Fim de semana frustrante
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19h45 - por
José Nilton Dalcim
O tênis brasileiro poderia ter vivido um fim de semana histórico mas, ao contrário, acabou se frustrando com uma série de derrotas e chances perdidas.
Tudo começou no sábado, com a boa atuação de Thomaz Bellucci contra o número 8 do mundo Janko Tipsarevic. Embora longe de ter sido uma decepção, o jogo poderia muito bem ter ficado mais perto das mãos do paulista, que teve grande reação no segundo set e só falhou mesmo ao perder precocemente o saque na abertura da série decisiva. Essa simples diferença se provaria meia hora mais tarde fatal para o brasileiro.
Na manhã de domingo, tínhamos chance de ganhar dois títulos de duplas na Europa. Em Bastad, Bruno Soares e o novo parceiro Alexander Peya conseguiram equilibrar a partida, mas não foram tão eficientes na devolução como Robert Lindstedt e Horia Tecau. Pior ainda aconteceu com André Sá e o habitual companheiro Michal Mertinak. Foram derrotados com rapidez por Jeremy Chardy e Lukasz Kubot, amargando o quarto vice da temporada.
Outra derrota dolorosa sofreu Rogerinho Silva na última rodada do qualificatório para Hamburgo, que seria o primeiro ATP 500 da sua carreira. Ele abriu 4/2 sobre o espanhol Daniel Muñoz de la Nava e aí permitiu reação, chegando a perder sete games consecutivos. Quando acordou, era tarde demais. Na mesma linha, Thiago Alves deixou escapar a vaga em Gstaad diante do italiano Matteo Viola, com 6/0 no segundo set.
Pelo menos, Ricardo Hocevar e Ricardo Mello justificaram o evidente favoritismo, venceram a segunda rodada do quali e estão a uma vitória da vaga em Atlanta. A missão de Hocevar é bem mais difícil contra o cabeça 1 Ruben Bemelmans. O adversário de Mello é o local Alex Kuznetsov.
Tomara que ao menos um deles se junte a Thomaz Bellucci e engrosse a semana nacional nos torneios de primeira linha. Voltando ao torneio em que foi campeão há três anos, Thomaz estreia contra Blaz Kavcic e tem tudo para reencontrar Mikhail Youzhny nas oitavas. O russo venceu todos os três duelos, mas está na hora de o nosso top 60 acabar com isso, ainda mais que a Copa Davis de setembro se aproxima.
Nos torneios internacionais, deu a lógica em todas as finais. John Isner, Serena Williams e Sara Errani repetiram seus títulos do ano passado, enquanto Marin Cilic fez a festa local em Umag e David Ferrer se aproveitou da contusão de Nicolás Almagro (e do histórico que agora chega a 11-0). Por isso, a menção mais honrosa vai para Tipsarevic, que sobreviveu a duras partidas em Stuttgart e chegou a seu primeiro título no saibro. Era o único dos atuais top 10 sem troféu na temporada.
Bellucci tenta 100ª vitória em sua oitava semifinal
às
19h19 - por
José Nilton Dalcim
Um sábado importante para Thomaz Bellucci. Na mesma quadra central de Stuttgart que viu dois títulos de Gustavo Kuerten, ele buscará alguns feitos pessoais importantes: a 100ª vitória da carreira em torneios de primeira linha, a quinta sobre um top 10 em 18 tentativas, a quarta final de ATP 250 e um novo salto de recuperação no ranking. É pouco? Ah, Stuttgart também é aquele torneio que dá uma Mercedes-Benz ao campeão.
O brasileiro anotou nesta sexta a 99ª vitória de nível ATP ou superior, virando assim um retrospecto que até começar a semana era negativo, com 96 triunfos e 97 derrotas. Desse total de vitórias, 63 aconteceram sobre o piso de saibro e 31 na quadra sintética, sendo 90 em áreas descobertas.
Não menos significativo é o fato de o canhoto de Tietê estar em nova semifinal. Desde 2009, ele tem feito pelo menos uma por temporada. Em 2009, foi campeão em Gstaad, vice no Sauípe e semi em Estocolmo; no ano seguinte, faturou Santiago; em 2011, duas semifinais de gabarito no Masters de Madri e no 500 de Acapulco. Nesta temporada, é a segunda, somando-se à do Brasil Open de fevereiro.
Todos vocês sabem que eu não gosto de comparações simplistas mas, para que se dê o devido crédito ao brasileiro, vejam que coisa curiosa: seu adversário deste sábado, o sérvio Janko Tipsarevic, oitavo do mundo, tem no currículo os mesmos dois troféus de nível 250 do brasileiro (Moscou e Kuala Lumpur do ano passado). Possui mais finais, é verdade, com seis no total, porém todas de nível 250 também.
Aliás, se olharmos com atenção aos atuais top 20, veremos casos como os de Kei Nishikori e de Alexander Dolgopolov, 18º e 19º do mundo respectivamente, ambos com apenas um título e duas finais na carreira. São um pouco mais jovens que Bellucci, é fato, mas estão distante da 100ª vitória. Já o alemão Florian Mayer, oscilando perto do 20º lugar, ganhou um e fez outras quatro finais, nenhuma melhor do que Sopot, Munique, Bucareste ou Estocolmo. Está com 28 anos.
Antes que alguma voz se precipite, não quero dizer com isso que Bellucci seja espetacular ou tenha tido uma carreira brilhante. Claro que não. Mas tão pouco ele é um tenista sem expressão ou capacidade técnica. Na pior das hipóteses, está no mesmo nível de boa parte dos top 30 atuais - sendo superior a alguns deles quanto se trata de saibro - e portanto me parece bastante consistente imaginar que ele possa, sim, voltar a uma faixa de maior prestígio no ranking.
O jogo deste sábado pode ser um novo passo nessa direção. Tipsarevic não é um especialista em terra batida, ainda que seja um jogador de extraordinário físico e empenho. Vem de um duelo de três horas diante de Bjorn Phau, 81º do mundo aos 32 anos. Oportunidade excelente para Bellucci cravar sua quinta vitória sobre um top 10 - que seria também a segunda da temporada, após aquele sobre David Ferrer -, o que o colocaria pertinho do 50º posto.
Diga-se ainda que Bruno Soares buscará mais um título em Bastad e que André Sá tem chance de ir à final em Stuttgart.
Bendito saibro.
A única vantagem hoje é ser 1 ou 2, diz Federer
às
18h30 - por
José Nilton Dalcim
* atualizado às 23h59 para corrigir pontuação dos Jogos Olímpicos
Roger Federer retornou brilhatemente à liderança do ranking, o que acima de tudo é um feito pessoal. Ele conseguiu dar a volta por cima, depois de dois anos amargando frustrações e assistindo a duelos restritos a Novak Djokovic e Rafael Nadal por troféus de Grand Slam.
Mas o suíço analisa com inteligência e frieza a nova ordem do tênis masculino. "Nós quatro, que lideramos o ranking, temos vencido um ao outro de forma frequente nos últimos cinco anos talvez", afirma ele, incluindo Andy Murray. "Então, será que é mesmo alguma vantagem ser 1, 2, 3 ou 4?"
Ele na verdade acha que estar em primeiro ou segundo pode sim fazer uma pequena diferença: "É possível que tenhamos semifinais diferentes agora (nos grandes torneios). Será mais duro para Novak ou Rafa chegar à final, porque eles poderão ter de duelar na semi", argumenta, com total razão.
A curto prazo, Federer se refere é claro aos Jogos Olímpicos, mas a situação deve se repetir nos Masters norte-americanos e até mesmo no US Open. Durante todo esse período, mesmo que eventualmente perca a liderança, o suíço dificilmente deixará de estar entre os dois primeiros. Vejamos as contas:
1. Federer tem 11.075 pontos e pode ser ultrapassado por Djokovic já nos Jogos Olímpicos (poderia até antes, mas Nole não parece interessado em disputar um ATP 250 ou 500 no saibro na próxima semana). As Olimpíadas valerão para efeito de ranking como um torneio ATP 500 e isso quer dizer que Federer terá de descartar 90 pontos para incluir os Jogos. Portanto, ele somaria apenas a partir das quartas de final (135). Com 11.000, Djokovic não tem nada a retirar e assim pode superar Federer, mas somente a partir das quartas, caso o suíço caia antes da terceira rodada, ou da semi, mas terá sempre de ganhar uma rodada a mais que Federer.
2. Nadal só assiste à briga nas Olimpíadas, mas ao menos terá uma chance de diminuir a distância para ambos, que está em 2.095 pontos em relação ao número 2. Como descarta 90 pontos, Nadal recuperaria até 660 se ganhar o título olímpico (claro que depende da campanha dos adversários). Dessa forma, é certo que Federer e Djokovic serão cabeças 1 e 2 nos Masters norte-americanos.
3. Montreal e Cincinnati se seguem imediatamente aos Jogos. Nadal é quem está em melhor situação, com 190 pontos a repetir. Federer também não tem muito: 270. Nole, no entanto, chega a 1.600. Claro que tudo pode acontecer, mas a lógica diz que novamente Federer se manterá entre os top 2, seja com Nadal e Djokovic. Ainda acho difícil que o espanhol ameace a vice-liderança.
4. Como todos se lembram, o US Open teve os três nas rodadas finais. Federer, semifinalista, defende 720 pontos, enquanto Nadal precisa repetir 1.200 e Djokovic, 2.000. É a grande oportunidade para o espanhol, já que poderá eliminar Nole na semi e isso lhe daria chance de recuperar cerca de 2 mil pontos de uma tacada só.
Fica fácil concluir que Djokovic terá imensa dificuldade em repetir toda essa pontuação no piso sintético norte-americano, correndo mesmo sério risco de ir ao terceiro lugar do ranking, e que Federer é o que tem mais a lucrar. Nadal também pode se recuperar, desde que vá bem nos dois Masters e dê o salto final no US Open.
Mas a briga promete se alongar até novembro. Melhor para o tênis.
Serena no Brasil - A coluna de Sonia Racy, no Estado de S.Paulo de ontem, traz a notícia que a promotora Koch Tavares deu outra ótima tacada e também acertou uma exibição de Serena Williams no Brasil para o final do ano. Oficialmente, a empresa não se pronunciou, mas a vinda da campeã de Wimbledon está confirmada e deve ser em data muito próxima a das partidas de Roger Federer.
Os dois jogos do agora número 1 no Brasil ainda não têm calendário confirmado, mas devem acontecer entre os dias 6 e 10 de dezembro (no dia 12, ele joga em Buenos Aires, com Del Potro, e dia 14 em Bogotá, com Tsonga).
Bellucci confirma - Conforme eu esperava, Bernard Tomic não anda com a confiança necessária e encontrou um Thomaz Bellucci em alto astral no saibro de Stuttgart. O resultado foi uma importante vitória do brasileiro, mostrando que está mesmo no processo de recuperação na temporada de altos e baixos. Não fosse o vacilo no final do primeiro set, quando teve 6/5 e saque, o canhoto paulista teria feito uma atuação nota 10, mesclando ataque, defesa, paciência e ousadia.
Na matemática cruel do ranking, vencer o 45º do mundo - que há dias era top 30 - não valeu nada. Bellucci tem pontuação de 45 pontos como 18º resultado e assim só terá chance de somar e voltar ao top 60 se vencer o local Cedrik-Marcel Stebe às 12h30 desta sexta-feira. Não é jogo fácil, mas Bellucci é favorito no saibro, ainda mais se estiver lento e em dia chuvoso como hoje.
É bom confiar em quem tem mais de 30
às
19h49 - por
José Nilton Dalcim
Os caros amigos blogueiros um pouco mais vividos certamente se lembram da voz superafinada de Claudya a entoar a canção de Marcos e Paulo Sérgio Vale, que recomendava não se confiar em quem tinha mais de 30 anos.
Mas vejam que coisa curiosa. Tanto Roger Federer como Serena Williams acabam de retornam a títulos de Grand Slam depois dos 30. Um reassume a liderança do ranking, a outra precisa ser considerada pelo menos como uma das duas ou três melhores jogadoras em atividade. Ambos estavam há pelo menos 24 meses sem aumentar a coleção de grandes troféus.
Os trintões, aliás, também se destacam no ranking. David Ferrer vive sua melhor fase, mostrando-se versátil, e numericamente coloca dois 'veteranos' no top 5. Se puxarmos outros resultados surprendentes, veremos Tommy Haas campeão, Radek Stepanek em grande forma em todos os pisos, assim como Na Li ganhou Paris tão perto dos 30 e Francesca Schiavone, depois deles.
Num papo de semanas atrás com André Sá, que aliás fez 35 em maio com um tênis ainda muito afiado, ele me pareceu ter dado a receita correta dessa nova ordem no tênis: o preparo físico. "O que era geralmente a faixa de aposentadoria há uma década, hoje ainda permite que os tenistas estejam muito bem no circuito", lembra ele. "E isso é resultado direto dos novos métodos de preparação física, que conseguiram elevar essa longevidade".
Concordo plenamente. A recuperação hoje de um atleta para o dia seguinte - que talvez seja o grande 'x' da questão, responsável diretamente por vitórias ou derrotas - evoluiu de forma assustadora e o tênis, com seu calendário massacrante, foi uma das modalidades que mais se beneficiaram desse avanço, que mistura biologia e tecnologia.
Vemos então uma porção de nomes famosos chegar aos 40, principalmente se esticar a carreira para as duplas, onde se joga muito menos. O líder da ATP hoje, Daniel Nestor, vai completar 40 anos em setembro e seu parceiro, Max Mirnyi, já soma 35. Quatro anos mais velho mas ainda top 5, está o eterno Leander Paes. E olha que os irmãos Bryan já completaram 34.
Dá sim para confiar em que tem mais de 30. Pelo menos, nas quadras.
Vitórias - Thomaz Bellucci e João Souza, em nível ATP; quatro outros em challengers, com Leonardo Kirche, Marcelo Demoliner, Guilherme Clezar e André Ghem. O tênis brasileiro ganhou seis dos oito jogos que participou nesta terça-feira sobre o saibro, em dois continentes (e Fernando Romboli já tinha vencido na segunda), o que não é espetacular mas é um bastante relevante.
Melhor ainda se Feijão conseguir superar nesta quarta-feira a experiência de Tommy Robredo, que voltou ao circuito em junho, e ainda mais se Bellucci aproveitar a fase irregular de Bernard Tomic na quinta. A isso, some-se o top 100 que Rogerinho Silva acaba de atingir. A volta do circuito ao saibro foi excelente para nós.
Vencedor - Carlos Husky, do Rio de Janeiro, foi o melhor no Desafio Wimbledon deste Blog, que queria saber o campeão e o placar da final. Ele votou corretamente em
Federer, por 3 sets a 1, e optou pela virada e parciais de 4/6, 7/5, 6/4 e 6/3. Chegou bem perto e assim vai levar a biografia de Roger da editora Evora, um sucesso absoluto de vendas.
Força, sutileza, técnica e ousadia. Eis por que ele é o 1.
às
20h22 - por
José Nilton Dalcim
O tênis masculino tem um novo número 1 do mundo. Novo? Que nada. O velho, velho e magnífico Roger Federer.
O homem que, tão perto dos 31 anos, ainda consegue produzir um tênis de tamanha categoria, mistura de força, sutileza, técnica e ousadia. Criatividade e eficiência. Por que esse suíço é tão amado? Porque reúne a tudo isso a emoção que não esconde, o empenho na quadra, a dedicação extrema à carreira.
No Olimpo do tênis, Federer é um deus. De tantos feitos excepcionais, ganhar sete vezes Wimbledon talvez fosse o maior deles, mas sinceramente eu acho que não. A façanha incrível de Roger, a meu ver, foi conseguir voltar à liderança do ranking. E isso não começou há duas semanas, mas há nove meses.
Diante de Novak Djokovic e Rafael Nadal, adversários de inquestionável competência e qualidade, ele encontrou seu espaço. É o jogador com maior quantidade de titulos na temporada, com cinco, entre eles um Slam e dois Masters. E em três pisos distintos. Automaticamente, é o mais eficiente de 2012, com 46 vitórias em 52 partidas, superior percentualmente aos 42-6 de Nadal, 41-7 de Nole e 47-9 de Ferrer.
O destino esperou pacientemente até o circuito chegar a Wimbledon para dar a Federer a última dádiva que lhe faltava: alcançar Pete Sampras em titulos no centenário torneio e em semanas na liderança do ranking. Ao mesmo tempo. Num só domingo. O que pode haver de mais espetacular no tênis do que ver um campeão de Slam chegar ou recuperar o número 1, como fizeram Maria Sharapova há quatro semanas ou Nole em Wimbledon do ano passado?
Quem viu a final deste domingo, sabe muito bem que Federer esteve contra as cordas até a metade do segundo set, menos por seus defeitos e muito mais pela qualidade de Andy Murray. Sacando com maestria, o escocês atacou sempre que pôde e se defendeu com tamanha vontade que o suíço provavelmente bateu o recorde de smashes dados numa só partida. Não havia traço de ansiedade ou nervosismo no britânico, que parecia caminhar para o feito histórico tão aguardado.
Bastou uma janelinha para Federer mudar o rumo das coisas. Com 5/6 e 30-30 do segundo set, eu comentei com Felipe Priante, na redação: esse é o ponto do jogo. Dito e feito. Roger fez então um voleio de total improviso e inteligência de forehand. E completou com outro voleio, completamente mágico, de backhand. Fechou o set, seu jogo se soltou e Murray passou a ter dúvidas. O heptacampeonato parecia agora uma questão de tempo, que nem a parada pela chuva conseguiu atrapalhar.
Uma coisa é preciso concordar com Murray que, com nó na garganta, afirmou que está cada vez mais perto do troféu de Wimbledon. Desde que mantenha o equilíbrio entre tênis ofensivo e defensivo, será uma surpresa se ele não acabar com esse incômodo jejum. Talvez, até antes disso, leve seu primeiro Slam, o que facilitaria demais as coisas.
Rainha dos 100 aces
às
14h58 - por
José Nilton Dalcim
Existem duas lógicas em Wimbledon que raras vezes foram quebradas. Para vencer na grama, você precisa de experiência e um grande saque.
No auge de seus 30 anos, Serena Williams fez valer essas máximas para o bem do tênis. Utilizou sua espetacular arma para ganhar o quinto troféu na grama sagrada e o 14º Grand Slam, encerrando um período de seca de exatas duas temporadas. Mas ninguém jamais teve - ou pelo menos não deveria ter tido - dúvidas de que ela é uma jogadora feita sob medida para ganhar Wimbledon.
Serena completa sua série de sete partidas com 102 aces. Com exceção à primeira rodada, fez ao menos 10 por partida, batendo sucessivamente o recorde feminino de saques indefensáveis, com 23 e depois 24. Na decisão, anotou 17, com direito a um 'game real', em que a adversária Agnieszka Radwanska simplesmente não tocou na bola. Na segunda rodada, chegou a ter 96% dos pontos vencidos com o primeiro saque. Isso é um bombardeio.
Mas ela é bem mais do que um grande saque. Serena também amedronta qualquer adversária com sua devolução agressiva, jogando sempre em ciima da linha, e isso explica com facilidade os 24 games em que conseguiu quebrar o serviço da adversária ao longo do campeonato. Essa mistura de saque preciso e devolução ousada lhe dá números incríveis em winners, algo que sabemos é um tanto mais raro no tênis feminino. Vejam só: em sua pior partida, anotou 22; atingiu 45 na semi contra Azarenka e incríveis 58 na final deste sábado.
Por fim, é preciso ainda dar o crédito essencial por sua batalha em permanecer no circuito. Contusões, cirurgias, embolia pulmonar. Nada deteve sua paixão por estar na quadra, tentar os grandes troféus. Desde que jogou em Wimbledon do ano passado, retornando 12 meses depois de uma longa parada, ela ganhou todos os 12 duelos contra qualquer uma das top 5. Nestas duas últimas semanas, tirou a atual campeã, a futura número 1 do mundo e a outra candidata ao posto.
Serena aparecerá segunda-feira no quarto lugar do ranking. Mera formalidade. Não me parece haver discussão sobre quem é a melhor tenista em atividade.
Reagindo - Foi um título pequeno, comparado a seus dois ATPs sobre o saibro, mas muito bem vinda a conquista de Thomaz Bellucci neste sábado no challenger alemão de Braunschweig, o que acredito será o início de sua reação e volta ao top 50. De cara, ele já vai para 64º. E tem uma ótima chance de somar vitórias em Stuttgart, na próxima semana, onde deve cruzar com Bernard Tomic na segunda rodada, com chance real de superar o atual 28º do mundo no saibro.
P.S.: Continuem votando no post abaixo para a final masculina deste domingo. Quem vai fazer história? Estou ansioso.
Desafio Wimbledon: quem leva o título? Vote agora.
às
10h09 - por
José Nilton Dalcim
O momento em Wimbledon vale um desafio. Quem vai reescrever a história? Roger Federer chegará a sete títulos e ao número 1? Andy Murray vencerá seu primeiro Grand Slam e encerrará o terrível jejum britânico?
Então o Blog do Tênis lança o desafio derradeiro do torneio. Vale uma biografia de Roger Federer, livro da Editora Évora, que vem fazendo tanto sucesso e já está na 11ª edição.
Indiquem o vencedor e o placar, conforme modelo abaixo. Obviamente, leva aquele que chegar mais perto do resultado. Caso queiram (e devam) fazer comentários, escrevam e opinem exclusivamente no post abaixo, deixando aqui só os palpites numéricos. Fica mais organizado.
A votação se encerra quando for dado o primeiro saque no domingo. E, é claro, se ganhar alguém de fora do Brasil, terá de indicar um endereço no país para receber o livro.
Importante: não mandem palpites por email. O divertido aqui é justamente todo mundo poder conferir a aposta dos demais.
Se possível, seguir o modelo abaixo, que facilita muito na hora da apuração:
Federer vence Murray, 3 sets a 1, parciais de 6/4 4/6 6/4 7/6
E de novo, a história
às
19h37 - por
José Nilton Dalcim
Caros, amigos. Tomem seus assentos e preparem-se, mais uma vez, para assistir à história. Você são felizardos.
Pelo segundo Grand Slam consecutivo, uma nova página será escrita no tênis, qualquer que seja o resultado deste domingo em Wimbledon. Foi exatamente assim há quatro semanas, em Roland Garros, quando de um lado Rafael Nadal jogava pelo sétimo troféu e, de outro, Novak Djokovic buscava um raríssimo Grand Slam.
Os protagonistas desta vez são outros, o que torna tudo ainda mais especial. Se a batalha anterior envolvia os então 1 e 2 do mundo, agora ficará entre o 3 e o 4.
Roger Federer lutará pelo heptacampeonato em sua oitava final no mais importante de todos os campeonatos e, de bandeja, pela volta à liderança e portanto ao recorde de semanas como número 1, algo que parecia tão distante há 10 meses, quando Djokovic dominava tudo. Andy Murray jogará por seu primeiro e tão aguardado troféu de Grand Slam, que simultaneamente encerraria o jejum de títulos importantes de seus conterrâneos, que já conta 76 anos.
E que semifinais! Ainda que decididas em "apenas" quatro sets, foram jogos de gente grande sobre a grama. Tensos, equilibrados mas ainda assim repletos de lances memoráveis, cada um no estilo e com suas melhores armas. Federer usou o saque como poucos sabem fazer, mas também foi extremamente firme no fundo de quadra diante da potência e precisão de Djokovic, que teve mais altos e baixos e por isso acabou derrotado.
Murray e Tsonga travaram uma batalha de ataque e contra-ataque, saque contra devolução, habilidade para volear ou para chegar em bolas quase perdidas. Cada um fez um pouco de tudo e o britânico ganhou porque seu conjunto foi superior, especialmente no fundo de quadra. Tsonga falhou mais do que poderia com o saque e isso na grama é um pecado mortal.
De qualquer forma, foi o resultado mais justo pelo que os finalistas fizeram ao longo das duas semanas. Talvez até mais para Murray do que para Federer, porque o escocês teve um punhado de provações em seu inédito caminho para o último domingo, desde a segunda rodada contra o bombardeio de Karlovic até a magnífica virada diante de Ferrer. Manteve sempre a cabeça no lugar, o que certamente tem sido seu maior (e, por que não, surpreendente) mérito.
Desafio da semifinal - O vencedor do Desafio do Blog para as semifinais foi Fábio Martin, de São Paulo. Ele acertou todas as parciais da partida de Federer, invertendo apenas a ordem do segundo e do terceiro sets, além de ter acertado foi dos sets da partida de Murray. Ele receberá a biografia de Roger da Editora Evora. Para a decisão de domingo, haverá outro Desafio amanhã logo cedinho.
Saiba mais
Se existe alguém que entende bem o que é sonho frustrado em Wimbledon, esse é Ivan Lendl. O megacampeão que mudou a história do tênis ao colocar cores e desenhos no uniforme, dançar balé para preparar-se fisicamente e levar um punhado de auxiliares multidisciplinares a cada torneio, não conseguiu o título em tantas tentativas. Puro azar ter encontrado o azarão Pat Cash e o já fenomenal Boris Becker nas finais de 1986 e 1987. Perdeu ainda cinco semifinais para McEnroe, Connors, Becker e Edberg. Por isso, afirmou que trocaria seus três títulos de Paris por um de Wimbledon. Agora pode realizar a façanha da arquibancada, como o técnico de Andy Murray. Curiosamente, Ivan perdeu quatro decisões de Slam antes de ganhar o primeiro de seus oito troféus.
Showtime? Tomara.
às
19h39 - por
José Nilton Dalcim
Quando entrarem em quadra às 9 horas desta sexta-feira para decidir quem vai à final de Wimbledon, Novak Djokovic e Roger Federer estarão marcando um recorde: com sua 11ª edição, será o jogo que mais se repetiu nos Grand Slam em toda a Era Profissional. Aliás, já era a semifinal mais constante, subindo agora para nove. A expectativa não pode ser maior, porque foram exatamente esses dois, na penúltima de Roland Garros e do US Open de 2011, que fizeram os dois melhores jogos pelo menos dos últimos quatro anos.
Nesse longo histórico nos grandes torneios, o placar é de 2-1 para o sérvio na Australia; 1-1 em Roland Garros; e 3-2 para Federer no US Open. Portanto, a grama é a barreira final.
A outra partida não me parece menos espetacular, ainda que possivelmente mais tensa. E não há como negar um certo favoritismo do dono da casa. Andy Murray vem de quatro vitórias seguidas sobre Jo-Wlfried Tsonga, que não ganha desde a primeira rodada do Australian Open de 2008. Murray também venceu o francês nas quartas de Wimbledon de 2010 e na final de Queen's da temporada seguinte, ou seja, em dois jogos importantes sobre a grama.
Vejamos detalhes curiosos que cercam os quatro semifinalistas:
- Federer tenta ser primeiro homem em todos os tempos a chegar a oito finais de Wimbledon. Se o fizer, poderá então tentar igualar Pete Sampras e William Renshaw, heptacampeões. Ele também é agora o profissional com maior número de semifinais de Grand Slam: 32.
- Se Murray perder, iguala o feito negativo de Tim Henman, único até hoje a perder suas quatro primeiras semifinais no torneio.
- Djokovic tenta ser o terceiro homem na Era Profissional a fazer cinco finais seguidas de Grand Slam, algo que apenas Federer e Rafael Nadal já conseguiram.
- Tsonga procura repetir Cedric Pioline e se tornar o segundo francês desde 1968 a disputar duas finais de Grand Slam. Ele foi vice na Austrália, em 2008, enquanto Pioline perdeu as decisões do US Open de 93 e de Wimbledon de 97.
- Federer jamais perdeu uma semifinal em Wimbledon nas sete vezes em que chegou lá. Dessas finais todas, só não levou o título em 2008.
- Tsonga é o único dos semifinalistas que nunca venceu um torneio sobre a grama. Federer, com 11, tem mais do que todos os outros somados, mas não fatura troféu no piso desde Wimbledon de 2009.
- Djokovic gastou apenas 9h42 para seus cinco jogos nesta edição, enquanto Federer gastou 10 minutos a mais. Murray precisou de 14h02, bem mais do que os 12h13 de Tsonga.
Fantástica Serena - Ela ainda não levou o título e pode muito bem ser surpreendida por Agnieszka Radwanska no sábado. Mas é inegável que Serena Williams está dois passos à frente de qualquer outra quando se trata de grama e de Wimbledon. As vitórias sobre Petra Kvitova e Victoria Azarenka falam por si mesmas, com direito a sucessivos recordes de aces. O de hoje foi ainda mais impressionante, porque se deu em dois sets e sobre uma devolvedora de primeira linha.
Aos 30 anos, superando dezenas de crises na carreira e um recente drama que quase lhe custou até a vida, Serena merece como ninguém voltar a triunfar num Grand Slam. Gostem ou não do seu jeito, que por vezes beira a arrogância, a qualidade de seu tênis é inquestionável, como a nova geração já descobriu há algum tempo.
Saiba mais
Os duelos entre Djokovic e Federer tem sido histórico nos últimos tempos. No ano passado, Federer encerrou a série invicta de 43 partidas do sérvio em Paris, que se vingou com os dois match-points que salvou no US Open. Fato curioso é que os dois fizeram apenas seis finais até hoje, com empate; apenas uma foi de nível Grand Slam (US Open de 2007) e duas de Masters (Montreal e Cincinnati). No vídeo, o primeiro dos duelos, na segunda rodada de Monte Carlo de 2006.
P.S.: Continuem votando nas semifinais, mas exclusivamente no post logo abaixo. Deixem os comentários para ser feitos neste aqui. Fica mais fácil para apurar.
Desafio Wimbledon: quem vence a semi? Vote agora.
às
09h08 - por
José Nilton Dalcim
O momento merece: dois duelos importantíssimos acontecem nesta sexta-feira pelas semifinais de Wimbledon.
Então o Blog do Tênis lança o primeiro desafio do torneio: quem vai decidir o título? Vale uma biografia de Roger Federer, livro da Editora Évora, que vem fazendo tanto sucesso e já está na 11ª edição.
Indiquem o vencedor e o placar, conforme modelo abaixo. Obviamente, leva aquele que chegar mais perto dos dois resultados. Caso queiram (e devam) fazer comentários, escrevam e opinem exclusivamente no post abaixo, deixando aqui só os palpites numéricos. Fica mais organizado.
A votação se encerra quando for dado o primeiro saque da sexta-feira. E, é claro, se ganhar alguém de fora do Brasil, terá de indicar um endereço no país para receber o livro.
Importante: não mandem palpites por email. O divertido aqui é justamente todo mundo poder conferir a aposta dos demais.
Se possível, seguir o modelo abaixo, que facilita muito na hora da apuração:
Federer vence Djokovic, 3 sets a 1, parciais de 6/4 4/6 6/4 7/6
Murray vence Tsonga, 3 sets 2, parciais de 6/7 6/4 5/7 6/3 7/5
Semifinais perfeitas
às
19h36 - por
José Nilton Dalcim
Confesso: Wimbledon tem as semifinais do meu sonho, lá quando fizeram o sorteio da chave. Absolutamente nada contra Rafael Nadal, que já cansou de provar sua competência na grama, mas pelo momento tão especial: a briga direta pelo número 1 de um lado, a luta para entrar para a história no outro.
Não tenho o menor receio em dizer que Andy Murray e Jo-Wilfried Tsonga são os dois maiores candidatos a vencer um Slam fora, é claro o top 3, assim como os considero os de maior competência sobre a grama, tirando-se também o "trio de ferro". Tanto assim que já cansaram de aprontar para cima de nomes importantes e estiveram em semifinais de Wimbledon muito recentes.
Murray tem mais potencial que Tsonga, tanto na técnica como na idade, mas esbarra num problema emocional difícil de ajeitar. O grande Jo é um tenista de força com excepcional habilidade e destreza, porém sempre ameaçado pelos 91 quilos (ou mais...) que sobrecarregam seus joelhos.
Cada um também leva nos ombros a esperança nacional de sucesso, mas aí o peso é muito maior para Murray, estrela única de uma nação que adora tênis e não vê real sucesso desde a década de 1940. Talvez não existam muitos britânicos vivos que tenham visto Fred Perry brilhar.
Tsonga divide melhor essa questão com outros bons nomes do tênis francês, que por sua vez não vê título de Grand Slam desde 1983 e jamais comemorou um líder do ranking. No fundo, eles sabem que Tsonga é a única promessa na geração atual.
A outra semifinal não precisa de apresentação, exceto pelo fato de que será um inédito jogo sobre a grama dentro dos 26 capítulos já realizados. E no fundo acho que vale muito mais do que a briga pelo número 1, ainda que isso seja importante para Federer.
Antes de qualquer coisa, Nole precisa reafirmar sua posição de maior nome do tênis de hoje, numa temporada que vem bem abaixo de 2011 não em resultados em si, mas em atuações convincentes. Para Roger, é a chance de provar que ainda está no páreo. Perder na grama, seu maior reduto, será infinitamente mais doloroso e desmotivante do que os 3 a 0 que levou no saibro de Paris. A menos, é claro, que seja uma partida de cinco sets decidida em detalhes.
Quem leva? - A emoção das semifinais já começam às 9 horas desta quinta-feira. E novamente estará em jogo o número 1 e a glória de vencer Wimbledon. Victoria Azarenka e Agnieszka Radwanska são as únicas que lutam pelos dois feitos ao mesmo tempo, mas para ambas existem dificuldades.
Vika, que só não recuperará a liderança se Radwanska for campeã, tem pela frente sete derrotas em oito duelos contra Serena Williams, sem dúvida a favorita para o penta. A norte-americana venceu seu último Slam há exatos dois anos, lá mesmo em Wimbledon, e é outra que precisa mostrar que ainda está viva no circuito dominado pela nova geração. Detalhe me lembrado por Sheila Vieira: desde Wimbledon do ano passado, Serena ganhou todos os 10 duelos contra top 5.
A outra partida é uma incógnita. Apesar de mais experiente, Radwanska pode parar no tênis ascendente de Angelique Kerber. Aliás, alemães e canhotos são dois bons predicados para se brilhar em Wimbledon.
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O vídeo aí ilustra bem quanto tempo se passou desde que Frederick John Perry ganhou três Wimbledon seguidos, o último deles em 1936, o que lhe valeu a condição de "melhor do mundo" por quatro temporadas. Sua carreira começou aos 18 anos, mas aos 20 ele também se coroou campeão mundial de tênis de mesa. Faturou 10 Slam até decidir se profissionalizar ao final daquele ano, o que lhe valeu muitas críticas na Inglaterra, e causou ainda maior indignação ao se naturalizar americano em 1941. Ainda assim, lançou sua famosa grife em 1952, que chegou a ser usada por Andy Murray e hoje pertence a uma empresa japonesa.
À espera de Djokovic e Federer
às
20h03 - por
José Nilton Dalcim
É tudo importante, mas este Wimbledon tem tudo a ver com Novak Djokovic e Roger Federer. Os dois travam duelo direto pela liderança do ranking num campo em que sabem vencer: a grama. Se o suíço tem muito mais títulos e números em Wimbledon, Nole provou com sobras no ano passado que seu jogo se adapta com perfeição ao piso tão traiçoeiro. Então, as quartas de final desta quarta-feira são o último obstáculo para revermos o duelo direto.
Se mantiver seu favoritismo contra Florian Mayer, Djokovic terá atingido todas as semifinais de Slam desde Wimbledon de 2010, ou seja, nove seguidas em exatos dois anos. Teria de jogar muito abaixo do seu nível para perder do alemão, um tenista essencialmente de base, com um longo forehand a ser bem explorado pelas paralelas de Nole.
A grande incógnita é Federer, que seria barbada - 13 partidas com somente três sets perdidos - diante de Mikhail Youzhny, não fosse o problema nas costas. Curiosamente, o suíço ainda precisa superar o trauma de ter caido nas duas últimas quartas do torneio em que até então era rei absoluto.
Os jogos da parte inferior da chave foram todos concluídos em outro dia chuvoso e, a rigor, não trouxeram novidades. Talvez Mayer tenha surpreendido pela facilidade que passou por Richard Gasquet, mas tem sido duro apostar no francês. Jo-Wilfried Tsonga, por sua vez, virou com categoria contra Mardy Fish e David Ferrer foi notavelmente superior a Juan Martin del Potro, que não se movimentou 100%. Andy Murray fez o que se esperava contra Marin Cilic. A consequência imediata desses resultados é que Wimbledon terá um novo finalista no domingo.
Murray ou Ferrer? Extremamente difícil apostar e até o confronto está empatado por 5. Tsonga parece mais candidato do que Philipp Kohlschreiber, ainda mais porque já esteve lá no ano passado.
Detalhes sobre a rodada desta quarta-feira:
- Três dos oito quadrifinalistas têm 30 anos - fato que não acontecia desde a Austrália de 2003 - e dois estão com 25. A média de idade é de 27 anos e 9 meses. Ferrer é o mais velho, com 30 anos e 335 dias; Nole, o mais jovem, aos 25 aos e 47 dias.
- O pior classificado no ranking é Youhzny, número 33, mas todos são cabeças de chave. No entanto, o único duelo entre top 10 será o de Murray e Ferrer. O maior salto poderá ser de Mayer, que poderá chegar ao 15º posto se for à semi.
- Ferrer, Youhzny e Kohlschreiber disputam as quartas de Wimbledon pela primeira vez. O espanhol e o alemão têm titulos em grama.
- Todos, menos os dois alemães, já fizeram pelo menos uma semifinal de Grand Slam. Kohlschreiber é quem tem pior currículo, já que Mayer esteve nas quartas de Wimbledon em 2004.
- Esta é a quinta vez na Era Profissional que todos os oito quadrifinalistas são europeus. Isso já havia acontecido no Australian Open do ano passado.
- Todos os classificados perderam pelo menos um set no torneio. Mayer cedeu o maior número de games (71) e Djokovic, o menor (38).
Pintou a campeã? - Vejo muita gente opinando na net que Serena Williams venceu a 'final antecipada' contra Petra Kvitova e dificilmente deixará escapar o título, ainda que agora enfrente Victoria Azarenka. Não considero um jogo fácil, ainda que a bielorrussa sempre trema diante do poder de fogo da americana.
Aliás, os quatro jogos desta terça-feira foram bem interessantes, intensos, cheio de alternativas. O tênis ofensivo me faz eleger o duelo de Serena-Petra como o melhor do torneio até agora. Mas continuo achando Radwanska muito à vontade na grama, um piso que já confessou detestar. Ela corre por fora pelo número 1. Seria uma grande surpresa se conseguisse o título e o posto em Wimbledon.
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Wimbledon marca o renascimento do tênis alemão em alto nível, ainda que não haja uma grande estrela do porte de Graf ou Becker. O Slam inglês deste ano viu quatro representantes nas quartas de final, um feito inédito para os germãnicos em qualque Slam da Era Profissional. Já classificou uma semifinalista, com pequenas chances para Mayer e Kohlschreiber repetirem Becker e Michael Stich de 1991 (os dois ainda chegaram à final, veja video acima). A Alemanha tem sete troféus no torneio com Graf, três com Becker e outro com Stich.
Que confusão!
às
19h44 - por
José Nilton Dalcim
Nem mesmo o teto retrátil parece arma suficiente para que Wimbledon drible seus habituais problemas com a chuva. Depois de ter feito um esforço para não prejudicar a programação da primeira semana, a dor de cabeça maior veio nesta segunda-feira, com o complemento de apenas três dos oito jogos previstos para o masculino. Mais grave ainda: dois deles sequer começaram, os outros três estão ainda no segundo set e somente um deles poderá ser disputado na Central. Se a previsão do tempo for novamente fiel, a terça-feira promete ser outro dia chuvoso.
O complicado disso tudo é que o vencedor desses cinco duelos terão de jogar 24 horas depois pelas quartas de final.
Imaginem se a lógica prevalece e um Ferrer-Del Potro vai a cinco sets, algo aliás nada difícil de acontecer também com Tsonga-Fish ou mesmo Murray-Cilic. O desgaste será inevitável e pode comprometer as campanhas.
E quem vai se dar melhor com isso? Novak Djokovic, é claro. Além de estar subindo de nível a cada rodada, o sérvio ainda vê Roger Federer tendo uma dificuldade atrás da outra.
Depois da partida de cinco sets da sexta-feira, era de se esperar que o hexacampeão se recuperasse nos dois dias inteiros de descanso que teve, mas ele assustou todo mundo com o problema nas costas ainda no meio do primeiro set. Federer jamais abandonou uma partida em andamento em toda sua carreira, o que convenhamos é outro feito para quem jogou 1.042 vezes, porém eu cheguei a temer pelo pior desta vez, quando vi o suíço empurrando forehand. A dor nas costas, que não é nova, tem efeito direto sobre o saque, que por sua vez tem sido o ponto alto do suíço. Na grama, então, nem se fala.
Ele sabe que tem pouco tempo para ficar completamente livre da contusão até Youhzny, um adversário que talvez ainda seja superável sem força total (e que ainda por cima fez cinco longos sets hoje), mas dificilmente será o bastante na eventual semi contra Nole. O sérvio, por sua vez, fez um treino de gala contra Troicki e certamente deve estar surpreso com a dianteira que Florian Mayer tomou diante de Gasquet antes de a chuva cair. Fato que pode ter ajudado o pregado Cilic diante de Murray. No outro jogo, Fish e Tsonga têm tudo mesmo para ir até o quinto set.
A outra notícia do dia foi, certamente, a queda de Maria Sharapova, que se despede do bi e do número 1 de forma totalmente inesperada. Méritos totais a Sabine Lisicki, que se vingou da derrota na semi do ano passado justamente num momento em que vinha apenas buscando recuperar a confiança numa temporada problemática.
Dessa forma, a liderança fica nas mãos de Victoria Azarenka. Ela precisa ir à final para não depender da campanha de Agnieszka Radwanska. Ambas, frise-se, estão muito bem na grama.
A terça-feira, no entanto, está com olhos voltados para o duelo de campeãs entre Petra Kvitova e Serena Williams. A norte-americana de novo venceu aos trancos e barrancos, tudo por culpa do tênis elegante e ofensivo de Yaroslava Shvedova. Detalhe: quem ganhar, deve pegar Azarenka. Não tenho muitas dúvidas que sairá daqui a vencedora do torneio.
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Não posso deixar passar em branco o adeus de Kim Clijsters a Wimbledon. Na verdade, o segundo adeus. A belga chegou duas vezes às semifinais, em 2003 e 2006, antes da primeira aposentadoria e, no retorno, foi às quartas em 2010. É seu pior Grand Slam em termos de vitórias, mas ainda assim ela deixará saudades. Aos 29 anos, completados em 8 de junho, Kim estará de volta uma vez mais ao All England Club para os Jogos Olímpicos, no final do mês. Quem sabe, não apronta uma surpresa.
Oitavas agitam Wimbledon. Façam suas apostas.
às
20h34 - por
José Nilton Dalcim
Depois do tradicional descanso dominical, a segunda-feira será quente e agitada em Wimbledon. Com todas as quadras principais cheias de nomes importantes, 16 partidas definem todos os quadrifinalistas. No masculino, temos alguns detalhes curiosos:
- Três homens tentam completar uma série de quartas de final em cada um dos Slam: Del Potro, Ferrer e Youzhny. Obviamente, pelo menos um deles vai conseguir.
- Cinco dos 16 classificados têm mais de 30 anos: Federer, Malisse, Ferrer, Fish e Youhzny, ficando apenas atrás da marca de 1975, que tinha seis. Nos outros Slam, isso não acontecia desde Roland Garros de 1983.
- Brian Baker pode se tornar o terceiro norte-americano a sair do quali e chegar nas quartas de Wimbledon, repetindo McEnroe (1977) e Annacone (1984). Aliás, se ele vencer, será o segundo ano seguido que isso acontece (Tomic, no ano passado).
- Richard Gasquet é o único dos classificados que não perdeu set até agora. Obtém a façanha pelo segundo ano consecutivo.
E quem avança? Bom, eu me arrisco:
Djokovic x Troicki - Enorme distância, como o próprio placar dos duelos indica: 11 a 1, sendo a única vitória de Troicki no primeiro jogo, em 2007. Os dois serão parceiros de duplas nas Olimpíadas. Nole, em três.
Federer x Malisse - Outra grande freguesia: 9 a 1, com única vitória do belga acontecendo há 13 anos. Malisse gosta da grama, foi semi em Wimbledon em 2002. Federer, sem perder set.
Murray x Cilic - Escocês venceu cinco, em três pisos diferentes, e perdeu uma, no US Open de 2009. A seu favor, a torcida e o esforço do croata no sábado. Cilic talvez tenha chance no primeiro set, mas depois dá Murray.
Tsonga x Fish - Tende a ser mais equilibrado. Dois tenistas experientes e que gostam da grama. Vantagem de Tsonga deve ser a melhor forma, mas terá de ter bom aproveitamento do primeiro saque para encurtar as trocas. Tsonga, por 3 a 1.
Ferrer x Del Potro - Talvez, o mais imprevisível das oitavas. Ferrer tem 4-2 nos duelos, com vitórias em todos os pisos, e ainda venceu os dois mais recentes, incluindo duplo 6/3 em Miami. É jogo para cinco sets e, se for tão longe, deve dar Ferrer.
Gasquet x Mayer - Dois estilos distintos. Francês é mais versátil, mas tem menos perna. Precisa usar slice e atacar. Com 3-1 nos confrontos, é favorito para levar num quarto set.
Youhzny x Istomin - Dois tenistas fora do top 30. Youhzny tem mais experiência na grama e gosta do contraataque. A lógica diz que russo vence em quatro sets.
Kohlschreiber x Baker - Alemão tem tido bons resultados na grama, um piso que é novidade para o americano. Por isso, Kohlschreiber deve sair vitorioso em quatro ou cinco sets.
Feminino - Difícil imaginar que Sharapova ou Serena sejam surpreendidas. Azarenka é favorita, mas vai ter muita gente torcendo por Ivanovic. A italiana Camila Giorgi é a zebra, desafiando Radwanska. Aliás, a Itália terá ainda Vinci contra Paszek e um ótimo duelo de Schiavone diante de Kvitova, na teoria o melhor jogo feminino do dia. Mas é bom ficar de olho também em Kerber x Clijsters, que pode ficar emocionante.