Tudo aberto. (E veja o golden set em 30 segundos.)
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19h37 - por
José Nilton Dalcim
A queda precoce de Rafael Nadal deixou um buraco tão grande na parte inferior da chave masculina que, ao se completar o quadro para as oitavas de final da segunda-feira, é praticamente impossível se apostar num nome para a vaga na decisão, ainda que haja alguns favoritos.
Curiosamente, as exceções são Philipp Kohlschreiber e Brian Baker, cujos currículo e ranking são infinitamente inferiores aos demais, mas o destino deixou sua marca indelével de ironia e os colocou para se enfrentar. Então, um deles irá às quartas e aí, num dia inspirado, podem beliscar uma ou duas rodadas a mais.
David Ferrer continua sua grande temporada até mesmo na grama e soube virar a partida contra Andy Roddick, usando de todos seus recursos. Melhor ainda, enfrentará agora Juan Martin del Potro, no encontro entre dois tenistas que não tem histórico grandioso em Wimbledon, mas que jogam acima de tudo com o coração. Não consigo pensar num favorito.
Jo-Wilfried Tsonga talvez seja, entre todos desse grupo, o que tem o estilo mais perfeito para a grama, principalmente se o teto estiver fechado. Até aqui, teve uma campanha de poucos reparos e teoricamente deverá também superar Mardy Fish. O americano surpreende porque está mostrando bom nível após a parada forçada de dois meses, mas tem feito partidas bem mais apertadas e o desgaste poderá ser sentido agora.
Empurrado pela torcida, Andy Murray fez outra partida emocionante na noite deste sábado, num duelo de grandes momentos diante de Marcos Baghdatis. O britânico suou para superar o esforçado cipriota e esteve em situação delicada no terceiro set. Já teria alguma vantagem contra Marin Cilic na grama, que cresce muito depois da incrível maratona do croata. É bem provável que o escocês esteja muito mais inteiro fisica e mentalmente.
Frieza - Tão marcante quanto a euforia da torcida britânica é a impassividade do técnico Ivan Lendl. O máximo que se consegue tirar dele são aplausos, e ainda assim contidos, o que contrasta radicalmente com a reação emocionada de todo o box do britânico, onde estão amigos, familiares e sua equipe.
Feminino - Entre as meninas, um jogão em que Serena Williams sofreu diante de Jie Zheng, dando sinais que poderia ser a nova zebra do torneio. E uma queda humilhante de Sara Errani, que perdeu um set sem marcar pontos diante de Yaroslava Shvedova, que será a adversária de Serena. Dois jogos prometem muito: Kvitova x Schiavone e Azarenka x Ivanovic.
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O sábado em Wimbledon viu três feitos históricos: o 'golden set' de Yaroslava Shvedova (veja o vídeo acima), a partida de 5h31 entre Cilic e Querrey (que só perde em duração para Isner x Mahut) e o primeiro jogo do torneio a estourar o horário-limite das 23 horas, já que o Club teve o bom senso de deixar Murray tentar fechar o jogo contra Baghdatis quando já tinha 5/1. Vale ressaltar que Shvedova já tinha ficado muito perto do 'set perfeito' em 2006, em Memphis, quando ganhou os primeiros 23 pontos da partida contra Amy Frazier. Mas vejam que incrível: a cazaque ganhou esse set por 6/1, e depois tomou 6/0 e 6/0. Explique quem puder.
Federer e Djokovic escapam do 'efeito Rosol'
às
21h03 - por
José Nilton Dalcim
Imagino que você e metade do universo do tênis lembraram dos feitos de Lukas Rosol quando o veterano Radek Stepanek ganhou o primeiro set de Novak Djokovic. E toda a outra metade do universo teve certeza de que Rosol era a inspiração perfeita para Julien Benneteau até o final do quarto set contra Roger Federer.
Mas os dois escaparam. Djokovic com grande folga, porque sua distância técnica e física para o versátil tcheco é enorme, mas principalmente porque ele conseguiu perceber seu defeito e passou a fazer Stepanek jogar todos os pontos, fazer sempre mais do que um voleio a cada subida à rede, cometer cada vez mais erros.
Federer precisou contar com o saque para reagir, numa partida que teve de tudo. Benneteau, um jogador experiente que sempre gostou dos pisos mais rápidos, foi um osso duro de roer o tempo todo. Sacou bem, foi firme no fundo, perfeito nas passadas, eficiente nos voleios. Arriscou muito, ousou nas devoluções e esse volume todo de certa forma surpreendeu o suíço.
Depois de perder chances no segundo set, a reação começou no terceiro mas teve seu 'momento Rosol' no final da quarta parcial. Federer sacou com perigosos 30-30 no 5/6, depois desperdiçou vantagem no tiebreak e viu Benneteau sacar com 5-5, o que poderia levá-lo ao match-point. Sua frieza o salvou. E aí o quinto set foi todo daquele que tem muito mais físico. Benneteau definiu numa frase: "Mentalmente, ele é uma rocha".
Os dois continuam favoritíssimos para fazer a semifinal, dentro de uma exata semana. Djokovic pega Troicki e depois quem passar de Gasquet x Mayer, enquanto Federer tem pela frente Malisse e em seguida Youzhny ou Istomin. Na teoria, vencem. Mas este Wimbledon está perigoso para quem não jogar seu 100%.
Sábado - A rodada deste sábado terá alguns jogos bem interessantes: Ferrer x Roddick na Central, Del Potro x Nishikori, Cilic x Querrey e Goffin x Fish são os pontos altos, embora Wimbledon estará de olho no que Rosol fará diante de Kohlschreiber. Os dois grandes nomes são cotados para vitória em três sets: Murray contra Baghdatis e Tsonga diante de Lacko.
Feminino - Maria Sharapova reencontrará Sabine Lisicki já nas oitavas, mas acredito que seu duelo de fogo viria nas quartas contra Clijsters. Quem está se saindo muito bem na grama é Agnieszka Radwanska. A partida que mais me chama atenção para este sábado reúne Kvitova e Lepchenko.
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Esta foi a oitava vez na carreira em que Federer se recuperou, após estar perdendo por 2 sets a 0. Mais sintomático ainda, faz isso pelo segundo Slam consecutivo, já que também reagiu diante de Del Potro em Roland Garros. A última vez que Federer perdeu para um tenista fora do top 80 num Slam foi em Roland Garros de 2003, diante de Luis Horna. E a última em que não atingiu as oitavas aconteceu lá mesmo em Paris, em 2004, para o nosso Guga Kuerten.
Um jogo para a história. Que não muda a história.
às
20h59 - por
José Nilton Dalcim
Confesso que ainda estou chocado.
Nenhum dos dois jogadores fez uma exibição espetacular, tão pouco foram medíocres. Obviamente, Rafael Nadal esteve longe de seus melhores dias, com uma insegurança e irregularidade que raras de se ver, assim como Lukas Rosol jogou no risco absoluto - como qualquer tenista desconhecido e mal-intencionado precisa ser - e foi extremamente feliz, especialmente no quinto set.
Foi um daqueles jogos que vamos lembrar por muito tempo, porque mexe com os nervos, torça você contra ou a favor de Nadal. Em que pese os tremendos altos e baixos, o espanhol luta sempre, não larga o osso, está na sua jugular pronto para dar o bote à menor chance. Então você fica ali, esperando o momento da virada, tentando imaginar em que hora ele vai dar o golpe mágico e o número 100 do mundo cederá à pressão inevitável.
Mas aí veio o excepcional. Eu próprio tinha certeza que, ao vencer o quarto set, Nadal jamais perderia a partida, independente da parada determinada para o fechamento do teto (atitude de se aplaudir, porque seria um absurdo que a plateia fosse para a casa sem conhecer o vencedor e perdesse o momento histórico que presenciou).
Era extremamente lógico que Rosol sentiria o peso do momento. E o que vimos? O tcheco jogou num nível de tênis incrível, arriscando cada bola, sufocando o todo-poderoso bicampeão, como se tentasse não pensar no que significava cada game que avançava. O final então foi apoteótico: ace, winner, ace e ace. Parecia Sampras em seus grandes momentos sobre a grama.
Dá para imaginar que o tcheco, de 1,96m, consiga ir longe em Wimbledon? Sinceramente, não. Talvez nem passe por Kohlschreiber numa afastada Quadra 2 no próximo sábado. Do mesmo modo, a derrota tira o número 2 e a fase ascendente de Rafa, porém ele terá esquecido o desastre quando os Jogos Olímpicos começarem, porque assim é Nadal. A intenção do tri em Londres e talvez da liderança do ranking será trocada pela ambição da segunda medalha de ouro. E ele continuará na lista dos grandes favoritos quando pisar novamente a Central, dentro de um mês.
Ironia - Rosol ganhou quatro de seus cinco últimos duelos contra tenistas canhotos. Sabem quem foi a exceção? Thomaz Bellucci, em Indian Wells deste ano.
Lembrança - Impossível não observar: Nadal não vence um torneio que não seja sobre o saibro desde outubro de 2010, quando faturou Tóquio no piso duro.
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A distância de 98 posições no ranking, o currículo tão oposto e cinco finais em Wimbledon diante de um mero estreante provavelmente farão da surpresa desta quinta-feira uma das maiores, senão a maior, zebras do tênis masculino da Era Profissional. Quais seriam as outras? Em termos de ranking, eu diria que a de Hewitt para Karlovic na primeira rodada de Wimbledon de 2003 (atual campeão, o australiano era 2 e o croata, ainda um joão-ninguém, 202). Mas em importância, daria o troféu a Mark Edmondson, então 212 do mundo, quando ganhou a final do Australian Open de 1976 sobre John Newcombe, o 16.
Djokovic mostra força, Federer se diverte
às
20h24 - por
José Nilton Dalcim
Ryan Harrison ainda é um garoto, mas já tem um ranking considerável e, muito mais que isso, é do tipo marrento, que não tem medo de cara feia e tenta fazer seu jogo. Pagou o preço da pouca experiência sobre a grama, mas acima de tudo cruzou com um Novak Djokovic determinado e bem mais solto. O placar de triplo 6/4 deixa claro que o sérvio não quer gastar energia à toa nesta primeira semana de Wimbledon.
Na mesma toada, vimos Roger Federer jogar sério contra Fabio Fognini. O suíço fez o discurso politicamente correto de que "o jogo foi duro", mas que nada. E é assim mesmo que tanto ele como Djokovic precisam agir, porque essa tem sido a forma corretíssima com que Nadal encara o início de qualquer Slam. Podem apostar, esta é a receita mais indicada para o sucesso.
A rodada masculina teve dois jogos que valem pequeno comentário. O primeiro aconteceu entre Tipsarevic e Sweeting, que pareciam estar atuando numa quadra de saibro, pregados no fundo de quadra e trocando bolas em todos os pontos. O outro registrou a queda de Ernests Gulbis, que teve dezenas de chances e vantagens até cair diante do quali polonês Janowicz. O letão não tem jeito mesmo.
O complemento da segunda fase masculina destaca Raonic x Querrey, com boa chance de emoção em Cilic x Kubot e Dimitrov x Bagdatis. Vamos aproveitar e ver alguns detalhes que envolvem as partidas:
- Murray ganhou todos os três jogos que fez contra Karlovic em piso sintético, porém precisou jogar quatro tiebreaks, perdendo dois deles. Eles não se cruzam desde 2008.
- Tsonga e Roddick são dois grandes favoritos no papel. O francês tem 4-1 diante de Garcia-Lopez (a única derrota foi por abandono). Já Roddick ganhou as três contra Phau em quadra dura.
- Murray e Ward jogam pela bandeira britânica. A última vez em que dois jogadores do país atingiram ao mesmo tempo uma terceira rodada de Grand Slam foi no US Open de 10 anos atrás, com Henman e Rusedski.
- Feito ainda mais histórico podem obter Nishikori e Soeda, já que o Japão não vê dois representantes na terceira rodada de um Slam desde 1937. Se Soeda tirar Del Potro, poderemos ter duelo totalmente nipônico por vaga nas oitavas.
- Rosol, de 26 anos, é o número 100 do mundo. A última vez que Nadal perdeu de um tenista tão mal classificado foi na grama de Queen's, em 2007, diante de Mahut, então 106º.
- O francês Kenny de Chepper, que enfrentará David Ferrer, tem um dos piores currículos entre os participantes de Wimbledon. Aos 25 anos e número 160 do mundo, ele venceu há dois dias seu primeiro jogo de nível ATP da vida.
- Fish tentará ganhar dois jogos seguidos pela segunda vez em toda a temporada. Ele joga contra Ward, que tem como preparador físico o lutador de MMA Diego Visotzky.
- O histórico de Raonic na grama ainda é pobre: 6 vitórias em 9 jogos. Uma boa tática é tentar levar Querrey ao quinto set. O norte-americano só ganhou uma de quatro partidas decididas assim. Querrey também tem recorde negativo em tiebreaks, com 61-71.
Feminino - A rodada feminina viu a queda de mais dois nomes de peso. Pior ainda, ambas no mesmo quadrante: Stosur e Li. Gostei muito da holandesa Arantxa Rus, inclusive no charme. Boa atuação de Clijsters, que agora pega Zvonareva. A quinta-feira não promete qualquer surpresa.
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Dois momentos curiosos em Wimbledon nesta terça-feira. Primeiro, é claro, foi a visita inesperada do Príncipe Charles, que não se sentava no Royal Box há... 42 anos! Sua presença obrigou Federer e Fognini a fazer a reverência obrigatória na saída da Central. Já Sara Errani gastou exatos sete segundos para vencer Coco Vandeweghe. Como? O jogo foi interrompido na véspera no match-point. Aí, depois dos cinco minutos de aquecimento, a americana foi para o saque e... fez dupla-falta. As duas abriram largo sorriso.
Nadal culpa o nervosismo, Bellucci sai confiante
às
20h56 - por
José Nilton Dalcim
Quem diria, o todo-poderoso Rafael Nadal ficou nervoso ao pisar na tão conhecida Quadra Central de Wimbledon, lugar em que ganhou dois troféus e foi mais três vezes finalistas, entre outros feitos. A mesma aura mágica não afetou Thomaz Bellucci, que deveria ter ganhado o primeiro set. O que derrubou o brasileiro foram falhas técnicas.
Rafa admitiu ter ficado feliz por ter "reagido no set inicial", embora a leitura correta deveria ter sido "feliz por Bellucci ter falhado" em voleios e smashes quando o espanhol estava seriamente dominado no fundo de quadra. A lógica se impôs pouco a pouco, como era de se esperar, mas Bellucci pela terceira vez mostrou que Nadal não o assusta. Melhor ainda, saiu confiante: "Meu nível está muito próximo desses caras". Que bom.
Quase toda a rodada, aliás, caminhou de forma previsível, com vitórias fáceis de Andy Murray e Jo-Wilfried Tsonga, certa dficuldade para Del Potro e Mardy Fish e a queda de Bernard Tomic, que não anda jogando nada e ainda sente o ombro. O melhor do dia foi o duelo alemão vencido por Kohlschreiber em cima do veterano Haas, dois jogadores de excelente performance sobre a grama.
Também teve, claro, a chuva, que impediu provisoriamente as vitórias de Milos Raonic e David Ferrer. Num jogo estranho, Roddick já tem vantagem sobre o local Jamie Baker. Eles gastaram 1h45 para jogar apenas um set e meio, nada compatível com a grama e com seus bons saques.
Entre as meninas, Azarenka e Serena treinaram, Kvitova mostrar que o bi exigirá muito esforço e Zvonareva conseguiu uma virada que pode motivá-la novamente.
Curiosidades sobre os jogos desta quarta-feira, que abrem a segunda rodada masculina:
- Djokovic não perde para um oponente abaixo do 48º lugar num Grand Slam desde que caiu diante de Marat Safin, na segunda rodada de Wimbledon, em 2008.
- Exato 48º do mundo, Ryan Harrison tem recorde negativo em jogos de primeiro nível na curta carreira: ganhou 37 e perdeu 44. Nunca bateu um top 10 em 14 oportunidades.
- Federer jamais perdeu numa segunda rodada de Grand Slam, apesar de ter caido seis vezes na estreia. A última vez que não chegou à terceira fase foi em Roland Garros de 2003.
- Fognini, de 25 anos e inegável talento, nunca venceu um torneio de categoria ATP até hoje, disputados 122 torneios. Seu melhor ranking foi o 32º lugar.
- Rufin, 22 anos, adversário de Almagro, ganhou dois títulos na grama inglesa quando juvenil.
- Aos 31 anos, Malisse joga seu 12º Wimbledon. Ele já foi semifinalista, há exatos 10 anos. O curioso é que ele não pôde jogar na Central. Devido ao mau tempo, as duas partidas foram disputadas simultaneamente e o belga perdeu para Nalbandian na quadra 1.
Saiba mais
Com as derrotas de Hewitt e Tomic nesta terça-feira, somadas ás de Matosevic e Ebden da segunda, os quatro australianos que entraram em Wimbledon estão fora e assim, pela primeira vez desde 1938, não haverá representantes do país na segunda rodada. É um sinal preocupante para uma Austrália que ganhou 21 troféus masculinos e viu heróis do tamanho de Newcombe, Emerson, Fraser e Laver, além de Cash e do próprio Hewitt, que comemorou tristemente o 10ª aniversário de sua conquista de 2002 (vídeo acima).
Zebras galopam na grama para alegria de Nole e Federer
às
20h17 - por
José Nilton Dalcim
Wimbledon começou com tudo. No melhor estilo que as quadras de grama podem oferecer, o que não faltaram foram surpresas na rodada inaugural, entre elas a saída tão prematura de Tomas Berdych, John Isner e Venus Williams. Ao mesmo tempo, nada menos que sete qualificados avançaram, provando mais uma vez que a adaptação é a chave das primeiras partidas no All England Club.
Claro que Berdych e Isner não perderam para qualquer um, mas Ernests Gulbis e Alejandro Falla não podiam jamais ser considerados em condição de vencê-los. O letão, que em divertida entrevista confessou novamente que detesta treinar, vem tropeçando pela temporada e pela carreira. Na condição atual de 87º do mundo, já acenou até um abandono precoce, ainda que seu potencial seja indiscutível. O canhoto colombiano, por seu lado, esteve perto de ganhar de Federer há dois anos, mas ao mesmo tempo não vencia uma partida em Wimbledon desde 2007.
Somando-se isso às quedas de Andreas Seppi e Marcel Granolers, a chave parece cada vez mais aberta para Novak Djokovic e Roger Federer. Ambos tiveram pouco trabalho na estreia e talvez Nole precise se esforçar um pouquinho mais contra Ryan Harrison, assim como Federer é superfavorito contra Fabio Fognini.
Entre as meninas, assistimos a jogos tranquilos de Maria Sharapova e Samantha Stosur, uma atuação de gala de Kim Clijsters e uma decepção tão grande de Venus Williams que imagino ela deva estar considerando com seriedade a aposentadoria, ainda que na coletiva oficial desminta isso.
Terça na Central - Thomaz Bellucci terá uma honra que poucos no circuito conseguem: jogar na Quadra Central de Wimbledon, o que significa pisar na história. A sorte veio com o azar de ser colocado diante de Rafael Nadal. O número 2 do mundo sabe quem é seu oponente e isso deve levá-lo a jogar com máximo empenho.
Em seus dois jogos contra Nadal, no saibro de Roland Garros onde o espanhol é tão imbatível, Bellucci tirou 20 games. Em 2008, quando ainda iniciava a participação nos grandes torneios, o brasileiro perdeu por 7/5, 6/3 e 6/1. Dois anos depois, voltou a fazer bons sets e caiu por 6/2, 7/5 e 6/4. Considerando a forma avassaladora que Rafa demole seus adversários em Paris, foram ótimos placares.
Além de nunca ter sido derrotado numa estreia de Grand Slam em 32 participações anteriores, Rafa perdeu apenas seis de 68 duelos diante de outro canhoto. Um deles foi o luxemburguês Gilles Muller, na segunda rodada de Wimbledon de 2005, que aliás foi a última vez em que Nadal parou antes da terceira fase num Slam. Curiosamente, Muller também é o jogador de mais baixo ranking (69º à época) a derrotar o espanhol em Slam. Bellucci é agora 80º.
Nas quatro vezes em que chegou à chave principal de Wimbledon, Bellucci obteve sua maior campanha em 2010, quando atingiu a terceira rodada e caiu diante de Robin Soderling. Sua outra experiência na grama foi em Queen's, onde venceu duas partidas há dois anos. Importante também lembrar que o número 1 brasileiro ganhou três de seus últimos cinco jogos contra top 10.
Tudo isso quer dizer que, jogando diretinho, Bellucci não sairá tão triste do torneio. E que, se Nadal não estiver num de seus melhores dias, existe uma chance. Impossível é Deus pecar, dizia minha avó.
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A distância entre os 'zurdos' Nadal e Bellucci é quilométrica em todos os aspectos. Vejam que números impressioantes a favor de Rafa: 156 vitórias contra 14 em Slam, 35 a 3 em Wimbledon, 582 a 96 na carreira, 49 a 5 na grama, 15 a 4 em partidas decididas no quinto set e 145 a 46 em tiebreaks. São também 50 títulos contra 2. Na temporada 2012, o espanhol tem 41 triunfos em 46 partidas e o paulista, 12 em 24. Ah, o vídeo de hoje não tem nada a ver com isso, mas foi gostoso ver o sorriso de Vesnina.
Confiança e cautela
às
21h14 - por
José Nilton Dalcim
As entrevistas que antecedem o início imediato de Wimbledon é aquele tradicional misto de confiança e cautela. Todo mundo se diz fisica e mentalmente preparado para a batalha, sem pressão, mas ao mesmo tempo a maioria prefere a cautela. O favoritismo é sempre dos adversários, a grama é um piso traiçoeiro, a transição do saibro é difícil e por aí vai.
Então, o negócio mesmo é esperar a bola rolar. Quer dizer, voar. Às 9 horas desta segunda-feira, como acontece desde 1922, o campeão defensor jogará a primeira partida da Quadra Central (assim, com letra maiúscula, porque ela é uma entidade no mundo do tênis) e só então vamos descobrir quem está mesmo com as melhores chances de levantar o troféu.
Nada melhor, neste domingo de espera, do que verificar alguns detalhes curiosos que cercam a disputa do mais importante torneio do calendário:
- Wimbledon realiza sua 126ª edição em 135 anos de existência (não foi disputado nas Guerras Mundiais). Desde o início da Era Profissional, em 1968, este será o 45º torneio.
- A premiação é anunciada em libras, mas corresponde a US$ 25 milhões, cabendo 1,8 milhão para cada campeão de simples. Se convertermos a dotação dos outros Grand Slam da temporada, a Austrália ainda fica muito à frente, já que deu US$ 2,3 milhões, contra os US$ 1,6 milhão de Roland Garros.
- Roger Federer foi escalado para jogar na Quadra 1 em sua estreia desta segunda-feira, contra Alberto Ramos. É a primeira vez que ele não atuará na Central desde 2003.
- Rafael Nadal tenta repetir Bjorn Borg e ganhar Paris-Wimbledon pela terceira vez (o sueco, no entanto, fez isso seguidamente, entre 1978 e 1980). Federer repetiu a façanha em 2009 e Rod Laver, em 1969. Fato curioso: Borg jamais disputou um torneio preparatório para Wimbledon nos cinco anos que levantou o troféu.
- Lleyton Hewitt é o único campeão que perdeu na primeira rodada do ano seguinte (2003) na Era Profissional. Entre os amadores, apenas Manoel Santana decepcionou, em 1967.
- Cinco mulheres têm mais do que os 16 Grand Slam de Federer: Navratilova e Chris Evert somam 18; Helen Wills, 19; Steffi Graf, 22; e Margaret Court, 24!
- Federer joga seu 51º Slam consecutivo e, se continuar na ativa em 2013, poderá superar os 54 de Stefan Edberg e até os 56 de Wayne Ferreira. Em Paris, ele bateu o recorde de vitórias, que agora são 237. Se ganhar quatro partidas em Wimbledon, igualará marca de 63 vitórias de Pete Sampras no torneio.
- Desde 1951, jamais um tenista ganhou Wimbledon em sua primeira participação. No feminino, a façanha mais recente coube a Maureen Connolly, em 1952.
- Tommy Haas não é o mais idoso na chave masculina. A honra pertence a Ruben Ramirez Hidalgo, com 34 anos e 6 meses. O convidado local Oliver Golding é o mais jovem, com o18 anos e 9 meses, e o de mais baixo ranking (491º).
- A tevê aberta norte-americana não mostrará qualquer partida de Wimbledon ao vivo. Os direitos estão com a ABC, que só exibirá teipes. Os americanos terão de acompanhar pela ESPN, que inicia o acordo assinado por 12 anos para transmissão a cabo no país.
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Em toda a Era Aberta, apenas o australiano Laver, campeão em 1969 aos 30 anos e 320 dias, e o norte-americano Arthur Ashe, vencedor em 1975 aos 31 anos e 360 dias, ganharam Wimbledon com mais de 30. Federer é sério candidato a entrar na lista. Para quem não se lembra, Ashe foi o primeiro tenista negro a erguer o troféu no All England Club. Ainda garoto, se mudou de Richmond para St.Louis para fugir do racismo. Mesmo campeão do US Open, teve visto negado para jogar na África do Sul. A conquista em Wimbledon sobre Jimmy Connors coroou sua carreira, que foi interrompida por uma cirurgia no coração, em 1979. A partir daí, se engajou na luta pelos direitos dos afro-americanos e chegou a ser preso. Descobriu estar com o vírus HIV em 1988, devido a uma transfusão, mas só anunciou a doença quatro anos depois. Morreu em 1993, deixando uma Fundação de combate à Aids.
Sorteio indica cautela para os grandes favoritos
às
09h51 - por
José Nilton Dalcim
Grama é um mundo à parte no universo do tênis e por isso até mesmo os grandes favoritos precisam tomar cuidado. Não vai ser diferente neste Wimbledon. O sorteio da chave masculina indica que existe uma boa chance de não vermos os quatro melhores do mundo nas semifinais e colocou interessantes barreiras diante dos dois atuais finalistas.
O quadrante do campeão Novak Djokovic pode ter espinhos. A estreia contra Juan Carlos Ferrero não assusta nem de longe, mas Yen-Hsun Lu já cansou de provar que adora pisos mais rápidos e o versátil Radek Stepanek sempre exige empenho total. Então viria um provável Marcel Granollers, que também gosta da quadra mais veloz. Claro que o sérvio sempre será o favorito e por isso parece razoável acreditar em seu duelo de quartas de final contra o tcheco Tomas Berdych, que há dois anos tirou Roger Federer e decidiu o título com Rafael Nadal.
Na teoria, Federer gastará menos energia entre todos os grandes nomes até as quartas. Albert Ramos, Michael Llodra nem Julien Benneteau parecem capazes de lhe tirar sets, muito menos Fernando Verdasco ou Gilles Simon numa eventual quarta rodada. O maior candidato às quartas é John Isner e seu poderoso saque, mas ele já tem de tomar cuidado com Alejandro Falla na estreia e poderá reencontrar Nicolas Mahut (revivendo o jogo-recorde pelo segundo ano consecutivo) logo na segunda rodada.
O bicampeão Rafael Nadal, a exemplo de Nole, pegou uma sequência mais dura. Depois da estreia contra Thomaz Bellucci - que só treinou no saibro nas duas semanas que passou em São Paulo -, tem o sempre chato Ivan Dodig, mas principalmente Haas ou Kohlschreiber na terceira partida, dois tenistas que adoram a grama. Até mesmo Feliciano López, para quem já perdeu em Queen's, é um adversário de respeito nas oitavas, mas o jogo espetacular poderá vir nas quartas contra Jo-Wilfried Tsonga.
Andy Murray é um incógnita. Em fase de pouca confiança, começa contra Davydenko, mas tem possibilidade de encarar Karlovic antes de um possível duelo diante de Milos Raonic nas oitavas. O canadense, diga-se, tem Sam Querrey e Marin Cilic no caminho e não é tão favorito assim. Se o escocês sobreviver a tudo isso, chegará nas quartas com ótimas chances, porque seu quadrante tem David Ferrer, Juan Martin del Potro e Andy Roddick.
E Bellucci deu azar? Sinceramente, acho que não. Com mínimas chances de ir bem na grama, pelo menos terá a chance de jogar na Central, o que não é para qualquer mortal, além de ter pela frente um superfavorito. Então, tudo o que se pode esperar dele é uma derrota rápida e plenamente justificável antes de voltar ao saibro e tentar recuperar o ranking onde é mais sensato.
Feminino - Maria Sharapova contou também com a ajuda divina na formação da chave feminina e tem uma bela chance de ir novamente à final de Wimbledon. Pouquíssimas barreiras pela frente. A rigor, só mesmo se Samantha Stosur mudar seu péssimo histórico no torneio: perdeu na estreia nos dois últimos anos.
Com estilos perfeitos para a grama, Petra Kvitova e Serena Williams podem se pegar ainda nas quartas do outro lado da chave e provavelmente decidir quem vai à decisão, já que Azarenka e Bartoli não parecem no momento em condições de brigar com as duas.
Estatística - Segundo um site norte-americano, a chance de Djokovic e Federer caírem pela 13ª vez no mesmo lado da chave nos últimos 15 Slam era de apenas 0,32%, ou seja, 32 em cada 10 mil tentativas. De qualquer forma, pelo desenho da chave, Federer recuperará o número 1 se ganhar o torneio, porque necessariamente teria de eliminar Nole na semi e Nadal na decisão, caso os dois cheguem lá.
Primeirona - Jogos bem interessantes de primeira rodada: Djokovic x Ferrero, Murray x Davydenko e Tsonga x Hewitt. Sem previsão é um Tipsarevic x Nalbandian ou Haas x Kohlschreiber e boa chance de surpresa em Isner x Falla ou Granollers x Troicki. A nova geração duela com Tomic x Goffin.
No vídeo, comercial da BBC chamando para a transmissão ao vivo.
Federer luta por novas façanhas em Wimbledon
às
11h15 - por
José Nilton Dalcim
Sampras foi o sucessor de Borg e Federer é sem dúvida o sucessor de Sampras. O suíço tem reunido ao longo da carreira alguns dos mais expressivos números sobre a quadra de grama e principalmente em Wimbledon. Ele repetiu Borg, com cinco troféus consecutivos, mas tem um a menos que os sete de Sampras.
A quadra de grama, onde o tênis foi criado, dominou o circuito até a metade da década de 70, quando três dos quatro Slam eram disputados sobre ela. Perdeu definitivamente a hegemonia em 1988, quando a Austrália optou pelo piso sintético e daí os torneios de grama passaram a ser um pequeno hiato dentro do circuito, com cinco semanas no calendário.
Muito pela tradição, mas também pela dificuldade que impõe aos tenistas, o piso natural do tênis transforma seus heróis em verdadeiras lendas. Veja abaixo um resumo dos grandes feitos na Era Profissional e fique atento às marcas que Federer poderá repetir ou superar:
Vitórias em Wimbledon - Connors tem 84, seguido por Becker (71) e Sampras (63). Com 59, Federer está empatado com McEnroe e pode igualar Sampras se for até as quartas deste ano.
Vitórias na grama - Aqui se juntam dados da Austrália e do US Open, quando disputados na grama. Connors é único com contagem centenária (106), à frente de Becker (77) e McEnroe (66). Lendl e Edberg tiveram 64.
Percentual em Wimbledon - Borg se mantém como melhor aproveitamento, com 51 vitórias e apenas 4 derrotas (92,7%). Sampras chegou a 90% e Federer está com 89,4%. Os dois perderam sete vezes. Nadal está perto, em quarto, com 87,5%.
Maior série invicta em Slam - Borg, com as 41 em Wimbledon, dificilmente vai ser destronado. Federer chegou a 40 tanto em Wimbledon como no US Open. Sampras fez 31 em Wimbledon e Nadal, 31 em Roland Garros.
Maior série invicta no geral - Federer ganhou 65 jogos seguidos, entre 2003 e 2008, perdendo a sequência na derrota para Nadal na decisão de Wimbledon.
Títulos em Wimbledon - Todo mundo sabe que Sampras ganhou todas as sete finais que disputou. Federer também jogou sete decisões, mas perdeu uma. Borg fez seis decisões seguidas e ganhou cinco delas consecutivas (feito repetido por Federer em 2007).
Títulos na grama - Federer já chegou a 11, superando os 10 de Sampras e os 9 de Connors. Entre os em atividade, Hewitt tem 7.
Vitórias na grama - Connors é imbatível, com 168, muito acima das 119 de McEnroe e 116 de Becker. Federer e Hewitt dividem o sétimo lugar, com 105, e podem subir na lista.
Eficiência - Quando o quesito é percentual de vitórias em jogos disputados na grama, Federer assume a liderança, com 86,7% (105 em 121), seguido por McEroe (85,6%) e Borg (84,7%). Nadal está em sétimo, com 81,6%.
No vídeo, relembre a primeira conquista de Federer em Wimbledon, em 2003.
Uma questão de nervos
às
15h27 - por
José Nilton Dalcim
Tommy Haas, aquele tenista tão emocional e descontrolado que tanto conhecíamos, soube manter os nervos no lugar numa final impecável em Halle e, quem diria, não perdeu sets diante daquele que é o maior ganhador sobre a grama da Era Profissional.
Não muito longe dali, do outro lado do Canal, David Nalbandian estava a meio caminho de seu primeiro título sobre a grama em exata uma década. Já tinha vencido o primeiro set, quando perdeu o serviço e a cabeça, chutou a placa, arrancou sangue do juiz de linha e foi colocar a culpa no regulamento!
Domingo de emoções, sem dúvida. Haas, a bem da verdade, já tinha mostrado um belo nível de tênis no saibro de Roland Garros, onde somou boas atuações e demonstrou muito físico. Em Halle, totalmente em casa, derrubou o campeão Kohlschreiber e foi mais regular do que Federer num piso tão difícil de se jogar. Aliás, os dois duelaram muito mais no fundo de quadra do que na rede, onde são muito eficientes.
O alemão volta assim ao top 50, um resultado incrível para seus 34 anos, e Federer coloca um pouco mais de dúvidas sobre a campanha que terá agora diante de si, quando tenta recuperar a coroa em Wimbledon e colocar a medalha de ouro no peito, tudo na mesma Quadra Central. Não é uma questão de competência ou motivação, óbvio, mas talvez de confiança.
Nalba, por sua vez, reclamou em alto e bom som da pressão que os tenistas sofrem no circuito, da dureza do regulamento e de como nem todos são punidos de forma justa, deixando claro que se referia aos dirigentes da ATP. Não foi um momento adequado para isso. Não dá para justificar um descontrole tão feroz, que cause ferimento em uma pessoa que está ali trabalhando, ainda mais naquela altura da partida, tão equilibrada e muito longe de uma eventual derrota. Pena, porque muita gente torce pela recuperação do melhor tênis de Nalba, que faz a mesma falta ao circuito do que a habilidade de Haas. Como consequência, o argentino perdeu a premiação de US$ 56 mil, todos os pontos da semana e ainda pode levar uma multa de até US$ 10 mil.
As emoções da semana pré-Wimbledon começam logo na terça, quando o All England aponta seus favoritos, baseado no 'ranking da grama'. Isso não afetará os top 4. Pode haver alguma troca entre Tsonga, Ferrer e Berdych, mas pouco mudará. O que vai importar mesmo é o sorteio, lá na sexta-feira, para sabermos principalmente onde homens perigosíssimos, como Isner e Raonic, irão cair.
Nesta segunda, o qualifiatório dá a largada com três brasileiros - Rogério Silva, Thiago Alves e Júlio Silva - e alguma chance de classificação.