Atos heróicos
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16h48 - por
José Nilton Dalcim
Perdendo ou ganhando, Roland Garros viu um dia de superação, muitas vezes heróica, no complemento de sua segunda rodada. Claro que o destaque foram as 5h41 entre Paul-Henri Mathieu e John Isner, mas Andy Murray e Grigor Dimitrov também fizeram esforço memorável, enquanto veteranos como Tommy Haas e Francesca Schiavone provaram que ainda têm muito amor pelo tênis.
Entre tantas histórias emocionantes de determinação, a de Mathieu também impressiona. Em entrevista ao site oficial de Roland Garros, ele conta que foi vítima de uma osteotomia e que precisou fraturar a tíbia e o perônio para que sua perna voltasse à forma original. Por isso, ficou um ano todo fora das quadras e, de ex-top 12, está agora no número 261 do ranking. Mas recuperou a qualidade do seu tênis, isso é certo e, se conseguir descansar, terá chance contra Granollers ou Jaziri.
Aliás, continua uma aberração essa regra que exige o quinto set longo (que vale para todos os Slam, menos o US Open). No tênis acirradíssimo de hoje, não se justifica, porque irá fatalmente prejudicar o vencedor. Se o placar está 2 sets a 2, 6/6 no quinto, mais do que explícito o empate, não? Que venha o tiebreak. Ou então reservem uma quadra só para o Isner.
Murray também merece elogios pela perseverança. Estava literalmente travado, sacando como um amador, e contou é claro com a ajuda de Nieminen, que parecia esperar pelo abandono. Ele não veio, e o escocês conseguiu a virada.
Muito curioso também o duelo entre os habilidosos Gasquet e Dimitrov. O búlgaro surpreendia e tinha saque a favor para fazer 2 a 0, mas aí vieram as cãibras. Mesmo assim, não desistiu e lutou mais dois sets, que foram muito bons. Os dois fizeram belos pontos, tirando todos os efeitos possíveis da bola. Agora, pega Haas, que aos 34 anos está jogando um tênis de primeira. Com Murray pela frente, o francês parece o grande candidato para encarar Ferrer nas quartas.
No meio de tudo isso, claro, jogou Rafael Nadal. Com atuação que nem foi perfeita, destruiu o cazaque Denis Istomin. Em seis sets até agora, cedeu apenas nove games. O treino para a segunda semana continua satisfatório.
No feminino, a heroína Virginie Razzano durou uma rodada, naquelas histórias crueis do tênis. Pior ainda, perdeu da limitada Rus. O esforço do dia coube à incansável Francesca Schiavone, pertinho dos 32 anos, que continua a encantar com seu estilo tão variado. Kvitova, Na Li e Wozniacki passearam.
Sinceridade - Um jornalista pergunta a Nadal se é verdade que seu lugar favorito em Roland Garros é o vestiário. Resposta: "Eu fico muitas horas lá. Você pode assistir a todos os jogos e o vestiário é um lugar bem legal. Acho que é um dos melhores do mundo".
Perigo - O russo Mikhail Youzhny passou dois jogos sem perder sets e não me surpreenderia se desse trabalho a Ferrer. Resta torcer para ele assuma mesmo a aposentadoria do time da Copa Davis, que nunca acontece.
Argentina - Com inesperadas vitórias de Eduardo Schwank e Leonardo Mayer e a boa atuação de Juan Monaco, a Argentina colocou quatro nomes na terceira rodada masculina. De todos, só mesmo Del Potro tem uma chance real de ir bem mais longe, mas está contundido. Ao menos, los hermanos retomam a longa tradição de sucesso sobre o saibro.
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Guillermo Vilas talvez não tenha a consideração histórica que merece. Ele fez quatro finais em Roland Garros, ganhando em 1977 e perdendo todas as outras para suecos (Borg e Wilander). Sua versatilidade era grande: venceu na grama da Austrália e no har-tru do US Open, além de um Masters Finals no tapete. Ao ganhar dois Slam e outros 14 torneios em 77, terminou a temporada com 130 vitórias e apenas 15 derrotas, mas nem assim chegou à liderança do ranking, fato que contesta até hoje. Tem alguns dos mais incríveis recordes do tênis: 46 jogos invictos, sete títulos consecutivos, maior quantidade de títulos (16) e vitórias (130) numa temporada e único a ganhar títulos em cinco continentes no mesmo ano (ATP divide as Américas em duas). Ele também é o recordista de vitórias até hoje em Roland Garros, com 56. No vídeo, o game final e a comemoração diante do norte-americano Brian Gottfried, na final de 1977.
Começa a esquentar em Paris
às
18h19 - por
José Nilton Dalcim
Os jogos geralmente mornos das primeiras rodadas de Grand Slam - eu sempre digo que ganhar um Masters 1000 é quase tão difícil, não fossem os cinco sets - finalmente estão acabando. Ainda é certo que Novak Djokovic e Roger Federer terão partidas muito sem graça na sexta-feira (aliás, o suíço também no domingo), mas já surgem duelos mais dignos.
Djokovic cruzará com Nicolas Devilder, canhoto que já foi top 100 e jogou por aqui, mas hoje está fora do top 200, enquanto Federer jogará contra o limitado Nicolás Mahut, um tenista típico de quadra mais rápida, e depois terá um Kubot ou um Goffin. Curiosamente, os dois tiveram mais trabalho que o esperado nesta segunda rodada, por conta principalmente da própria preguiça. Nole se acomodou depois do 6/0 e pareceu perder o foco, enquanto Roger exagerou na tentativa de diminuir os pontos e desperdiçou dois match-points que evitariam o quarto set.
Mas se olharmos o restante da parte superior da chave mascullina, dá para se entusiasmar com Del Potro x Cilic, Simon x Wawrinka, um possível Tsonga x Troicki e, quem sabe, até Verdasco x Seppi. Se os melhores vencerem, abrirá perspectiva para excelentes jogos de oitavas, que poderão ter Simon x Tsonga, Del Potro x Berdych e Djokovic x Verdasco (e não se enganem com o espanhol, que ganhou quatro de nove duelos).
Os pontos altos desta quarta-feira foram quatro. Cilic atropelou Ferrero, o que não é algo tão fácil no saibro de Paris, enquanto Berdych continua parecendo uma máquina de disparar winners. Delpo suou para tirar o esforçado Vasselin e ao menos sua movimentação não deixou a desejar. Muito bom também o duelo de Simon contra a sensação Baker, que foi ao quinto set. O norte-americano prova outra vez que tem futuro certo no top 50 caso o físico permaneça firme.
No feminino, a rodada vinha toda certinha até Bartoli decepcionar. Semifinalista do ano passado, ela corre sério risco de sair do top 10, já que Na Li e Ana Ivanovic ficarão bem perto de superar sua pontuação. Se Azarenka parece manter seu favoritismo para a semi, Radwanska pode sofrer com Kuznetsova, Ivanovic e Kerber, três jogos bem duros.
A rodada desta quinta-feira coloca novamente as maiores estrelas bem cedo - Murray, às 6h, e Nadal, por volta de 7h30 -, mas o duelo que parece mais a pena ver é mesmo o entre Gasquet e Dimitrov, dois jogadores que fazem muita coisa com a bola.
Desastre - Depois de tantas vitórias na primeira rodada, o tênis norte-americano volta a sua (dura) realidade sobre o saibro. À exceção de Bethanie Mattek-Sands, que jogou contra outra americana, todo mundo perdeu na quarta-feira, até mesmo a dupla favorita Liezel Huber/Lisa Raymond, que fez companhia às irmãs Williams. Na quarta, Isner e Levine tentam a sorte na segunda rodada.
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Houve um dia em que o tênis feminino sobre o saibro foi dominado pelas norte-americanas. O principal motivo, no entanto, tinha nome e um rosto lindo: Chris Evert. A 'namoradinha da América' ganhou sete das oito finais que disputou em Roland Garros - recorde absoluto - e ganhou, acreditem, 125 partidas consecutivas sobre a terra batida, entre os anos de 1973 e 1979. Chris foi noiva de Jimmy Connors, mas se casou em 1979 com o tenista britânico John Lloyd. Divorcida, tentou a vida com o esquiador Andy Mill, com quem teve três filhos e cuja separação custou a ela US$ 7 milhões. Em 2008, se casou com o golfista Greg Norman, porém o relacionamento durou apenas 18 meses. (No vídeo acima, final entre Chris e Martina Navratilova de 1985).
A batalha de Razzano
às
18h01 - por
José Nilton Dalcim
Se existe um esporte em que tudo pode acontecer, certamente ele é o tênis. Dois dias atrás, Victoria Azarenka parecia virtualmente eliminada de Roland Garros quando sua adversária, Alberta Brianti, fez 4/0 e saque no segundo set. Não aguentou e tomou uma incrível virada. Nesta terça-feira, um jogo ainda mais maluco mexeu com os nervos da Philippe Chatrier e teve um final feliz. Para a torcida da casa, é claro.
Acho que houve praticamente de tudo entre Serena Williams e Virginie Razzano. Jogo de altos e baixos, cheio de alternativas, muito espírito de luta. Quem nunca viu tênis, teve um retrato perfeito de como a cabeça mexe com a parte técnica: tensão, alegria, frustração, superação. As emoções se sucederam enquanto as duas batalhavam em quadra, resultando em bolas espetaculares ou erros infantis.
A arbitragem também cooperou para dar molho ao duelo. Os juízes de linha franceses mantiveram a fama de cometer falhas grosseiras e a pior delas pode ter decidido o tiebreak: Serena tinha 5-3 e golpeou um forehand indefensável para fazer 6-3, mas eis que o auxiliar canta um "out" na hora que ela já estava batendo na bola. O ponto voltou, Serena errou e o placar de 6-3 virou 5-4.
Claro que isso nem de longe serve de desculpa para a atuação pífia daquela que muitos consideravam favorita ao título de Paris. Seu jogo beirou o ridículo até Razzano abrir 5/0 no terceiro set. Veio então o nono game, épico, em que Razzano foi de duplas faltas incompreensíveis a winners desconcertantes. Serena levou enorme azar numa devolução perfeita que saiu por milímetros, e sorte da mesma proporção numa paralela toda atrasada que tocou a linha. Ah, e a juíza grega Eva Asderaki ainda levou uma estridente vaia por ter tirado dois pontos da francesa, porque ela gritou algo muito parecido com "out" ao golpear bolas profundas.
Por fim, com justiça, deu Razzano. Embora poucos tenham ouvido falar, ela já foi a 16ª do mundo em 2009, temporada em que atingiu as oitavas de Paris e de Wimbledon. Viveu também um drama particular, com a morte do técnico e noivo, que quase a fez encerrar a carreira.
Virginie deu boas lições: primeiro, de não se abalar com o favoritismo alheio; depois, de lutar o tempo inteiro, não importa o placar; por último, ainda ficou de pé aplaudindo a saída de Williams da quadra. Que sirva de exemplo a um esporte que um dia foi de cavalheiros.
Sem graça - A partida, aliás, salvou uma rodada que estava completamente sem graça, com vitórias absolutamente formais de Rafael Nadal, Andy Murray, David Ferrer, Maria Sharapova, Petra Kvitova e Caroline Wozniacki. Vale registro para o jogo agitado em que Juan Monaco tirou o local Guillaume Ruffin (que já foi esperança nacional) e a segunda rodada que Richard Gasquet fará contra Grigor Dimitrov.
Legião - A vitória de Razzano só aumentou a euforia francesa. A chave masculina já anotou um feito: 13 dos 17 que jogaram a primeira rodada, venceram, o que seria o maior número de tenistas da casa numa segunda rodada desde 1971 (não consegui confirmar este dado ainda). No feminino, são seis classificadas, mas a comemoração é bem menor justamente porque a França não tem qualquer nome classificado para as Olimpíadas. As postulantes Alizé Cornet e Pauline Parmentier caíram e Marion Bartoli não irá porque é brigada com a Federação.
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O placar de duplo 6/0 de Sharapova impressionou nesta terça-feira, mas nada foi mais incrível do que a final de 1988 em Paris, em que a número 1 do mundo, a alemã Steffi Graf, não permitiu games à então soviética Natalia Zvereva, que havia surpreendido Martina Navratilova nas oitavas e contou com queda inesperada de Chris Evert nas primeiras rodadas. A partida durou apenas 32 minutos e Graf perdeu tão-somente 13 pontos. Na cerimônia, foi lacônica: "Desculpem pela rapidez". Naquele mágico ano, Steffi ganharia todos os quatro Slam e ainda levantaria a medalha olímpica em Seul, o que formou um único e inédito 'Golden Slam'.
Esse incrível Roger Federer
às
20h09 - por
José Nilton Dalcim

Golpes pesados, bate pronto em cima da linha, voleios precisos, saques poderosos. Roger Federer nem parecia estar jogando sobre o saibro em sua estreia em Roland Garros. O alemão Tobias Kamke entrou no ritmo desejado e disparou bolas rápidas que tanto combinam com o tênis sem esforço do suíço. Apesar de perder três games de serviço, uma aberração para uma primeira rodada de Grand Slam em se tratando de Federer, foi uma estreia duplamente satisfatória: rápida e com boas trocas de bola.
Embora ninguém tivesse dúvida que isso fosse acontecer, Federer alcançou a marca de 233 vitórias de Grand Slam do lendário Jimmy Connors com quase oito anos a menos do que os 39 do espetacular canhoto norte-americano, que teve uma carreira de 21 temporadas nos grandes torneios. Para se ter uma ideia do que Roger já fez nessa caminhada, basta comparar às 149 vitórias de Rafael Nadal ou às 117 de Novak Djokovic nos Slam. Se quiserem alcançar Federer - supondo, é claro, que o suíço não aumente muito sua própria lista - os dois fenomenais tenistas teriam de ganhar três Slam e chegar a uma outra semi pelas próximas quatro ou cinco temporadas.
Como Federer chegou a número tão impressionantes com menos de 31 anos? Todo mundo se lembra de seus 16 troféus nos Slam, mas ele fez ainda outras sete finais e mais sete semis. No US Open e na Austrália, ele tem disputado todas as semis desde 2004; em Wimbledon, fez sete decisões consecutivas entre 2003 e 2009; e mesmo no saibro de Roland Garros, tido como seu piso menos, digamos, favorável, ele só não esteve em uma semi desde 2005.
O negócio em Roland Garros deste ano é fazer história. Então importante registrar a estreia de Novak Djokovic rumo a seu quarto título seguido de Slam. Não foi um primeiro set dos melhores diante de Potito Starace, mas aos poucos o sérvio engrenou e, melhor ainda, não cedeu sets. É de grande valia não gastar energia à toa na primeira semana, uma lição que ele certamente já aprendeu.
Nas demais partidas, tudo quase normal. A se lamentar talvez a queda de David Nalbandian, que seria um adversário interessante para Federer na segunda rodada. Mas o argentino não vive mais seus melhores dias no circuito e seguiu a sina de outros veteranos, como Nikolay Davydenko e Lleyton Hewitt. Até agora, o único grande jogo que pintou para a segunda rodada é entre Gilles Simon e Brian Baker.
Adeus nacional - Thomaz Bellucci liderou duas vezes o placar mas, num jogo entre dois tenistas de intensos altos e baixos, prevaleceu a maior categoria do sérvio Viktor Troicki. A derrota, longe de ser surpreendente, é um tanto desastrosa. O número 1 brasileiro já caiu para o 75º posto do ranking, com possibilidade de queda ainda maior, e isso lhe confere a mais baixa classificação desde julho de 2009. Além de ficar em grande dificuldade para obter a vaga olímpica, ele também terá de refazer o calendário, porque não entrará mais nos Masters norte-americanos.
O Brasil encerrou rapidamente sua participação no torneio de simples, completada pela queda previsível de Rogerinho Silva para o forte saque de John Isner e a contusão inesperada de João Souza no domingo. Será que vamos pelo menos viver das duplas? E aí já vem outra má notícia: ninguém entrou na chave de mistas, que tem sido uma derradeira opção nos Slam.
Euforia - Oito franceses já avançaram para a segunda rodada da chave masculina e outros cinco ainda estreiam nesta terça-feira, entre eles Richard Gasquet. Não menos notável foi a atuação das meninas norte-americanas, que até agora ganharam todas as dez partidas disputadas (e ainda têm Serena Williams a jogar). Quanto tempo vai durar a festa?
Nota zero - Roland Garros tem mostrado um incrível retrocesso no plano virtual. Enquanto US Open e Australian Open liberaram imagens ao vivo e gratuitas de suas principais quadras, o Slam francês sequer oferece venda, com faz Wimbledon. Ou seja, o espectador fica à mercê da TV a cabo ou dos sites piratas de 'streaming'. Pior ainda é o desempenho do placar com tecnologia IBM: com frequência, as parciais do jogo anterior ficam registradas na partida que acaba de iniciar, levando a uma enorme confusão sobre quanto realmente está a partida. Um caos.
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James Scott Connors, o "Jimbo", é uma lenda viva do tênis. Com uma carreira iniciada em 1970, quando sequer havia ranking, ele ganhou 109 torneios e 1.242 partidas, marcas que provavelmente jamais serão igualadas no duro circuito de hoje. Durante nove temporadas, faturou ao menos cinco troféus. Canhoto de estilo agressivo, venceu cinco vezes o US Open (em três pisos diferentes), dois Wimbledon e um Australian Open, superando rivais do quilate de Bjorn Borg, Ivan Lendl e o eterno inimigo John McEnroe com sua inesquecível raquete de metal. Aos 39 anos, disputou sua última semifinal no US Open, em 1991. Sua frustração foi ter falhado quatro vezes na semi de Roland Garros.
Dificuldades e preocupações
às
19h00 - por
José Nilton Dalcim

O primeiro domingo de Roland Garros foi morno, como não poderia deixar de ser. Viu-se Jo-Wilfried Tsonga pouco confortável com seu parco histórico no torneio, Andy Roddick cumprindo tabela, queda de decadentes como Jurgen Melzer. Mero aquecimento para a segunda-feira, que terá Novak Djokovic e Roger Federer em quadras diferentes, a número 1 Victoria Azarenka e a atual campeã Na Li. Parece bem mais o torneio que todo mundo quer ver.
A notícia (preocupante) ficou por conta do joelho de Juan Martin del Potro. A coisa parece séria, porque vem desde Madri. E, considerando-se a chave dura que ele tem pela frente, fica difícil acreditar que poderá ameaçar os grandes quando as quartas de final chegar.
Vamos a alguns detalhes curiosos do domingo:
- Juan Carlos Ferrero, que já está na segunda rodada, é um dos 37 participantes com 30 anos ou mais. Esse número marca um recorde em torneios de Grand Slam na Era Profissional.
- Esperança nacional, Tsonga só chegou duas vezes às oitavas de Roland Garros, em 2009 e 2010, e sua única semifinal sobre o saibro em toda a carreira foi no pequeno ATP de Casablanca, em 2008. No total, 17 franceses iniciaram a chave masculina com o sonho de repetir Yannick Noah de 1983. Mahut, Roger-Vasselin e Devilder também avançaram, Mannarino e De Veigy caíram.
- Fernando Verdasco, vencedor hoje em três bons sets, é um dos 21 canhotos inscritos neste ano, outro recorde, que iguala a quantidade do torneio de 1999. Laver, Vilas, Gomez, Muster e Nadal foram campeões na fase aberta.
- Em 10 participações no saibro parisiense, Roddick perdeu nada menos que cinco vezes na estreia e só chegou duas vezes na terceira rodada. Bem perto do medíocre, considerando-se seu histórico de ranking.
Saiba mais
O campeonato nacional francês nasceu em 1891, 14 anos depois de Wimbledon organizar as regras do tênis moderno. A permissão para jogadores estrangeiros competirem veio em 1925, quando o torneio ganhou o nome que permanece até hoje: Championnats Internationaux de France. Fato curioso é que, em 1946 e 1947, nos dois primeiros torneios pós-Guerra, Roland Garros foi disputado depois de Wimbledon. Na foto acima, tirada no início de 1928, a construção do estádio principal.
O caminho para a história
às
09h39 - por
José Nilton Dalcim
Ainda que Rafael Nadal seja o 'rei do saibro' e o homem imbatível em Paris, ou que Roger Federer permaneça o mais querido da torcida, Roland Garros de 2012 precisa ser encarado sob o ângulo de Novak Djokovic. E não apenas porque ele é o número 1 do mundo, ainda longe de ser desbancado, mas porque ele buscará uma façanha tão espetacular que nenhum dos outros dois concorrentes, ou qualquer outro grande das últimas quatro décadas, alcançou.
Nole está perto de se igualar a Rod Laver e ganhar seu quarto Grand Slam consecutivo. Não importa a retórica se é dentro ou não do mesmo calendário. É uma sequência absolutamente incrível. Ele venceu sobre a grama de Wimbledon, nos pisos sintéticos do US Open e do Aberto da Austrália e então se candidata a completar a série sobre o saibro de Roland Garros, um torneio em que ainda não conseguiu passar da semi.
Djokovic pode ganhar Paris? Nos quesitos técnicos e físicos, que são essenciais nas duas semanas puxadas, não resta a menor dúvida que sim. O que vai pesar, como sempre, é a parte mental. Impossível não haver pressão e expectativa sobre cada partida, ainda que, para sua sorte, as atenções sejam muito bem divididas entre a chance de hepta de Nadal e o tênis vistoso de Federer.
O sorteio da chave, realizado nesta sexta-feira, dá o caminho das pedras para todos eles e, sem dúvida, o de Federer é bem mais difícil. Nole começa contra Starace, pega depois Kavcic (ou Hewitt) e terá Melzer ou um quali na terceira rodada. Mero treino. Pode ter mais trabalho se Verdasco confirmar vaga nas oitavas e teria um duelo de maior aperto nas quartas, onde as possibilidades são maiores: Tsonga, Simon ou Wawrinka.
Prematuro apostar que seu adversário da semi será Federer, porque o suíço ficou num grupo forte. Ainda que tenha de passar por Nalbandian na segunda partida, deve superar Stepanek ou López e atingir as quartas. Aí então vem o primeiro grande desafio, porque os candidatos são Berdych e Del Potro (que ainda deverá ter Cilic no jogo anterior). Claro que o suíço tem histórico muito superior no saibro e no confronto direto contra qualquer um deles, mas são adversários de potência, alto risco, capazes de qualquer coisa num dia inspirado.
Não parece haver dúvida que, se enfim atingir sua primeira final em Paris, Djokovic terá então de desbancar nada menos que Nadal. O sorteio da chave dobrou o favoritismo do canhoto espanhol, como se isso fosse necessário. Ele tem Bolelli na estreia, Kunytsin ou Istomin e Florian Mayer. Viria então Monaco ou Raonic nas oitavas e muito provavelmente Almagro nas quartas. Por fim, os candidatos à semi são Murray e Ferrer, mas o escocês corre sério risco já nas oitavas contra o mesmo Gasquet que o tirou de Roma ou o versátil Dolgopolov. De qualquer forma, alguém consegue imaginar qualquer um desses nomes tirando set de Rafa?
Djokovic x Nadal seria a final dos sonhos do apreciador de tênis, porque estaríamos mais uma vez diante de um inevitável feito histórico. Mas até lá, o delicioso será aproveitar 15 dias de ação intensa. Quem sabe, com surpresas.
Brasileiros - Não menos difícil é prever o que vai acontecer com Bellucci, Feijão e Rogerinho em Paris. O nosso número 1 pegou um cabeça, Troicki, porém um dos mais fracos dos favoritos. Dá para vencer, passar pelo habilidoso Fognini e chegar até Tsonga. Estaria de ótimo tamanho. Feijão pegou o número 90 Stebe, que é bem ganhável, e em seguida pegaria o mesmo Tsonga. Já Rogerinho fez um quali perfeito, mas não deu muita sorte na hora de ir para a chave e caiu contra Isner.
Feminino - A chave das meninas ficou bem interessante. Serena pode pegar Wozniacki antes de um eventual duelo contra Sharapova nas quartas e todas elas ainda ficaram do mesmo lado da atual campeã Na Li, que pode reviver a final do ano passado contra Schiavone nas quartas. Bem interessante esse lado inferior. Já Azarenka pegou um grupo de mesclados estilos, que tem Safarova, Cibulkova, Lisicki e Stosur. O mais provável é que reencontre Radwanska na semi, ainda que os mais ousados possam acreditar em uma campanha surpreendente de Ivanovic ou de Bartoli.
O renascimento de Baker
às
19h08 - por
José Nilton Dalcim

Nove anos atrás, Brian Baker era uma revelação. Fato raro, um garoto norte-americano de 18 anos chegou à final da chave juvenil de Roland Garros, superando Marcos Baghdatis na semi e Jo-Wilfried Tsong na final. Perdeu o título para Stanislas Wawrinka, mas parecia não haver dúvida: tinha futuro certo no circuito profissional. Ao terminar 2004, ele já era o 179º do mundo, dando sufoco no top 4 Carlos Moyá no US Open. Manteve-se entre os top 200 na temporada seguinte e de repente Baker sumiu.
O destino não ajudou. Ficou fora das quadras por seis anos, período em que passou por cinco cirurgias: duas no quadril esquerdo, hérnia, outra no quadril direito e uma para o cotovelo. "Todas foram realmente sérias, principalmente as do quadril. Eu sabia que poderia nunca mais jogar tênis, mas não desisti", conta ele. "Aprendi que você não pode lutar contra aquilo que não tem controle. Claro que muitas vezes me perguntei: por que eu? Confesso que no começo, vendo na TV aqueles caras que eu vencia virarem top 10 e competirem tão bem, era duro para mim".
Nesse período, enquanto esperava se recuperar de cada problema físico, chegou a dar aulas e fez faculdade de Administração. Por fim, em julho do ano passado, Baker resolveu tentar novamente o circuito profissional. "Eu me perguntava: será que ainda sou bom? Será que o tênis mudou?" Entrou como convidado e ganhou um future logo de cara. Logo depois, foi à final de um challenger e então terminou a temporada como 456º. Com mais dois títulos de future, precisou disputar o quali no challenger de Savannah e venceu oito jogos. O troféu foi extremamente valioso, porque garantiu a ele o convite da USTA para Roland Garros.
"Estou realmente emocionado por voltar a jogar em Paris. Parece que foi há tanto tempo que estive lá. Será incrível. Na verdade, esse sonho foi um dos motivos pelo qual resolvi voltar. Sabia que, se meu corpo ajudasse, voltaria a disputar um Grand Slam". Nesta semana, Baker furou o quali e já está na semifinal de Nice. Com isso, aparecerá pelo menos no 159º posto do ranking na segunda-feira, que já supera sua melhor marca anterior (172º em novembro de 2004). "Meu primeiro objetivo é chegar ao top 150, depois ao 100. Se me mantiver saudável, terei quatro ou cinco anos de carreira pela frente", contabiliza o tenista de 1,90m e 77 quilos.
Fã de Pete Sampras e Michael Jordan, Baker tenta não pensar no que poderia ter sido sua carreira. "Muitos bons juvenis não decolam como profissionais. Sequer consegui a chance de verificar isso. Mas tento não olhar para trás. Estou feliz por estar vivendo uma segunda carreira, são poucos os que têm essa oportunidade. Eu renasci".
Bellucci e o sorteio - Thomaz Bellucci jogou um belo tênis por 10 games. Depois aparentemente o gás acabou e ele perdeu todos os oito games finais da partida contra o sempre regular Gilles Simon. Tudo normal, ainda que seja uma pena que o número 1 brasileiro não tenha ido um pouco mais longe no saibro de Nice. Conforme comentei no post anterior, seu desafio continua: ele precisa ter sorte na formação da chave, que acontece às 6h30 desta sexta-feira no nosso horário, para ganhar ao menos uma rodada em Roland Garros e se manter no top 70. É o caminho para os Jogos de Londres.
O sorteio, aliás, também será extremamente importante para os favoritos e favoritas. Federer, Berdych e Del Potro são componentes importantes para Djokovic e Nadal, ainda que a rigor nenhum deles ameace a hipotética final entre os líderes do ranking. Entre as meninas, Azarenka e Sharapova pontuam a chave e aguardam Serena, Radwanska, Na Li, até mesmo Wozniacki. O torneio feminino parece muito mais aberto.
Bellucci reage, mas tem provação no saibro francês
às
20h31 - por
José Nilton Dalcim
Depois de uma estreia instável, em que se enrolou para ganhar do canhoto norte-americano Donald Young, um tenista inexpressivo sobre o saibro, o número 1 nacional Thomaz Bellucci mostrou um jogo competente para tirar o ex-rei Juan Carlos Ferrero em apenas dois sets, resultado que o coloca pela segunda vez na temporada numa rodada de quartas de final.
Ainda que Ferrero esteja longe de ser aquele grande jogador de 10 anos atrás, é um adversário de respeito, com vasto conhecimento sobre o saibro. Basta ver o set que ele tirou de Roger Federer dias atrás. Por isso, é preciso dar méritos à atuação de Bellucci, que aproveitou bem o saque em momentos delicados, soube aprofundar a bola para empurrar o espanhol para trás e se mostrou regular. Claro que ainda cometeu algumas falhas, mas de uma forma geral foi um progresso.
As cinco vitórias em Nice, três delas no quali, são a melhor sequência de Bellucci em 2012, cuja única semifinal foi em São Paulo. Mas a provação apenas começou. Seu adversário desta quinta-feira é o local Gilles Simon, que não tem o saibro como piso predileto, mas já bateu Bellucci facilmente em Monte Carlo do ano passado e tem cinco de seus dez troféus de ATP na terra batida (ainda que três tenham sido em Bucareste). Diga-se de passagem que Simon tem uma boa chance de ganhar Nice e voltar ao top 10, posição que ocupou pela última vez em outubro de 2009.
Se conseguir superar o número 12 do ranking, o que seria por si só excepcional, o desafio seguinte deverá ser o espanhol Nicolás Almagro. Mais difícil ainda. Por enquanto, Bellucci pode comemorar uma discreta ascensão de três posições no ranking, mas que não aliviam a necessidade de repetir a terceira rodada de Roland Garros do ano passado para continuar na lista olímpica.
O tênis brasileiro também fica perto de ter um terceiro representante na chave principal de Paris, o sempre guerreiro Rogerinho Silva - a quem costumamos chamar carinhosamente na redação de Little Roger -, que não conseguiu embalar na temporada até agora mas pode recomeçar o sonho do top 100 justamente em Roland Garros. Seu adversário será Javier Marti, aquele que ganhou convite no Brasil Open.
Em tempo: Brian Baker é uma surpresa em Nice. A história desse norte-americano é incrível, por isso vou guardar para o post de amanhã.
Os grandes de Roland Garros
às
19h35 - por
José Nilton Dalcim

Neste dias de aquecimento para Roland Garros - meu torneio predileto da temporada -, permito-me reproduzir, incluindo mais detalhes, um interessante artigo publicado pelo jornalista John Coon no Yahoo! americano, em que ele lista uma série de 10 grandes feitos na história do torneio. Vamos a eles:
Duas vezes seis - Rafael Nadal igualou os seis troféus de Bjorn Borg em 2011. O canhoto espanhol leva a pequena vantagem de ter obtido a marca em menos tempo (sua única derrota foi em 2009, enquanto Borg caiu em 1976 e não jogou em 77).
A mais versátil - A australiana Margaret Smith-Court conquistou 13 troféus no saibro parisiense. Foram cinco em simples, entre 1962 e 1973; quatro em duplas e outros quatro em duplas mistas.
Força juvenil - Os anos 80 viram um incrível sucessão de conquistas de verdadeiros juvenis. Em 1982, Mats Wilander ganhou aos 17 anos e nove meses, marca superada em 1989 por Michael Chang, que venceu aos 17 anos e três meses. Pouco antes, em 1987, Steffi Graf havia faturado aos 17 anos e 11 meses, recorde que caiu também em 1989, quando Arantxa Sanchez ergueu o troféu aos 17 anos e cinco meses. Mas ninguém superou Monica Seles, campeã em 1990 aos 16 anos e seis meses.
40 seguidas - A belga Justine Henin conseguiu um feito incrível durante seu reinado, que foi de 2005 a 2007. Nesse período, ela ganhou 40 sets consecutivos, feito insuperável até agora.
Verdadeiro campeão - Jamais o campeão de Roland Garros de um ano foi derrotado na primeira rodada da temporada seguinte. No feminino, isso só aconteceu uma vez com a russa Anastasia Myskina, que ganhou em 2004 e caiu na estreia em 2005.
A rainha Chris - Não há dúvida de que a norte-americana Chris Evert foi a maior tenista sobre o saibro da história. Ela ganhou Roland Garros sete vezes, entre 1974 e 1986. Na última conquista, cravou o recorde de mais velha campeã, aos 31 anos e cinco meses.
Com a esquerda - Poucos tenistas canhotos venceram Roland Garros em toda a Era Profissional, mas entre eles estão quatro dos maiores de todos os tempos: Rod Laver, Martina Navratilova, Monica Seles e Rafael Nadal.
Domínio espanhol - A Espanha detém o maior número de títulos na chave masculina de Paris, com 14, bem acima dos 11 de Estados Unidos e Austrália (que não ganhou nada desde o início a Era Aberta, em 1969). No feminino, as norte-americanas dominam amplamente, com 27, o último deles com Serena Williams, em 2002.
Que zebra - Talvez a maior façanha recente no torneio tenha sido a do argentino Gaston Gaudio. Ele se tornou apenas um dos quatro únicos não cabeças de chave a ganhar o torneio, em 2004, e também um dos seis que conseguiu virar uma partida final de 2 sets a 0, em cima de Guillermo Coria.
Invencível - Nadal ganhou 31 partidas consecutivas no torneio, entre 2005 e 2009, até cair diante de Robin Soderling. A nova série, iniciada em 2010, já tem 14 vitórias.
Tirem Roland Garros de Nadal, se puderem
às
10h46 - por
José Nilton Dalcim
Mais do que nunca, Rafael Nadal é novamente o dono absoluto do saibro. Se havia alguma dúvida com a situação inusitada que envolveu Novak Djokovic em Monte Carlo ou ainda depois do sempre morno torneio de Barcelona, a conquista impecável sobre o saibro de Roma nesta segunda-feira mostra claramente que o canhoto espanhol reassume o domínio da terra batida, como acontecia até 2010, e é de novo o grande favorito para levar Roland Garros, o que já fez por seis vezes nos últimos sete anos.
Nadal chegou ao saibro europeu um tanto desacreditado. Sem títulos desde Paris do ano anterior, com o joelho novamente a reclamar, tinha ainda que superar Djokovic, que o destronara duas vezes no seu habitat natural em 2011. Pouco a pouco, Nadal voltou a ser o homem imbatível de antes. Mas veio Madri, o polêmico saibro azul, a derrota inexplicável diante de Fernando Verdasco e aí novamente o circuito quis saber: será que o espanhol ainda é o mesmo?
Vitórias contundentes sobre Tomas Berdych, David Ferrer e principalmente Djokovic mostram que, antes de tudo, ele continua a progredir tecnicamente. Além do saque mais decisivo, seu backhand está cada vez menos vulnerável. No saibro, onde tem mais tempo para preparar o golpe e o contra-ataque, parece cada vez mais difícil segurá-lo. Somou a isso o ataque na paralela, algo que tinha se mostrado boa solução contra Djokovic até mesmo no piso sintético (lembrem-se do US Open e da Austrália), mas que sua falta de confiança de então o induziu a encolher nos momentos importantes.
Tudo bem, Djokovic não fez uma exibição perfeita nesta segunda-feira, com imensos altos e baixos. Mostrou-se apressado, desequilibrado, tenso e por vezes indeciso quanto ao golpe a executar. Voltou a arrebentar uma raquete diante da frustração, algo que já havia feito contra Juan Monaco. Diante do jogo agressivo de Tsonga e Federer, ele desfilou em quadra, mas a firmeza de Nadal no fundo de quadra o tirou de sintonia. Nole não anda tão firme no aspecto mental e isso é preocupante.
Essa somatória toda só deixa Nadal ainda mais favorito para Roland Garros, onde é preciso ganhar não dois, mas três sets dele, uma tarefa que beira o impossível. Ainda mais quando ele tem total certeza de que é realmente o melhor de todos sobre o saibro.
Quanto à conquista de Maria Sharapova, a segunda seguida em Roma, o circuito feminino agradece. Chegará a Paris com todas alternativas abertas, incluindo a liderança do ranking, ameaçada ainda que remotamente pela musa russa. Se colocarmos necessariamente Na Li no rol das favoritas - incrível como ela perdeu um jogo tão ganho no domingo -, são pelo menos seis fortes candidatas ao troféu, com mínimo favoritismo entre elas. Roland Garros promete ficar sensacional a partir das quartas.
Final em Roma pode valer Roland Garros
às
18h50 - por
José Nilton Dalcim
A lógica prevaleceu. Melhores jogadores da semana sobre o saibro de Roma, o espanhol Rafael Nadal e o sérvio Novak Djokovic irão para mais um jogo histórico. O 'rei do saibro' busca o hexacampeonato no Aberto italiano e a recuperação do número 2 do ranking, enquanto Nole tentará não apenas manter a coroa no torneio, onde já tem dois troféus, mas principalmente deixar bem claro que pode sim barrar Rafa em Roland Garros, seu primeiro grande objetivo da temporada.
As semifinais deste sábado tiveram apenas metade da emoção que se esperava. David Ferrer de novo ficou no quase, mas deu um tremendo sufoco no primeiro set, em que poderia ter saltado para 4/1. Manteve o equilíbrio até o final do tiebreak e então desabou, rendendo-se à imensa superioridade física e mental de Rafa. Agora são 12 vitórias seguidas sobre o compatriota, 10 delas sem perder sets.
Djokovic contou com uma combinação perfeita para se impor sobre Roger Federer: atuação impecável no fundo de quadra, com espetacular poder de contra-ataque, e baixo aproveitamento do suíço com o primeiro saque, o que forçou Federer a ficar o tempo todo a trocar bolas sem desta vez estar tão firme no backhand. Ainda deu tempo de forçar um tiebreak e ameaçar o terceiro set, mas não seria justo com Nole. Desta vez, ele foi muito superior.
Na 70ª final da carreira e em busca do 49º título, Nadal tentará o 35º troféu em 39 decisões sobre o saibro. De quebra, ganhou pela 38ª vez seguida uma semifinal sobre a terra batida (a última vez que perdeu na penúltima rodada foi em Umag de 2003). Ele também tentará desempatar a briga particular com Federer em conquistas de nível Masters, onde tem 20 triunfos em 30 tentativas.
Nole, por sua vez, atinge a 100ª vitória em 110 partidas disputadas desde o início de 2011, quando deu a grande arrancada da carreira. Em busca do terceiro grande título da temporada, disputará a 46ª final da carreira (30 troféus) e a 20ª de Masters (11 conquistas). Não menos importante: não corre mais qualquer risco de perder a liderança do ranking até terminar Wimbledon, o que lhe garantirá pelo menos 52 semanas consecutivas de liderança.
Com placar de 17 a 14 a favor de Nadal, que perdeu sete das últimas oito partidas, parece extremamente difícil se apontar um favorito para o jogo das 11 horas deste domingo. Uma coisa é certa: quem sair vencedor, chegará com enorme confiança a Roland Garros. Por isso mesmo, natural que haja uma certa tensão na partida, muito propensa a se decidir no terceiro set.
Roma raramente valeu tanto.
Chegou a hora da verdade
às
19h28 - por
José Nilton Dalcim
Os quatro tenistas que mais venceram na temporada 2012 vão estar em quadra neste sábado para decidir o título do Masters 1000 de Roma. Ao contrário da semana passada, em Madri, em que apenas Roger Federer vingou entre os grandes nomes, o saibro italiano obedeceu estritamente a lógica. Daqui para a frente, no entanto, surgem incógnitas.
Se tivesse de apostar em alguém, eu apontaria Rafael Nadal como o maior favorito, ainda mais depois de sua atuação de hoje contra Tomas Berdych. Agressivo desde o início, algo que vinha prometendo fazer, ele conseguiu 34 winners e apenas 10 erros num jogo de games tão apertados. Ganhou 71% dos pontos em que jogou com o segundo saque, venceu todas as oito vezes que foi à rede. E olha que, à exceção dos primeiros games, o tcheco jogou muito bem. Vacilou quando fez 4/2 e 40-15 no segundo set, e isso geralmente é fatal diante de Rafa, como Berdych já viu acontecer 11 vezes seguidas.
David Ferrer é o adversário da semifinal e sua maior inspiração precisa ser Barcelona de semanas atrás, onde esteve tão perto da vitória. Difícil, no entanto, acreditar nisso nesta altura do campeonato. Pelo menos, Ferrer continua como o tenista que mais ganhou partidas na temporada (são 33 em 39), seguido de perto por Federer (31 em 34), Nadal (31 em 35) e Novak Djokovic (29 em 33).
Por falar em Djokovic, ele soube dominar a partida contra Tsonga depois de altos e baixos do primeiro set. Sinceramente, parece o único com pernas e força suficientes para impedir, pelo segundo ano seguido, o hexa de Nadal em Roma. A dúvida é se Nole terá paciência para suportar a variação de ritmo de Federer, que continua jogando um tênis magistral sobre o saibro. É de empolgar a forma com que faz a transição do fundo para a rede mesmo na quadra mais lenta. Desde que perdeu a semi do US Open para o mesmo Nole, há oito meses, ele ganhou 47 de 50 partidas. Os dois, no entanto, não se enfrentaram desde então.
Diante de tão interessantes alternativas para o fim de semana, vale especular sobre o que vai acontecer com a ponta do ranking:
- Se Nadal for campeão, volta ao número 2. No caso de fazer a final contra Federer, a pontuação que chegaremos às vésperas de Roland Garros será a mais apertada possível: 11.560 de Nole, contra 10.060 de Nadal e 10.030 de Federer.
- Se Djokovic levar o título, Federer será o cabeça 2 em Paris. O sérvio abrirá 12.200 pontos, contra 9.790 de Federer e 9.660 de Nadal (em caso do vice).
- Se Federer ganhar Roma, haverá chance matemática de luta pelo número 1 em Roland Garros, porque Nole estaria com 11.560 pontos contra 10.430 de Federer.
E o feminino? Está pintando uma final entre Maria Sharapova (que fez uma boa partida contra Venus) e Serena Williams. Se a russa ganhar Roma de novo, também vai atrás da liderança do ranking em Paris.
Cada vez mais distantes
às
20h00 - por
José Nilton Dalcim
Até que Juan Monaco ameaçou, mas a conclusão após a rodada de oitavas de final em Roma é a mais óbvia possível: como Andy Murray não consegue mesmo acompanhar o ritmo, os três líderes do tênis masculino estão cada vez mais distantes, não somente na matemática fria do ranking mas principalmente no domínio da quadra.
Novak Djokovic chegou a estraçalhar a raquete de tão frustrado com sua incrível série de erros no primeiro set e poderia muito bem ter conhecido uma derrota precoce caso Monaco aproveitasse o 2/1, com saque a favor, que obteve na segunda série. Porém, mesmo sem estar no seu melhor dia, reagiu como se espera do número 1 do mundo e deve ter ganhado enorme confiança para encarar Jo-Wilfried Tsonga. Aliás, o francês parecia perdido no primeiro set contra Del Potro, até que conseguiu uma quebra e se valeu depois da evidente falta de mobilidade do argentino, sofrendo com o joelho.
Roger Federer também viveu alguns altos e baixos num jogo de ótimo nível diante do bom e velho Juan Carlos Ferrero. Trocas de bola pesada, muitas alternativas táticas, correria. O final do segundo set presenteou o esforço do espanhol, que acabou por se entregar na terceira série à superioridade incontestável do adversário. Em rota de colisão com Nole, o suíço é franco favorito contra Andreas Seppi, que fez outra maratona, lutou 3h20, salvou seis match-points e ergueu a torcida para tirar Stanislas Wawrinka (outro que vive o conhecido drama das vitórias perdidas).
Rafael Nadal também cumpriu o script imaginado na véspera e atropelou Marcel Granollers com sua conhecida competência sobre o saibro. Somado à nova vitória encantadora de Tomas Berdych, agora sobre Nicolas Almagro, espera-se que o jogo entre o espanhol e o tcheco, conhecidos desafetos, seja o primeiro grande momento do torneio e uma verdadeira prévia do que pode acontecer em Roland Garros.
Murray deixou de vez a lista dos favoritos no saibro europeu. Não que Richard Gasquet não tenha jogado um tênis de grande qualidade. É que o escocês continua sem padrão de jogo, algo que ficou evidente nos três sets tão distintos que fez diante de Gasquet. Aliás, o renovado francês pode dar trabalho a David Ferrer e se tornar a surpresa nas semifinais romanas.
Bem interessante também está a chave feminina, em que teremos Sharapova x Venus, um duelo pouco habitual no saibro mais lento. Quem ganhar, deve pegar Petra Kvitova, que vê a grande chance de recuperar confiança antes de Paris. As quedas de Azarenka e Radwanska na parte superior abriram um buraco, que provavelmente será ocupado por Serena Williams e Na Li. Ou seja, Roma pode servir como uma luva para embaralhar ainda mais qualquer débil favoritismo em Roland Garros.
Djokovic parece estar bem perto do Brasil
às
19h57 - por
José Nilton Dalcim
Declarações pipocam na Internet. Um jornalista da revista Veja e o ex-flamenguista Dejan Petkovic estão falando a mesma língua e, se isso for verdade mesmo, o sérvio Novak Djokovic se exibirá no Rio de Janeiro no dia 17 de novembro deste ano. Não por acaso, Ronaldo Nazário de Lima, o Fenômeno, esteve semana passada em Madri e assistiiu a uma partida de Nole. É a sua promotora, a 9ine, quem estaria finalizando a vinda do número 1, compatriota de Petkovic, ao país.
Em março, em entrevista ao site Ahe!, Petkovic disse que só faltavam pequenos detalhes para a assinatura do contrato. O camisa 10, um apaixonado por tênis e fã de carteirinha de Djokovic, deixou a entender que o adversário poderá ser Guga Kuerten ou Thomaz Bellucci. Segundo Lauro Jardim, que escreve o Radar da versão online da revista Veja, o local da exibição será a HSBC Arena.
Embora ainda não se saiba se Djokovic irá a outros países do continente, uma coisa é fato: o tênis de primeira linha redescobriu a América do Sul. Vale lembrar que Nadal e Djokovic estiveram em Bogotá recentemente e que Roger Federer fará excusão a pelo menos Brasil, Argentina e Colômbia, com chance de ir ao Chile também.
Roma - Com exceção de um game de serviço perdido por Federer e um pequeno susto de Nadal na hora de fechar a partida (fantasma de Madri?), e o complemento da primeira rodada em Roma foi trivial. Vale observar a excelente atuação de Berdych, que continua em momento mágico, e as quedas de Tipsarevic e Isner, que não chegam a surpreender em se tratando de saibro italiano.
As oitavas de final prometem duelos de primeira, a começar por Delpo x Tsonga, Murray x Gasquet, Berdych x Almagro, Ferrer x Simon. Até os favoritos devem ter trabalho: Djokovic x Monaco e Federer x Ferrero podem não ser jogos fáceis. Só mesmo Nadal surge com amplo favorito contra Granollers. Seppi é a esperança final do tênis italiano, Wawrinka que se cuide.
Se a lógica prevalecer, as quartas devem ter confrontos imperdíveis: Djokovic x Del Potro, Nadal x Berdych e Murray x Ferrer. Tomara.