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Roddick deixa uma lição: tente até o fim
às 23h05 - por José Nilton Dalcim

Há todo tipo de definição e adjetivos para Andy Roddick. Alguns o consideram como o saque mais estiloso do circuito, outros o julgam limitado. É certo que seu comportamento em quadra vai do histérico ao pretensioso, com aquela forma toda peculiar de pressionar e questionar os árbitros, assim como é uma das grandes personalidades do tênis recente, com declarações bombásticas, bom humor, ironia e boas sacadas.

Roddick está deixando o circuito e poderá realizar nesta sexta-feira seu jogo derradeiro, já que Bernard Tomic é um adversário definitivamente perigoso. O anúncio da aposentadoria pegou todo mundo de surpresa, até porque ele havia recuperado um pouco da forma nos últimos meses, com dois títulos e reação no ranking. Mas ele, acima de qualquer outro, sabe que a chance de voltar a ganhar um grande troféu nunca esteve tão longe.

Gostei particularmente de uma frase de sua entrevista de hoje, porque define muito bem quem foi Roddick. "Ganhei muitas partidas devido ao trabalho duro e à persistência". Exatamente isso. Seu maior defeito, enquanto estrela de ponta do circuito, foi a limitação técnica, já que tudo era baseado num saque fenomenal. Ao mesmo tempo, a maior qualidade esteve no fato de ele tentar de tudo para evoluir. Contratou e dispensou diferentes técnicos, buscou melhorar o backhand, o preparo físico, o voleio. Chegou ao auge ironicamente naquela histórica final de Wimbledon de 2009, em que merecia ter levado o troféu tão sonhado e fez a maior atuação de sua carreira.

O garoto de Nebraska, que liderou o ranking juvenil (esteve aqui e ganhou o Banana Bowl do ano 2000), surpreendeu o mundo ao ganhar o US Open de 2003, ainda aos 21 anos, e imediatamente chegou à liderança do ranking, algo ainda mais assombroso. Entre suas 610 vitórias e 32 troféus, estiveram algumas conquistas de peso e recordes estonteantes de velocidade de saque.

Roddick seria uma megaestrela em praticamente qualquer outro lugar do planeta, menos justamente nos EUA, um país onde o tênis produziu uma quantidade gigantesca de jogadores bem mais espetaculares, dos quais Andy está a alguns anos-luz e jamais conseguiu escapar da comparação e da cobrança. Até por isso, fará falta mais pelo carisma do que por seu jogo em si.

A rodada - A morte anunciada dos favoritos enfim aconteceu. Jo-Wilfried Tsonga foi a primeira grande vítima, com uma atuação horrorosa diante do canhoto Martin Klizan, um tenista que subiu no ranking pela escada dos challengers. Abriu-se um rombo na chave, ainda mais porque Andy Murray e Milos Raonic devem se cruzar nas oitavas. O maior elogio do dia cabe a Tomas Berdych, que se mostrou bem disposto e eficiente.

Mardy Fish anotou a 10ª virada de 0-2 do torneio e Feliciano López escapou de tal desilusão depois de ter 2/5 no quinto set. Nicolas Almagro e Marin Cilic engrossaram a lista de jogos decididos no quinto set. Ou seja, a 'zebra' continua rondando. Pena que dificilmente ele acontecerá entre Novak Djokovic e Rogério Silva. Jogo bom pode ser entre Juan Martin del Potro e Ryan Harrison.

No feminino, o único susto veio com a cabeça 2 Agnieszka Radwanska, que parecia batida até a metade do segundo set. Na abertura da terceira rodada, nesta sexta, dois jogos interessantes: Na Li x Laura Robson e Samantha Stosur x Varvara Lepchenko.

Copa Davis - A lista de inscritos para o challenger de Campinas, que começa imediatamente após o duelo entre Brasil e Rússia, traz Alex Bogomolov como principal nome. Isso automaticamente quer dizer que o número 73 do ranking, que chegou a 33º no ano passado, estará no time russo para o duelo de São José do Rio Preto. Ele, que jogava até o ano passado como americano embora tenha nascido em Moscou, faz uma temporada fraca, com 12 vitórias e 25 derrotas. A questão agora é saber se ele será o número 1 do time adversário ou se Mikhail Youzhny e Nikolay Davydenko serão convocados.


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O US Open das viradas. E do adeus de Kim.
às 00h18 - por José Nilton Dalcim

O US Open acabou de encerrar a primeira rodada masculina e olhem que incrível: nove das 64 partidas marcaram viradas de 2 sets a 0, como se isso fosse algo comum no tênis. E mais: outros seis foram também decididos no quinto set, que felizmente tem tiebreak em Nova York. Isso prova equilíbrio? Com certeza, mas também o quanto o físico é determinante na umidade do torneio.

Três importantes cabeças de chave foram levadas a essas incríveis viradas mas, ao contrário de Janko Tipsarevic e de Marin Cilic, que conseguiram reagir com maior clareza, Alexandr Dolgopolov esteve ainda mais no buraco, porque também perdia o terceiro set com uma quebra atrás. Os adversários pagaram justamente o preço da inexperiência, caso típico de Guillaume Rufin, que se deixou levar pelo sérvio.

Outros três cabeças, muito experientes por sinal, não conseguiram evitar a virada. Para Tommy Haas, pesou muito mais o preparo físico. Para Mikhail Youzhny e Juan Monaco, a queda foi definitivamente dolorosa, porque os dois perderam tanto o quarto como o quinto set em tiebreaks. Assim como é fácil imaginar a euforia do vencedor, não fica difícil sentir a frustração do derrotado.

Entre mortos e feridos, a primeira rodada termina com 15 dos 16 principais inscritos de pé. Diante de tantos jogos longos e imprevisíveis, é um saldo e tanto. Até mesmo devido ao desgaste que essas estreiam causaram em alguns 'veteranos', é muitíssimo provável que a segunda rodada masculina tenha poucas emoções, aliás como já aconteceu nesta noite com o passeio de Andy Murray. Talvez Tipsarevic possa ter problemas com Brian Baker ou Dolgopolov se atrapalhar com Marcos Baghdatis, mas o cipriota também vem de partida longa.

E naquelas ironias do esporte, a belga Kim Clijsters se despediu pela segunda vez da carreira na melhor partida do torneio até agora. Aliás, em atreveria a dizer que foi um dos jogos femininos mais bem disputados dos últimos tempos. Do outro lado da quadra, estava a canhota britânica Laura Robson, de 18 anos, que teve uma atuação excepcional. Não é comum se ver duas tenistas golpear bolas tão próximas à fita da rede, profundas e agressivas, nem arriscar tanto (e com perfeição) em pontos importantes.

Foi um belíssimo espetáculo, que serviu não apenas para presentear Kim no seu adeus, como também para reforçar o tamanho da falta que ela fará ao circuito.


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Ao menos um
às 23h29 - por José Nilton Dalcim

Com a conhecida garra que marcou toda sua carreira, Rogerinho Silva lutou por 4h12, buscou duas vezes o placar e conseguiu marcar ao menos uma vitória brasileira no US Open, já que horas antes Thomaz Bellucci não manteve o favoritismo teórico e se despediu em quatro sets e dois tiebreaks perdidos. Na quinta, ainda temos chance de torcer para outro guerreiro, Ricardo Mello.

Não tivemos imagem de qualquer das partidas, então é injusto fazer análises mais profundas. Em suas próprias palavras, Bellucci admite ter cometido erros demais e não estar suficientemente adaptado ao piso sintético. O US Open é um torneio particularmente difícil, em que se mistura umidade, calor e vento em proporções imprevisíveis. Portanto, se preparar numa única semana dificilmente será o bastante.

Rogerinho, por sua vez, fez o que sabe de melhor: lutar a cada ponto, vender caro cada game e isso muitas vezes acaba compensando. Aos 28 anos e com 1,78m, ele aposta sempre no seu incrível preparo físico e continua tentando seu lugar no top 100. Não me parece haver qualquer dúvida que será o nosso número 2 no duelo diante da Rússia na Copa Davis, dentro de 16 dias, e por isso mesmo ganhar de Teymuraz Gabashvili, um ex-top 60, tem valor dobrado.

Enfrentar Novak Djokovic, como quase tudo nesta vida, tem seus prós e contras. Se de um lado é uma partida em que as chances do brasileiro são mínimas, de outro é a oportunidade de se experimentar diante do número 2 do mundo, o atual campeão, uma fera no piso duro, um tenista completo. Quem sabe, ainda na Arthur Ashe, o mais estádio do mundo, o que também não deixa de ser um feito raro e especial para quem joga challengers na maior parte do calendário.

Djokovic, por sinal, não teve dó nem piedade do italiano Paolo Lorenzi, que costuma correr muito atrás da bola. O sérvio está para poucas brincadeiras, sabedor que é da importância de economizar energia em Grand Slam. Enquanto Jo-Wilfried Tsonga e Tomas Berdych confirmaram, Milos Raonic tomou incrível sufoco de Santiago Giraldo, Juan Mónaco perdeu um dos mais jogos mais fáceis do ano e Alexandr Dolgopolov escapou por milagre (e incompetência de Jesse Levine), já que tinha 1/4 no terceiro set. O torneio masculino parece muito perto de produzir grandes surpresas.

Entre as meninas, passeio de Serena Williams e Agnieszka Radwanska e uma derrota rápida um tanto previsível  de Caroline Wozniacki, que chegou com o joelho problemático. Outras três cabeças menores perderam e Francesca Schiavone seria uma 'zebra' caso não tivesse campanhas habitualmente tão ruins fora do saibro.

Precocidade contida
Laura Robson, 18 anos; Sloane Stephens e Marina Mladenovic, 19. Alguém acha que alguma delas levará o US Open? Certamente, não. São as três únicas 'teens' a sobreviver à primeira rodada feminina deste ano, deixando claro que o tempo de precocidades no circuito acabou mesmo. Tracy Austin (no video acima, jogando a semi de 1980 contra Chris Evert) foi a mais jovem campeã em Nova York, aos 16 anos e oito meses, mas nos Slam perde para Martina Hingis (16 anos e três meses, no Australian Open). Kathleen Horvath foi além e disputou o US Open aos 14 anos e cinco dias. Parecem coisas surreais hoje em dia. Maria Sharapova foi a última 'teen' a brilhar, ao ganhar o US Open de 2006, aos 19 e 132 dias. Dois anos antes, havia ganhado Wimbledon, aos 17.


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Ibirapuera vê estrelas de US$ 3 milhões
às 01h42 - por José Nilton Dalcim

O Federer Tour, anunciado neste domingo, em Nova York, é uma das maiores reuniões de estrelas que o tênis brasileiro viu em sua história. Além do próprio, estarão aqui Serena Williams e Maria Sharapova, duas megaestrelas que já lideram o ranking, a dupla recordista dos irmãos Bryan e o showman Jo-WIlfriedTsonga, sem falar na atual número 1 Victoria Azarenka. É muito título de Grand Slam em quadra.

Profissional da área bem informado avalia que o cachê total dessa moçada supera a casa dos US$ 3 milhões, quantia que deve estar sendo bancada pela patrocinadora principal, a Gillette. Com três dias de casa cheia no Ibirapuera e cerca de 45 mil ingressos vendidos, a receita só de bilheteria pode chegar a US$ 2,2 milhões. Além de tudo, portanto, parece um bom negócio.

Aliás, ainda não se sabe nada sobre ingressos e o anúncio surpreendente deste domingo, incluindo nomes não previstos até então, como os de Sharapova, Azarenka e os Bryan, explicam a demora. O evento, que deveria ser duas partidas de Federer, agora virou três dias de grande atividade. Não tenho dúvida que o Ibirapuera vai lotar e as entradas vão sumir rapidamente, ainda que o valor deva ficar pela casa dos R$ 150.

Federer, aliás, continua a dar bons motivos para o público brasileiro venerá-lo em dezembro. Além da exibição rápida contra Donald Young, numa noite de vento forte e muita umidade, em que anotou 27 winners, ele apareceu outra vez no programa CQC da Rede Bandeirantes e, como da outra oportunidade, deu um banho de sagacidade e bom humor, entrando na brincadeira sem perder a classe. Esse suíço é único, dentro e fora das quadras.

Há pouco para se dizer sobre a primeira rodada do US Open. Andy Murray nem foi brilhante e perdeu apenas sete games. Alguns levaram sustos, como Gilles Simon ou Marin Cilic, mas convenhamos que são coadjuvantes, gente para quartas de final no máximo. O quadro praticamente se repetiu no feminino, com passeios de Victoria Azarenka, Maria Sharapova, Samantha Stosur e Na Li. Só Petra Kvitova teve um primeiro set sofrível antes de se encontrar.

A rodada de terça tem a estreia de Thomaz Bellucci, favorito para superar Pablo Andujar pela quarta vez e reencontrar Feliciano López. Rogerinho Silva também joga, tem chance contra Teymuraz Gabashvili e pode ter a chance raríssima de duelar com Novak Djokovic na segunda rodada.

Persistente e mão de vaca
A belga Kim Clijsters, que neste ano se despede do tênis no US Open, finalmente ganhou seu primeiro Grand Slam em 2005, em Nova York, depois de vices frustrantes em Paris e Wimbledon. No caminho, virou um jogo incrível contra Venus Williams e salvou cinco match-points diante de Sharapova, antes de derrotar Mary Pierce na final. Uma semana depois, no entanto, seu técnico Marc Dehous se desligou. Dizem que o principal motivo foi ter recebido apenas US$ 9 mil do total histórico de US$ 2,2 milhões que a pupila embolsou.


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Coisas para se saber antes de o US Open começar
às 17h27 - por José Nilton Dalcim

- O US Open é o segundo mais antigo evento esportivo dos EUA ainda em disputa. Começou em 1881, seis anos depois do Derbi de Kentucky e quatro anos antes da Stanley Cup de hóquei. Nessa lista, estão ainda o US Open de golfe (1895), as 500 Milhas de Indianápolis (1911) e o SuperBowl (1920).

- Segundo  mais antigo torneio de tênis da história, começou a ser disputado quatro anos depois de Wimbledon e assim atinge a 132ª edição em 2012. Marca também o 179º torneio de nível Grand Slam da Era Profissioal.

- O US Open se mantém como o torneio de maior premiação total da história, com seus US$ 25,5 milhões, mas não é mais o que dá o maior valor ao campeão. O cheque de US$ 1,9 milhão será inferior ao do Australian Open.

- Primeiros colocados do US Open Series, Novak Djokovic e Ptra Kvitova podem faturar o total de US$ 2,9 milhões se forem campeões em Nova York, o que será o maior prêmio já dado em todos os tempos. Se ficarem com o vice, faturam US$ 1,95 milhão e, se pararem na semi, US$ 1,45 milhão.

- Roger Federer divide com Jimmy Connors e Pete Sampras a distinção de serem os únicos a ganhar cinco vezes o US Open na Era Profissional (o maior de todos foi Bill Tilden, com sete).

- O ranking masculino não mudará de líder, qualquer que seja o resultado do US Open, já que o suíço Roger Federer já garantiu diferença suficiente para não ser superado pelo atual campeão Novak Djokovic. O escocês Andy Murray poderá chegar ao terceiro posto caso chegue à final.

- Roger Federer atinge neste US Open a marca de 52 torneios de Grand Slam consecutivos e fica bem perto de mais um recorde. A sua frente estão o sul-africano Wayne Ferreira, com 56, e o sueco Stefan Edberg, com 54. O suíço tem sido cabeça de chave por 46 Slam seguidos e David Ferrer, por 31. O recorde absoluto de Slam disputados em sequência é da japonesa Ai Sugiyama, que jogou 62.

- O alemão Tommy Haas disputa o US Open pela 15º vez, mas está longe do recordista Jimmy Connors, que jogou 22 torneios. O canhoto americano também lidera em número de vitórias, com 98, seguido por Andre Agassi, com 79. Federer é o sexto, com "apenas" 61.

- Chris Evert é a tenista que mais jogou o US Open, com 18 edições e 101 vitórias. Venus, com 60, e Serena, com 58, podem ultrapassar Lindsay Davenport e chegar ao quarto lugar.

- O único campeão do US Open a perder na primeira rodada da temporada seguinte foi o australiano Patrick Rafter, que faturou o troféu em 1999 e abandonou no quinto set quando enfrentou Cédric Pioline. O fato também é raro em Wimbledon (Lleyton Hewitt, em 2003) e no Australian Open (duas vezes, com Roscoe Tanner e Boris Becker) e jamais aconteceu em Roland Garros.

- O tênis masculino norte-americano sofre a maior 'seca' de títulos de Grand Slam de toda a sua história. O último herói foi Andy Roddick, no US Open de 2003, e desde então já se foram outros 36 Slam. Para se ter uma ideia da gravidade, o mais longo jejum anterior foi interrompido por Michael Chang, em 1989, e tinha começado cinco anos antes.

- Nada menos que 10 jogadoras participantes do US Open deste ano já ganharam ao menos um troféu de Slam: Serena Williams tem 14, sua irmã Venus soma 7, Kim Clijsters e Maria Sharapova chegam a quatro. Ana Ivanovic, Victoria Azarenka, Petra Kvitova, Na Li, Francesca Schiavone e Samantha Stosur completam a lista.

- Serena Williams é a tenista em atividade com maior quantidade de vitórias em Grand Slam: 218. É a quarta melhor marca da Era Profissional, mas está muito longe das líderes: Martina Navratilova atingiu 306, Chris Evert somou 299 e Steffi Graf ganhou 278.

Inesquecível
Me lembro de poucos momentos mais emocionantes no tênis do que aquele Jimmy Connors no US Open de 1991. Depois de ganhar heroicamente a primeira rodada, ele chegou às oitavas no dia de seu 39º aniversário e enfrentou o garoto Aaron Krickstein, de 24. Brigou com o juiz, brincou com o camera-man, levou o estádio à loucura. Quando saiu de 2/5 no quinto set para 5/5, o estádio quase caiu. Venceu no tiebreak. Em seguida, superou Paul Haarhuis com um dos lances mais incríveis, em que defendeu quatro smashes antes de dar a passada definitiva. O vídeo aí em cima, da CBS Sports, retrata tudo isso espetacularmente. Guarde.


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Só Murray pode lamentar o sorteio do US Open
às 18h15 - por José Nilton Dalcim

A ausência de Rafael Nadal, acima de tudo, e a distribuição do destino contribuíram para que a formação da chave masculina do US Open favorecesse demais Roger Federer e Novak Djokovic, deixando perspectiva de muito trabalho para Andy Murray.

O suíço anda mesmo com sorte, com uma série teórica de adversários muito frágeis pela frente. A começar por Donald Young, um perdedor costumaz da temporada, e passando pelo decadente Fernando Verdasco na terceira rodada. Impossível esperar dificuldades contra Mardy Fish ou Gilles Simon e só mesmo um desastre lhe tiraria mais do que um set nas quartas, seja Nicolas Almagro, Sam Querrey ou Tomas Berdych. De todos, o mais gabaritado em termos técnicos é Berdych, sem dúvida, mas o tcheco não se mostra afiado.

Federer poderá enfim ter um jogo duro na semi, mas para isso é preciso que dê Murray ou Jo-Wilfried Tsonga. O escocês começa contra Alex Bogomolov, pode ter até Thomaz Bellucci na terceira rodada e ainda será o favorito contra Feliciano López. Daí para a frente, só pedreiras, como o possível duelo contra Milos Raonic nas oitavas e Tsonga nas quartas. Querem saber mais? Bellucci pode muito bem aprontar uma grande surpresa.

O atual campeão Djokovic tem adversários com predicados, porém ninguém assusta. Depois de começar contra Paolo Lorenzi, tem Julien Benneteau como provável terceiro adversário, depois Dolgopolov ou Wawrinka e por fim quartas contra Del Potro. O argentino poderia, é claro, ser a maior barreira, porém existem grandes dúvidas sobre a condição de seu punho esquerdo. Sem Nadal, o quarto grupo ficou estranho. David Ferrer é o candidato natural para a semi, já que ficaram por ali Janko Tipsarevic, John Isner e Richard Gasquet. Melhor para Nole. Há uma boa chance, aliás, de o sérvio cruzar com Rogerinho Silva na segunda rodada, já que o brasilero aguarda um qualificado.

Pelo menos cinco jogos muito interessantes acontecem nessa primeira rodada: Berdych x David Goffin, Isner x Xavier Malisse, Del Potro x David Nalbandian, Tommy Haas x Ernests Gulbis e Philipp Kohlschreiber x Michael Llodra.

A chave feminina pode ficar agitada a partir das quartas, quando Victoria Azarenka pode ter Na Li, Samantha Stosur (ou até Kim Clijsters) pela frente, enquanto Maria Sharapova reencontraria Petra Kvitova, que voltou a jogar um tênis decente. No lado inferior, Agnieszka Radwanska está cotada para duelar com Angelique Kerber e a dona da casa Serena Williams é favorita absoluta para ir à semi num grupo fraco que tem Wozniacki, Ivanovic e Schiavone.

Ou seja, os deuses do tênis cuidaram muito bem das três grandes estrelas e parece pouquíssimo provável que Federer, Djokovic e Serena não estejam na rodada final.


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Primeiro e último teste
às 00h06 - por José Nilton Dalcim

Thomaz Bellucci optou por treinar muito e jogar pouco antes do US Open, um torneio em que suas chances de sucesso nunca foram das maiores. O número 1 brasileiro passou duas semanas se preparando em Alphaville para encarar o sempre complicado piso sintético, superfície que terá de ser seu ganha-pão nos próximos quatro ou cinco meses.

Não foi mal, diga-se de passagem. Fez um jogo bem disputado contra o cipriota Marcos Baghdatis na estreia, que é um adversário de muito respeito nesse tipo de quadra, e se saiu ainda melhor no reencontro com o francês Jo-Wilfried Tsonga nesta terça-feira. Seu pecado maior foi ter deixado escapar cinco break-points, mas a rigor o saque do francês fez a diferença nesses pontos tão importantes.

Bellucci, aliás, sofreu uma única quebra em toda a partida, tendo salvado outros oito breaks, e trabalhou bem com seu saque, apesar do acertado de 51% do primeiro serviço, o que não é um número salutar para seu próprio estilo, que gosta de comandar pontos e atacar já a partir da segunda bola. Se considerarmos que do outro lado da rede estava o experiente, agressivo e habilidoso número 6 do mundo, foi uma atuação digna.

Claro que Thomaz só terá chances no Grand Slam norte-americano se o sorteio de quinta-feira ajudar. O que não tem acontecido ultimamente. Se escapar de grandes nomes ou de especialistas no piso duro, pode muito bem chegar numa terceira rodada. Como praticamente não tem pontos a defender até o final do ano, há uma boa perspectiva de ele se manter no top 40 e quem saber beliscar o top 30.

Winston-Salem destaca até aqui dois nomes. O imprevisível Ernests Gulbis furou o quali - atitude esperançosa ele ter disputado o quali, frise-se - e já ganhou duas partidas na chave principal. O belga David Goffin, que brilhou no saibro, é ainda uma incógnita nas outras superfícies, mas também avança no torneio. Mas as respostas reais para ambos virão a partir de agora. Fiquemos de olho.

No quali do US Open, Thiago Alves e Julinho Silva se despediram rapidamente. Ainda restam quatro aventureiros, com boa chance para João Souza. Os anos de estrada podem ser ponto a favor de Ricardo Mello, mas ele caiu num grupo difícil. Seria bem legal que alguém se juntasse a Bellucci e Rogerinho Silva. No feminino, Teliana Pereira terá sua segunda oportunidade num evento grande. Oremos.


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Garoto Federer
às 20h35 - por José Nilton Dalcim

Um Grand Slam e três Masters, seis troféus em oito finais disputadas. Disputou 13 torneios bem selecionados no seu calendário e atingiu pelo menos 12 semifinais. São 56 vitórias em 63 partidas disputadas, 45 resultados positivos depois de vencer o primeiro set e apenas duas viradas permitidas.

São os dados do número 1 do mundo, o tenista que mais ganhou em 2012. E ele tem 31 anos. Ou deveríamos dizer, ele só tem 31 anos?

Porque Roger Federer esbanja preparo físico, o que lhe permite continuar correndo atrás de bolas impossíveis, lutar por todos os pontos. A maciça maioria dos seus adversários é mais jovem, muitos sequer estavam no circuito quando ele assumiu a liderança pela primeira vez, há oito anos e meio.

Para quem parecia caminhar para a aposentadoria, o suíço é um pesadelo. E péssima notícia a eles: Federer ainda está muito motivado. Olhem a frase sintomática após a conquista do penta em Cincinnati: "Não perdi meu saque em toda a semana. Era exatamente essa a reação que eu esperava de mim mesmo, não me deixei abater", afirmou na entrevista oficial, referindo-se é claro à derrota na final das Olimpíadas.

Querem mais? "Mesmo que eu já tenha alcançado quase todas as metas da temporada - ganhei uma medalha, venci Wimbledon e recuperei o número 1 - ainda é importante dar o máximo de mim e fazer a melhor preparação possível para Nova York", avalia ele, num tom de confiança tão grande que beira uma ameaça aos outros 127 jogadores do US Open.

Ao atingir o 76º troféu (em 108 finais), Federer fica a um título da coleção de John McEnroe, ou seja, da terceira maior marca da Era Profissional. Precisará depois de mais 17 para igualar os 94 de Ivan Lendl, mas com tamanho apetite começo a considerar isso com uma hipótese cada vez menos improvável.

Ou alguém tem dúvida de quem é o favorito máximo ao US Open?

Números - Cada semana de Federer é um festival de estatísticas e recordes. Lembro aqui então que ele atinge os mesmos 21 Masters de Rafael Nadal e agora tem 52 troféus no piso sintético (contra 10 no saibro, 12 na grama e dois no antigo carpete).

Dos 1.056 jogos disputados na carreira, tem 863 vitórias, ou seja, um aproveitamento positivo de 81,7%. Com o sexto título do ano, reúne a maior coleção desde os oito de 2007 (venceu quatro em 2008, 2009 e 2011 e chegou a cinco em 2010). E contando.


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Djokovic tenta manter hegemonia sobre Federer
às 21h27 - por José Nilton Dalcim

No placar geral, Roger Federer lidera: 15 a 12. Mas se pegarmos os oito duelos que os dois fizeram desde janeiro de 2011, quando começou a grande fase de Novak Djokovic, há uma inversão total: 6 a 2 para o sérvio.

O fato, na verdade, que mais deve chamar atenção antes da final deste domingo em Cincinnati é que Djokovic ganhou todas as últimas quatro partidas sobre Federer no piso sintético, que é justamente a melhor quadra para ambos. Mais curioso ainda, apenas uma dessas partidas foi equilibrada: aquele memorável duelo na semifinal do US Open do ano passado, decidido no quinto set.  Nos outros três jogos, Federer só venceu um set.

Claro que retrospecto é uma coisa e momento é outra. Mas a rigor devemos olhar os dois em situações bem positivas. Se Novak Djokovic reagiu na temporada na semana passada em Toronto, não é menos verdade que Federer volta a viver um auge, liderando praticamente tudo na temporada. Será sua oitava final de 2012, em busca do sexto troféu, o que o garante como número 1 do ranking até o US Open acabar.

Nole também leva vantagem nos confrontos desta temporada, em que o sérvio está claramente menos eficiente. Ganhou no saibro de Roma e de Roland Garros com relativa facilidade e só caiu sobre a grama de Wimbledon, em quatro sets. Portanto, é o primeiro duelo sobre a quadra dura desde justamente o US Open de 2011.

Muitos se atreveriam a dizer, com considerável razão, que esta pode ser uma prévia da final do Slam norte-americano, daqui a três semanas. Do jeito que o circuito masculino anda, há grande chance mesmo. E por isso o eventual 21º troféu de Masters para Federer e o 13º de Djokovic tem um peso muito grande.

Ranking - Se Nole levar o título, chegará ao US Open apenas 95 pontos atrás de Federer. Isso quer dizer que ele dependerá muito mais de uma campanha fraca do suíço do que seu próprio desempenho, ou seja, Federer terá de perder até as quartas para Nole ter chance de ultrapassá-lo. Se Federer ganhar, a distância dispara para 895 pontos e aí o suíço não poderá ser alcançado, mesmo com possível bi de Nole (o máximo que o suíço pode perder em Nova York são 710 pontos).

Mudança importante acontecerá com o argentino Juan Martin del Potro, que vai ultrapassar Janko Tipsarevic e recuperar o oitavo lugar (mas o sérvio será cabeça 8 do US Open com a saída de Rafael Nadal). Marin Cilic avança para 13º e Milos Raonic, ao 16º. Com a semi, Stanislas Wawrinka recupera-se bem e volta ao top 20, como 19º.


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Notável regularidade
às 23h36 - por José Nilton Dalcim

Por que Roger Federer é o número 1 do mundo? Será por que ganhou cinco torneios, dentre eles Wimbledon? Acho que essa não é a resposta mais correta. Nesta sexta-feira, ele se classificou para sua 12ª semifinal em 13 torneios disputados na temporada, vencendo todas as vezes em que atingiu as quartas. Não é notável?

E isso, como sempre, engloba todos os pisos. Ele venceu no sintético coberto de Roterdã, ao ar livre de Dubai e Indian Wells, no saibro (azul) de Madri, na grama de Wimbledon. Neste sábado, buscará sua oitava final em 2012, tendo perdido em Halle e nas Olimpíadas, raras derrotas sobre quadra de grama.

Com essa campanha, o tenista de 31 anos e 15 temporadas como profissional é também o líder em vitórias. Atingiu a 54ª nesta sexta-feira sobre Mardy Fish, contra apenas sete derrotas. No piso sintético, que certamente é o seu melhor, chega a 26 triunfos em 28 jogos.

Apesar de tudo isso, Federer ainda corre o risco de perder a liderança, caso não vença o amigo Stanislas Wawrinka e ao mesmo tempo Novak Djokovic ganhe seu segundo Masters consecutivo. Embora Stan seja tecnicamente inferior e sofra com sua instabilidade emocional, é um adversário de respeito. Aliás, faz talvez sua semana mais destacada em anos, tendo batido David Ferrer, Kei Nishikori e Milos Raonic, tenistas de estilos e históricos completamente distintos.

A outra semifinal é empolgante, desde que Juan Martin del Potro não sinta problemas com o punho esquerdo. Ele e Djokovic são excepcionais jogadores sobre a quadra dura, com dezenas de armas e possibilidades, sem falar na grande atuação do argentino duas semanas atrás nas Olimpíadas que certamente coloca mais lenha na fogueira.

A chave feminina de Cincinnati também vive uma rodada diferente, com as quedas das cabeças 1, 2 e 3, ou seja Agnieszka Radwanska, Serena Williams e Samantha Stosur, as duas últimas as finalistas do US Open do ano passado. E mostra que Petra Kvitova e Na Li, perto de nova decisão, estão bem mais embaladas para Flushing Meadows.


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Está ficando sem graça
às 23h28 - por José Nilton Dalcim

Rafael Nadal está fora de combate. Andy Murray, por problemas físicos ou não, desandou após o título olímpico. David Ferrer está longe de ser uma grande estrela do circuito. Tomas Berdych não consegue mais ser regular. O circuito masculino, ao contrário do que acontece normalmente, parece estar de despedaçando antes mesmo do US Open, deixando praticamente dois nomes a disputar troféus e a liderança do ranking.

Isso não é bom. Competitividade sempre foi um elemento essencial a qualquer esporte, porque é a única garantia de emoção e o melhor caminho para o crescimento contínuo da qualidade técnica. Com Roger Federer e Novak Djokovic nos dois extremos da chave de Cincinnati e certamente do US Open, seria muito ruim que ficássemos apenas à espera da final do domingo. Já tivemos o exemplo de Toronto, com rodadas decisivas sem molho e uma final fraca.

Dois nomes com grande capacidade de dar trabalho, principalmente no piso sintético, são Jo-Wilfried Tsonga e Juan Martin del Potro. O primeiro não entrou em Cincinnati por um acidente maluco, o outro está nas quartas mas novamente se queixa de dores, agora no punho esquerdo (o que levou cirurgia em 2010 foi o outro). Não dá para esperar muita coisa de Janko Tipsarevic, John Isner ou Richard Gasquet. Será que é possível  apostar em Milos Raonic? Difícil.

Então, a menos que alguma coisa extraordinária aconteça nas próximas 48 horas, Federer e Djokovic decidirão Cincinnati no domingo, em jogo que sequer valerá pelo número 1, porque o suíço se garante antes mesmo de eventualmente erguer o troféu.

E sabe de uma coisa? Fico a imaginar, pesaroso, o que pode ser do tênis masculino dentro de um ou dois anos, caso Federer resolva se aposentar e Nadal continue com seus problemas físicos. Gostem ou não deles, são os personagens que sustentam pelo menos 70% do público e da mídia em cima do nosso esporte.


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