Apesar da derrota, Feijão ainda é opção para a Davis
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11h25 - por
José Nilton Dalcim
A menos que algo muito extraordinário aconteça nas próximas semanas - quem sabe, uma vitória de Ricardo Mello hoje -, o time brasileiro para a Copa Davis está praticamente decidido. O capitão João Zwetsch pretende obviamente contar com Thomaz Bellucci e Bruno Soares, mas irá promover João Souza, o Feijão, para a condição de número 2 do time. O outro duplista deve ser Marcelo Melo, ainda que haja opções.
Mais uma vez, o Brasil vai enfrentar a Colômbia no Zonal Americano, no terceiro duelo entre os dois países em cinco anos. Além da vantagem de jogar em casa, ainda contamos com um histórico importante: jamais perdemos dos colombianos em seis confrontos, nem mesmo como visitantes. Bogotá, afinal, é quase a segunda casa do tênis brasileiro, local de sucesso para os brazucas que adoram um saibro na altitude, como Marcos Daniel, Feijão e o próprio Bellucci.
Exatamente por isso, Zwetsch já solicitou à Confederação que encontre um local para a disputa que tenha alguma altitude, mas sem exagero. Ou seja, algo em torno de 800 a 1.000 metros, como São Paulo ou Curitiba, para dar alguma vantagem a Bellucci e Feijão.Jogar ao nível do mar, tornando o saibro mais pesado, certamente não agrada muito os colombianos - Alejandro Falla na verdade detesta isso -, porém também não é o ideal para os brasileiros. A CBT promete anunciar a sede logo depois do Carnaval.
A dupla também merece cuidado. Embora tenhamos Soares em excelente forma, a parceria com Melo foi desfeita e isso exigirá pequenos ajustes caso se confirme. Pior de tudo é que os colombianos cresceram muito também nisso. Não vamos esquecer que Juan Sebastian Cabal foi finalista de Roland Garros no ano passado e hoje é 24º do mundo, podendo fazer boa dupla com Robert Farah. Os jogos serão entre 6 e 8 de abril.
Público - Texto da Folha de S.Paulo de hoje dá conta que foram vendidos 2.200 ingressos no primeiro dia do Brasil Open no ginásio do Ibirapuera. Se for mesmo isso, não é ruim, já que a média de público para torneios 250, segundo a ATP, é de mil pessoas nas rodadas iniciais. Claro que, na imensidão do Ibirapuera, fica uma sensação de vazio. Mal se vê guardadores de carro nas redondezas do ginásio, muito menos cambistas. Estou curioso para saber como será esta boa quarta-feira, com as estreias de Juan Carlos Ferrero e David Nalbandian, além do clássico Bellucci x Mello.
CBT está perto de ter sua data no calendário WTA
às
10h33 - por
José Nilton Dalcim
Conforme havia prometido, o presidente Jorge Lacerda está bem perto de dar outra grande tacada. Com dinheiro em caixa e credibilidade junto aos patrocinadores, a Confederação Brasileira tem prioridade na compra de um torneio de nível WTA, que pertence a uma promotora francesa, e assim o Brasil tem tudo para voltar a sediar eventos de primeira linha do circuito feminino. O último foi aquele da Costa do Sauípe, em 2002.
A CBT vem negociando desde o final do ano passado a compra de uma data. Informações extra-oficiais dão conta que o valor pedido gira em torno de US$ 500 mil, o que certamente é um bom investimento, já que esse tipo de propriedade não costuma perder valor no mercado esportivo internacional. Ao contrário, cresce.
O torneio deverá estrear em 2013 e ter premiação de US$ 220 mil, semelhante ao que Bogotá promove nesta semana. Caso se concretize o negócio, a ideia é grudá-lo ao próprio torneio colombiano. Isso começaria a dar esboço a um circuito latino-americano feminino, já que também é disputada a chave de Acapulco no final de fevereiro.
Dado esse primeiro passo, a CBT pretende adquirir um ATP. Já é parceira de peso no Brasil Open - todos os contratos firmados com o governo paulista tem de passar pela entidade antes de ir para a promotora, algo em torno de R$ 2 milhões -, mas o que Lacerda quer mesmo é um produto exclusivamente da Confederação.
"Já avisamos a ATP que somos interessados e queremos entrar na disputa assim que surgir alguém vendendo data", conta o dirigente, que foi reeleito neste domingo e vai permanecer no comando até 2017. "Está claro para mim que o crescimento do tênis depende muito de a CBT conseguir promover grandes torneios, como acontece nos EUA, França, Austrália, Inglaterra".
Como o calendário masculino é restrito, sem possibilidade de criação de novos eventos mesmo em nível 250, é preciso esperar que alguém coloque uma data à venda ou para alugar. A do Brasil Open, por exemplo, pertence à Octagon britânica, que extinguiu o torneio de Brighton (e não Bristol, como escrevi anteriormente) em 2001 e "alugou" a data, num contrato que tem sido renovado de período em período.
Pequenas notas de um sábado de decepções
às
22h09 - por
José Nilton Dalcim
Completando o que foi um fim de semana definitivamente desastroso, Roger Federer também não ganhou a partida de duplas ao lado de Stanislas Wawrinka, ocasionando uma das maiores surpresas da Copa Davis recente. Nem tanto pela qualidade do time americano, mas pelo fato de os suíços terem escolhido um saibro que deveria ser lento e atrapalhar os adversários.
Mas o que vimos foi John Isner tão bem adaptado como em Roland Garros de 2011, quando deu sufoco no todo-poderoso Rafael Nadal; um Mardy Fish consistente e confiante; e uma dupla improvisada entre Fish e Mike Bryan que soube usar a vantagem construída na sexta-feira. Enquanto isso, Federer e Wawrinka viveram altos e baixos e aquela 'furada' do grande Roger no finalzinho da partida espelha com maestria o que vimos em Friburgo. À distância, Federer me pareceu completamente despreparado para o duelo, dividido entre alguma lentidão e certa impaciência. Inclusive com o amigo-parceiro.
Outro visitante a brilhar foi a Argentina, que novamente teve em David Nalbandian o condutor. Seja ou não um homem difícil de se conviver - e todo mundo jura que é -, ele tem inegável espírito de Davis. A Sérvia certamente vai se classificar neste domingo e a Espanha passeou de novo no saibro de casa, agora com a dupla correta: Marcel Granolers-Marc Lopez. Que time!
Do outro lado do Oceano, frustração brasileira no quali do Brasil Open. Perdemos seis duelos contra os argentinos. Tudo bem que eles são especialistas, mas esse saibro coberto e mais veloz deveria estar à nossa feição. Restaram Bruno Sant´Anna e André Ghem, que têm missão duríssima no domingo. A chave, ao que tudo indica, vai ficar recheada de argentinos e com apenas três brasileiros, já que todos os convites foram para estrangeiros. O terceiro e último, para o espanhol Javier Martí. Quem?
Mas temos boas notícias. Para as meninas. Roxane Vaisemberg tentará o segundo troféu de US$ 25 mil da carreira no torneio da Riviera, enquanto Nanda Alves e Teliana Pereira ganharam no quali de Bogotá. Ninguém se surpreenda, aliás, se em breve, talvez muito breve, esse evento da Riviera se transformar num WTA de US$ 220 mil.
Por fim, Jorge Lacerda será reeleito para seu terceiro mandato neste domingo, em assembleia geral que acontece em São Paulo. Candidato único, já que nenhuma chapa ousou fazer oposição, ele já tinha obtido 28 a 0 na votação para a mudança de estatuto. Difícil me recordar de unanimidade maior na história do tênis brasileiro.
A sempre imprevisível Davis não muda regulamento de novo
às
20h42 - por
José Nilton Dalcim
Confesso que todo final de temporada - e na verdade, início também - fico na expectativa de a Federação Internacional anunciar a mais drástica mudança na Copa Davis: a diminuição do jogo de cinco para três sets. Explico: essa seria a fórmula mais correta de abrandar as críticas à competição e sua (má) influência no calendário.
O público não seria afetado? Tenho certeza que não, a menos é claro que tivéssemos duas partidas na sexta-feira com placares muito elásticos, o que convenhamos não é normal para o Grupo Mundial ou a repescagem. Além disso, 3 ou 4 horas de bom tênis são absolutamente suficientes, valem um ingresso de 60 dólares.
Por fim, evitaria o desgaste enorme dos tenistas, especialmente os de ponta, que já têm de encarar viagem, uma semana longe com muito treino, trocas de clima e de piso e, pior ainda, ter às vezes de jogar na semana imediatamente seguinte. Conforme os resultados, temos a triste chance de perder Ferrero, Nalbandian para o ATP brasileiro que começa em três dias. E, argh, ainda mantém o quinto set longo, sem tiebreak.
Bom, mas o regulamento não mudou de novo, e o que vimos nesta sexta-feira foi a velha sina da Copa Davis, em que favoritos decepcionam, escolhas de quadra se mostram completamente equivocadas, raça supera talento, jogar em casa vira pressão e não vantagem.
Claro que a maior surpresa, de longe, são os 2 a 0 norte-americanos. Só por ser sobre o saibro, já seria uma novidade e tanto. Mas diante da Suíça? Fora de casa? Contra Federer? Incrível. A maioria vai culpar a instabilidade de Wawrinka (que um amigo próximo chama de Bellucci suíço), ao não conseguir deter Fish, porém é inegável a frustração que foi Federer. Mesmo com a derrota no jogo anterior, ele tinha que se impor. Ao contrário, foi dominado por um valente Isner, que ganhou trocas de bola e anotou 85 winners. Uau!
Já a Alemanha deve estar amargamente arrependida de escolher o saibro contra a Argentina, convenhamos uma das opções mais exóticas dos últimos tempos. Espanha, Sérvia, República Tcheca e Áustria abriram larga vantagem, mas é preciso registrar o sufoco que o Cazaquistão deu principalmente a Ferrero, quando Kukushkin abriu o quinto set com quebra. Por fim, o Japão empatou mesmo com a derrota de Nishikori. Canadá e França jogam mais tarde.
Daniel volta - O bom gaúcho Marcos Daniel me conta por fone que vai voltar às quadras no future de Itajaí, dentro de duas semanas. Mas nada a sério. Ele aceitou jogar a chave de duplas ao lado do pupilo Bruno Sant´Anna. Mas vai ser divertido.
Canal francês extrapola na acusação a Nadal
às
11h36 - por
José Nilton Dalcim
O Canal+ da França perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Numa pretensa ironia ao caso do ciclista espanhol Alberto Contador, suspenso dois anos pelo suposto uso de substâncias dopantes, os editores tiveram a infeliz ideia de produzir um vídeo em que a figura central é nada menos que Rafael Nadal.
"Os esportistas espanhóis não ganham por acaso", sentencia o Canal+ ao final do vídeo, em que Nadal vai a um posto de gasolina, toma água, urina no tanque de combustível e o carro sai voando pelas estradas. Para ver o vídeo de tão mau gosto, clique aqui.
A pisada de bola jornalística se caracteriza por dois motivos bem básicos: em primeiro lugar, transfere a todos os atletas da Espanha a alcunha de "dopados", o que é absolutamente incorreto. Depois, usa a imagem de Nadal, que jamais teve qualquer problema com as centenas de exames que já realizou, como um exemplo de uso indevido de substâncias.
Para piorar o caso, ainda é preciso dizer que a Corte de Arbitragem Suíça (CAS) chegou ao veredito do caso Contador sem ter uma certeza absoluta de que o campeão da Volta da França estivesse realmente dopado. A conclusão é que o uso de doping é "a hipótese mais provável". E mais: Contador perdeu o título da Volta, ainda que o susposto uso tenha sido posterior.
Obviamente, a atitude pouco salutar do Canal+ francês já levou a Real Federação Espanhola a anunciar que vai apresentar denúncia contra o vídeo, que usa indevidamente o logo da entidade.
Nada contra o combate ao doping, uma praga que infesta o esporte em todos os níveis. Autoridades afirmaram ontem que imaginam que 1 a cada 10 atletas que estarão nos Jogos Olímpicos de Londres de 2012 faça uso de alguma substância ilegal. Incrível e lamentável. Mas isso não dá direito a acusações levianas.
Saques e devoluções
às
16h35 - por
José Nilton Dalcim
Recebo do internata e já amigo Bernardo Savassi, de Belo Horizonte, alguns artigos fabulosos de um site chamado 'The Conversation" (www.theconversation.edu.au), que reúne todo tipo de informação acadêmica em formato de reportagens. Ali tem de tudo: negócios, economia, ecologia, saúde, medicina, política e, é claro, esporte. E, é claro, tênis.
Escolhi para comentar aqui dois estudos antagônicos porém interligados: o saque e a devolução. Embora possamos discordar de alguns tópicos ou considerar outros bem óbvios, o que eu acho importante é a base científica dada aos temas. Vamos ver.
O artigo sobre o saque quis determinar até que ponto a velocidade do serviço no tênis atual - masculino e feminino - determina a vitória ou a derrota, tanto em pisos sintéticos como no saibro. Os estudiosos então compararam a diferença de velocidade de saque entre o vencedor e o ganhador de cada partida disputada no US Open de 2010 e em Roland Garros de 2011.
Qual a conclusão? Embora o ganhador tenha em 90% dos casos sempre um saque mais forte do que o derrotado, ficou claro que a velocidade do serviço inflluencia apenas entre a primeira e quarta rodadas dos dois Grand Slam. A partir das quartas de final, isso se torna irrelevante. O mais curioso dessa análise, que foi publicada no Journal of Recreational Mathematics, é que, no masculino, os grandes sacadores levaram mais vantagem sobre seus adversários em Roland Garros do que em Flushing Meadows.
Não menos valioso é o estudo sobre devoluções. Conforme já sabíamos, um saque a 200 km/h dá um tempo reação ao adversário de apenas 0,33 segundos. Como então se conseguem hoje tantas devoluções perfeitas?
Obviamente, a análise concluiu que tenistas muito capacitados combinam duas habilidades para isso: a capacidade de "ler" a direção do saque a partir do movimento do adversário ou do lançamento da bola - os melhores conseguem antecipar a possivel trajetória no momento do ponto de contato - e mentalizar o percentual de saque dirigido conforme a situação da partida (30-iguais, break-point etc.)
Uma simulação realizada recentemente colocou tenistas em situações hipotéticas de uma partida de forma que o primeiro saque de cada game fosse sempre dado no mesmo local. Os jogadores com maior capacidade conseguiram detectar esse padrão já no final do primeiro set. Outra pesquisa comprovou que os melhores devolvedores conseguem prever a direção 300 milisegundos antes de o saque ser efetivamente dado.
Por isso mesmo, a grande maioria dos sacadores procura métodos de 'esconder' o golpe até o último instante. Pete Sampras por exemplo tinha um método todo próprio de treinar, tentando lançar a bola sempre no mesmo local. Só depois de fazer o 'toss', seu técnico gritava onde queria o saque.
Para ler a íntegra do artigo sobre o saque, clique aqui. Para conferir o artigo sobre as devoluções, clique aqui.
Bellucci sofre pior derrota no saibro, Feijão é top 100
às
18h50 - por
José Nilton Dalcim
Atualizado às 23h42, com vitória do Feijão
Não poderia ser menos motivante. Há 10 dias de disputar o primeiro Brasil Open em São Paulo, num clima que poderia ser de euforia, o paulista Thomaz Bellucci sofreu sua pior derrota sobre uma quadra de saibro desde que se tornou um jogador de prestígio no circuito.
Impossível avaliar o que aconteceu nesta quinta-feira na lentidão de Viña del Mar, já que não tivemos imagens. As poucas estatísticas da partida dão um sinal: 46% de acerto no primeiro saque, com 60% desses pontos vencidos, e seis duplas faltas. Nada bom. Quatro quebras de serviço sofridas, apenas um break-point evitado. Fraco.
A queda diante do garotão argentino Federico Delbonis, 172º do mundo e também canhoto, um dos bons nomes da nova geração com seu 1,90m e golpes pesados da base, se torna assim a mais sofrível derrota de Bellucci desde fevereiro de 2010, curiosamente quando ganhou Viña e entrou para a faixa dos 40 primeiros do ranking.
Nesse período, o número 1 brasileiro teve quedas no saibro para jogadores mal classificados, mas nenhuma delas realmente importantes: Ricardo Mello, então 135º, num Sauípe em que Bellucci jogou duas partidas no mesmo dia e vinha do título no Chile; Marcos Daniel, 152º, na final do challenger de São Paulo, finzinho de temporada; e Paolo Lorenzi, 148º, na estreia de Roma em que Bellucci não estava fisicamente bem e vinha da semi em Madri. Antes de Delbonis, o adversário de mais baixo ranking a derrotar Bellucci no saibro era Pablo Santos, 215º no challenger de San Benedetto, em julho de 2009.
Outros dois jogadores de ranking ainda inferior venceram o canhoto paulista, mas no piso duro e no ano passado: Jan Hernych, 241º na Austrália, e James Blake, 173º em Miami. O mesmo Blake, como 135º, havia vencido também em Estocolmo de 2010. A quadra sintética, no entanto, nunca foi mesmo o forte de Bellucci.
Resta torcer para que o saibro coberto do Ibirapuera inspire mais. Desde que iniciou a parceria com o técnico Daniel Orsanic, o brasileiro fez cinco jogos e perdeu três. Por sorte, não vai perder mais do que uma ou duas posições e então chegará para o ATP paulistano ainda no top 40. Mas não será um dos quatro cabeças, o que o obrigará a jogar desde a primeira rodada. Que o sorteio ajude!
Muito melhor foi a segunda partida de João Souza, o Feijão, em Viña del Mar. Este é outro que gosta do saibro chileno - foi semifinalista em Santiago - e passou por um teste mais psicológico do que técnico diante do ainda irregular Fernando González. O ex-top 5 obviamente não esteve nem perto do seu auge, e dizem que dificilmente voltará, mas o grande mérito é Feijão ter mantido a cabeça no lugar diante da pressão da torcida. Agora, pega outro tenista de muita estrada, Juan Ignacio Chela.
O saibro é, com certeza, o piso que Feijão melhor se adapta e por isso ele pode muito bem aproveitar o circuito latino-americano para dar uma boa arrancada na temporada. Até agora, não recebeu o convite para o Brasil Open, mas é o candidato natural depois que o japonês Tatsuma Ito (que tinha o direito ao terceiro e último wild-card por ter vencido o challeger de Recife no ano passado) abriu mão de participar.