Agora, também vale o número 1
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18h06 - por
José Nilton Dalcim

Não tenho a menor dúvida de que a medalha de ouro olímpica é o que importa mais neste momento, mas não se pode ignorar que, a partir das oitavas de final, está em jogo também a liderança do ranking masculino.
Ao esmagar Andy Roddick sem dó nem piedade, o sérvio Novak Djokovic se colocou em condições matemáticas de recuperar o número 1 neste torneio olímpico. Para tanto, ele precisará sempre ganhar uma rodada a mais que o suíço Roger Federer, nem que seja a final de domingo. Aliás, nada mais espetacular se a decisão do ouro também fosse a luta direta pela ponta, não?
Importante explicar que Federer até agora não marcou pontos nas Olimpíadas devido a seu 18º resultado e assim permanece com os 11.075. Já Nole aumentou um pouquinho (só tem 17 jogados) e foi a 11.070. Estão portanto separados por meros 5 pontos.
Claro que a tarefa ainda parece mais fácil para o suíço, que será amplo favorito contra Denis Istomin e novamente diante de John Isner ou Janko Tipsarevic. E dificilmente perderá na semi, seja Del Potro, Ferrer ou Simon. A sequência do sérvio parece mais delicada, nem tanto com Hewitt nas oitavas, mas com Tsonga nas quartas e mais ainda com o eventual Murray na semi.
Diga-se que Murray continua bem à vontade. Parece que a experiência de ter feito sua primeira final em Wimbledon apenas quatro semanas atrás lhe garantiu um pouco mais de experiência e alívio. Se cumprir o que se espera e for até a semi, não seria nada fora do comum se perdesse para Djokovic e lutasse depois pelo bronze. O que Murray não pode, claro, é ser surpreendido antes disso.
No feminino, as quatro russas inscritas continuam de pé até as oitavas, o que é um feito e tanto. Mas claro que só mesmo Maria Sharapova parece com chance de medalha, já que Vera Zvonareva terá de cruzar agora com Serena Williams e Nadia Petrova, com Victoria Azarenka. A peça-surpresa pode ser mesmo Venus Williams.
Maratonas - O envelhecido regulamento do set longo provocou duas maratonas. A primeira deu vitória apertada para Tsonga em cima de Milos Raonic e pode causar estrago físico aos quase 100 quilos do tenista francês, que já vinha de grande esforço diante de Thomaz Bellucci.
A outra foi da nossa dupla mineira. Marcelo Melo e Bruno Soares escaparam da derrota no segundo set, quando tinham 2/4, e salvaram quatro match-points na terceira série, lutando por 3h45 e adiando a decisão da vaga nas quartas diante da fortíssima parceria tcheca formada por Tomas Berdych e Radek Stepanek. O jogo retoma com 18/18 e saque dos adversários. Ótima chance.
Menino de ouro
Muitos podem não gostar, até com certa razão, do seu estilo, muitas vezes limitado ao pesadíssimo saque. Mas esse garotão Milos Raonic merece elogios neste clima olímpico. Porque ele não apenas mostra uma frieza incompatível com seus 22 anos e pouca experiência no circuito, capaz de salvar match-points e breaks com absoluta naturalidade, assim como perde de 25/23 no terceiro set, após 3h56 de batalha, com um enorme sorriso no rosto e brincadeiras com o adversário. Show.
Chuva, tropeços e sustos. Tudo como se previa.
às
21h07 - por
José Nilton Dalcim
O torneio olímpico é um autêntico meio-Wimbledon. Metade da chave de 128 jogadores, metade de cabeças de chave distribuídos, praticamente metade dos sets disputados no masculino.
Isso já seria o suficiente para tornar cada rodada bem dinâmica, já que saques perdidos se tornaram um problema bem maior para administrar, assim como a redução das chaves na teoria proporciona partidas bem mais equilibradas e cada vezes mais difíceis, algo que muitas vezes demora para acontecer nos Slam.
Só não mudou mesmo a chuva, o grande entrave que todos temiam para o torneio sobre a grama. Porque poucas modalidades em Londres podem ser afetadas tão diretamente pelo mau tempo. Os índices técnicos de esportes ao ar livre, como atletismo, ciclismo ou triatlo podem cair, mas as provas dificilmente serão interrompidas ou adiadas. No tênis, não tem jeito. Só existe uma quadra coberta e, pior ainda, o tempo é curto: são apenas nove dias para realizar 128 partidas de simples e 80 de duplas, tentando ainda preservar algum descanso para os atletas, já que grande parte das estrelas está em pelo menos duas categorias.
Os cinco grandes nomes do torneio olímpico foram para a quadra apesar das pesares e, se Serena Williams e Maria Sharapova desfilaram, um peso pesado caiu (Tomas Berdych), a número 2 ficou pelo caminho (Agnieszka Radwanska) e três grandes favoritos suaram para superar adversários de ranking pouco ameaçador. Roger Federer perdeu um set para Alejandro Falla, Novak Djokovic levou um susto com Fabio Fognini e Jo-Wilfried Tsonga teve uma certa dose de sorte para escapar de Thomaz Bellucci.
Nos dois primeiros casos, a pressão da estreia e certa ferrugem pela falta de jogos podem explicar a dificuldade. Já Tsonga não esperava - e para ser sincero, nem eu - um tênis de tão boa qualidade na grama por parte de Bellucci, que contou com um saque muito afiado e ótimo timing de fundo de quadra para ameaçar seriamente o poderoso francês. Foi de longe a melhor partida do brasileiro sobre o piso e uma pena ele não ter obtido a maior façanha da carreira. Fica a expectativa de que a fase confiante dê frutos no longo período em que terá de conviver com os pisos sintéticos.
Ainda é preciso ressaltar que a grama, magistralmente reposta em espaço tão curto de tempo, está muito escorregadia e pode ainda causar algum dano sério aos participantes. A rodada de sábado teve incontáveis deslizes, tombos, brecadas em falso. No domingo, Tsonga e Bellucci levaram sustos e o francês chegou a perder o equilíbrio após um saque! Começo a duvidar de que a mágica feita pelo Club vá sobreviver a todo o torneio. Tomara que eu me engane.
Tanto quanto o piso, incomoda muito ver tantos lugares vazios na arquibancada. Quem está acostumado a assistir a Wimbledon e a luta titânica por entradas não consegue entender como isso está acontecendo. O problema não é só do tênis. Está até mesmo na concorrida natação e no basquete. Já levou os britânicos inconformados a criar uma conta no Twitter, @Olympicseat, que reuniu mais de 5 mil seguidores em poucas horas, todos se queixando da frustração de não ter comprado ingressos por suposto esgotamento. A reclamação bateu nos organizadores e o campeão olímpico e agora dirigente Sebastian Coe promete achar uma solução rápida. Neste domingo, colocou militares e jornalistas para disfarçar os vazios dos ginásios.
Na história
O tênis, que já foi a primeira modalidade a ter profissionais na disputa dos Jogos em todos os tempos, obteve mais um feito ontem. O necessário fechamento do teto retrátil da Quadra Central para a disputar as partidas de domingo fez com que um evento olímpico ao ar livre se transformasse em coberto durante sua realização pela primeira vez na história.
Quem disse que sorte não ajuda?
às
10h32 - por
José Nilton Dalcim
O segundo grande sonho do suíço Roger Federer em 2012 recebeu uma tremenda mão do destino. O sorteio para a formação da chave olímpica não poderia ter sido mais benéfico ao número 1 do mundo e, na condição de maior vencedor sobre a grama da Era Profissional, ele fincou um pé na decisão dos Jogos de sua tão amada Londres.
Curiosamente, ele deve encarar nas duas primeiras rodadas adversários que já lhe deram grande sufoco em Wimbledon recentes: Alejandro Falla e Julien Benneteau ganharam os dois primeiros sets, algo que seria fatal se o formato do Slam fosse em melhor de três sets, como acontecerá com as Olimpíadas.
Nada tira o favoritismo de Federer, que não tem o que temer diante de Fernando Verdasco e dará o salto final contra John Isner ou Janko Tipsarevic, dois jogadores com currículo de pouco destaque na grama, e por fim aguardará David Ferrer ou Juan Martin del Potro. Se é que alguma zebra do tipo Philipp Kohlschreiber, Kei Nishikori ou Andreas Seppi não pinte pelo caminho.
O outro lado da chave ficou tenebroso e reúne quatro finalistas e um semi de Wimbledon dos últimos três anos. Novak Djokovic pode pegar o sempre indigesto Andy Roddick já na segunda rodada, mas deve superar também Marin Cilic para ir até as quartas. Ai é bem provável que repita a semi de 2011 contra Jo-Wilfried Tsonga, que tem de tomar todo cuidado possível com Milos Raonic.
A estrela da casa Andy Murray não pode se queixar tanto. Apesar de estrear contra Stanislas Wawrinka, o que não é o melhor dos mundos, deve seguir adiante contra Richard Gasquet ou Marcos Baghdatis. E mesmo que duele com Tomas Berdych nas quartas, está em melhor forma e portanto deve confirmar a briga por medalhas.
A chave feminina ficou muito interessante, onde imagino existir pelo menos cinco fortes candidatas ao pódio. Serena tem algumas adversárias de predicados, mas dificilmente perderá sets até reencontrar Victoria Azarenka na semi. Quem pode atrapalhar a lógica é Venus Williams, cotada para cruzar com a número 1 nas quartas.
O lado debaixo tem um provável duelo entre Agnieszka Radwanska e Petra Kvitova nas quartas para decidir quem vai encarar Maria Sharapova. A russa ficou num setor onde estão também Samantha Stosur, que raras vezes viu sucesso na grama, e a belga Kim Clijsters.
Já Bellucci deu incrível azar. Não só pega Tsonga logo na estreia de simples, como ele e André Sá ainda terão os irmãos Bryan como primeiros adversários. Será preciso de um pequeno milagre para o nosso canhoto avançar em Londres. Já Marcelo Melo e Bruno Soares irão precisar de muito capricho na devolução contra Isner/Roddick e, se vencer, pegam em seguida Berdych/Stepanek ou Bracciali/Seppi. Dureza pouca é bobagem.
Desafio - O site TenisBrasil lançou o Desafio Olímpico, que vale um presentão: um par de óculos de sol esportivos da Oakley. Vale arriscar palpites! É preciso indicar os nomes que vão ao pódio dos dois sexos. Aguardo o palpite de vocês por lá. Clique aqui para participar.
Tráfego infernal faz tenistas abandonarem Vila Olímpica
às
23h47 - por
José Nilton Dalcim
A maioria dos tenistas, principalmente os tops, nunca se sentiram à vontade nas Vilas Olímpicas. Em 1988, quando o tênis foi readmitido nos Jogos em Seul, uma das condições compulsórias é que todos se submetessem ao regulamento olímpico, mas lá mesmo muita gente, inclusive a campeã Steffi Graf, encontrou uma brecha para se refugiar num bom hotel cinco estrelas.
Em Londres, alguns até que estão tentando viver o clima da Vila, sempre abarrotada por 10 mil atletas das mais diferentes nacionalidades e especialidades. Mas o terrível trajeto entre o extremo Leste e Wimbledon, que fica do outro lado da cidade, já faz muita gente mudar de ideia. Pelo menos os que podem. Os australianos Lleyton Hewitt e Samatha Stosur tentam alugar algum lugarzinho perto do Club, como fazem no torneio tradicional de junho.
"Minha intenção era treinar o máximo possível para estar muito bem preparado, mas tem sido difícil suportar as duas horas de ida e outras horas de volta entre Wimbledon e a Vila", explica um desiludido Hewitt. "Estou pensando numa forma de mesclar as coisas, e ficar um pouco em cada lugar". Stosur espera que as coisas melhorem quando os Jogos começarem - existirão corredores exclusivos para o transporte dos atletas: "Eu gostaria muito de ficar na Vila".
Um ensaio ontem para a cerimônia de abertura envolveu cerca de 60 mil pessoas, que utilizaram duas linhas especiais do metrô londrino. Foi o caos, mas o secretário de Transporte da cidade tentou minimizar o drama: "Vivemos um daqueles dias em que nada dá certo, mas acho que o sistema vai funcionar em melhores condições daqui para a frente". Difícil acreditar.
Fortíssimos candidatos ao título, o suíço Roger Federer e a russa Maria Sharapova não querem correr riscos e se utilizam do mesmo expediente para Wimbledon: alugaram casas próximas à SW19, garantindo condição de chegar a pé até o complexo. "Fiquei duas vezes na Vila Olímpica, mas acho que isso será impossível aqui em Londres", sentenciou o número 1 do mundo. "Assim optei pela rotina que faço para Wimbledon".
Participando dos Jogos pela primeira vez, Sharapova lamenta: "Eu gostaria muito de ter essa experiência e ficar na Vila, mas o trajeto de duas horas é muita coisa". Melhor para o residente local Andy Murray. "Vou ficar algumas noites na Vila, mas quando o torneio de tênis começar, volto para casa".
Sorteio - A formação das chaves está marcada para as 7 horas (de Brasília) de quinta-feira. Apesar da ausência do atual medalhista de ouro Rafael Nadal, a expectativa continua grande para ver onde Murray e Jo-Wilfried Tsonga irão cair: em cima, no lado de Federer, ou embaixo, com eventual duelo na semi com Novak Djokovic.
História - Vale a pena dar uma olhada no especial que o Bate Bola lançou hoje sobre a história do tênis nos Jogos Olímpicos, com imagens antigas e um resumo sobre todos os campeões da fase moderna.
Kafelnikov volta - O russo Yevgeny Kafelnikov, aliás campeão olímpico de 2000, está de volta ao circuito. De golfe. Após quatro anos de afastamento, ele se inscreveu para disputar uma etapa do Circuito Europeu neste fim de semana, na cidade austríaca de Atzenbrugg. Sua estreia aconteceu em 2008, em Moscou, e ele foi tão mal que sequer passou da fase eliminatória, ficando 27 tacadas acima do limite. Será que não é melhor mesmo ficar no pôquer?
Bellucci dá ao Brasil seu 38º grande título
às
16h20 - por
José Nilton Dalcim
Com consistência, aplicação tática, ousadia e muito equilíbrio emocional, Thomaz Bellucci deu ao tênis masculino brasileiro seu 38º troféu em torneios de primeira linha, desde que a Era Profissional começou, em 1968. É pouco, sem dúvida, mas isso só torna o feito dele mais especial.
Nesse enorme período, apenas seis tenistas nacionais chegaram lá e Bellucci tem agora a quarta maior coleção, igualando-se a Fernando Meligeni em títulos mas atrás em finais. Importante também deixar bem claro a definição de 'torneios de primeira linha': são os atuais ATP (que já foram chamados de Grand Prix nas décadas de 70 e 80), os Masters e os Grand Slam.
Na conta, não figuram obviamente algumas grandes conquistas da fase amadora de Thomaz Koch, porque a ATP não aceita essa conversão. O canhoto gaúcho ganhou eventos da importância de Barcelona e Washington. Também estamos falando apenas do tênis masculino e portanto não estão relacionadas as façanhas de Maria Esther Bueno, que sozinha tem sete Grand Slam (isso independe de época), o que a mantém como maior tenista nacional em todos os tempos.
Vejamos a lista dos únicos 12 brasileiros que chegaram a finais de ATP/Grand Prix em toda a Era Profissional, lembrando que somente Guga o fez em torneios Masters ou Grand Slam:
Gustavo Kuerten - 20 títulos e 9 finais
Luiz Mattar - 7 títulos e 4 finais
Fernando Meligeni - 3 títulos e 3 finais
Thomaz Bellucci - 3 títulos e 1 final
Jaime Oncins - 2 títulos e 3 finais
Thomaz Koch - 2 títulos e 2 finais
Ricardo Mello - 1 título
Carlos Kirmayr - 5 vices
Marcos Hocevar - 2 vices
Cássio Motta - 1 vice
Fernando Roese - 1 vice
Roberto Jábali - 1 vice
Quanto ao jogo deste domingo, o destaque tem de ser obrigatoriamente o desempenho emocional de Bellucci que, não por acaso, levou para esta viagem a psicóloga Carla di Pierro. Ele já vinha demonstrando grande progresso nessa área, que é de longe sua mais frágil, porém o teste definitivo veio com a perda incrível do tiebreak do primeiro set.
O Bellucci de outrora provavelmente tomaria 6/1 ou 6/0 na segunda série, mas ao contrário ele manteve a qualidade do jogo e acabou sim demolindo a paciência do top 10 Jank Tipsarevic, que arremessou bola para longe, esbravejou contra a quadra e descarregou na raquete. Se essa postura mais madura continuar, dá sim para apostar que nosso número 1 viverá uma nova fase ascendente. E desta vez com chances reais de se fixar no top 30. Jogo para isso ele tem de sobra.
Bellucci vai aumentando seu lugar na história
às
15h41 - por
José Nilton Dalcim
Aos 24 anos e vivendo ainda sua quarta temporada como tenista profissional de ponta, o paulista Thomaz Bellucci vai cavando com dignidade o seu lugar na história. Neste sábado, avançou para sua quarta final em nível ATP 250, o que não é pouca coisa quando se trata de Brasil.
Excetuando-se a incomparável carreira de Gustavo Kuerten, Bellucci tem feitos que facilmente o colocam entre os cinco melhores profissionais brasileiros da história. E com uma vantagem: ainda tem muito chão pela frente. Relembremos um pouco dos nossos heróis para melhor exemplificar.
Jaime Oncins fez cinco finais de nível ATP, quatro delas em torneios disputados aqui, e ganhou dois títulos, um deles fora (Bolonha). Isso tudo entre os 22 e 23 anos. Chegou ao 34º lugar do ranking, aos 23.
Já Fernando Megelini chegou a seis finais (cinco no Exterior) e ganhou três, todas de nível 250, algo que Bellucci poderá repetir neste domingo. O detalhe é que Fininho jogou sua quarta final e simultaneamente levou o terceiro título aos 27 anos, tendo atingido o 25º posto aos 29.
O segundo brasileiro com maior quantidade de troféus foi Luiz Mattar: foram sete em 11 finais, porém apenas uma conquista aconteceu fora do Brasil (justamente a última, já no final da carreira, aos 30 anos). Seu ápice foi o 29º posto do ranking, aos 26.
Fica fácil perceber que a performance de Bellucci até agora se equivale ou se aproxima a desses grandes jogadores. Além da série de bons resultados no exterior, Bellucci já figurou como 21º do mundo com 22 anos. De novembro de 2009 até abril de 2012, permaneceu entre os 40 primeiros.
Não se pode incluir Guga nesta lista - e não é só por quantidade, mas por qualidade dos títulos -, nem Thomaz Koch. O canhoto gaúcho fez quatro finais e ganhou dois torneios de nível ATP, mas jogou pouco na Era Profissional, tendo seus maiores resultados nas cinco temporadas de sua carreira amadora.
Neste sábado, Bellucci precisou de paciência e aplicação tática para superar o jogo variado do garoto Grigor Dimitrov, que deu bastante trabalho, principalmente quando começou a baixar a bola com seu slice venenoso, incluindo as boas subidas à rede. O grande mérito do brasileiro foi novamente manter a cabeça dentro da partida. Não se abalou sequer ao perder o saque no começo do segundo set.
O passaporte para o top 40 é a vitória sobre Janko Tipsarevic, que escapou sábado passado, num jogo bem equilibrado de três sets. O sérvio certamente deve estar mais confiante e solto, já que venceu a barreira que tinha de não faturar torneios sobre o saibro. Ainda assim, com bom saque e evitando as subidas à rede falhas de oito dias atrás, Thomaz tem boa chance de vencer pela quinta vez um top 10 e marcar um novo capítulo na história tão limitada do tênis nacional.
Bellucci joga pelo top 50 e a volta aos grandes torneios
às
18h59 - por
José Nilton Dalcim
Thomaz Bellucci está a uma vitória do que pode ser sua redenção na temporada 2012. Ao vencer de forma incontestável o espanhol Feliciano López nesta quinta-feira, ele está em sua segunda semifinal seguida em nível ATP, a nona da carreira, tendo vencido nada menos que 11 de suas 12 últimas partidas sobre o saibro europeu.
Caso supere o tênis elegante, destemido mas também menos experiente do garotão búlgaro Grigor Dimitrov, nosso número 1 estará novamente no top 50 do ranking, completando um avançando de 30 postos em três semanas.
Muito mais do que isso. Praticamente sem pontos a defender para todo o restante da temporada, ele tem enorme chance de permanecer na faixa dos 50 primeiros e com isso garantir a entrada em quase todos os grandes torneios deste segundo semestre. Especialmente os ATP 500 e Masters asiáticos, que habitualmente contam com muitas desistências. O que, acredito, aumentará ainda mais nesta temporada tão puxada para os tops.
Bellucci tem apenas 45 pontos a defender em Los Angeles no dia 30 (estará nas Olimpíadas, mas tem 30 do Finals para substituir) e outros 45 no Canadá (não jogará, mas entram aí os 20 de Auckland). Mínima diferença. Depois só tem 10 em Cincinnati (também fora) e outros 10 no US Open. E mais: com a pífia campanha de 2011, restam apenas 10 em Xangai.
Isso quer dizer que ele só terá a acrescentar. Claro que o piso sintético não é sua praia mas, com alguma sorte e muito treino, dá para beliscar algumas vitórias se sua fase confiante continuar.
O duelo diante de Dimitrov exige que levantemos às 7 horas deste sábado. Vale o sacríficio, porque o búlgaro é uma cópia miniatura de Roger Federer. Não na eficiência, é claro, mas no estilo. Tem habilidade, variação de velocidade de bola, sabe ir para a frente, esquerda de uma mão, forehand que pode ser bem reto.
Chamado de 'G-Force' no circuito, ele detesta a comparação com Roger e nesta semana mesmo repetiu o discurso. Mas é inevitável. Até o modo de andar lembra o suíço. Talvez por isso ele use cabelo curto e evite a franja. Aliás, a vitória significará para ele sua primeira final de ATP e a inédita ascensão ao top 50, dois resultados importantes para alguém que acabou de fazer 21 anos.
Espanha chora a desistência de seu ídolo
às
18h13 - por
José Nilton Dalcim
A ausência de Rafael Nadal nos Jogos Olímpicos vai bem além das quadras de tênis. Por todo o noticiário dos principais sites espanhóis das últimas horas, existe um verdadeiro clima de lamentação e tristeza. Em primeiro lugar, porque seria uma chance concreta de medalha. Em segundo, porque ele é idolotrado como um competidor do mais alto espírito espanhol de luta, dedicação e raça, daí sua justíssima indicação como porta-bandeiras.
Para se ter uma noção do peso que a desistência de Rafa tem para o esporte de seu país, ele ganhou uma das únicas cinco medalhas de ouro da Espanha nas Olimpíadas de Pequim. Aliás, para completar a tragédia, também hoje o ciclista Samuel Sánchez, outro campeão olímpico de 2008, informou que não poderá ir a Londres por contusão.
Segundo o tio Toni - e não tenho a menor dúvida de sua sinceridade -, o que mais dói para Nadal é o fato de não poder mais ser o porta-bandeira da cerimônia de abertura. Isso, para ele, era mais valioso do que uma medalha. Nas redes sociais, Rafa comentou o assunto e diz que estava sonhando com esse dia, o de representar toda a gama de atletas da Espanha.
Mais tarde, o capitão da seleçãode basquete, Juan Carlos Navarro, afirmou que os atletas olímpicos dedicarão todas suas conquistas para o heptacampeão de Roland Garros. "Esta notícia foi um choque para nosso esporte", sintetizou 'Bomba'.
Nos bastidores do tênis, é claro, a discussão se fixa no futuro a curto e médio prazos do número 3 do mundo. A meu ver, para ele ter abandonado a competição olímpica, que será disputada sobre um piso que não agride tanto a tendinite crônica de seus joelhos, a situação realmente preocupa. Olimpíadas são algo extremamente especial para um atleta de espírito tão nacionalista como Rafa. Isso agrava a coisa.
Toni afirmou que "ele já viveu situações mais dramáticas", amenizando as especulações, embora não tenha confirmado que estará em condições de jogar os Masters norte-americanos. "O resto não importa", disparou, dando como única certeza a presença de Nadal no US Open, daqui a 40 dias.
Com tenros 26 anos, Nadal perde suas segundas Olimpíadas por problemas físicos, repetindo a decepção que viveu em 2004, quando já era top 50 e não pôde competir em Roland Garros e em Atenas. Pior ainda, era um dos mais sérios candidatos ao pódio deste ano, já que apenas Roger Federer tem melhor histórico na grama do All England do que ele entre os tenistas em atividade.
Quem perde com isso é o tênis, não há dúvida. Sem Rafa, o torneio olímpico ficou bem menos espetacular.
Boas notícias
às
13h27 - por
José Nilton Dalcim
Thomaz Bellucci prestou um grande serviço nesta quarta-feira. Não apenas reafirmou sua fase positiva, aproveitando muito bem o saibro europeu até agora, como também deve ter colocado uma pulga atrás da orelha de Mikhail Youzhny sobre sua ideia de vir a Rio Preto e jogar a repescagem da Copa Davis. Não poderia haver melhor momento para acabar com a série de três derrotas diante do russo.
O número 1 brasileiro contou com seu ótimo saque e excelentes bolas de forehand para conter o jogo sempre complicado do russo, que bate reto dos dois lados, é muito agressivo, grita o tempo todo, joga pressão para o outro lado.
Bellucci ainda teve as já conhecidas falhas no jogo de rede, o que inclui não só voleios e smashes, mas a própria aproximação em si. Porém, tem conseguido manter a cabeça firme e compensa essas deficiências com seus pesadíssimos golpes de fundo de quadra, que funcionam muito bem se seguidos de bom primeiro saque.
Da mesma forma, dá para se colocar muitas fichas em sua partida de sexta-feira no duelo de canhotos diante de Feliciano López, que é um tenista habilidoso porém tão irregular no circuito quanto o brasileiro. No saibro e confiante, Bellucci tem tudo para repetir a semifinal da semana passada e se reaproximar do top 50.
E mais - Saiu o calendário final de challengers pelo mundo e o Brasil terá uma nova sequência importante. Na semana imediatamente seguinte à Davis de Rio Preto acontecem pelo segundo ano consecutivo o de Campinas, com premiação de US$ 50 mil, e depois o de Rio Preto, com US$ 100 mil, o maior agora do país.
Em seguida, Belém volta a sediar um evento da ATP, com US$ 35 mil. Daí se muda para o piso sintético e vamos para Recife, com US$ 35 mil. Mais dois challengers no saibro vêem, com a entrada de um de US$ 50 mil no Rio de Janeiro e o de Porto Alegre, de US$ 35 mil.
Portanto, são seis challengers consecutivos, começando em 17 de setembro e indo até 28 de outubro. Os últimos quatro torneios dessa série serão disputados simultaneamente com outros challengers sul-americanos (um no Equador e três na Argentina), o que deve diminuir a concorrência por aqui e favorecer os tenistas nacionais.
Cinco futures também acontecem nes se período. Muito bom para a novíssima geração, que terá espaço garantido.
Federer provoca hiperinflação no Ebay
às
17h05 - por
José Nilton Dalcim

Roger Federer comemora nesta segunda-feira o tão aguardado - e talvez o mais incrível - de seus recordes, ao completar 287 semanas como líder do ranking mundial. Quebra assim a marca que Pete Sampras havia estabelecido em 13 de novembro de 2000, quando figurou pela última vez na ponta.
Seu maior patrocinador, a norte-americana Nike fez um boa jogada de marca e lançou nesta segunda-feira um calçado comemorativo ao feito, ao preço de 287 dólares e limitado a 287 pares. Claro que o estoque se esgotou em menos de meia hora e ao mesmo tempo deu espaço aos espetaculadores.
Neste dia em que a Associação masculina registrou a façanha, havia vendedores no Ebay comercializando um desses raros pares por até 5 mil dólares!
Cada par de 'Nike Zoom Vapor RF 287' vem numa caixa especial, onde cada uma das 287 semanas é contada, além de contar com um certificado de autenticidade assinado pelo próprio Roger. Os modelos são praticamente todos negros e possuem um logo "RF" em ouro na língua e no calcanhar. O cadarço também é dourado.