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O futuro de Nadal cada vez mais incerto
às 15h22 - por José Nilton Dalcim

Quando todo mundo dava por certa a participação de Rafael Nadal na exibição de Abu Dhabi, uma entrevista do técnico e tio Toni me alertou que alguma coisa não estava indo tão bem assim. "Ele só jogará se estiver 100%", garantia o treinador a um canal de TV, contrastando com o discurso tão otimista que o próprio pupilo fazia aos jornais e sites espanhóis.

Não deu outra. Dois dias antes de embarcar para os Emirados Árabes, Rafa anunciou a desistência alegando uma infecção estomacal. Já era difícil de acreditar, mas a evidência de que as coisas são caminharam como ele e seu time desejavam veio hoje. Nadal nem se deu ao trabalho de dizer que não iria a Doha: informou logo que sequer irá disputar o Australian Open.

O bom senso diz que a desculpa é esfarrapada demais: a infecção não permitiria a ele ter a preparação ideal para Melbourne... Mas faltam três semanas! O ATP de Sydney já havia lhe oferecido um convite, assim como a exibição sempre forte de Kooyong, para que ele pudesse ganhar algum ritmo. O fato é que Nadal decidiu mesmo - e acho que foi uma opção muito bem feita - não arriscar a volta no piso sintético, provavelmente pelo desconforto dos dias de treinamento em Mallorca.

O novo adiamento coloca o circuito sul-americano de saibro em alvoroço. Viña del Mar anunciou na quinta-feira seu quadro principal e dois convidados, reservando publicamente a terceira vaga para Nadal. O Brasil Open também acredita piamente que o espanhol possa voltar para cá - Toni até disse em São Paulo que isso não era inviável -, enquanto Buenos Aires se acha a melhor das alternativas, já que Rafa assinou contrato com o ATP 500 de Acapulco.

Campeão em dois Slam sobre piso sintético, a ameaça mais clara agora é que Nadal se torne refém do saibro, um circuito de tamanho limitado que domina com sobras desde 2005. Isso é tão ruim assim? Talvez não. A campanha obtida no ano passado em Monte Carlo, Barcelona, Roma e Paris garantiu-lhe 4.500 pontos, o que é mais do que o número 7 Juan Martin del Potro fez na temporada inteira. Com outros 1.000 que pode conquistar na América Latina e quem sabe mais 1.000 no saibro pós-Wimbledon, ele não teria dificuldade em se manter no top 5.

A pergunta é se isso realmente lhe basta.


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O velho e o novo
às 11h50 - por José Nilton Dalcim

Enquanto o circuito masculino dividiu os títulos de Grand Slam entre seus quatro grandes protagonistas, a temporada feminina foi marcada para uma curiosa e motivante batalha entre velhas heroínas e novas aspirantes ao sucesso.

Entre as cinco primeiras do ranking, a bielorrussa Victoria Azarenka completou a ascensão de 2011, quando já terminou entre as três primeiras, e dominou a ponta do ranking na maior parte do tempo, efeito de sua grande regularidade nos torneios importantes. A polonesa Agnieszka Radwanska saltou do oitavo para o quarto posto e, ainda que tecnicamente um pouco abaixo das que estão à frente, mostrou progressos evidentes em todos os pisos. A maior novidade certamente foi a alemã Angelique Kerber, uma canhota cheia de recursos, que deu o salto mais espetacular: de mera coadjuvante e 32ª do mundo ao final de 2011, passou ao quinto posto, deixando para trás muitos nomes de peso.

Mas ao mesmo tempo, duas 'veteranas' colocaram molho no circuito e abriram portas para uma intensa batalha a partir de janeiro. A russa Maria Sharapova voltou a ser sólida ao longo de vários meses e surpreendeu o mundo ao ganhar no saibro de Roland Garros, onde se imaginou que a tarefa seria impossível. Terminou o ano a apenas 550 pontos do número 1, com 4.500 pontos mais do que totalizara em 2011. Muito mais incrível ainda foi o segundo semestre da 'trintona' Serena Williams. Ao final da temporada anterior, ela era a 12ª do mundo, com 3.180 pontos. Os três grandes troféus conquistados em Wimbledon, Olimpíadas e US Open a levaram ao terceiro posto, com mais do triplo dos pontos e em condição de brigar pela liderança.

A WTA escolheu Serena como a melhor tenista em atividade. Não deixa margem para muita discussão, principalmente porque ela continua com um calendário muito mais enxuto que a concorrência. Foram apenas 15 torneios, o menor número entre todas as top 50 à exceção da própria irmã Venus, que no entanto se contundiu por várias semanas.

Além de Kerber, outro grande nome a surgir foi o da pequenina italiana Sara Errani. Ainda que seu estilo de jogo não seja dos mais vistosos, ela conseguiu um feito pouco comum no tênis profissional de hoje: terminou como top 6 em simples e número 1 de duplas.

As decepções foram evidentes: Caroline Wozniacki, que finalizou 2011 como polêmica líder do ranking, suou para se manter no top 10 e Petra Kvitova, com um tênis de enorme qualidade, passou de forma discreta pelos Slam e caiu de segundo para oitavo. Contusões derrubaram Vera Zvonareva para o 98º posto e Andrea Petkovic, ao 143º.

O Brasil - Mesmo sem ajuda oficial e decidida a fazer carreira no Exterior, Teliana Pereira salvou o tênis feminino. Recolocou o Brasil no top 180, com dois títulos de US$ 25 mil, e antes de qualquer coisa mostrou que existe chance real para quem se dedica com vontade aos treinos.

O mais motivante é que Teliana sempre foi uma tenista de bons golpes, tênis bonito e alegre, adaptável a qualquer superfície, ainda que o saibro seja seu melhor. Isso indica que, aos 24 anos, existe ainda um bom espaço para evolução, desde que o fantasma dos problemas físicos descanse em paz. E tudo isso pode servir de ótimo exemplo para as mais novas.

Em que pese a quantidade crescente de torneios no país, essenciais para a formação de uma base mais sólida, os resultados ainda são fracos. Mesmo as experientes Roxane Vaisemberg e Nanda Alves mal conseguiram terminar no top 400. Quem está na faixa dos 18 aos 20 anos, engatinha no ranking e disputa raros torneios maiores que US$ 10 mil. Vivian Segnini, que era a brasileira mais bem colocada ao final de 2011, desistiu da carreira.

A aposta fica assim em cima de Laura Pigossi e Bia Haddad Maia, que parecem dispostas a seguir os passos de Teliana e se arriscar fora do país, onde a vida é bem mais díficil mas a recompensa, bem mais valiosa. Enquanto isso, é preciso continuar apostando nos US$ 10 mil por aqui, certos de que esse trabalho - aliado a um circuito juvenil bem estruturado - será o único caminho para um futuro promissor.


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Em ano de conquistas, tênis brasileiro vive antagonismos
às 00h28 - por José Nilton Dalcim

De um lado, uma temporada com grandes conquistas. De outro, mudanças tímidas no ranking. Tal qual sua própria trajetória, o tênis masculino brasileiro mostrou antagonismos em 2012.

Houve grandes momentos: o terceiro troféu de nível ATP de Thomaz Bellucci, cinco de Bruno Soares e outro de Marcelo Melo nas duplas masculinas; a histórica conquista do US Open pelo mesmo Soares e o retorno ao Grupo Mundial da Copa Davis. No contraponto, o ranking mostra que a moçada deu passos tímidos, principalmente no grupo da frente, e que a nova geração ainda não embalou.

Vamos a um resumo simplista do desempenho dos brasileiros nos rankings.

- Thomaz Bellucci disputou os mesmos 26 torneios de 2011 e somou 52 pontos a mais, o que pode explica a pequena ascensão de 37º para 33º lugar.

- Os quatro brasileiros mais bem colocados no ranking final do ano passado estavam entre os 124 primeiros do ranking. Desta vez, o segundo tenista nacional, Rogerinho Silva fechou como 126º. Um evidente retrocesso, sem falar que Ricardo Mello era top 100 - ocupava o 85º posto - e João Souza estava na faixa dos classificados para o Australian Open.

- Rogério Silva se tornou o 25º brasileiro a figurar no top 100, com o 95º posto em julho. Já Feijão foi o 28º a entrar nessa faixa entre os duplistas como 72º.

- Leonardo Kirche e Fabiano de Paula deram os maiores saltos no ranking de simples na faxa dos 300 primeiros: o paulista foi de 414º para 201º e o carioca, de 381º para 244º.

- Existem cinco brasileiros de até 21 anos entre os 501 do ranking, o que não pode ser considerado um mau desempenho. Na faixa dos 19, Guilherme Clezar ganhou um challenger e terminou como 235º, enquanto Bruno Sant'Anna é o 371º e João Pedro Sorgi, o 501º (chegou a estar em 455). Um ano mais novo, Thiago Monteiro voltou a ganhar future e figura no 433º (baixou de 400 em novembro). Com 21, Zé Pereira está em 346º (atingiu o 329).

- 84 rapazes encerram 2012 com pontos no ranking, quatro a menos que na temporada passada. Isso certamente é reflexo da queda de torneios futures ao longo do calendário.

- Nas duplas, evolução. Agora temos dois jogadores no top 20. Marcelo Melo é 18, um à frente de Bruno Soares, ou seja, melhorou nove postos. André Sá fechou como 57º e surgiu Feijão, como 72º. Em compensação, Franco Ferreiro se aposentou (era 66º ao final de 2011).

- Importante lembrar que a histórica conquista de duplas mistas de Soares no US Open não conta pontos para qualquer ranking.


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O que o ranking de 2012 nos diz
às 20h19 - por José Nilton Dalcim

Bom momento para atender a sugestão do internauta Levi Silva e comparar o ranking final de 2011 com o de 2012, onde se pode medir em pontos e números quem subiu, quem desceu, quem surpreendeu, quem decepcionou. Fiz uma divisão por "categorias" para facilitar a análise. Aguardo os comentários.

Top 10
- Apesar de ter tido teoricamente uma temporada menos espetacular do que em 2011, o sérvio Novak Djokovic obteve exatamente a mesma média de pontos por torneio em 2012 se comparado ao ano anterior. Ele terminou o ano passado com 13.630 pontos, em 19 torneios, e agora fez 12.920 em 18. Vejam que incrível: em ambos os casos, sua média de pontos por torneio foi de exatamente 717.
- O suíço Roger Federer também deu um salto nesse quesito. Somou 10.265 pontos em 2012, mais de 2 mil acima do que em 2011. Mas ele jogou dois torneios a mais, com 21 diante de 19. O escocês Andy Murray variou um pouco para cima (exatos 8 mil contra 7.380 de 2011). Os dois ultrapassaram o contundido Rafael Nadal no ranking final.
- David Ferrer manteve o quinto lugar, mas cresceu 30% em pontuação, enquanto Tomas Berdych subiu um posto e aumentou 25% das campanhas. Outro grande destaque foi Juan Martin del Potro, que saiu do 11º para o sétimo com quase o dobro de bons resultados (2.315 contra 4.480 pontos).
- Na contramão, Jo-Wilfried Tsonga caiu de sexto para oitavo com perda de 20% dos pontos e o problemático Mardy Fish deixou o oitavo e parou no 27º.
- Entre vários nomes que beliscaram o top 10, Richard Gasquet ficou com a última vaga, o que foi um bom progresso em relação ao 19º de 2011. Também estiveram momentaneamente ali Juan Monaco, John Isner e Nicolás Almagro.

Top 20
- Três destaques: Monaco saltou de 26º para 12º, Milos Raonic, de 31º para 13º e o quase esquecido Philipp Kohlschreiber, de 43º para 20º.
- Essa faixa viu o deseparecimento do virtualmente aposentado Robin Soderling (13º ao final de 2011) e do efetivamente aposentado Andy Roddick (era 14º). Entre os que permanecem, decepção francesa: Gilles Simon caiu de 12º para 16º e Gael Monfils, com todas suas contusões, afundou no atual 77º. Já Feliciano López foi de 20º para 40º.

Top 30
- Dois tenistas que eram top 30 ao final do ano passado deram adeus ao circuito: o argentino Juan Ignacio Chela e o croata Ivan Ljubicic.
- Em compensação, duas novidades. Jerzy Janowicz, de 22 anos, deu um salto astronômico do 221º para o 26º e Martin Klizan, um ano mais velho, foi do 117º para o 30º.
- Outra reação espetacular, que lhe valeu a indicação de "volta do ano", coube a Tommy Haas. Aos 34, terminou como 21º após iniciar como 205º.

Top 50
- Três nomes da nova geração quebraram a barreira do top 50 e podem incomodar em 2013: o búlgaro Grigor Dimitrov, de 21 anos; o belga David Goffin, de 22; e o francês Benoit Paire, de 23. Certa decepção para o australiano Bernard Tomic, de 20, que começou 42º, chegou a 27º em junho mas depois encerrou como 52º.

Top 100
- O segundo mais jovem tenista entre 100 do mundo é o norte-americano Ryan Harrison (20 anos, cinco meses a mais que Tomic). Fechou sua melhor temporada como 69º, mas chegou a estar no 43º.


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