Muito perto do sonho
às
20h30 - por
José Nilton Dalcim
O tênis brasileiro, que ganhou um ATP lotado em São Paulo, um WTA para 2013 em Florianópolis, terá um ATP 500 no Rio de Janeiro em 2014, verá Roger Federer e Serena Williams pela primeira vez, pode completar sua temporada mágica neste sábado com um sonho que se arrasta há nove anos: voltar ao Grupo Mundial da Copa Davis e se sentir realmente grande.
Como era previsto, diante de uma Rússia enfraquecida e com um grupo de tenistas e treinadores cada vez mais experiente e acostumado aos eventos de primeira linha, a hora chegou. Com os 2 a 0 conquistados nesta sexta-feira no calor e no saibro de Rio Preto, só mesmo um desastre, maior até do que aquele da Índia em 2010, nos tirará da elite da competição por países na próxima temporada.
Para que ninguém ouse tirar o mérito dos brasileiros, vale lembrar que estivemos muito perto de bater a mesma Rússia, com Mikhail Youzhny e piso sintético, há exatos 12 meses. Naquele domingo, foram os russos que tiveram extrema sorte em não serem rebaixados, algo que parece inevitável diante da entressafra que vivem atualmente.
Muitos alegam, de forma injusta a meu ver, que o Brasil irá fazer figuração no Grupo Mundial. Mas os russos não fariam o mesmo? Alguém considera a Áustria muito melhor do que nosso time? O que diremos tecnicamente do vencedor entre Cazaquistão e Uzbequistão? Ou da Bélgica que deve superar a destroçada Suécia? São, na melhor das hipóteses, tão frágeis e dependentes do sorteio e de jogar em casa do que nós.
Então, antes mesmo de comemorar uma classificação que ainda depende de um ponto - e eu tenho certeza de que sairá logo com os excelentes duplistas mineiros -, me parece importante aplaudir o esforço desse grupo que vem lutando há tanto tempo. Apesar dos altos e baixos e de muitas críticas merecidas, ninguém pode duvidar da determinação de Thomaz Bellucci, da garra de Rogerinho Silva ou de Ricardo Mello, do empenho de Marcelo Melo, Bruno Soares e André Sá, apenas para citar os titulares mais recentes.
Não são gênios da bolinha amarela, porém trabalham ardua e seriamente. Isso precisa ser valorizado e o prêmio maior deles, com certeza, será essa vaga no Grupo Mundial.
Os outros - A Argentina perdeu uma chance de ouro de abrir importantes 2 a 0 na semifinal do Grupo Mundial, com o vacilo de Juan Mónaco no final do quarto set. Ele estava a dois games de serviço da vitória (4/3 e saque no quarto set) em cima de Tomas Berdych e agora a coisa se complicou.
A esperança maior é que Berdych, que jogou quatro horas hoje, deva ser escalado para a dupla e depois ainda faria o primeiro jogo de domingo contra Del Potro. Vindo da semifinal do US Open, duvido que aguente tamanho esforço. De qualquer forma, a dupla deste sábado é fundamental, porque permitiria que Radek Stepanek decidisse contra o instável Mónaco na quinta partida.
Já os norte-americanos, quem diria, deram trabalho para a Espanha em pleno saibro e ainda têm chance de levar a decisão para o domingo, ainda que dificilmente vencerão. O pitoresco foram dois torcedores, com plaquinha na mão, que se levantavam para anotar os aces de John Isner. O exercício foi pesado: 24 levanta-mostra-a-placa-senta.
Na repescagem, Suíça, Canadá e Bélgica confirmam e vão levar a vaga. Alemanha-Austrália continua imprevisível, assim como Japão-Israel. A surpresa é o Chile, que está dando sufoco na Itália com o velho Paul Capdeville. Seria bem legal que os sul-americanos tivessem ao menos uma participação.
A força do tênis
às
20h55 - por
José Nilton Dalcim
A correria que se viu nesta quinta-feira à procura de ingressos para os dois jogos que Roger Federer fará em São Paulo, em dezembro, são a prova definitiva de que o tênis ganha cada vez mais força no Brasil. Ainda que seja um esporte que exija um certo poder aquisitivo (ou grau de sacrifício) do fã, não resta dúvida que, se não somos hoje uma potência em termos de tenistas e de ranking, há poucos lugares fora dos grandes centros onde a raquete e a bolinha amarela gerem tamanha fascinação.
Vimos o que aconteceu no Brasil Open, em fevereiro. Está certo que grande parte dos 10 mil ingressos no Ibirapuera foram vendidos a preços bem populares, mas isso não invalida o fato de o nosso ATP 250 ter virado um 'caso de sucesso' diante da própria ATP. Quem assiste na TV ou na net aos torneios pelo mundo, está certamente habituado a ver arquibancadas vazias em ATP 500 nos EUA ou na Alemanha e públicos mínimos em 250 da Espanha ou Itália.
Não vamos esquecer também das arquibancadas lotadas da Copa Davis em Rio Preto - que devem se repetir neste fim de semana contra a Rússia - ou o ótimo negócio que virou o turismo internacional ligado ao tênis. A Faberg, maior do ramo no país, levou 250 pessoas a Miami e atrás dela várias outras começam a explorar o ótimo mercado. Coisa de rico? Na maior parte das vezes, sim. Mas deixou de ser exclusivamente da classe alta há algum tempo.
E na TV? O tênis agora é arma de guerra. Emissoras lutando por direitos de transmissão, gastando para fazer uma cobertura melhor do que a outra. Importante notar a excepcional cobertura que o SporTV deu ao tênis olímpico de Londres, um megaevento esportivo onde havia tantas outras alternativas. A Band acaba de 'roubar' Roland Garros da ESPN e pensa até em colocar a final (claro que se for uma boa final) na rede aberta no domingo cedo.
Quando constatamos que o primeiro lote de ingressos para ver Federer, ao salgado preço de R$ 350, se esgotou em duas ou três horas, fica clara a paixão brasileira pelo tênis. Tudo bem, o suíço é um fenômeno mundial, um dos quatro ou cinco grandes atletas em atividade. Mas, oras, estamos num país onde a dificuldade para se jogar tênis é enorme pela falta de estrutura.
Boas e más notícias - Ao final da noite, a promotora do Federer Tour deu uma boa notícia: haverá uma segunda leva de ingressos à venda na terça-feira, agora com 3.500 ingressos para o anel superior (na primeira, o número não foi informado, mas deve ter ficado nos 2 mil). E pela primeira vez se venderão 700 para a numerada inferior. Então, quem não conseguiu hoje, deve acordar cedo na terça-feira.
Mas também existe uma má notícia: os preços vão subir. Estes R$ 350 foram "promocionais" e é possível que a segunda parte seja vendida na casa dos R$ 500 para o anel superior e perto dos R$ 1.200 na numerada inferior (hoje, o ingresso corporativo custa R$ 7.000 nessas cadeiras especiais). Os camarotes junto à quadra não devem ser vendidos, já que serão reservados a patrocinadores e convidados.
Copa Davis - E a outra ótima notícia para o tênis brasileiro pode pintar em Rio Preto. Na verdade, nunca estive tão otimista de que desta vez a vaga no Grupo Mundial virá. Os motivos são vários: temos um grupo cada vez mais experiente - Bellucci e os duplistas mineiros -, um número 2 com verdadeiro espírito de Davis, torcida participante, piso e calor favoráveis, e acima de tudo adversários vencíveis. A Rússia que veio ao Brasil está muito longe de seus bons tempos.
Também teremos as semifinais do Grupo Mundial, com favoritismo grande da Espanha contra os norte-americanos e um pouco menor da Argentina sobre os tchecos, principamente se Del Potro não estiver 100%.
Efeito Federer
às
23h05 - por
José Nilton Dalcim
Saíram enfim os preços dos ingressos para os três dias de espetaculares exibições no ginásio do Ibirapuera. E foram salgados: R$ 350 por dia para ver lá do anel superior. Não há venda por pacote, portanto quem quiser ver todo o show terá de desembolsar mais de R$ 1.000.
Recebi obviamente um mar de críticas, embora muita gente também garante que estará em São Paulo ao menos para ver Roger Federer contra Jo-Wilfried Tsonga, que está marcado para o sábado, dia 8 de dezembro. E muitos me perguntam se assistir a Federer em Bogotá (contra o mesmo Tsonga) ou na Argentina (diante de Del Potro) não valeria mais a pena.
Então, acreditem, vale muito mais vir ao Ibirapuera. Sem falar obviamente na viagem em si, em Bogotá o ingresso mais barato está sendo vendido a R$ 220, lembrando sempre que é uma partida única, enquanto que aqui teremos dois jogos diários (e sempre interessantes).
Para Tigre, a cidade argentina que vai sediar o duelo, a situação é duplamente mais grave. As entradas se esgotaram em poucas horas e ainda assim a mais barata equivale a R$ 300 reais. Com a escassez, existe um grande oferecimento de ingressos na Internet, que estão custando até três vezes mais. Ficou inviável.
Também recebi alguns protestos de internautas quanto à falta de ingressos para as cadeiras inferiores do Ibirapuera, aquelas coloridas mais próximas da quadra. Quer dizer, quem quiser pode comprar, só que o preço é de R$ 7 mil reais pelos três dias, sendo obrigatória a compra mínima de um par de entradas. Então não é coisa para qualquer mortal. Dá para ir ao Taiti com esse valor.
Acho que o único problema do Federer Tour vai ser mesmo a sexta-feira, quando jogam Bellucci x Tsonga e Sharapova x Wozniacki. Bem difícil encher o ginásio com esses preços, apesar da qualidade dos tenistas envolvidos. Com Federer x Tsonga e Serena Williams x Victoria Azarenka, o sábado deve ser o primeiro a ter ingressos esgotados.
Murray enfim entra para o rol dos grandes
às
23h53 - por
José Nilton Dalcim
Demorou 287 Grand Slam para o tênis britânico e exatos quatro anos inteiros, uma eternidade, para Andy Murray. Mas estava escrito que um dia o tênis por vezes genial, por vezes irritante deste escocês cheio de bons e maus predicados iria chegar lá. Era uma espera que começou no US Open de 2008, passou por dois Australian Open e se aproximou muito em Wimbledon deste ano. E enfim aconteceu, suado, sofrido, cheio de dores. Ele agora é definitivamente um dos grandes.
Foi muito mais uma partida histórica e emocionante do que um grande jogo. Quase cinco horas de esforço gigantesco, enorme motivação, entrega total, mas que ficou devendo em termos técnicos e táticos. Claro que o mau tempo foi um fator determinante, pelo menos nos dois primeiros sets, o que levou muitas vezes os tenistas a empurrarem a bola. Mas ainda assim faltou a ambos correr mais riscos. Foi terrível assistir a Murray dar três slice seguidos, dois deles de forehand, em pleno terceiro set.
Tudo compreensível. O US Open valia muito para ambos, que na maioria das vezes só se soltaram quando estavam em evidente desigualdade no placar. Djokovic não fez um grande torneio. Teve lampejos de seu grande tênis aqui ou ali e esta final foi um bom resumo de seus altos e baixos. Murray, ao mesmo tempo, viveu um torneio de superação e isso começou lá nas primeiras rodadas, nos três tiebreaks que ganhou contra Feliciano López, ou no jogo que parecia perdido diante de Marin Cilic. A final portanto também foi um espelho fiel de sua máxima: lutar até o fim, se defendendo quando o placar é favorável, atacando quando está atrás.
Não se pode dizer que o título não seja justo, principalmente por tudo que Murra tem mostrado nesta temporada. E isso tem tudo a ver com o técnico Ivan Lendl. Ficou evidente, ao chegar à final de Wimbledon, de que o sucesso estava muito próximo e tenho a certeza de que o título olímpico de semanas depois foi a chave para a conquista deste US Open, já que Murray pôde descarregar aquele tonel de emoções armazenadas quando esmagou Roger Federer e colocou a medalha de ouro no peito.
O resultado de uma forma global também é excelente para o tênis masculino, que encerra a temporada com quatro diferentes campeões de Grand Slam - como não acontecia desde 2003, antes da Era Federer - e agora passa a ter mais um forte candidato a troféus importantes. Pode ser que Murray repita agora o mestre, já que Lendl também sofreu tremenda cobrança e perdeu quatro finais de Slam até ganhar um troféu sofridíssimo em Roland Garros. Depois, levantou mais sete, virou número 1 e reinou soberano. Virou lenda. Bom, mas talvez isto já seja demais para Andrew.
- Murray foi o 25º campeão diferente do US Open, igualando as marcas da Austrália e de Roland Garros. O torneio com menor variedade continua sendo Wimbledon, com 19 na Era Profissional.
- Djokovic deixa Nova York como o tenista com maior número de vitóiras na temporada: 60 contra 59 de Federer. Murray é apenas o sétimo, com 47.
- Esta foi a primeira final de Grand Slam decidida entre os cabeças 2 e 3 em 27 anos. No US Open, não acontecia desde 1992.
- O duelo particular entre Murray e Djokovic, que começou em 2006, tem agora o apertado placar de 8 a 7. Na temporada, o escocês ganhou três das cinco partidas. Se Nole levou a melhor na final de Melbourne, o britânico ganhou na semi das Olimpíadas e agora na decisão de Nova York.
- Djokovic tem agora 17 vitórias em 23 jogos decididos no quinto set, enquanto Murray sobe para 13 em 19.
- Campeão nos dois últimos Australian Open e do US Open de 2011, Djokovic tinha uma série de 27 vitórias consecutivas em quadras sintéticas dentro dos Slam. O recorde é de 40, de Federer.
- Com o fim do jejum em Slam, Murray deixa Fred Stolle como o único homem a perder suas cinco primeiras finais de Slam, entre 1963 e 1965. O australiano viria a ganhar depois dois troféus.
- O escocês se tornou o terceiro campeão juvenil do US Open a repetir o sucesso no torneio principal, assim como Stefan Edberg e Andy Roddick. Murray venceu Sergiy Stakhovsky, em 2004.
Serena serena - A final feminina foi mais bem jogada do que a masculina, verdade seja dita. Serena Williams e Victoria Azarenka duelaram por magníficos pontos, bateram demais na bola, com direito a ótimos saques, correria, voleios. Serena fez juz a seu nome, manteve um incrível controle emocional em grandes apertos e completou um sonho de verão como nem Woody Allen conseguiria imaginar mais perfeito.
É até difícil explicar como alguém que vence dois Slam e o torneio olímpico seja apenas a número 4 do mundo. Mas quem viu Azarenka neste US Open não pode duvidar de que o jogo da bielorrussa tem agora qualidade mais do que suficiente para ser a líder do ranking, algo que andou faltando ao tênis feminino por muitas vezes nos últimos tempos. Azarenka, ainda aos 23 anos, parece que chegou para ficar.
E, a exemplo de Murray, coloca muito molho, e dos bons, no circuito.
A grande chance de Murray
às
16h18 - por
José Nilton Dalcim
Será que enfim vai chegar o grande dia de Andy Murray? Se existiu uma chance de levantar o primeiro troféu de Grand Slam, sem dúvida alguma é agora. Mais experiente, menos pressionado, o escocês certamente não será o favorito para a final adiada de segunda-feira do US Open, primazia que continua com o sérvio Novak Djokovic, porém tem tudo para chegar lá.
O retrospecto entre os dois é bem próximo, de 8 a 6 em favor do sérvio. Nesta temporada, cada um venceu duas vezes, o que acentua o equilíbrio. Novak ganhou em cinco sets na semifinal do Australian Open, com 7/5 no quinto set. O escocês deu o troco em Dubai e, no mesmo piso sintético, caiu na decisão de Miami. Por fim, Murray levou a melhor na semi olímpica sobre a grama. No piso sintético, Nole tem 6 a 4, mas muito em função das três primeiras vitórias, entre 2006 e 2007. Em Grand Slam, os dois se cruzaram apenas duas vezes, ambas na Austrália e com vitória do sérvio.
Se os números são favoráveis a Djokovic, por que então Murray tem uma chance real? Primeiro, porque o sérvio não está mais jogando no nível de 2011, o que o torna menos imbatível. Fez uma partida magnífica nas quartas contra Juan Martin del Potro, mas não repetiu a atuação contra David Ferrer. Mesmo tendo vencido três sets neste domingo sem vento - no sábado, tinha dificuldade evidente com isso -, jogou bem abaixo do que se espera dele, incluindo subidas despropositadas à rede e erros de fundo de quadra. Contou com altos e baixos de Ferrer, que tecnicamente está um degrau e meio abaixo.
Murray também já andou pela gangorra. Fez um duelo magnífico contra Milos Raonic e sofrível diante de Marin Cilic, mas se recuperou na semi frente a Tomas Berdych. O tcheco não contou com o saque poderoso, completamente perdido com a ventania, e foi dominado por um adversário que conseguiu ser criativo, eficiente e até ousado em condições tão difíceis. Sobraram méritos para o escocês.
A decisão entre Djokovic e Murray é a mais acertada deste US Open e novamente será uma batalha muito mais mental. Não há grande diferença técnica ou física entre os dois, que além de tudo se conhecem muito bem e dificilmente produzirão surpresas. Acredito que a maior chance de Murray resida em aproveitar o que tem sido uma marca registrada de Djokovic nesta temporada: um começo mais lento e falho. Já a vantagem clara do sérvio é ter uma cabeça muito mais forte e forehand mais agressivo. O sinal de que a confiança dele está em alta é quando suas paralelas passam a entrar.
Se o sexto título de Grand Slam vier, será muito difícil impedir que Djokovic retorne à liderança do ranking até o final da temporada, já que Federer tem muito mais a defender. Murray, por seu lado, tem duas curiosidades históricas que motivam os mais supersticiosos: seu técnico Ivan Lendl também perdeu quatro finais de Grand Slam antes de levantar o primeiro dos oito troféus; e foi justamente no torneio dos EUA, em 1936, que um britânico venceu o último Slam.
Em quem você aposta?
Tira-teima
às
20h58 - por
José Nilton Dalcim
Em duas realidades completamente distintas, Victoria Azarenka e Serena Williams confirmaram a expectativa e vão decidir às 20 horas deste sábado quem é, afinal, a melhor tenista da temporada. Sim, porque, em que pese a distância de ranking, cada uma delas venceu um Grand Slam em 2012 e será difícil não se render a essa contabilidade na hora de decidir quem domina as quadras.
Serena voou baixo até agora, com 19 games perdidos e média de 65 minutos por partida. Aliás, ela vem de uma sequência incrível desde que a temporada de verão norte-americano começou em 2011. Foram 70 vitórias e apenas cinco derrotas. Mais notável ainda, tem despachado adversárias de gabarito com autoridade e a própria Vika sofreu isso na pele, tendo perdido três vezes nesta temporada sem ganhar set da norte-americana. Uma motivação a mais para a valente bielorrussa.
Também marca um certo duelo de gerações, ainda que ambas não tenham tanta diferença na forma de jogar, ou seja, buscando vencer cada ponto. A favor da trintona Serena, sete anos mais velha, está o saque, com o qual faz incríveis estragos. Já a bielorrussa tem muito mais perna e, a cada semana, se mostra mais experiente e fria. O ótimo duelo deste sábado contra Maria Sharapova foi exatamente assim, calculado, confiante, feliz. Observe-se que a última tenista com mais de 30 anos a ganhar o US Open foi Martina Navratilova, num longínquo 1987.
As derrotadas destas semifinais também merecem crédito. Sharapova lutou, exigiu ao máximo de Azarenka e voltará a ser a número 2 do mundo, resultado merecido por sua regularidade nos grandes torneios. Já Errani, do alto de seus 1,64m, completará um salto do 45º lugar no início do ano para o sétimo, sem falar que será a número 1 de duplas. Notável. E vale lembrar que, no ano passado, ela venceu apenas duas partidas de Grand Slam.
Super-Sábado - O penúltimo dia de US Open começa ao meio-dia com as semifinais masculiinas e aí existem duas expectativas bem opostas. Não há favoritos entre Andy Murray e Tomas Berdych, dois tenistas que já têm final de Slam e um vasto currículo. Se o escocês vive seu melhor momento na carreira, com o vice de Wimbledon e o ouro olímpico, o tcheco tem 4-2 no confronto direto e mostrou contra Roger Federer que não está para brincadeiras.
A outra partida parece mais previsível. Ainda que tenha perdido cinco de 13 duelos para David Ferrer, o atual campeão Novak Djokovic ganhou as duas partidas de 2012 sobre piso bem parecido sem perder sets. Enquanto um vem de atuação estonteante diante de Del Potro, o outro lutou suadíssimas 4h30. Três vezes finalista no US Open, o sérvio busca o sexto troféu de Grand Slam, categoria na qual o guerreiro espanhol chega a sua quarta semi sem jamais ter ido além.
P.S.: O video cima é um clássico, mas não resisti à tentação de repeti-lo aqui depois de ver (e ouvir) a partida entre Vika e Sharapova. E a não menos ruidosa Errani. Fica a homenagem.
Bruno Soares: o sucesso em boa hora
às
00h13 - por
José Nilton Dalcim
Não é de hoje que Bruno Soares ganhou seu lugar no tênis internacional. Ao longo dos últimos quatro anos, desde que decidiu se arriscar entre os grandes, atingir um resultado de peso parecia questão de tempo. O reconhecimento final chegou por vias tortas, através de uma parceria de última hora com a russa Ekaterina Makarova, a Katia, mas apenas reforça a aposta que se deve fazer na sua dedicação e seriedade com a carreira. Afinal, Brunão tem apenas 30 anos, quase um adolescente entre aqueles que fazem da dupla o seu ganha pão.
O bom mineiro nasceu a 27 de fevereiro de 1982, em Belo Horizonte, mas ao longo de sua carreira treinou no Rio e em Campinas. Juvenil promissor, que sempre adorou jogar perto da rede apesar de ter 'apenas' 1,80m, não embalou na carreira de simples e o máximo que conseguiu, no quarto ano de suas temporadas como profissional, foi o 221º em março de 2004, com cinco títulos de nível future.
Mas ele sempre soube de sua vocação para duplista, algo aliás que parece cada vez mais inato para os mineiros. Foram 14 conquistas em nível future, muitas delas fora do Brasil, e já em 2004 subiu de categoria e faturou challengers nos Estados Unidos. Ficou um tanto estagnado até que deu o salto maior em 2008. Ao se juntar ao experiente sul-africano Kevin Ullyett, aproveitou inteligentemente a chance de aprender mais. Foi crescendo. Em, junho fez semi em Roland Garros e ganhou o primeiro ATP em Nottingham. No final da temporada, coroou a nova fase e se casou com a também tenista Bruna Alvim.
Muito se fala de seus seis títulos de primeira linha em duplas e do 14º posto no ranking que atingiu em maio de 2009 - o mais alto de um brasileiro desde os top 10 Cássio Motta e Carlos Kirmayr, após nada menos que 26 anos -, mas é preciso salientar ainda que Bruno esteve nas quartas de final de todos os Grand Slam e uma semi (em Roland Garros). Para completar, foi às quartas nas Olimpíadas deste ano.
Talvez o degrau que falta a ele seja encontrar o parceiro correto. Ficou duas temporadas com o também ótimo duplista Marcelo Melo, conseguiram alguns bons resultados, mas cada um ainda precisava de mais experiência e se separaram em 2012. Com pouca sorte e altos e baixos, Soares já trocou quatro vezes de companheiro.
O sucesso nas mistas do US Open chegou assim em excelente hora. Em sua caminhada, ele e Makarova eliminaram gente do porte dos dois Bryan, Kim Clijsters e Lisa Raymond. Sensacional. Com seu jeito descontraído e bem humorado de sempre, admitiu à ESPN que ficou atônito com o tamanho do estádio Arthur Ashe, onde ergueu um troféu tão raro para o tênis brasileiro.
Obrigado, Brunão.
Semifinais - E a profecia se confirmou. Ao atingir as quartas de final, a chave masculina do US Open definitivamente esquentou e brinda o público com quatro grandes jogos. Começou na quarta-feira com a virada incrível de Andy Murray e a vitória maiúscula de Tomas Berdych e atingiu o ápice (momentâneo, tomara) com a maratona entre David Ferrer e Janko Tipsarevic e o show de tênis entre Novak Djokovic e Juan Martin del Potro. O tênis, definitivamente, atingiu um patamar sem precedentes.
Ferrer e Tipsarevic fizeram o que se esperava, ou seja, um jogo muito longo, equilibrado, sem favoritos, porém foram muito mais além e conseguiram somar ingredientes como aces, winners, voleios, deixadas, um repertório que não é exatamente comum de se ver para ambos. E a tudo isso se acrescenta o fundamental para a beleza de qualquer esporte: emoção, imprevisibilidade, esforço sobre-humano. Venceu Ferrer, como poderia ter ganhado Tipsarevic.
Mas, para ser justo, Djokovic ofuscou a tudo e a todos com sua exibição contra Delpo. Chegar em bolas impossíveis, escolher o winner mais indicado, mostrar uma capacidade física inesgotável foram lugar-comum em três sets que fizeram o público se levantar repetidas vezes da cadeira. O argentino bateu com gosto, mas não adiantou. Seu erro maior continua o mesmo de sempre: aproveitar as pernas longas e ir mais para os voleios quando aplica seus golpes de base tão retos e profundos. Mas ele insiste em dar mais uma bola ao adversário e, diante da exuberância técnica-física de Djokovic, isso é suicídio.
O bicampeonato hoje parece aposta certa. Mas vamos esperar o amanhã. Afinal, este esporte se chama tênis.
Bruno, Berdych e Sharapova fazem por merecer sucesso
às
01h03 - por
José Nilton Dalcim
Bastou a chuva dar uma trégua ao US Open para que tivéssemos um dia repleto de grandes jogos. E surpresas. E um novo herói para o tênis brasileiro. E o adeus de Andy Roddick. Que dia!
Começamos pela incrível virada de Maria Sharapova. Perdendo feio no primeiro set, ela achou o caminho contra Marion Bartoli. O duelo teve seus altos e baixos, mas mostrou antes de tudo determinação. Valeu sem dúvida o esforço.
Depois foi a vez de comemorarmos mais um feito histórico: Bruno Soares se tornou o 16º tenista nacional a atingir a final de Grand Slam e pode ser apenas o quinto a erguer tal importante troféu. Esse garoto merece. Conheço Bruno desde que jogava o circuito juvenil, sempre batalhador, bem humorado. Não conseguiu o sucesso esperado em simples, mas a cada dia se torna um duplista de primeira, driblando seu 1,80m com enorme talento.
Quase sem tempo para respirar, vimos a queda final de Andy Roddick, como era de se prever. Vai lá que Juan Martin del Potro demorou para embalar na partida, que poderia ter tido resultado bem diferente se o americano ganhasse o segundo tiebreak. A lógica, no entanto, foi implacável e, set a set, Roddick foi perdendo físico e precisão. Ao final, impossível não ficar emocionado com o adeus do maior sacador do tênis moderno, que afinal das contas teve uma carreira de fazer inveja a muita gente.
Aí veio o jogo estranho entre Andy Murray e Marin Cilic. Se Sharapova e mais tarde Tomas Berdych mereceram vencer, o croata mereceu perder. Diante de um escocês completamente desfigurado, abriu 5/1 no segundo set. E Cilic não é um sacador qualquer. Deixou escapar a chance duas vezes, jogou um péssimo tiebreak e só então surgiu um Murray mais digno, que completou o placar com humilhante 6/0. Mas já estamos carecas de ver esse britânico tão instável e ao menos tempo genial.
Por fim, outro momento mágico da quarta-feira, com a vitória incontestável de Berdych sobre Roger Federer. Como o jogo do tcheco se encaixa no do suíço! Como ele simplesmente não respeita o adversário! Federer, é verdade, deixou escapar o bom início, com quebra prematura, e foi a partir do oitavo game mal jogado é que Berdych passou a mostrar um tênis espetacular.
Não fosse o natural vacilo no final do terceiro set, em que ainda permitiu uma breve reação do adversário, maciçamente apoiado pela torcida, o tcheco teria tido uma atuação impecável. De qualquer forma, ele já vinha muito firme ao longo do campeonato e pode ser uma barreira dificílima para Murray na primeira semifinal de sábado.
No meio de tudo isso, ainda tivemos a vitória sem graça de Novak Djokovic - não por culpa dele, mas da fraqueza de Stan Wawrinka - e o passeio de Serena Williams em cima de Ana Ivanovic. Mais favorito do que nunca, o atual campeão pega Delpo em grande partida nesta quinta-feira, enquanto David Ferrer e Janko Tipsarevic fazem um duelo quase coadjuvante. As meninas só jogam na sexta e parece que a única disputa é saber se Sharapova ou Vika Azarenka serão a adversária de Serena no sábado à noite.
Frustrante
às
23h54 - por
José Nilton Dalcim
Eu não queria falar da chuva, nem da eterna polêmica da quadra que nunca foi coberta. Da confusão da programação pouco ortodoxa, ainda que histórica, do US Open. De favorecidos e prejudicados.
Mas eis aí tudo de novo. Contra a força da natureza, pouco se pode fazer além de ser inteligente e construir um estádio coberto. Até os pragmáticos britânicos o fizeram e o resultado é que Wimbledon, a partir das quartas de final, é um torneio garantido.
Ora, se o teto não cabe nos 23.900 lugares da Arthur Ashe, que se tire o gigantismo desnecessário do estádio e se coloque um teto nele. Se querem continuar sendo recordistas, baixem para 17 mil, que ainda teremos a maior quadra de tênis do mundo. Se não querem perder dinheiro - ah, sim, dinheiro é o que importa -, que aumentem 5 dólares em cada ingresso.
Conforme o resultado final dessas partidas adiadas nesta terça-feira, teremos um discurso de sorte ou azar. Quem sabe Maria Sharapova se valha novamente da chuva para virar um jogo, Andy Roddick ganhe fôlego ou Stanislas Wawrinka encontre alguma fórmula mágica para deter Novak Djokovic.
E também haverá o dia seguinte. Afinal, três desses vencedores terão apenas 24 horas de descanso até as quartas de final, desgaste que poderá ser decisivo no envelhecido Super-Saturday, que está completamente fora do bom senso do circuito masculino atual.
Bom, mas eu não queria falar de chuva. Então fica aqui o prazer de ter assistido a um magnifico duelo entre Victoria Azarenka e Samantha Stosur, daqueles jogos com todos os ingredientes: emoção, reação, tensão. Vitória por mero dois pontos no tiebreak do terceiro set daquela que justifica sua posição de número 1 do mundo. Um jogo aliás bem melhor do que fizeram David Ferrer e Richard Gasquet, onde sobrou motivação mas faltaram winners e golpes vencedores.
O resto fica infelizmente para amanhã. Se o mau tempo permitir, já que a previsão novamente não é otimista.
Copa Davis - Nenhuma novidade no time brasileiro, como não poderia deixar de ser, e uma ótima notícia vinda dos russos, que não trarão a experiência de Nikolay Davydenko e Mikhail Youzhny.
A chance de voltarmos enfim ao Grupo Mundial aumentou muito, ainda que não se possa desprezar os adversários. Igor Andreev, por exemplo, é um jogador muito respeitável sobre o saibro.
Mas somos favoritos,sem dúvida. Isso é bom ou ruim? Preciso pensar um pouco.
Showtime. De Murray, Serena... e de Bruno.
às
23h42 - por
José Nilton Dalcim
Foi um dia daqueles dias em que tudo dá certo. Andy Murray acertou no plano tático e estava com a mão extremamente calibrada, o que é sempre sinônimo de grandes jogadas. O resultado foi óbvio: um show na quadra central, com mínimas chances para um adversário que pratica o mais autêntico tênis-força.
Quem conhece tênis, sabe reconhecer o volume de jogo e a habilidade com que Murray trata a bola. Ele é capaz de fazer qualquer coisa com ela e foi o que Flushing Meadows viu nesta segunda-feira. Aplicou-se no saque, disfarçou deixadas perfeitas, usou slice na hora necessária, deu passadas cinematográficas e golpeou bolas até de costas. No fundo e na rede.
Não é fácil controlar uma bola lançada por Milos Raonic, que viaja a 220 km/h num primeiro saque. Quando ele vem para a rede, geralmente com golpes profundos, achar espaço para evitar seu voleio mortal exige precisão milimétrica. Murray abusou e ainda meteu lobs desconcertantes. Toda essa confiança foi gerada a partir de dois detalhes fundamentais: manteve o controle emocional, sabedor das dificuldades e frustrações que teria diante do serviço adversário tão poderoso, e a escolha de uma tática perfeita, que previa bolas baixas e com diferentes velocidades e ângulos.
Como estamos falando de Murray, um dos tenistas de maior capacidade técnica dos últimos tempos mas ao mesmo tempo bipolar, não dá para cravar que ele se comportará do mesmo jeito contra Marin Cilic, embora tenhamos que considerá-lo favorito. Na verdade, ainda virá outro teste de fogo numa eventual semi, seja diante da versatilidade de Roger Federer ou da bola pesada de Tomas Berdych. Mesmo numa de suas melhores fases, o escocês sabe muito bem o quão difícil é sonhar com mais uma final de Grand Slam.
Enquanto Federer teve dia de descanso por conta do inesperado abandono de Mardy Fish - ele teria sentido arritmia cardíaca após a vitória sobre Gilles Simon e se retirou por recomendação médica -, Berdych teve atuação magnífica diante de Nicolás Almagro. O primeiro set foi bem duro, poderia ir para qualquer lado, mas a partir daí o tcheco dominou o fundo de quadra, impôs seu saque e mostrou enorme capacidade física. Importante lembrar que ele sempre foi um adversário duro para Federer e, confiante, pode dar muito mais trabalho na quarta-feira.
A rodada que complementa as oitavas de final, numa terça-feira em que se vislumbra muita chuva em Nova York, tem quatro jogos bem interessantes e até mesmo os favoritos Novak Djokovic e Juan Martin del Potro precisam entrar em quadra determinados desde o primeiro game contra Stan Wawrinka e Andy Roddick. David Ferrer tem favoritismo sobre Richard Gasquet, ainda mais se alongar a partida, e Janko Tipsarevic faz duelo imprevisível contra Philipp Kohlschreiber, que pode virar a surpresa da chave masculina (vídeo mostra sua boa vitória sobre John Isner).
O feminino tem seu quadro de quartas de final completo, num dia de novidades. Serena Williams não perdeu games e parece incrivelmente superior em todos os aspectos a Ana Ivanovic, sua próxima adversária, e parece inimaginável que tenha problemas com o fraquíssima saque de Sara Errani ou Roberta Vinci. A rodada desta terça-feira parece muito melhor: Victoria Azarenka x Samantha Stosur e Maria Sharapova x Marion Bartoli, ou seja, quatro tenistas de gabarito e experiência.
E, é claro, destaque total para o duplista mineiro Bruno Soares. O garoto está demais no piso sintético do US Open, com quartas de final ao lado do austríaco Alexander Peya e semi de mistas com Ekaterina Makarova. E com chances nas duas especialidades. Aliás, vocês viram o ponto espetacular que o brasileiro fez hoje? Show. Brunão está merecendo mesmo um troféu de peso.
Nole está pronto para a reta final
às
00h28 - por
José Nilton Dalcim
Apenas 14 games perdidos em três partidas. O sérvio Novak Djokovic dificilmente poderia ter sido mais eficiente na primeira semana do US Open. Atuando no seu piso predileto, em que consegue tanto ser agressivo a partir do primeiro saque como também reagir com excepcionais contra-ataques, fez exatamente o que se esperava dele. Diante de adversários sem grande currículo, foi esmagador. Contra o experiente porém limitado Julien Benneteau, foi aplicado e não perdeu tempo.
Essa combinação de rapidez e seriedade foi duplamente importante para ele, que fez dois jogos durante o dia, onde o calor é muito maior e a forte umidade de Nova York pode fazer estragos. Nas oitavas de final de terça-feira, deverá enfim ter um adversário de maior capacidade, já que o suíço Stanislas Wawrinka tem bons golpes de base, ótimo físico e grande experiência. Ainda assim, raras vezes deu trabalho a Djokovic. Desta vez, no entanto, vem numa sequência de boas vitórias e talvez entre mais confiante.
Quase o mesmo se pode dizer do duelo marcado entre Juan Martin del Potro e Andy Roddick. O norte-americano tem histórico suficiente para incomodar, mas ficou claro neste domingo, diante de Fabio Fognini, que ele tem dificuldade em manter o ritmo de jogo. A intensidade cai, ele vai chegando cada vez mais atrasado à rede e só mesmo o saque pode salvar. Se isso se repetir contra o poder de fogo de Delpo, a aposentadoria é certa. O argentino também está na sua melhor superfície e no seu torneio predileto.
Curioso duelo de estilos deve marcar o jogo entre David Ferrer e Richard Gasquet. Numa melhor de cinco sets, a solidez do espanhol deve fazer toda a diferença e o histórico entre eles é bem claro: sete vitórias de Ferrer em oito jogos. De qualquer forma, é sempre gostoso assistir ao tênis criativo do francês, assim como à dedicação do espanhol. O sérvio Janko Tipsarevic também avançou e aguarda o vencedor do duelo hipernoturno entre John Isner e Philipp Kohlschreiber. Qualquer que seja o adversário, é talvez o jogo de mais difícil previsão.
No feminino, um resultado inesperado, com a queda de Petra Kvitova para Marion Bartoli, com direito a pneu no terceiro set. Não que a francesa tenha poucos predicados, mas Kvitova tinha de ótimos resultados no piso duro e talvez tenha sofrido com seu calendário mal montado. Maria Sharapova e Nadia Petrova fizeram um autêntico duelo de saques, em que a chuva teve papel importante, já que chegou justamente na hora que Petrova abria 2/0 no terceiro set. O fato é que ganhou quem deveria. Já a número 1 Victoria Azarenka vem de campanha avassaladora, mas terá de cruzar com a campeã Samantha Stosur. Não arrisco palpite.
Números - Depois de 15 jogos decididos no quinto set na primeira rodada e sete na segunda, simplesmente não houve qualquer um na terceira rodada masculina. Certamente, algo frustrante, quando se acredita que o afunilamento iria proporcionar melhores disputas. Na verdade, os 3 sets a 0 dominam tanto a primeira rodada (25 entre 64 jogos), a segunda (15 dos 32) e a terceira (8 dos 15, antes de Isner x Kohlschreiber).
Outro dado curioso é a média de acerto de primeiro saque em todas as partidas masculinas já disputadas, que fica na casa dos 58%. Os pontos vencidos após o primeiro saque está em 72% e com o segundo serviço, em quase 53%.
Fôlego - Estatística no site oficial do US Open diz que a mais longa troca de bolas na chave masculina foi de 50, entre Jimmy Wang e Gilles Simon, na segunda rodada. Uau! Entre as meninas, houve 35 trocas no rali entre Jelena Jankovic e Lara Arruabarrena.
Vai esquentar
às
00h37 - por
José Nilton Dalcim
* atualizado às 9h21
O US Open finalmente vai esquentar na chave masculina. Depois de uma primeira semana de jogos longos e equilibrados, mas raros momentos espetaculares, dois grandes duelos já estão prometidos: Andy Murray contra Milos Raonic e Tomas Berdych diante de Nicolás Almagro.
Tudo pode acontecer com Murray. A partida contra Feliciano López foi um misto de grandes lances, muito esforço, falhas bisonhas, saque sofrível, superação, reclamação. Bem ao estilo Murray. Diante de um adversário que não dá qualquer ritmo e exige máxima concentração o tempo todo, há perigo evidente. Vale lembrar que o canadense ganhou o único duelo entre eles em pleno saibro de Barcelona.
Berdych continua me agradando, não só pelo jogo tão conhecido, mas pela cabeça no lugar que tem mostrado. Sam Querrey exigiu dedicação e ele soube se virar, sem ficar procurando desculpas. Vejo o tcheco como favorito diante de Almagro para finalmente atingir a única rodada de quartas de final que lhe falta em nível Grand Slam. O espanhol é raçudo e anda sacando muito bem. Vai dar jogo dos bons. Com ou sem bolada.
Mardy Fish, que fez um jogo muito ruiim contra um contundido Gilles Simon, já venceu Roger Federer uma vez, mas isso aconteceu há mais de quatro anos. Os três jogos mais recentes sempre tiveram equilíbrio. Duas semanas atrás, Federer ganhou dele nas quartas de Cincinnati por 6/3 e 7/6. A favor do cabeça 1 está ainda uma vontade clara de ganhar seu sexto US Open. Ele se mostra sério em todas as partidas, sacando muito bem, tentando economizar energia. Fish não deve ser mais do que um bom teste.
A novidade deste Slam - assim como aconteceu com Goffin em Paris e Rosol em Wimbledon - é o eslovaco Martin Klizan. Canhoto de 23 anos, 52º do mundo, ele ganhou seus primeiros jogos de Slam nesta temporada e desperta de vez neste US Open. O forehand bem calibrado já tirou Tsonga e esmagou Falla e Chardy. Não me surpreenderia que também desse sufoco em Marin Cilic, que fez uma apresentação digna contra Nishikori e está de novo jogando um bom tênis.
O complemento do quadro de oitavas de final acontece neste domingo, com alguns jogos promissores: Isner x Kohlschreiber, David Ferrer x Lleyton Hewtt e Alexandr Dolgopolov x Stanislas Wawrinka. Não vejo riscos para Novak Djokovic (diante de Benneteau), Andy Roddick (contra Fognini) ou Juan Martin del Potro (frente a Leo Mayer).
Entre as meninas, as favoritas já miram vaga nas quartas. Gostei da exibição de Ana Ivanovic desta noite, com chance de cruzar com Serena Williams. Outra que está cada dia melhor é Angelique Kerber, que projeta perigo num eventual duelo com Agnieszka Radwanska. Neste domingo, toda atenção para Samantha Stosur contra Laura Robson.
Público - A sexta-feira anotou o novo recorde público para uma sessão na história do torneio: total de 62.362 ingressos vendidos, com marca histórica tanto na parte diurna (37.688) como na noturna (24.674).
Dúvidas - Depois de 441 pedidos de revisão de marcas até o final da rodada de sexta-feira, apenas 30,8% deles resultaram em correção do resultado. Homens e mulheres estão muito parecidos nesse campo: os rapazes acertaram 31% e as meninas, 30,4%. O destaque foi Sam Querrey, que pediu oito e acertou seis.
Desperdício - Vice-lider do US Open Series, mas derrotada ainda na segunda rodada em Flushing Meadows, a chinesa Na Li ganhou apenas US$ 20 mil de bônus. Petra Kvitova e Novak Djokovic ainda concorrem a US$ 1 milhão.
Ainda resta esperança
às
00h07 - por
José Nilton Dalcim
São duas potências, justamente as pioneiras no tênis como esporte competitivo moderno. De formas um tanto antagônicas, perderam a primazia. Os ingleses, já há muito tempo, com raríssimo sucesso desde que a era profissional chegou. Os norte-americanos sempre tiveram heróis na fase amadora, mas se tornaram a meca do tênis a partir de 1968, quando colocou tantos nomes importantes na liderança do ranking e no quadro de campeões de Grand Slam.
Os dois correm atrás do sucesso perdido. Os ingleses nem sonham com a hegemonia, mas com um novo herói. Os norte-americanos estão prestes a completar uma década sem um campeão de Grand Slam ou um número 1 do mundo entre os homens, cedendo ao maciço domínio europeu como nunca se poderia imaginar.
E quando todo mundo fica de olho em Andy Murray, o campeão olímpico, que parece mais perto de ganhar seu primeiro Slam, uma menina de rosto bonito, pernas ágeis e incrível habilidade com sua canhota rouba a cena no US Open. Laura Robson, nascida australiana e que reside na Inglaterra desde os seis anos, é a sensação de Nova York até aqui. Não apenas porque despachou Kim Clijsters e Na Li, mas pela forma contundente que fez isso.
Tal qual Murray, Laura tem sido uma eterna promessa. Aos 14 anos, ganhou o juvenil de Wimbledon e era tida como uma inevitável prodígio no circuito. Chegaria ainda a duas finais juvenis da Austrália, mas não houve a explosão no circuito profissional, ainda que hoje ela, aos 18, seja a mais jovem entre as top 100. Robson ainda não ganhou sequer um WTA de pequeno porte e acaba de marcar duas pequenas façanhas: ao ganhar de Li e chegar à quarta rodada, torna-se a primeira britânica a bater uma top 10 e a ir tão longe num Grand Slam desde Sam Smith, em 1998. Agora, encara a atual campeã Samantha Stosur e então responderá definitivamente às perguntas sobre seu futuro.
Já os norte-americanos também têm o que comemorar. Afinal, não colocavam 12 representantes na segunda rodada do US Open há 16 anos! Melhor ainda, terão sete em busca de vaga nas oitavas, numa lista que inclui os experientes Roddick, Fish, Isner, Blake e Querrey e os novatos Johnson e Sock. A lógica diz que somará três vitórias e, que ironia, aponta uma chance real para o aposentado Roddick ir longe. Ele deve ganhar de Fognini e pode contar com o físico debilitado de Del Potro para então desafiar Djokovic nas quartas. Não dá para fazer mais que isso, porém seria uma despedida digna.
A rodada - Rogerinho Silva fez o possível diante de Djokovic e tirou-lhe cinco games, com algumas belas jogadas e o esforço habitual. O campeão pega agora Benneteau e espera depois Dolgopolov ou Wawrinka, caminhada que parece fácil. Roddick teve uma atuação agressiva, com belos voleios diante de Tomic, que ficou uma fera na entrevista quando insinuaram que ele não se esforçou para vencer a partida.
Interessante duelo está marcado entre Ferrer e Hewitt, com pouca chance para o australiano, e parece difícil indicar quem vai sobreviver do quadrante que tem Tipsarevic, Isner ou Kohlschreiber. Se considerarmos que qualquer um deles terá de passar por Ferrer, acho mais prudente colocar as fichas no espanhol.
Recorde 1 - O garoto Dennis Novikov, convidado dos organizadores, ganhou uma partida no US Open e, na condição de 1.098º do ranking, passa a ser o tenista de mais baixo ranking a chegar numa segunda rodada de Grand Slam na Era Profissional. Aos 18 anos, ele mostrou bom saque e forehand ousado diante de Julien Benneteau nesta sexta-feira, roubando-lhe um set.
Recorde 2 - A ATP despertou para a quantidade pouco usual de viradas no US Open e fez as contas. As 10 que já aconteceram até agora são um recorde para Slam americano, superando as nove de 1989. Houve dois Roland Garros, em 1976 e 1992, com essa mesma quantia de reações após 0-2 sets, porém o recorde absoluto ainda pertence ao Australian Open de 2002, com 14.