 10 graças principalmente aos títulos no saibro de Sauípe e Buenos Aires e à final em Acapulco, porém seria errado lhe tirar o mérito, quando na verdade foram os especialistas em quadra dura que não fizeram a lição de casa.

Segundo a ATP, Almagro se tornou o 17º espanhol a alcançar o top 10 na história do ranking, a partir de agosto de 1973. Só para efeito comparativo, o Brasil teve até hoje 13 que atingiram um posto entre os 50 primeiros.

Não por acaso, a Espanha ganhou quatro dos últimos 11 títulos da Copa Davis. No ranking desta semana, aliás, contam-se quatro nomes entre os 15 primeiros, sete na faixa dos 30 e 14 entre os 100 líderes. Na classificação de duplas, também estão quatro nomes entre os top 40 e oito no top 100. Talvez só não seja a maior potência no tênis como um todo porque não consegue há algum tempo uma herdeira para Arantxa Sanchez. Hoje, tem duas entre as 45 líderes e cinco na lista das 100, o que não é nada desprezível.

Ranking - Se Almagro vencer Ferrer e for à final, vai melhorar e chegar ao nono posto; se Ferrer ganhar, ficará a 335 pontos de Robin Soderling. O croata Ivan Dodig, surpresa em Barcelona, já garantiu o 43º posto.

Para o Brasil, o challenger de Santos salva a pele do semifinalista Ricardo Mello, que começou a semana no 95º posto e agora ao menos já se manterá no 89º. João 'Feijão' Souza enfim reage e recupera 15 postos, mas muito longe do que pode fazer.


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Quanto tempo Larri vai aguentar?
às 18h15 - por José Nilton Dalcim

Esta foi a pergunta que mais me fizeram nos últimos dias e, sinceramente, não tenho a resposta. Talvez nem o gaúcho. Porque ele não é de abandonar o barco, embora todo mundo saiba de cor e salteado que Larri detesta perder.

Importante contar aqui que o contrato assinado com Thomaz Bellucci é "experimental" e prevê uma reavaliação após Wimbledon, quando na teoria se completa a primeira parte da temporada.

Aos mais próximos, o treinador admite que existem barreiras psicológicas - e o estreito laço familiar seria a maior delas - para que o pupilo produza em quadra o mesmo que faz nos treinos.

Embora não tenha obtido ainda resultados animadores, Bellucci tem características que agradam muito o técnico: empenho nos treinos e sonhos audaciosos. Essa sem dúvida é a maior garantida de que Larri continuará insistindo, pelo menos até o final da temporada.

Claro que existe um clima de decepção generalizado e não poucas vezes me contam que há pressão aqui e ali nos bastidores. Mas ninguém a quem consultei nos últimos três dias ousa dizer que exista um risco imediato de a parceria ser desfeita.

Então restam aguardar Estoril e Madri. No saibro português, com menor número de estrelas, quem sabe o sorteio ajude para que o brasileiro consiga duas vitórias consecutivas que o embalem para o desafio maior na Espanha. Lá, a vantagem é que o saibro é bem mais rápido, justamente o que Bellucci gosta.

Ainda que a descrença tenha tomado conta, é preciso sempre ter em mente que apenas 16 países têm um tenista ao menos no top 32 do ranking masculino. Hoje, países como Itália, Alemanha e Austrália não o têm. Devemos nos orgulhar disso, principalmente porque passamos um bom tempo sem ter representante nos Masters ou um cabeça de chave nos Grand Slam.

É fundamental, por fim, que deixemos de comparar os tenistas brasileiros com Guga Kuerten. Não tem sentido. É como querer que surja um Pelé ou um Senna a cada dez anos. Bellucci não é e nunca será Guga. Vamos então torcer ou acompanhar sua carreira com a devida cautela.

Chakvetadze - Que coisa maluca esse problema da russa Anna Chakvetadze. Desmaiou em quadra pela terceira vez seguida. Vasculhando os vários artigos, uma coisa é certa. Ou melhor, incerta. Os médicos não fazem a menor ideia do que está acontecendo com a ex-top 5. Com isso, ela agora resolveu se afastar de vez.

Barcelona - Será que veremos o curioso duelo de Rafael Nadal contra Milos Raonic em Barcelona? Com a ajuda de Robin Soderling, isso pode mesmo acontecer. O sueco deu início à temporada de saibro, mas não parece recuperado do problema no pé.

Bem legal também ver o bom retorno de Juan Carlos Ferrero e a recuperação de Nikolay Davydenko, dois nomes que fazem muita falta no piso lento europeu. O russo faz um teste e tanto nas oitavas contra Almagro e, se vencer, pode jogar justamente contra o ex-número 1.


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Coisas que você gostaria de saber mas não tinha a quem perguntar
às 17h27 - por José Nilton Dalcim

Quem são os maiores do tênis masculino? A resposta nunca será unânime, mas resolvi colecionar e publicar abaixo as mais interessantes estatísticas da Era Profissional, baseadas nos dados da ATP a partir de 1973, para quem quiser tirar suas conclusões.

Grand Slam
Roger Federer tem maior número de títulos (16) e finais (22), mas Jimmy Connors fez mais semis (31, quatro a mais que Federer) e quartas (41, 10 a mais que o suíço). Connors também lidera em jogos vencidos, com 233, à frente de Andre Agassi (224) e Ivan Lendl (222). Federer pode atingir todas as marcas, já que soma 213.

No percentual de partidas vencidas, no entanto, a supremacia é de Bjorn Borg, com 89,81% (141-16), seguido de perto por Rafael Nadal (87,32%) e Federer (87,3%). Na relação, finais-títulos, Nadal é o primeiro, com 81,8% (9-2), bem à frente de Sampras (77,7%, com 14-4) e de Federer (72,7%, com 16-6).

Borg também é o primeiro em vitórias consecutivas em um Slam (41, em Wimbledon), enquanto Federer é quem mais venceu sets consecutivos (36, entre 2006 e 2007).

Carreira
Connors soma 109 títulos em 158 finais, à frente de Lendl, com 94 em 146. Isso quase todo mundo sabe.

E por piso? Guillermo Vilas é o primeiro no saibro (45) e nas quadras descobertas (56); Federer, na grama (11); Agassi, no sintético (46, um a mais que Federer); e Connors no extinto carpete (44).

O 'jurássico' Connors fez 1.519 jogos na carreira, com 1.242 vitórias (cerca de 480 a mais que Federer!). O tenista mais derrotado: Fabrice Santoro, com 444. Entre os em atividade, Vince Spadea perdeu 359 vezes. E contando.

No percentual de vitórias, Borg atingiu 82,72% (Nadal está com 82,53%). Por pisos, temos: Nadal no saibro (92,7% contra 86,2% de Borg); Federer na grama (87,2%); e Lendl no sintético (82,6%, contra 82,5% de Federer).

Por tipo de torneio
Nos Masters, Nadal tem o recorde de títulos (19), mas Federer o de finais (29) e semis (39). O suíço soma mais vitórias (234) e o espanhol possui o melhor aproveitamento (83,4% contra 76,7%).

Nos ATP 500 (convertidos pelo calendário atual), Sampras soma 12 e Nadal, 10; nos ATP 250 (idem), Thomas Muster faturou 26 e Federer e Sampras, 20.

Invencibilidades
No geral - Vilas, com 46
No sintético - Federer, com 56
Na grama - Federer, com 65
No saibro - Nadal, com 81
No carpete - McEnroe, com 66
Contra top 10 - Federer, com 26
Títulos seguidos - Lendl e McEnroe, com 8

Grandes feitos
- John McEnroe tem o maior aproveitamento numa única temporada (96,5%, com 82 vitórias em 85 jogos).
- Borg passou quatro temporadas seguidas vencendo mais de 90% de seus jogos, entre 1977 e 1980.
- Borg e Nadal são os maiores campeões antes de completar 20 anos, com 16 troféus.
- Vilas é o único a ter vencido em 5 continentes (para ATP, as Américas do Norte e Sul são diferentes), em 1977.

E alguém certamente vai me perguntar: e o jogo do Thomaz Bellucci em Barcelona? Ah, hoje não.


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Agora só falta Roland Garros
às 14h22 - por José Nilton Dalcim

O que falta para Rafael Nadal ser considerado numericamente o maior tenista sobre o saibro de todos os tempos? A rigor, só a sexta conquista em Roland Garros. Ainda que fique atrás de outros dois multicampeões em quantidade de títulos no saibro, como Guillermo Vilas e Thomas Muster, que possuem marcas dificilmente alcançáveis, a simples comparação entre a qualidade dos troféus é suficiente para que o canhoto espanhol só possa mesmo ser nivelado ao cabeludo sueco.

E o que Borg fez no saibro que ainda vale mais do que Nadal? Claro, Roland Garros. Onde faturou seis vezes, duas delas sem perder sets, e sofrendo uma única derrota no domínio que durou oito edições (ele foi campeão em 74-75, perdeu para Adriano Panatta nas quartas de 76, não jogou em 77, foi absoluto de 78-81 e nunca mais voltou). Se olharmos a história de Rafa sobre o saibro parisiense, a semelhança é enorme, incluindo a derrota inesperada de 2009 para Robin Soderling e a recuperação da coroa no ano seguinte. Em 2011, Nadal buscará o hexa, e aí...

O número 1 do mundo conquistou neste domingo o incrível sétimo título consecutivo em Monte Carlo, onde soma 39 vitórias em 40 jogos. Nem Ayrton Senna com a McLaren foi mais rei no Principado. A conquista lhe deu o 30º troféu da carreira no saibro, igualando-se a Borg e Manuel Orantes como terceira marca da Era Profissional. Parece improvável que atinja os 45 de Guillermo Vilas ou mesmo os 40 de Thomas Muster, a menos que se dedique a jogar torneios menores nos próximos três ou quatro anos. Duvido que faça isso, e na verdade não fará a menor diferença.

Bem mais interessante é ver que ele já tem 44 troféus na carreira, ocupando o 12º lugar ainda aos 24 anos e dez meses, ao lado do mesmo Muster. Entre os jogadores em atividade, está ainda a 23 de Roger Federer, cinco anos mais velho, o que o  obrigaria a ter mais três temporadas de grande sucesso para se aproximar. Também não é uma tarefa fácil, mas novamente fica a pergunta: faz alguma diferença?

Prefiro por fim destacar uma estatística curiosa: o percentual de títulos em finais disputadas. Nadal ganhou 44 das 59, com 74,57% de aproveitamento positivo. É o segundo maior percentual entre todos os grandes nomes do tênis da Era Profissional, novamente atrás de Muster, que venceu 44 dos 55 títulos que disputou (80%). Porém, o canhoto austríaco ganhou apenas um Grand Slam e sete Masters. Seria justo, portanto, afirmar que por enquanto o jogador mais efetivo é mesmo o espanhol de Mallorca, por conta de sua extraordinária firmeza física e mental.

Para efeito de curiosidade, somente outros quatro dos maiores campeões do tênis têm percentual acima dos 70% na relação finais-títulos,  pela ordem: Pete Sampras (72,7%), Borg (72,4%), Federer (71,8%) e John McEnroe (71,2%). A seguir, vêm Jimmy Connors (67,7%) e Ivan Lendl (65,2%), porém é mais do que importante se frisar que Connors realizou, acreditem, 158 finais na carreira, enquanto Lendl chegou a 144.

Vice lógico - A excepcional campanha de Bruno Soares e Juan Ignacio Chela terminou nos irmãos Bob e Mike Bryan, que não precisaram de 60 minutos para faturar Monte Carlo. E antes que alguém se apresse em lamentar, recorde-se que a dupla de maior sucesso na história do tênis já ganhou tudo que é possível sobre o saibro: Roland Garros, Monte Carlo, Barcelona, Hamburgo, Roma e Madri. Nem dá para comparar.

Bruno, é claro, merece elogios, embora não seja a menor novidade sua capacidade no circuito e no saibro. Ele retoma em Barcelona a parceria com Marcelo Melo, reiniciando a luta para se manter entre os oito que irão a Londres. A final em Mônaco - primeira de um brasileiro em nível Masters em oito anos! - certamente é uma enorme motivação.


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Murray renasce, Nadal e Bruno prontos para a história
às 15h42 - por José Nilton Dalcim

Andy Murray, logo ele que andava tão desacreditado, parece ser o homem mais tarimbado no circuito para dar trabalho ao espanhol Rafael Nadal no piso de saibro. O escocês literalmente renasceu para a temporada em Monte Carlo. Além de ter realizado três partidas muito seguras, fez o que parecia impossível num piso lento: tirar um set do multicampeão, com direito a quebras de saque, vitórias em longas trocas de bola e em games de 18 minutos.

Claro que ao final das três horas de ótima batalha, deu Nadal. Muito em função de sua extraordinária capacidade mental de nunca se abalar, de ter a certeza de que é melhor do que o adversário. O escocês, que considerou não ir à quadra devido a uma dor no cotovelo direito e jogou à base de cortisona, não aguentou o esforço e perdeu o jogo quando decidiu encurtar os pontos, provavelmente por conta da contusão e da falta de fôlego. Mas deixou uma excelente impressão para aqueles que não acreditam no seu tênis sobre o saibro.

Nadal, por sua vez, precisava ser efetivamente testado nesta abertura de temporada europeia. Precisou de todos seus recursos para suportar os intermináveis sets - cada um dos dois primeiros levou 70 minutos - e cometeu erros, mas por fim explicou por A mais B porque é o rei do saibro. Movimentação extraordinária, resistência física, capacidade de ataque e defesa, postura mental vencedora. É a receita que pode fazer dele o maior tenista sobre o piso lento da história, algo que muitos ainda não lhe conferem devido aos títulos não menos espetaculares de Bjorn Borg.

David Ferrer não parece ter condições de fazer melhor do que Murray, ainda que seja um tenista experiente, com físico privilegiado e determinação notável. Terá de misturar paciência com ousadia, mas lhe faltam bolas vencedoras. Então dependerá muito mais do que Nadal fará. Hoje, por exemplo, seu adversário foi um Jurgen Melzer completamente diferente do austríaco da véspera diante de Roger Federer, que falhou em tudo a partir do 3/1 do primeiro set e acabou frustrando quem esperava um duelo apertado.

Duplas - E quem já fez história foi o mineiro Bruno Soares: primeiro brasileiro a ir à final de um Masters desde Guga Kuerten, em Indian Wells de 2003, conforme conta Sheila Vieira no TenisBrasil. Demais.

Ele e Chela conseguiram incrível entrosamento, mas é bom lembrar que o argentino é excelente devolvedor e muito experiente, embora sem grandes resultados em dupla. O mais curioso é que, se vencerem os todo-poderosos irmãos Bryan, a nova parceria ganhará 1.000 pontos e vai ultrapassar o dueto Soares/Marcelo Melo no ranking da temporada, que tem 860.

Barcelona - Duas importantes notícias sobre o ATP 500 de Barcelona, que começa na segunda-feira. A primeira é que os quatro semifinalistas de Monte Carlo estão inscritos - se bem que ainda imagino Murray pulando fora para tratar do cotovelo - e a chave se mostra uma das mais fortes dos tempos recentes. A outra é que o site do torneio - www.barcelonaopenbancsabadell.com - mostrará ao vivo todos os jogos da quadra central. Algo importante porque o SporTV só entra a partir da quinta-feira.

Thomaz Bellucci terá dois jogos difíceis antes de um possível reencontro com Nadal. Pega Santiago Giraldo e provavelmente Ruben Ramirez Hidalgo nas rodadas anteriores na condição de favorito, então podemos imaginar um duelo contra o número 1 justamente na quinta-feira. Outro destaque é o retorno de Juan Carlos Ferrero, após sete meses de afastamento, num período em que a escassez de especialistas no saibro parece cada vez maior.


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