Entre em contato
Assine o RSS
Indique o blog
Leia no celular


Buscar no blog


Arquivo



+ veja mais



Pequenas notas de um sábado de decepções
às 22h09 - por José Nilton Dalcim

Completando o que foi um fim de semana definitivamente desastroso, Roger Federer também não ganhou a partida de duplas ao lado de Stanislas Wawrinka, ocasionando uma das maiores surpresas da Copa Davis recente. Nem tanto pela qualidade do time americano, mas pelo fato de os suíços terem escolhido um saibro que deveria ser lento e atrapalhar os adversários.

Mas o que vimos foi John Isner tão bem adaptado como em Roland Garros de 2011, quando deu sufoco no todo-poderoso Rafael Nadal; um Mardy Fish consistente e confiante; e uma dupla improvisada entre Fish e Mike Bryan que soube usar a vantagem construída na sexta-feira. Enquanto isso, Federer e Wawrinka viveram altos e baixos e aquela 'furada' do grande Roger no finalzinho da partida espelha com maestria o que vimos em Friburgo. À distância, Federer me pareceu completamente despreparado para o duelo, dividido entre alguma lentidão e certa impaciência. Inclusive com o amigo-parceiro.

Outro visitante a brilhar foi a Argentina, que novamente teve em David Nalbandian o condutor. Seja ou não um homem difícil de se conviver - e todo mundo jura que é -, ele tem inegável espírito de Davis. A Sérvia certamente vai se classificar neste domingo e a Espanha passeou de novo no saibro de casa, agora com a dupla correta: Marcel Granolers-Marc Lopez. Que time!

Do outro lado do Oceano, frustração brasileira no quali do Brasil Open. Perdemos seis duelos contra os argentinos. Tudo bem que eles são especialistas, mas esse saibro coberto e mais veloz deveria estar à nossa feição. Restaram Bruno Sant´Anna e André Ghem, que têm missão duríssima no domingo. A chave, ao que tudo indica, vai ficar recheada de argentinos e com apenas três brasileiros, já que todos os convites foram para estrangeiros. O terceiro e último, para o espanhol Javier Martí. Quem?

Mas temos boas notícias. Para as meninas. Roxane Vaisemberg tentará o segundo troféu de US$ 25 mil da carreira no torneio da Riviera, enquanto Nanda Alves e Teliana Pereira ganharam no quali de Bogotá. Ninguém se surpreenda, aliás, se em breve, talvez muito breve, esse evento da Riviera se transformar num WTA de US$ 220 mil.

Por fim, Jorge Lacerda será reeleito para seu terceiro mandato neste domingo, em assembleia geral que acontece em São Paulo. Candidato único, já que nenhuma chapa ousou fazer oposição, ele já tinha obtido 28 a 0 na votação para a mudança de estatuto. Difícil me recordar de unanimidade maior na história do tênis brasileiro.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



A sempre imprevisível Davis não muda regulamento de novo
às 20h42 - por José Nilton Dalcim

Confesso que todo final de temporada - e na verdade, início também - fico na expectativa de a Federação Internacional anunciar a mais drástica mudança na Copa Davis: a diminuição do jogo de cinco para três sets. Explico: essa seria a fórmula mais correta de abrandar as críticas à competição e sua (má) influência no calendário.

O público não seria afetado? Tenho certeza que não, a menos é claro que tivéssemos duas partidas na sexta-feira com placares muito elásticos, o que convenhamos não é normal para o Grupo Mundial ou a repescagem. Além disso, 3 ou 4 horas de bom tênis são absolutamente suficientes, valem um ingresso de 60 dólares.

Por fim, evitaria o desgaste enorme dos tenistas, especialmente os de ponta, que já têm de encarar viagem, uma semana longe com muito treino, trocas de clima e de piso e, pior ainda, ter às vezes de jogar na semana imediatamente seguinte. Conforme os resultados, temos a triste chance de perder Ferrero, Nalbandian para o ATP brasileiro que começa em três dias. E, argh, ainda mantém o quinto set longo, sem tiebreak.

Bom, mas o regulamento não mudou de novo, e o que vimos nesta sexta-feira foi a velha sina da Copa Davis, em que favoritos decepcionam, escolhas de quadra se mostram completamente equivocadas, raça supera talento, jogar em casa vira pressão e não vantagem.

Claro que a maior surpresa, de longe, são os 2 a 0 norte-americanos. Só por ser sobre o saibro, já seria uma novidade e tanto. Mas diante da Suíça? Fora de casa? Contra Federer? Incrível. A maioria vai culpar a instabilidade de Wawrinka (que um amigo próximo chama de Bellucci suíço), ao não conseguir deter Fish, porém é inegável a frustração que foi Federer. Mesmo com a derrota no jogo anterior, ele tinha que se impor. Ao contrário, foi dominado por um valente Isner, que ganhou trocas de bola e anotou 85 winners. Uau!

Já a Alemanha deve estar amargamente arrependida de escolher o saibro contra a Argentina, convenhamos uma das opções mais exóticas dos últimos tempos. Espanha, Sérvia, República Tcheca e Áustria abriram larga vantagem, mas é preciso registrar o sufoco que o Cazaquistão deu principalmente a Ferrero, quando Kukushkin abriu o quinto set com quebra. Por fim, o Japão empatou mesmo com a derrota de Nishikori. Canadá e França jogam mais tarde.

Daniel volta
- O bom gaúcho Marcos Daniel me conta por fone que vai voltar às quadras no future de Itajaí, dentro de duas semanas. Mas nada a sério. Ele aceitou jogar a chave de duplas ao lado do pupilo Bruno Sant´Anna. Mas vai ser divertido.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Canal francês extrapola na acusação a Nadal
às 11h36 - por José Nilton Dalcim

O Canal+ da França perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Numa pretensa ironia ao caso do ciclista espanhol Alberto Contador, suspenso dois anos pelo suposto uso de substâncias dopantes, os editores tiveram a infeliz ideia de produzir um vídeo em que a figura central é nada menos que Rafael Nadal.

"Os esportistas espanhóis não ganham por acaso", sentencia o Canal+ ao final do vídeo, em que Nadal vai a um posto de gasolina, toma água, urina no tanque de combustível e o carro sai voando pelas estradas. Para ver o vídeo de tão mau gosto, clique aqui.

A pisada de bola jornalística se caracteriza por dois motivos bem básicos: em primeiro lugar, transfere a todos os atletas da Espanha a alcunha de "dopados", o que é absolutamente incorreto. Depois, usa a imagem de Nadal, que jamais teve qualquer problema com as centenas de exames que já realizou, como um exemplo de uso indevido de substâncias.

Para piorar o caso, ainda é preciso dizer que a Corte de Arbitragem Suíça (CAS) chegou ao veredito do caso Contador sem ter uma certeza absoluta de que o campeão da Volta da França estivesse realmente dopado. A conclusão é que o uso de doping é "a hipótese mais provável". E mais: Contador perdeu o título da Volta, ainda que o susposto uso tenha sido posterior.

Obviamente, a atitude pouco salutar do Canal+ francês já levou a Real Federação Espanhola a anunciar que vai apresentar denúncia contra o vídeo, que usa indevidamente o logo da entidade.

Nada contra o combate ao doping, uma praga que infesta o esporte em todos os níveis. Autoridades afirmaram ontem que imaginam que 1 a cada 10 atletas que estarão nos Jogos Olímpicos de Londres de 2012 faça uso de alguma substância ilegal. Incrível e lamentável. Mas isso não dá direito a acusações levianas.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Saques e devoluções
às 16h35 - por José Nilton Dalcim

Recebo do internata e já amigo Bernardo Savassi, de Belo Horizonte, alguns artigos fabulosos de um site chamado 'The Conversation" (www.theconversation.edu.au), que reúne todo tipo de informação acadêmica em formato de reportagens. Ali tem de tudo: negócios, economia, ecologia, saúde, medicina, política e, é claro, esporte. E, é claro, tênis.

Escolhi para comentar aqui dois estudos antagônicos porém interligados: o saque e a devolução. Embora possamos discordar de alguns tópicos ou considerar outros bem óbvios, o que eu acho importante é a base científica dada aos temas. Vamos ver.

O artigo sobre o saque quis determinar até que ponto a velocidade do serviço no tênis atual - masculino e feminino - determina a vitória ou a derrota, tanto em pisos sintéticos como no saibro. Os estudiosos então compararam a diferença de velocidade de saque entre o vencedor e o ganhador de cada partida disputada no US Open de 2010 e em Roland Garros de 2011.

Qual a conclusão? Embora o ganhador tenha em 90% dos casos sempre um saque mais forte do que o derrotado, ficou claro que a velocidade do serviço inflluencia apenas entre a primeira e quarta rodadas dos dois Grand Slam. A partir das quartas de final, isso se torna irrelevante. O mais curioso dessa análise, que foi publicada no Journal of Recreational Mathematics, é que, no masculino, os grandes sacadores levaram mais vantagem sobre seus adversários em Roland Garros do que em Flushing Meadows.

Não menos valioso é o estudo sobre devoluções. Conforme já sabíamos, um saque a 200 km/h dá um tempo reação ao adversário de apenas 0,33 segundos. Como então se conseguem hoje tantas devoluções perfeitas?

Obviamente, a análise concluiu que tenistas muito capacitados combinam duas habilidades para isso: a capacidade de "ler" a direção do saque a partir do movimento do adversário ou do lançamento da bola - os melhores conseguem antecipar a possivel trajetória no momento do ponto de contato - e mentalizar o percentual de saque dirigido conforme a situação da partida (30-iguais, break-point etc.)

Uma simulação realizada recentemente colocou tenistas em situações hipotéticas de uma partida de forma que o primeiro saque de cada game fosse sempre dado no mesmo local. Os jogadores com maior capacidade conseguiram detectar esse padrão já no final do primeiro set. Outra pesquisa comprovou que os melhores devolvedores conseguem prever a direção 300 milisegundos antes de o saque ser efetivamente dado.

Por isso mesmo, a grande maioria dos sacadores procura métodos de 'esconder' o golpe até o último instante. Pete Sampras por exemplo tinha um método todo próprio de treinar, tentando lançar a bola sempre no mesmo local. Só depois de fazer o 'toss', seu técnico gritava onde queria o saque.


Para ler a íntegra do artigo sobre o saque, clique aqui. Para conferir o artigo sobre as devoluções, clique aqui.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Bellucci sofre pior derrota no saibro, Feijão é top 100
às 18h50 - por José Nilton Dalcim

Atualizado às 23h42, com vitória do Feijão

Não poderia ser menos motivante. Há 10 dias de disputar o primeiro Brasil Open em São Paulo, num clima que poderia ser de euforia, o paulista Thomaz Bellucci sofreu sua pior derrota sobre uma quadra de saibro desde que se tornou um jogador de prestígio no circuito.

Impossível avaliar o que aconteceu nesta quinta-feira na lentidão de Viña del Mar, já que não tivemos imagens. As poucas estatísticas da partida dão um sinal: 46% de acerto no primeiro saque, com 60% desses pontos vencidos, e seis duplas faltas. Nada bom. Quatro quebras de serviço sofridas, apenas um break-point evitado. Fraco.

A queda diante do garotão argentino Federico Delbonis, 172º do mundo e também canhoto, um dos bons nomes da nova geração com seu 1,90m e golpes pesados da base, se torna assim a mais sofrível derrota de Bellucci desde fevereiro de 2010, curiosamente quando ganhou Viña e entrou para a faixa dos 40 primeiros do ranking.

Nesse período, o número 1 brasileiro teve quedas no saibro para jogadores mal classificados, mas nenhuma delas realmente importantes: Ricardo Mello, então 135º, num Sauípe em que Bellucci jogou duas partidas no mesmo dia e vinha do título no Chile; Marcos Daniel, 152º, na final do challenger de São Paulo, finzinho de temporada; e Paolo Lorenzi, 148º, na estreia de Roma em que Bellucci não estava fisicamente bem e vinha da semi em Madri. Antes de Delbonis, o adversário de mais baixo ranking a derrotar Bellucci no saibro era Pablo Santos, 215º no challenger de San Benedetto, em julho de 2009.

Outros dois jogadores de ranking ainda inferior venceram o canhoto paulista, mas no piso duro e no ano passado: Jan Hernych, 241º na Austrália, e James Blake, 173º em Miami. O mesmo Blake, como 135º, havia vencido também em Estocolmo de 2010. A quadra sintética, no entanto, nunca foi mesmo o forte de Bellucci.

Resta torcer para que o saibro coberto do Ibirapuera inspire mais. Desde que iniciou a parceria com o técnico Daniel Orsanic, o brasileiro fez cinco jogos e perdeu três. Por sorte, não vai perder mais do que uma ou duas posições e então chegará para o ATP paulistano ainda no top 40. Mas não será um dos quatro cabeças, o que o obrigará a jogar desde a primeira rodada. Que o sorteio ajude!

Muito melhor foi a segunda partida de João Souza, o Feijão, em Viña del Mar. Este é outro que gosta do saibro chileno - foi semifinalista em Santiago - e passou por um teste mais psicológico do que técnico diante do ainda irregular Fernando González. O ex-top 5 obviamente não esteve nem perto do seu auge, e dizem que dificilmente voltará, mas o grande mérito é Feijão ter mantido a cabeça no lugar diante da pressão da torcida. Agora, pega outro tenista de muita estrada, Juan Ignacio Chela.

O saibro é, com certeza, o piso que Feijão melhor se adapta e por isso ele pode muito bem aproveitar o circuito latino-americano para dar uma boa arrancada na temporada. Até agora, não recebeu o convite para o Brasil Open, mas é o candidato natural depois que o japonês Tatsuma Ito (que tinha o direito ao terceiro e último wild-card por ter vencido o challeger de Recife no ano passado) abriu mão de participar.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



A beleza do tênis ameaçada?
às 18h05 - por José Nilton Dalcim

O preparo físico e a regularidade acima do jogo agressivo, criativo e ousado. Alguém já ouvir falar disso antes? Pois é, não parece uma grande novidade, mas o tema voltou com toda força nestes últimos dois dias após a maratônica decisão do Australian Open, onde sobrou vigor físico de seus dois gladiadores.

Há diversas maneiras de se assistir a um jogo de tênis. Uma delas, é claro, inclui a plasticidade, a versatilidade, o improviso. Sem dúvida, se olharmos para estes aspectos, a final de domingo em Melbourne não foi brilhante.

Apesar da qualidade dos golpes executados e do empenho absoluto, faltaram alternativas. Foi uma maciça troca de topspin de fundo de quadra, poucas variações técnicas ou táticas (deixadinhas, voleios, slices), um duelo principalmente de resistência física e mental.

Concordo com aqueles que disseram ter sido um exagero chamar a longa partida de 5h53 de épico. E isso surgiu em muitos comentários na imprensa internacional. Histórico sim, épico não. Guardadas as devidas proporções, é como o duelo Isner-Mahut de Wimbledon: histórico. Épico foi sem dúvida a final de Wimbledon de 2008, para dar um exemplo bem recente e que está na memória de todos.

Por outro lado, me parece imprescindível perceber que o tênis está em constante mudança. Quem tem mais de 10 anos de tênis viu o saque-voleio ser virtualmente aposentado por conta da raquete poderosa e da bola mais lenta.

Essa mesma combinação de materiais faz com que o jogo de base domine hoje o circuito e, com o ápice da preparação física atingido, cada vez mais se necessita trocar uma dezena de bolas até se chegar a um ponto vencedor. Ainda restam alguns grandes sacadores - Federer, Tsonga, Raonic, Karlovic para dar alguns exemplos -, mas excepcionais devolvedores se multiplicam em velocidade muito maior. O piso sintético está bem mais perto do saibro, o que só contribui para essa realidade.

Bom ou ruim? Depende novamente das perspectivas. Não me incomoda, por exemplo, que sejam necessárias várias trocas a cada ponto. Me entristece a falta de variedade. Ao mesmo tempo, temos visto muita gente trabalhar o ponto em busca da finalização na rede ou aprimorar o primeiro saque para concluir na segunda bola. Está quase virando uma tendência. Ótimo.

A beleza do tênis está ameaçada? Sinceramente, acho que ainda não. Teria de haver alguma resposta ao domínio de Federer, que Nadal e Murray encontraram antes dos outros, assim como ao de Nadal, que agora é presa de Djokovic. Alguém neste momento está certamente buscando alguma opção contra o sérvio, o que levará o tênis a um novo patamar.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Djokovic atinge último estágio, Nadal renasce
às 20h18 - por José Nilton Dalcim

O que faltava ao novo Djokovic? Os mais exigentes diriam: provar que ele também pode ganhar no físico e no coração. Pois o quase imbatível Novak completou o último estágio de sua evolução pelas quadras neste domingo, ao ganhar de Rafael Nadal no mais perfeito 'estilo Nadal'.

Esgotado após dez sets e mais de 10 horas de tênis, a técnica apurada e a tática aplicadíssima - armas com as quais varreu o próprio espanhol em Wimbledon, no US Open e da ponta do ranking - desta vez deram espaço ao esforço quase sobre-humano, físico e mental, justamente os dois quesitos os quais ninguém jamais duvidou que Nadal seja a expressão máxima. Ganhou uma partida histórica, daquelas que vão ficar anos na memória.

Não se pode analisar a batalha da Rod Laver Arena sem se colocar na mesa os aspectos psicológicos que a envolviam. Pressão sobre Djokovic para manter a hegemonia, pressão sobre Nadal para evitar outra derrota, quiçá vexatória. Por isso, havia uma tensão completamente admissível desde o primeiro game, que chegou a um nível extremo no final do quarto set e em toda a quinta série.

E foi espetacular ver como ambos lidaram com isso. A reação de Nadal num tiebreak que parecia perdido, a determinação de Djokovic quando parecia não haver mais pernas para virar o 4/2 do set final, os break-points que cada um enfrentou e superou nos games decisivos. Não dá para imaginar uma decisão de Grand Slam com melhores ingredientes.

O velho chavão diria que um empate seria mais justo, dividir o troféu, coisas e tal. Mas não é assim no tênis. Além de Djokovic estar mais prejudicado pelo cansaço, ele venceu, ainda que por mínima diferença, a quebra de braço que naquela altura é 90% emocional. Isso é o que torna o esporte tão empolgante. E tanto um como o outro, que vivem essa realidade desde criança, compreendem perfeitamente isso.

É imprescindível observar que Nadal, ainda que derrotado pela sétima vez pelo poderoso rival, renasceu. Nunca chegou tão perto do nível técnico de Djokovic desde as viradas que levou em Indian Wells e Miami. Adotou uma tática claramente mais ofensiva, que acabou não usando na parte final do quinto set, quando a sede de vitória o tornou novamente um jogador apenas defensivo, ainda que brilhante. De qualquer forma, suportou o tranco e certamente mostrou a Nole e aos demais que também ainda consegue evoluir.

Por alguns instantes, confesso que cheguei a ficar com pena de Rafa. Mas depois me lembrei que, aos 25 anos, ele já tem 10 troféus de Grand Slam e um lugar permanente na história. Bem mais do que compaixão, ele merece respeito.

Desafio Final - Eduardo Messias, da cidade de São Roque, e Nathan de Sousa Malafaia, de São José dos Campos, foram os vencedores do Desafio Australian Open da final masculina e receberaõ em casa a biografia de Roger Federer, livro que está em sua sétima edição pela Editora Évora. Nove internautas acertaram a vitória de Djokovic por 3 a 2, tendo ele perdido o primeiro set e ganhado os dois seguintes. O desempate que favoreceu a Eduardo e Nathan é que ambos acertaram 2 sets na ordem exata. Parabéns!


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Uma digna número 1. E quem leva o masculino? Vote.
às 14h19 - por José Nilton Dalcim

Nada contra Caroline Wozniacki, e seu tênis regular e dedicado, nem contra Maria Sharapova, uma deusa que não se limita a ser musa e continua a levar a carreira tão a sério. Mas o fato é que o tênis agressivo, alegre, estridente de Victoria Azarenka cai como uma luva para os novos tempos do circuito feminino.

Tal qual Petra Kvitova mostrou em Wimbledon, Vika chega ao sucesso com um jogo corajogo e mais versátil. Ainda que tenha a mesma força de golpes de fundo de uma Sharapova, Clijsters ou Serena, mostra também capacidade de dar curtinhas e fazer voleios precisos. É daquelas que buscam a linha, vibram e se esforçam em todos os pontos. O público adora.

Claro que os gritos constantes e exagerados continuam a incomodar. Mas Vika leva tudo no bom humor e chegou a brincar com o público na cerimônia de premiação, lembrando da imitação que a plateia fez durante todos seus jogos no Australian Open.

É o leste europeu de volta ao topo do ranking. Quer dizer, mais ou menos. Azarenka nasceu em Minsk, Belarus, mas aos 14 anos foi para Scottsdale, nos EUA, onde efetivamente seu tênis se formou. Ao ganhar os juvenis da Austrália e US Open de 2005, poucos duvidavam que um dia teria grande sucesso no profissional.

Em 2009, já tinha título de WTA e vitória sobre Wozniacki e Bartoli. Mas ficou famosa pelos decibéis de seus golpes e pela concussão aterrorizante que sofreu no US Open de 2010, desmaiando em plena quadra. Finalmente, no ano passado, os resultados falaram mais alto, sem trocadilhos. Foi quartas em Paris, semi em Wimbledon e vice em Istambul, um conjunto de resultados que a levou ao top 4. Como se vê, eficiência em todos os pisos.

Azarenka se tornará nesta segunda-feira a 21ª mulher a liderar o ranking e, fato bem curioso, apenas a terceira a atingir o topo imediatamente após o primeiro título de um Grand Slam, repetindo Navratilova (em Wimbledon de 78) e Ivanovic (em Paris de 2008).

Woznicki, agora, aparecerá em quarto lugar, atrás também de Kvitova e Sharapova e à frente de Stosur e Radwanska. Sem defender seu título de 2011, Clijsters desabará para o 30º lugar.

O 30º duelo - Novak Djokovic e Rafael Nadal farão às 6h30 deste domingo o 30º duelo entre eles. É uma lista maior do que o próprio confronto entre Nadal e Roger Federer, que soma 27. A diferença é que está será a 12ª final e apenas a quarta (terceira consecutiva, feito histórico) em Grand Slam.

Quem leva? O 'favoritismo técnico' é de Djokovic, como comprovam as seis vitórias seguidas em 2011, quando ele finalmente descobriu a forma de trabalhar com  o topspin alto, calibrou a paralela e investiu com eficiência na segunda bola após um bom primeiro saque.

O 'favoritismo físico' é de Nadal, que mostra a mesma fortaleza de antes e verá um adversário provavelmente mais desgastado para uma final que tem tudo para ser tensa, intensa e com grandes trocas de bola.

Djokovic entrará para o livro dos recordes com três Slam seguidos ou Nadal igualará Borg e Laver com o 11º troféu? No post imediatamente abaixo, deixo você apontar vencedor e placar, concorrendo a mais uma biografia de Roger Federer, presente da Editora Évora.

O ganhador do Desafio para as semifinais foi João Carbonari, de Jundiaí. Aliás, apenas cinco votantes apontaram o placar certo em sets para as semifinais, mas Carbonari acertou a virada de Nadal e ainda palpitou dois sets de Nole na ordem correta. Parabéns!


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Desafio Australian Open: vote aqui para a final
às 14h17 - por José Nilton Dalcim

Para encerrar estas duas semanas, o Desafio Australian Open é agora para a final masculina, valendo a biografia de Roger Federer, livro da Editora Évora que vem fazendo tanto sucesso e já está na sétima edição.

Indiquem o vencedor e o placar, conforme modelo abaixo. Obviamente, leva aquele que chegar mais perto dos dois resultados. Caso queiram (e devam) fazer comentários, escrevam e opinem exclusivamente no post acima, deixando aqui só os palpites numéricos. Fica mais organizado.

A votação se encerra quando for dado o primeiro saque entre Nadal e Djokovc, no domingo às 6h40.

Se possível, seguir o modelo abaixo, que facilita muito na hora da apuração:

Djokovic vence Nadal, 3 sets a 1,  parciais 7/6 5/7 6/3 6/3


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Depois do sufoco, Djokovic luta por hegemonia contra Nadal
às 13h04 - por José Nilton Dalcim

Não foi um duelo de nível técnico espetacular, mas sobraram emoção e empenho. Mesmo sem jogar seu melhor - o que, aliás, ainda não fez no Australian Open -, o sérvio Novak Djokovic está em sua terceira final consecutiva de Grand Slam, a quarta nos últimos cinco grandes torneios. Ainda assim sua hegemonia estará em jogo no domingo, justamente diante de Rafael Nadal, o homem a quem venceu seis vezes sucessivas em 2011, sobre todos os pisos. E que continua nos seus calcanhares.

Talvez estejamos mal acostumados, mas é fato que o Djokovic das três últimas partidas está alguns degraus abaixo do tenista impecável do ano passado. Sofreu apagão contra Lleyton Hewitt, passou apertado em dois sets contra David Ferrer e viveu contra Andy Murray uma autêntica montanha russa, sofrendo nada menos que sete quebras de serviço e somando 69 erros (mais de 40% de todos os pontos que o escocês fez na maratona de 4h50).

Embora seja um tenista dado à teatralidade, fica claro que Djokovic perde por vezes o fôlego após pontos muitos longos. Ele já reclamou de alguma dificuldade de respiração em entrevistas ao longo destas duas semanas e isso talvez explique a série anormal de falhas. O saque, ponto alto de sua trajetória em 2011, hoje entrou apenas 61% das vezes e, pior ainda, ele ganhou meros 66% desses pontos.

A boa imagem que sobra, no entanto, é o excelente quinto set disputado, em que pese a mancada no 5/3, quando quase colocou todo o esforço por água abaixo, já que Murray poderia muito bem ter aproveitado os breaks no 11º game e virado para 6/5. No entanto, Djokovic mostrou aquilo que costumamos a ver: um tenista forte, consciente, ousado nos pontos importantes. Isso fez toda a diferença e justificou plenamente a vitória.

Mas a batalha terá mais um duro capítulo. Dentro de 48 horas, precisa voltar à Rod Laver Arena e ratificar sua hegemonia no circuito. Uma derrota para Nadal significa ceder terreno ao adversário, perder o primeiro grande título em tanto tempo e ver o espanhol reduzir para 1.595 pontos a distância para a ponta do ranking. E, ainda mais grave, dar uma gigantesca moral para o experiente e versátil concorrente para o resto de uma temporada em que tem tanto a defender. Ninguém do outro lado da rede gosta de ver Nadal confiante, tenho certeza.

O espanhol precisará, no entanto, ser agressivo para encerrar a série de seis derrotas seguidas para Nole em decisões. Não faz parte do seu estilo, mas terá de tentar. Observem que Murray só reagiu na semifinal de hoje quando passou a atacar. Se Rafa se limitar a trocar bolas no fundo de quadra, só vai vencer se faltarem pernas ao adversário, o que me parece uma aposta errada e arriscada.

E Murray tem conserto? Passados alguns dias, quando a frustração da derrota diminuir, ele e Ivan Lendl verão que sim. Ao contrário de tantos outros, o escocês tem armas. Precisa aprender a aplicá-las com maior frequência. O forehand pode ser bem mais agressivo, o primeiro saque já foi um golpe mais contundente, os voleios são uma alternativa e tanto. Talvez já fruto do trabalho com o novo treinador, a parte mental também mostrou progressos e ele competiu até a última bola contra o melhor do mundo. Há um ano, sofreu um massacre.

Saiba mais
Conforme bem informa Greg Sharko, da ATP, pela 27ª vez nos últimos 28 torneios de Grand Slam, o vencedor do Australian Open será Djokovic, Nadal ou Roger Federer. A única vez que esse hegemonia foi quebrada foi com Juan Martin del Potro, no US Open de 2009, repetindo o que o russo Marat Safin havia obtido em Melbourne, em 2005. Nesse período todo, Federer ganhou 12 vezes, Nadal levantou 10 troféus e Djokovic, quatro.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Fortaleza Nadal impera de novo e aguarda vingança
às 14h32 - por José Nilton Dalcim

Difícil traduzir em palavras o que é jogar contra Rafael Nadal. Comparar a um paredão não é impróprio, mas injusto. A bola não volta simplesmente para seu lado, mas sim retorna venenosa, mal intencionada, cheia de efeitos. Muitas vezes tão rápida que não há tempo de preparar uma resposta. Rafa é uma fortaleza, difícil de derrubar, muito difícil de penetrar.

E ninguém sabe disso melhor do que Roger Federer. Em que pese toda sua genialidade e criatividade, acaba se tornando uma presa desse ritmo alucinante imposto pelo espanhol, que simplesmente se recusa a perder. Aliás, eu diria que esta talvez seja a grande diferença entre os dois quando acontece o duelo direto. Enquanto Nadal perde pontos, games e sets mas se mantém determinado e lutador, o suíço se abate com rapidez quando as coisas não se encaixam e demora a reagir.

Pode-se dizer que faltou sorte a Federer hoje em dois momentos cruciais do quarto set: o break-point no 4/3, que saiu por milímetros com o forehand cruzado, e o outro break-point no 4/5, em que Nadal chegou numa bola impossível, jogou para cima e atingiu a linha de fundo. Mas sorte não decide uma partida de tênis. Longe disso. É necessário analisar o conjunto das situações e aí fica claro que Federer perdeu chances e teve muito mais altos e baixos que o adversário.

Em que pesem as passadas sensacionais, as bolas impossíveis, o esforço das pernas, acredito que o ponto crucial da partida foi na verdade o saque. Observem o incrível percentual de acerto que Nadal consegue nos games importantes ou nos pontos decisivos. Quase não falha quando precisa de um ponto no lado da vantagem, o mais propício aos canhotos. É um atrás do outro, precisos, profundos, ofensivos. Federer, ao contrário, que é o tenista que depende muito mais do serviço para executar seu plano de ação, teve um saque irregular e nem vou falar no inédito festival de duplas faltas.

Rafa venceu porque seu conjunto de habilidades foi maior do que o de Federer e obviamente se inclui aí a frieza, a regularidade, o empenho, o acreditar em si mesmo. Não vejo motivo para o suíço baixar a cabeça. Foi uma partida de excelente nível técnico, em que ele exigiu o máximo de Nadal e poderia muito bem ter saído com a vitória. Utilizou um novo plano tático - perceberam o quão pouco o slice foi usado? -, seu backhand encarou o  topspin devastador com dignidade e só teve mesmo infelicidade na execução de alguns saques e voleios de suma importância.

Em sua entrevista pós-derrota, Federer declarou: "Sempre acho que ele joga melhor contra mim do que contra outros adversários". Definição perfeitíssima. Ele só deve considerar que tem muita culpa disso.

O número 2 do mundo precisa aguardar agora o outro finalista. Certamente, Andy Murray é muito mais apropriado a seu jogo e sua confiança do que Novak Djokovic. Mas o sérvio representa uma chance espetacular de vingança, após seis finais perdidas em 2011. Aliás, Nadal mostrou humildade e notável senso de humor quando foi questionado sobre qual a tática que indicaria para Murray vencer Nole: "Acho que ele deveria ser agressivo, mas não sei se vale o conselho de quem perdeu as últimas seis vezes".

Vale tudo - Um colírio para os olhos, um drama para os ouvidos. A decisão feminina do Aberto da Austrália terá duas tenistas de grande poder de fogo, belíssimo visual, loucas pela liderança do ranking. Mas também terá duas das jogadoras mais criticadas pelo excesso de ruído que fazem ao bater na bola. Vai ser no mínimo engraçado.

Maria Sharapova lutará por seu quarto Grand Slam e pela volta ao topo após três anos e meio, período em que sofreu cirurgia e tanta desconfiança. Leva o favoritismo, claro, porque Vika Azarenka tem bem menos experiência. Porém, Petra Kvitova também era zebra na final de Wimbledon e arrasou a mesma Sharapova. A vitória desta madrugada sobre Kim Clijsters é a maior credencial que a bielorrussa poderia querer, resta saber se vai segurar os nervos. Importante ainda notar que o circuito feminino terá a quinta diferente campeã de Slam seguida.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Quarteto fantástico confirma. Mas quem leva? Aposte.
às 10h25 - por José Nilton Dalcim

Pela terceira vez nos últimos quatro Grand Slam, o 'quarteto fantástico' do tênis masculino domina tudo. Foi assim em Paris, quando Roger Federer surpreendeu Novak Djokovic e Rafael Nadal levou o título, e também no US Open, chance para Nole se vingar do suíço e derrubar novamente o espanhol na decisão. Nas duas vezes, Murray ficou fora da final.

Neste Australian Open, a ordem está trocada. Nadal e Federer duelam na manhã desta quinta-feira - é a primeira vez que ambos duelam na semi de um Grand Slam desde Roland Garros de 2005 -, enquanto Djokovic repete a decisão de 2011 contra Murray na sexta-feira (este foi o único dos 10 duelos entre eles em nível Slam). O retrospecto dá favoritismo para Nadal (17-9) e Djokovic (6-4). Mas e na prática?

Federer teve os adversários mais duros até agora e foi brilhante diante de Karlovic, Tomic e especialmente Del Potro, mostrando uma forma exuberante. Nadal cresceu ao longo do torneio, mas só foi exigido mesmo na última rodada contra Berdych. É um jogo em que pesa muito a parte psicológica, já que no plano técnico-tático os dois estão carecas de saber o que vai acontecer. A chance do suíço está em se livrar do passado.  A de Nadal, em relembrar a si próprio a espetacular performance na decisão que fizeram na mesma Rod Laver Arena em 2009.

Djokovic teve um teste real nesta quarta-feira e mostrou algumas falhas no segundo set contra o batalhador Ferrer. Tivesse o espanhol alguma arma mais mortal, e talvez o jogo iria bem longe. Nole certamente cumpriu a parte mais delicada de sua trajetória em Melbourne. Afinal, caso seja derrotado a partir de agora, será para um dos quatro melhores do mundo, o que não é demérito para ninguém. Então é provável que jogue mais solto. Murray pode ser real ameaça? Sem dúvida. O escocês nunca teve problemas de golpes - pelo contrário, é um tenista dos mais versáteis - e acredito que, ainda que pequena, sua chance de vencer Djokovic numa semi seja infinitamente maior do que numa final.

O feminino, por sua vez, decide as vagas nesta madrugada. Clijsters tem de ser considerada favorita diante de Azarenka e Kvitova faz jogo imprevisível contra Sharapova. À exceção de Clijsters, todas lutam pelo número 1; à exceção de Azarenka, todas tem um Slam pelo menos no currículo. Por tudo que vi nestas duas semanas, a final mais provável é entre Clijsters e Sharapova. Para Azarenka, falta um pouquinho de experiência e autocontrole; para Kvitova, a pressão parece estar pesando demais.

Desafio vale biografia de Federer - No post imediatamente abaixo, deixo um Desafio para as semifinais, valendo a biografia de Roger Federer, livro da Editora Évora que vem fazendo tanto sucesso e já está na sétima edição.

Caso queiram (e devam) colocar comentários, façam isso aqui. Deixem seus palpites numéricos exclusivamente no outro post para facilitar a apuração e a troca de opiniões. Fica mais organizado.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Desafio Australian Open: vote aqui para as semifinais
às 10h21 - por José Nilton Dalcim

Segue aqui o primeiro Desafio Australian Open, este para as semifinais masculinas, valendo a biografia de Roger Federer, livro da Editora Évora que vem fazendo tanto sucesso e já está na sétima edição.

Indiquem o vencedor e o placar, conforme modelo abaixo. Obviamente, leva aquele que chegar mais perto dos dois resultados. Caso queiram (e devam) fazer comentários, escrevam e opinem exclusivamente no post acima, deixando aqui só os palpites numéricos. Fica mais organizado.

A votação se encerra quando for dado o primeiro saque entre Nadal e Federer, na quinta-feira 6h40.

Se possível, seguir o modelo abaixo, que facilita muito na hora da apuração:

Nadal x Federer - Federer, 6/4 4/6 7/6 7/6
Djokovic x Murray - Murray, 7/6 5/7 6/3 6/3


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Federer dá show, Nadal mostra sua genialidade
às 16h02 - por José Nilton Dalcim

Quem, assim  como eu, perdeu valiosas horas de sono na madrugada e manhã desta terça-feira, certamente está recompensado. Exatamente como se previa, a abertura das quartas de final do Australian Open viram dois jogos de qualidade técnica de encher olhos. E deu a lógica: Rafael Nadal reencontrará Roger Federer na semifinal, num duelo absolutamente sem favorito.

Federer explicou nesta madrugada por que é o maior tenista de todos os tempos. Jogou com uma desenvoltura tal que não deu espaço ao jogo pesado de Juan Martin del Potro. Não me lembro de ter assistido em 32 anos de tênis alguém disputar três games de abertura de uma partida de forma tão espetacular, com uma sequência tão sufocante de golpes espetaculares.

Delpo foi um adversário à altura. Disparou bolas incríveis da base - talvez pecando um pouco com o primeiro serviço -, mas conseguiu fazer pouco diante do volume de jogo apresentado por Federer e sua incrível variedade de velocidade e efeito de bolas. Foi bem perto de uma aula de conduta tática perfeita, algo aliás que não é a maior especialidade do suíço.

No entanto, isso tudo de nada significará se Federer não mostrar a mesma qualidade diante de seu mais temido adversário. Rafa precisou de seu notável espírito de luta e capacidade mental para superar o jogo agressivo de Berdych, que poderia muito bem ter vencido os dois primeiros sets e colocado o espanhol em situação delicadíssima.

Mas são nessas horas que a genialidade de Nadal desponta. Fundamental observar sua notável rapidez de raciocínio e como tem conseguido improvisar cada vez mais. Não tenho a menor dúvida que agora se encherá de confiança para o duelo de quinta-feira. Londres deve estar entalada na garganta. Nadal sabe exatamente o que fazer para perturbar a confiança de Federer e então veremos um ou dois primeiros sets de batalha puramente psicológica.

A rodada feminina teve um duelo também muito saboroso entre Clijsters e Wozniacki, que premiou o estilo ofensivo. Mais uma vez, a dinamarquesa sairá da Austrália sem o número 1, mas agora corre risco de cair até para o quarto lugar. Infelizmente, a outra partida foi um desastre.  Azarenka ganhou de Radwanska em jogo pobre mas, talvez agora na condição de menos cotada, consiga mostrar um tênis decente contra a belga.

A rodada desta quarta-feira tem quatro grandes favoritos que, no entanto, terão de jogar um tênis já de primeiro nível para confirmar a vaga na semifinal. De todos, talvez o maior risco de zebra esteja com Sharapova, que vai pegar a embalada canhota Makarova. A teoria diz que Murray passa por Nishikori e Djokovic tira Ferrer sem perder sets, assim como Kvitova teria obrigação de atropelar Errani. Tomara que a lógica prevaleça.

Saiba mais
O sueco Mats Wilander (foto acima) é o único tenista a ter vencido o Aberto da Austrália em dois pisos diferentes. Contra todos os prognósticos, ele faturou duas vezes na grama, em 1983 e 1984, e ganhou a primeira edição no novo complexo de piso sintético, em 1988. Dono de mais quatro troféus de Grand Slam (foi tri em Paris e campeão no US Open), ele forma um seleto grupo de cinco profissionais que venceram Slam em três pisos distintos, repetindo Jimmy Connors, Andre Agassi, Federer e Nadal. Curiosamente, ele também conquistou Wimbledon, porém em duplas ao lado de Joakim Nystrom. Pai de quatro filhos, escapou de morte certa em 1988, quando tinha passagem mas não pegou um avião que foi derrubado em  atentato terrorista.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Djokovic tem primeiro teste em dia de grandes surpresas
às 14h25 - por José Nilton Dalcim

Não se pode dizer que Novak Djokovic tenha corrido qualquer risco sério no bom duelo contra Lleyton Hewitt na manhã desta segunda-feira, mas foi interessante observar como um jogador taticamente aplicado pode competir no fundo de quadra com o número 1 do mundo. Mas é claro que, no conjunto saque-devolução-físico, a distância entre eles é proporcionar ao placar da partida.

Nole deveria ter encerrado o jogo em três sets, mas viveu um momento raro de instabilidade neste Australian Open, ao permitir a reação de Hewitt. Como ele próprio admitiu mais tarde, houve certa disciplicência. De qualquer forma, foi o melhor da partida, com grandes trocas de bola, tensão, participação da torcida e empenho máximo. Bastou uma quebra no quarto set para que a lógica imperasse e Djokovic garantisse seu lugar para enfrentar Ferrer nas quartas de final.

Aliás, Ferrer continua em ritmo alucinante. Atropelou sem piedade o tênis habilidoso de Richard Gasquet e pode muito bem complicar a vida de Djokovic, contra quem tem um histórico de apertados 6-5 em favor do sérvio. Tudo bem que o placar elástico de Londres, em novembro, era diante de um outro Djokovic, mas não vamos esquecer que Ferrer exigiu três sets duros também no saibro rápido de Madri. Ou seja, Nole é o favorito absoluto, desde que jogue bem perto do seu melhor.

Mas ninguém brilhou mais neste dia do que o aplicadíssimo Kei Nishikori, o mais jovem e menos experiente entre os quadrifinalistas. Aos 22 anos, ele disputará sua primeira chance de ir à semifinal mas Andy Murray é uma barreira e tanto para sua entrada no top 20. Note-se que este japonês só mostra qualidades. Tem apenas 11 Grand Slam disputados, já ganhou cinco vezes dos top 10, incluindo Djokovic na Basileia do ano passado, e marcou contra Tsonga sua quinta vitória seguida em quintos sets.

Treinando na academia de Bollettieri desde os 14 anos, ele é uma antítese do tenista moderno: tem 1,78m e 68 quilos, portanto longe de ser um grande sacador. Terminou 2011 com 68% de pontos vencidos com o primeiro saque. Mas é capaz de gerar grande força nos golpes e tem uma estatística e tanto na devolução de segundo saque: 52%. Pena que ele perdeu 2009 quase inteiro devido à cirurgia no cotovelo e ainda contundiu as costas no US Open do ano passado.

Claro que não é impossível vencer a versatilidade de Andy Murray, porém seria um resultado definitivamente surpreendente. Em Xangai do ano passado, Kei não ganhou mais do que três games. Murray mal fez um treino contra o combalido Kukushkin e tem um histórico expressivo na Austrália, onde sua capacidade de se adaptar aos adversários e mudar seu estilo parece atingir seu máximo.

A outra grande sensação da rodada foi, é claro, o jogo agressivo da canhota Ekaterina Makarova, que balançou Serena como quis e anotou um placar indiscutível: 6/2 e 6/3. A russa mostrou qualidades em todos os quesitos - incluindo voleios dificílimos, velocidade de pernas, winners dos dois lados - e isso deve servir de alerta para Sharapova, que suou diante de Lisicki. Afinal, a Austrália tem o hábito de produzir novas estrelas.

Emoções - Serão apenas quatro jogos de simples nesta próxima rodada, mas vale a pena perder o sono e atravessar a madrugada por causa deles. Azarenka-Radwanska é o de menor importância, mas ainda assim vale assistir à nova geração. Em seguida, número 1 x atual campeã: Wozniacki e Clijsters fazem duelo imperdível. Acho que a belga só leva se estiver 100% fisicamente após a torção no tornozelo.

E o que dizer dos homens? Em plena madrugada, Federer contra Del Potro. Ambos em ótima forma, confiantes, loucos por mais um grande título. Qualquer previsão é chute, mas eu arrisco no apuro tático de Federer, que deve tentar de tudo para variar o ritmo da partida. Nadal e Berdych virá pela manhã e novamente a promessa é de ótimo duelo e muita pancadaria. O espanhol é meu favorito, porque ele adora esse tipo de desafio e costuma desmontar com maestria o poder de fogo do tcheco.

Não posso encerrar sem mencionar a ótima atuação da dupla Bruno Soares e o canhoto Eric Butorac, que já mostram excelente entrosamento, um tênis alegre e gostoso de ver. Bruno, aliás, jogou muito no fundo e na rede contra Quresh e Rojer, que são adversários de respeito. Tomara que o bom mineiro tenha encontrado o parceiro certo para dar o grande salto da carreira.

Saiba mais
A mais equilibrada final feminina em Melbourne da Era Profissional certamente foi a de 1981 em que Navratilova derrotou Evert, por 6/7, 6/4 e 7/5. As duas, de estilos e personalidades tão antagônicas, fizeram o maior duelo da história do tênis e um dos maiores de todo o esporte. Foram 80 confrontos ao longo de 15 anos, que terminou com pequena vantagem da canhota e voleadora Martina sobre a regular e determinada Chris, por 43 a 37. Foram 14 só em finais de Grand Slam, em que Martina sobrou: 10 a 4. O notável disso tudo é que ambas, uma homossexual ativista, outra musa e namoradeira, se tornaram grandes amigas (foto acima), mesmo tendo de dividir o espaço e as glórias.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Três homens e uma vaga na final
às 13h39 - por José Nilton Dalcim

Rafael Nadal, Roger Federer e Juan Martin del Potro. Que me perdoe Tomas Berdych, mas ele está fora da minha lista de provável finalista na parte debaixo da chave, ainda que seja possível - mas nunca provável - que ele dê grande trabalho para Rafa nas quartas de final.

O maior problema do canhoto espanhol nem é técnico ou tático, mas simplesmente não encontrou ainda um desafio à altura neste Australian Open e por isso pode não estar mentalmente preparado para um jogo apertado. Tristeza esse Feliciano López. Foi tão absurdamente irregular e indisciplinado na conduta tática contra o compatriota mais famoso que cheguei a ter saudades de Thomaz Bellucci. Um marciano que sobrevoasse Melbourne não entenderia como um top 20 consegue errar tantos forehands por três palmos abertos. Talvez devessem proibir os súditos espanhóis de enfrentar Nadal no circuito, é uma irritante perda de tempo.

Rafa não tem nada a ver com isso, ainda que acabe sofrendo as consequências de também baixar o nível devido à falta de ritmo e competitividade de seus últimos adversários. Tal coisa não deve acontecer contra Berdych, que gosta de trocar bolas pesadas. O tcheco já venceu três dos 13 duelos, é verdade, mas o mais recente foi em 2006 e nessa série de nove derrotas ele só levou um set, incluindo a medíocre apresentação na final de Wimbledon. Então só mesmo se Nadal estiver fora de seu melhor para correr grandes riscos. O tcheco, aliás, aprontou mais uma das suas contra Almagro. Mas também o que se pode esperar quando dois mal-humorados de tal porte se cruzam em jogo duro?

As exibições de Federer e Delpo cumpriram à risca o que se previa. Ao vencer o primeiro set, o suíço acabou com o sonho do garoto australiano, que sacudia a cabeça e fazia biquinho de incrédulo a cada jogada espetacular do tetracampeão. O sinal mais claro da distância entre os dois foi a constante tentativa de Tomic de tentar entender em que lugar o saque de Federer iria. Observem, se puder, quantas vezes o australiano foi driblado e se mexeu para o lado errado. O argentino, por seu lado, passou como um trator pelo tênis regular porém de poucas alternativas de Kohlschreiber.

Com isso, Delpo disputará as quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez desde o US Open de 2009, aquele mesmo em que destronou Federer e virou sensação. Muito curiosa e sensata a observação de Roger hoje, na entrevista dada a Jim Courier em quadra, quando afirmou que sua expectativa era que Del Potro chegasse ao número 1. Os dois se reencontram, mas não é o primeiro duelo desde Nova York. Semanas depois, no Masters de Londres, o argentino voltou a vencer e no ano passado, em Cincinnati, deu Federer. Todo esse histórico valerá pouco na terça-feira. Tudo indica que teremos a 'primeira final' de outras muitas que virão em Melbourne nesta segunda semana.

Muito boa também a rodada feminina, com a vitória das favoritas. Claro que o duelo de Clijsters e Li roubou todas as atenções, pela qualidade e pelo drama. A belga foi heroína, a chinesa deu um vacilo inacreditável ao perder um tiebreak de 6-2 e corre risco de entrar em outro buraco psicológico por conta disso. A grande favorecida pode ter sido Wozniacki, que teve altos e baixos contra Jankovic mas deverá pegar uma adversária sem condições plenas de correr atrás das bolas. Azarenka e Radwanska fizeram sua parte e duelam pela 10ª vez.

A segunda-feira - Djokovic e Murray são amplos favoritos para as quartas diante de Hewitt e Kukushkin, embora o cazaque represente algum perigo se jogar bem solto. Os outros dois jogos prometem mais emoção: Tsonga diante do contra-ataque de Nishikori, Ferrer frente à versatilidade de Gasquet. Como experiência e físico valem muito em Slam, os dois top 10 devem levar.

Entre as meninas, jogos interessantes para Sharapova-Lisicki e Serena-Makarova. Kvitova é ampla favorita diante de Ivanovic, mas terá de errar menos e parar com a afobação. Zheng, a nova esperança chinesa, é boa tenista na quadra dura e deve ganhar de Errani.

Saiba mais
Tido como menos importante dos Slam, algo que só começou a mudar neste milênio, o Australian Open chegou a ser disputado duas vezes num ano só. Em janeiro de 1977, quando abria a temporada como acontece hoje, viu a vitória de Roscoe Tanner sobre Guillermo Vilas (que viria a ser bicampeão nos anos seguintes). A Federação Internacional resolveu então mudar o torneio para o fim do calendário, achando que isso o tornaria mais atrativo para os tenistas que disputavam vagas para o Masters, e então o Open voltou a ser disputado em dezembro de 1977, desta vez com vitória de Vitas Gerulaitis sobre o britânico John Lloyd. Curiosamente, os dois campeões viraram nota policial: Tanner foi preso por crimes financeiros e falta de pagamento de pensões de seus muitos filhos, Gerulaitis (foto acima) morreu aos 40 anos devido a intoxicação por gás.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Oitavas de final têm surpresas e fortes favoritos
às 12h10 - por José Nilton Dalcim

Acabou a primeira semana do Australian Open.  Todos os reais candidatos ao título, tanto no masculino como no feminino, permanecem de pé e isso é garantia de imprevisibilidade para a reta final do primeiro Grand Slam da temporada.

Mas não faltaram surpresas. Se Djokovic, Nadal, Federer e Murray tiveram pouco trabalho até aqui por conta de adversários frágeis, há nomes inesperados na quarta rodada. Entre eles, o veterano Lleyton Hewitt e o garoto Bernard Tomic, justamente os dois homens da casa que vivem expectativas tão opostas: um joga pelo amor à arte, o outro pelo futuro.

Hewitt deu sorte com a contusão de Roddick, mas mostrou sua capacidade tática contra Raonic, que se perdeu completamente enquanto o jogo avançava. Difícil imaginar que o finalista de 2005 vá dar trabalho a Djokovic, já que o sérvio continua a mostrar um tênis soberbo. Dessa forma, Ferrer e Gasquet devem disputar a chance de desafiar Nole nas quartas. Sou mais Ferrer, ainda que torça pelo habilidoso mas preguiçoso francês.

No mesmo lado da chave, Kukushkin e seu histórico tão pobre em Grand Slam despacharam o irregular Monfils. O cabeça 15 não mostrou sombra daquele tenista de Doha e pode ser facilmente eleito com a decepção da primeira semana. Não sei, no entanto, se isso foi tão bom assim para Murray, que terá pela frente um franco-atirador. Também menos previsível é o duelo de ataque-defesa entre Tsonga e Nishikori, ainda que o francês tenha bagagem imensamente maior. Tomara que dê a lógica, porque será fantástico avaliar o 'novo' Murray diante de Tsonga.

A parte inferior já vai para a quadra na noite deste sábado e madrugada de domingo, com todas atenções para Federer contra Tomic. Me parece que o suíço terá vantagem caso consiga se impor logo e levar o primeiro set. Caso contrário, a empolgação da torcida pode complicar. Jogo por jogo, Federer levaria por 3 a 0. Del Potro é amplo favorito contra Kohlschreiber.

Nadal também é o mais cotado no duelo contra López, que tem menor poder de fogo e se abate contra o amigo. Sem falar que possui um backhand frágil demais para segurar o topspin mágico de Rafa e é o lider de duplas faltas no torneio até aqui (23 em três jogos). Berdych, por sua vez, vai precisar do seu poderoso saque para simplificar o duelo contra Almagro. O tcheco é o jogador que venceu mais pontos com o primeiro saque (80% de média em três rodadas, um belo número).

O feminino mantém quatro candidatas ao número 1 e seis ao título. Raramente vimos algo assim. Wozniacki tem teste duro contra Jankovic, Clijsters e Li fazem jogo sem favoritismo, Azarenka e Radwanska devem vencer e se cruzar nas quartas, tudo isso nesta madrugada. Do outro lado, Serena e Sharapova estão a uma vitória do aguardado reencontro - ambas até aqui foram muito eficientes - e Kvitova parece ter caminho aberto para a semi, ainda que tenha Ivanovic pela frente nas oitavas.

Recordes? - Se a informação divulgada no site Yahoo for correta, o Australian Open acaba de bater seu próprio recorde neste sábado, com o maior público para um único dia de qualquer Grand Slam. A marca anterior era de 77.043 há dois anos, mas o sábado teria registrado 80.649, sendo 52.272 na sessão diurna (agora a maior na história do torneio) e 28.377 na noturna. Com isso, o total de ingressos vendidos de 653.860 em 2010 ainda tem chance de ser superado. No ano passado, foram pouco mais de 651 mil.

Saiba mais
Entre tantos heróis que o tênis australiano possui, Roy Emerson é um dos maiores, ainda que suas grandes façanhas tenham acontecido na fase amadora do tênis. Curiosamente, quando jogou seu primeiro Nacional da Austrália, em 1954, ele perdeu na estreia com dois 6/0 nos sets finais. Sete anos depois, conquistou o primeiro de seis troféus em cima de Rod Laver, repetindo entre 1963 e 1967 contra Fred Stolle e Arthur Ashe. Recusando-se a se tornar profissional, ganhou em 1964 também Wimbledon e EUA, dominando totalmente a grama. Finalmente, em 1967, faturou no saibro de Roland Garros e chegou ao 12º Slam, marca que só seria batida por Pete Sampras 23 anos depois. Emerson permanece até hoje como único tenista da história a ter vencido simples e duplas em todos os quatro Slam, em que soma 28 troféus no geral.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Federer inicia série crescente de desafios
às 12h02 - por José Nilton Dalcim

Ninguém pode dizer que seja uma diversão enfrentar Ivo Karlovic. Um jogo em que pouco se pode fazer diante do bombástico primeiro saque, o ritmo de jogo é mínimo e qualquer vacilo pode ser fatal, como poderia ter acontecido no primeiro tiebreak. O gigante croata, no entanto, parece ter sido apenas o primeiro dos sucessivos degraus que o suíço Roger Federer terá de escalar no Australian Open 2012.

Se quiser chegar ao final da segunda semana e brigar pelo pentacampeonato, o número 3 do mundo terá agora de encarar o jogo tão variado e pouco ortodoxo de Bernard Tomic, com 15 mil pessoas a empurrá-lo, e muito provavelmente reencontrará Juan Martin del Potro nas quartas para um duelo radicalmente oposto, em que a bola viaja sempre pesada, funda, agressiva, sem tempo para respirar.

A lógica indica que o possível adversário de semifinais será Rafael  Nadal e nem preciso relembrar aqui o quanto o espanhol incomoda Federer. Até agora, Rafa desfilou no torneio, sem grandes adversários, e isso vale também para as oitavas de final, em que terá pela frente o amigo Feliciano López, um tenista de grandes recursos técnicos mas de cabeça e físico duvidosos diante da fortaleza Nadal. Melhor ainda, Rafa está se poupando ao máximo nesta primeira semana.

Importantíssimo mencionar a vibração que Federer transmitiu durante a batalha contra Karlovic. Escapou por um triz de perder o primeiro set - Karlovic teve set-point no tiebreak com saque a favor, que a genialidade do suíço salvou com um lob  espetacular de improviso - e se aplicou no segundo, quando só conseguiu confirmar a quebra no último game. Tomic ainda não parece um jogador completamente formado para ameaçar Federer, mas é ousado, não tem medo de cara feia e sabe usar a torcida. Aos 19 anos, são qualidades notáveis.

Del Potro, como temos observado a cada rodada, está evoluindo a passos largos. Saque afiadíssimo, os golpes sempre poderosos de fundo, muita tranquilidade e jogos rápidos. O conjunto é perfeito e suficiente para preocupar qualquer adversário. Duvido que Kohlschreiber resista a isso por mais de três sets.

No feminino, também boas notícias e expectativa. Caroline Wozniacki se mostra mesmo mais agressiva e terá um teste interessante diante da paciente Jelena Jankovic antes de encarar Kim Clijsters ou Na Li, que vão repetir nas oitavas a decisão do ano passado. Victoria Azarenka e Agnieszka Radwanska também se aproximam do confronto direto. Esse lado da chave promete.

Multa - E David Nalbandian levou US$ 8 mil de punição por discutir com o juiz e jogar água num membro da organização. Tudo bem, até é justo, é a regra. Mas alguém pode me dizer em quanto vão multar o árbitro da partida?

O sábado - Inevitável dizer que o jogo da rodada será entre a experiência e o jeito de Hewitt contra a juventude e a força de Raonic. É daqueles confrontos que qualquer resultado te deixa satisfeito. Mas o canadense leva minha torcida, porque só ele pode dar algum trabalho a Djokovic nas oitavas. O australiano não tem chance.

Equilíbrio se pode esperar de Tipsarevic-Gasquet (o sérvio não anda convencendo) e de Ferrer-Chela (jogo para cinco sets).  Murray, Tsonga e Monfils devem ganhar sem sustos. Aliás, nos oito jogos masculinos do dia, teremos franceses em seis deles! Mesmo com pouca chance de vitória, vale sempre curtir o jogo bonito de Llodra e Benneteau.
 
No feminino, Kvitova precisa elevar o nível diante de Kirilenko. Outro bom duelo deve envolver Lisicki e Kuznetsova. No restante, favoritismo de Zvonareva, Serena e Sharapova.

Saiba mais
Margaret Smith Court (foto acima) pode ser considerada a maior tenista em nível Grand Slam de todos os tempos: além dos 24 troféus de simples e 62 no total (recordes absolutos), ganhou pelo menos duas vezes todos os 12 títulos possíveis desse nível, ou seja, simples, duplas e mistas. Na Austrália, faturou 11 vezes em simples, o primeiro aos 17 anos. Canhota que foi obrigada a jogar como destra, abandonou a carreira para se casar em 1966 e retornou dois anos depois já na Era Profissional. Em 1970, fechou o Grand Slam. Permaneceu no circuito até os 35 anos, já mãe de três filhos. Hoje, é pastora pentecostal e tem sua própria igreja.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Bellucci e Mello lutam, mas a sina australiana continua
às 12h16 - por José Nilton Dalcim

A combinação de máximo empenho e de um dia irregular dos favoritos permitiu que Thomaz Bellucci e Ricardo Mello sonhassem em dois duelos que pareciam impossíveis de se ganhar. Bellucci tirou um set, Mello ameaçou e liderou em dois, mas o resultado final confirmou a lógica e manteve a sina de baixo rendimento do tênis brasileiro no Aberto da Austrália. Em toda a Era Profissional, apenas três homens conseguiram chegar à terceira rodada. Muito pouco.

Bellucci entrou com grande disposição e encontrou um Monfils desinteressado. O grave erro do brasileiro foi ter perdido logo o primeiro game do segundo set, quando tinha 40-15 e vivia ampla soberania na partida. A partir da quebra, o francês ganhou confiança. Os dois, na verdade, alternavam altos e baixos. Prevaleceu a paciência do número 15 do mundo, que sofreu com alguns ótimos serviços e forehands do brasileiro, mas também se divertiu com uma dezena de lobs. Duro mesmo foi ver Thomaz errar voleio e smash tão fáceis, o que demonstra ainda sua inconstância mental. Mas vimos desta vez ele se empenhar até o último game, como se espera é claro de um profissional dedicado.

Mello também se aproveitou de um dia irregular de Jo-Wilfried Tsonga e, incrível, abriu 4/2 no primeiro e terceiro sets, em ambos com saque a favor. O espírito de luta do brasileiro e sua capacidade tática pareceram surpreender por vezes o francês, que reservou para momentos de capital importância a sua condição de 6º do mundo. No final das contas, foram 3 sets a 0 bem disputados, com muita correria e alguns grandes pontos.

A aventura brasileira em Melbourne se limita agora às duplas, onde temos três parcerias e quatro brasileiros na segunda rodada, além da expectativa de uma nova grande campanha entre os juvenis, com Thiago Monteiro e Bia Haddad em quadra a partir do fim de semana.

Entre os grandes nomes, pouca coisa a se destacar, já que Novak Djokovic e Andy Murray passearam. David Ferrer sofreu e Lleyton Hewitt se favoreceu da contusão de Andy Roddick, marcando interessante duelo contra Milos Raonic. Note-se que o exército francês colocou também Gasquet, Benneteau, Llodra e Mahut na terceira rodada, enquanto Simon e Troicki confirmaram o mau momento que vivem.

Na chave feminina, cabeças continuam caindo, mas as principais candidatas avançaram. Atuação impecável de Sharapova, muito boa de Serena, sofrível de Kvitova. Esse lado da chave promete muito a partir das oitavas.

A sexta-feira - Nadal e Federer jogarão na Rod Laver Arena e não sofrem riscos. Por isso mesmo, todos os olhos devem se voltar para Tomic x Dolgopolov. Bons duelos também prometem Isner-Lopez e Del Potro-Lu, em que o argentino precisa tomar cuidado. No feminino, o melhor pode ficar com Clijsters-Hantuchova.

Saiba mais
A localização geográfica sempre foi um problema para o Australian Open, que além da distância sempre teve o clima e o fuso horário complicados. Na década de 1920, uma viagem de navio da Europa para Melborne levava 45 dias. As primeiras viagens aéreas dos EUA para Austrália surgiram em 1946. Até mesmo dentro do país as distâncias eram grandes. Quanto foi sediado em Perth, nenhum tenista da costa leste se animou  a atravessar 3 mil quilômetros de trem. Em 1906, quando realizado em Christchurch, Nova Zelândia, a chave teve apenas 10 inscritos. Por isso, a Federação Internacional só deu status de "major" para o torneio em 1924, o que possibilitou Don Budge (foto acima) fazer o primeiro Grand Slam em 1938.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Em dia de viradas, juiz falha e Baghdatis vira Safin
às 12h38 - por José Nilton Dalcim

Viradas. De Tomic, Isner, Almagro, Dolgopolov e Anderson. Uma grande surpresa: Falla. Mas nada chamou tanto a atenção em Melbourne neste terceiro dia de jogos do que o juiz  Kader Nouni. Mais ainda, a falta de um regulamento que complemente a excelente introdução do HawkEye no tênis profissional. Parece o legislativo brasileiro: cria lei, mas não estabelece o conteúdo.

Não é justo dizer que David Nalbandian perdeu o jogo para John Isner devido à confusão criada pela arbitragem. Houve muita coisa depois disso que poderiam mudar o destino do placar. Mas o argentino foi prejudicado porque a ATP ainda não impôs claramente uma norma óbvia: afinal, quanto tempo o jogador tem para pedir o desafio?

O juiz errou duas vezes. Em primeiro lugar, deu um 'over-rule' sobre um primeiro saque. Um primeiro saque de Isner! Não é nada sensato. Depois, recusou o direito de revisão a Nalbandian, talvez pelo receio de mostrar publicamente a sua falha. Ainda que o argentino tivesse demorado um pouco - o que nem foi o caso -, era um lance polêmico e capital para a partida. Então para que complicar? Complicou, e deu margem à tremenda repercussão. Nalba não poupou críticas à própria ATP, aproveitando o momento em que os jogadores parecem dispostos a levantar a voz contra seu próprio sindicato.

Falla, ou talvez seja preferível dizer Fish, foi o outro destaque. O canhoto colombiano parece reservar seu melhor tênis para os Grand Slam. Não tem nada de espetacular, a não ser pernas e espírito de luta. Fish jogou abaixo da crítica. Pessoalmente, acho que já ficou tempo demais no top 10 para quem não tem um jogo tão vistoso.

No extremo oposto, Juan Martin del Potro fez uma partida excelente contra o bom Blaz Kavcic. O argentino, que talvez tenha o maior forehand que me lembro de ter visto, confessa na entrevista que está chegando perto de sua melhor forma. E isso deve servir de sinal de alerta para seus adversários, qualquer que sejam eles. Delpo sim é um digno top 10.

Já os australianos continuam vibrando com o garoto Bernard Tomic. Sem qualquer modéstia, ele se definiu como um tenista 'muito inteligente' e taticamente refinado, mas o que importa para o público é sua determinação. Virou outra partida difícil e tem chance real diante de Dolgopolov, que salvou um match-point numa partida estranhíssima contra Tobias Kamke, completando 10 sets em dois jogos.

E o acesso de fúria do bom moco Marcos Baghdatis? Como mostra TenisBrasil, quebrou quatro raquetes sucessivamente, dois novinhas em folha, e ainda foi para o quarto set. A culpa, tenho certeza, foi da raquete.

Madrugada obrigatória - Embora as chances brasileiras não sejam grandes, é obrigatório encarar a madrugada desta quarta-feira para acompanhar dois jogos bem interessantes e de muita torcida: Mello pega Tsonga por volta de 23h30, Bellucci encara Monfils às 6h. Entre um e outro, ainda vale sapear Djokovic contra Giraldo. E, lá pelas 8h, não perca Hewitt x Roddick. O Australian Open exige fôlego até do espectador.

Saiba mais
Desde o início da Era Profissional, o Australian Open tem sido o Grand Slam mais difícil para o campeão manter sua coroa. Isso só aconteceu nove vezes e jamais por um mesmo jogador. Wimbledon, por exemplo, teve 17 defesas bem sucedidas (Borg, Sampras e Federer repetidas vezes), enquanto Paris viu 13 (entre elas de Guga) e o US Open, 12. Curiosamente, apenas dois nomes conseguiram defender troféus em três Slam diferentes: Federer (falhou em Paris) e Lendl (que jamais ganhou Wimbledon).


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Um desafio francês. Temos alguma chance?
às 13h20 - por José Nilton Dalcim

Não vou esconder: foi um alívio a ótima vitória de Thomaz Bellucci em sua estreia no Australian Open, mantendo aliás a norma de avançar sempre uma rodada em Melbourne nos três últimos anos. Mais do que qualquer coisa, Dudi Sela representava um problema de confiança, depois da virada no US Open e da derrota feia em São Paulo. Então o importante é ver que Thomaz está com a cabeça em dia.

Ricardo Mello fez o que se esperava e despachou o trocador de bola espanhol Roberto Bautista, o mesmo tenista que eliminou André Ghem na última rodada do qualificatório. Muito mais experiente e sempre um batalhador no piso sintético, Mello anotou sua sétima vitória em 22 partidas de nível Grand Slam. Também foi a segunda vez que conseguiu ganhar em Melbourne, repetindo 2005.

Bellucci tem agora 14 vitórias em 28 jogos de nível Grand Slam, exatos 50% de aproveitamento. Vai reencontrar Gael Monfils, a quem deu muito trabalho no saibro de Acapulco em 2009, quando ganhou um tiebreak e perdeu outro antes de levar 6/1 no terceiro set. O acrobático francês é hoje o 15º do mundo, tem um tênis tão espetacular a ponto de ter batido com autoridade Rafael Nadal há poucas semanas. Mas também é um jogador que vira e mexe tem problemas físicos e se mostra desleixado na parte mental. Na Austrália, o melhor que Monfils fez até hoje foram as oitavas em 2009, quando abandonou por contusão.

A tarefa de Mello parece infinitamente mais difícil. Ele, que nunca venceu um top 10 em onze tentativas, vai enfrentar um dos melhores tenistas em atividade, que despontou para o circuito há quatro anos justamente ao ir à final em Melbourne. Jo-Wilfried Tsonga pode ser facilmente designado como um dos sérios candidatos ao título deste ano.

Que chances terão nossos brasileiros? Pequena, é claro. Mas ao menos desta vez deveremos ver os dois em quadras importantes, com imagens e direito a muita torcida.

A rodada - O complemento da primeira rodada masculina foi absolutamente o que se esperava, até mesmo em detalhes. Djokovic atropelou o frágil Lorenzi - ganhou 17 games consecutivos! -, Murray teve o esperado trabalho contra Harrison, assim como Tsonga perdeu um set de Istomin. Tranquilos, Roddick e Raonic avançaram sem sustos e assim o grande destaque ficou mesmo para o esforço de Hewitt com o apoio maciço da torcida e a virada incrível que Ferrero tomou de Troicki, após ter 2 sets a 0 e match-points na quarta série.

Entre as meninas, também ouso dizer que não houve surpresas. Sim, Kvitova, Sharapova e Serena passearam (a norte-americano fez um game só de aces), Stosur nem passou da estreia. Tudo como se esperava, já que a australiana sente uma incrível pressão quando joga em casa.

A quarta-feira - A abertura da segunda rodada ainda não empolga. Talvez tenhamos grandes jogos de Nalbandian-Isner e Wawrinka-Baghdatis, mas Nadal e Federer devem passear. O suíço, importante observar, jogará fora da Rod Laver Arena pela primeira vez desde a segunda rodada de 2004.

Fora das quadras - O agora russo Alex Bogomolov deixou um cheque de US$ 75 mil para a Associação Norte-americana (USTA) quando deixou o país e voltou a morar e jogar pela Rússa. Foi uma compensação pelos anos que a entidade investiu no seu tênis.

Já o sueco Mats Wilander, um dos grandes nomes do Australian Open na década de 80, sofreu um acidente em sua casa em Melbourne e está hospitalizado. Aos 47 anos, levou uma queda e está com ruptura num dos rins. Com isso, ele não fará comentários para a Eurosport.

Saiba mais
Mark Edmondson, o 'Eddo', entrou para a história em 1976, ao se tornar o tenista de mais baixo ranking a ganhar um Grand Slam (e qualquer outro torneio de nível ATP) de todos os tempos. Era um mero 212º do mundo quando derrotou o cabeça 1 Ken Rosewall na semi e superou de virada John Newcombe. Duas histórias curiosas cercam o feito. Sem patrocinador até então, Eddo recebeu cerca de US$ 400 para usar um calçado Adidas na semi. Venceu, e então a Dunlop aumentou a oferta para a final, o que obviamente ele aceitou. O que não se esperava é que deixasse cair o troféu na cerimônia de premiação (foto acima). O momento permanece histórico, ainda mais porque até agora nenhum outro tenista da casa venceu o Australian Open.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Australian Open começa quente, dentro e fora das quadras
às 12h58 - por José Nilton Dalcim

Se o clima de um Grand Slam é naturalmente tenso, ainda mais para os grandes nomes, sobre quem recaem todas as atenções, este Australian Open ganhou um ingrediente inesperado. Uma reunião dos jogadores, que deveria ser secreta e chegou a discutir um boicote generalizado ao torneio, vazou no sábado pela boca do próprio Rafael Nadal, que ainda por cima criticou o outrora parceiro Roger Federer.

Pelo que foi dito e publicado até agora, a pendência maior é em cima da premiação dos grandes torneios. Os tenistas acham que não ganham um percentual significativo diante do enorme lucro, o que é fato. De quebra, discute-se ainda a questão de um calendário mais bem elaborado, ponto que gerou o atrito entre Nadal e Federer, já que o espanhol acusou o suíço de não ficar ao lado dos jogadores nessa questão, que tem sido de honra para Rafa. Durante as entrevistas pós-jogo da madrugada, Nikolay Davydenko também foi severo com Federer e ironizou sua imagem de "bom moço".

Para completar o primeiro dia tão agitado, Nadal revelou ter sentido uma "dor estranha" no joelho, que o levou a uma ressonância magnética na manhã da estreia. Na quadra, depois de um começo cauteloso, arrasou Kuznetsov com 42 winners e apenas 14 erros. O 'novo' Nadal marcou nove aces e perdeu apenas seis pontos quando acertou o primeiro saque.

Federer, por seu lado, também teve um início de partida mais tenso porém encarou um adversário que parecia ter boas armas, já que disparou bolas chapadas dos dois lados e chegou a quebrar um saque do tetracampeão. A diferença básica foi que Federer forçou 76 pontos e ganhou 43, enquanto o russo tentou 43 e só fez 21. Na entrevista oficial, o cabeça 3 precisou responder mais perguntas sobre Nadal e a greve do que sobre a partida, mas garantiu não ter sentido dores no ombro.

O ponto alto, em termos de emoção, foi a espetacular virada de Bernard Tomic sobre o cabeça dura Fernando Verdasco. O espanhol, com um uniforme nada discreto, controlou muito bem o garoto e a torcida nos dois primeiros sets, mas se abateu conforme o australiano reagiu. Aos 19 anos, Tomic marcou sua quarta vitória expressiva em menos de uma semana - venceu Berdych, Monfils e Fish na exibição de Kooyong -, porém o esforço físico e mental de uma estreia tão dura pode ser fatal e ele chegou a chamar o fisioterapeuta à quadra. Para sua sorte, pega agora Sam Querrey e, quem sabe, Dolgopolov em seguida.

Jogo bem interessante fez Juan Martin del Potro. O argentino sofreu altos e baixos, principalmente com o saque, mas encarou um Mannarino habilidoso e pouco previsível. A partida foi cheia de bons lances e pode ter sido a mais dura de Delpo nesta semana, já que agora pega Kavcic e depois, Serra ou Lu. Tudo indica um duelo muito bom contra Fish nas oitavas.

No feminino, Kim Clijsters iniciou a defesa do título com pouco ritmo, mas depois deslanchou. Está em rota de colisão com Caroline Wozniacki e seria realmente um ótimo momento para o torneio. A dinamarquesa tentou mostrar na estreia uma tática mais agressiva e disparou bons backhands. A curiosidade da rodada, no entanto, fica para Bethanie Mattek-Sands: ela anotou 81 winners e ainda assim perdeu para Agnieszka Radwanska no terceiro set.

Longa madrugada - Quem tiver fôlego e conseguir virar a madrugada desta segunda para terça-feira, poderá ver a estreia (fácil) de Novak Djokovic e o jogo (trabalhoso) de Jo-Wilfried Tsonga. E também torcer pelos brasileiros, que jogam todos a partir de 1 hora da manhã.

Graças ao espetacular trabalho do site oficial do torneio, será possível pelo menos ver Feijão contra Ebden, que jogam a terceira partida da Show Court 2, que tem câmeras de TV. A maior dificuldade é com a alta qualidade do 'streaming', que exige do internauta uma conexão decente. Caso contrário, vá mesmo para os já conhecidos sites não-oficiais de transmissão. Mello tem ótima chance contra o quali Bautista e Bellucci precisa espantar seus fantasmas diante do baixinho Sela.

Saiba mais
A única vez em que os tenistas utilizaram-se de um boicote maciço para tentar mudar o esporte foi em 1973. Em represália à suspensão dada pela Federação Iugoslava a Nikki Pilic, que havia se recusado a disputar a Copa Davis, nada menos que 80 dos principais jogadores decidiram não competir. Melhor para o tcheco Jan Kodes (foto acima), que levou o troféu. O público também não se assustou e mais de 300 mil espectadores foram ao All England Club.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Perto da 1.000ª partida, Federer busca novas façanhas
às 21h30 - por José Nilton Dalcim

O suíço Roger Federer levantou seu 16º e último troféu de Grand Slam há praticamente dois anos, lá mesmo em Melbourne, quando se tornou tetracampeão do Aberto da Austrália. Aos 30 anos e vindo de um espetacular final de temporada em 2011, ele pode registrar novas façanhas e recordes a cada rodada. Vamos a um resumo:

- Ao entrar em quadra na manhã desta segunda-feira para enfrentar Kudryavtsev, ele atingirá 49 Grand Slam disputados consecutivamente, ficando com a chance de se tornar o terceiro profissional da história a superar a marca dos 50. Os recordistas são Wayne Ferreira (56) e Stefan Edberg (54).

- A vitória na estreia também vale o triunfo de número 60 para ele no Australian Open, o que é a maior quantia da Era Profissional. Ele perdeu apenas oito vezes.

- Registre-se o fato de que Federer jamais foi batido na primeira rodada do Aberto da Austrália em 12 participações anteriores. A última vez que isso aconteceu a ele num Slam foi em Roland Garros de 2003 para Luis Horna.

- Federer tem exatos 996 jogos disputados na carreira, podendo então chegar ao de número 1.000 se atingir a quarta rodada em Melbourne. Seu retrospecto é de 810 vitórias e apenas 186 derrotas.

- Se chegar à semifinal e portanto ganhar cinco partidas, Federer iguala a marca absoluta de Jimmy Connors, com 233 vitórias em torneios de Slam. O recorde neste momento do suíço é de 228 vitórias e 34 derrotas.

- Um eventual título daria o pentacampeonato ao suíço, algo que somente Roy Emerson obteve, com um total de seis completados em 1967.

Saiba mais

O primeiro torneio de tênis disputado na Austrália foi em 1880, em Melbourne. Vinte e cinco anos depois, surgiu o Nacional, que em 1908 já teve um campeão estrangeiro. Dessa forma, a Austrália realiza a 100ª edição do seu torneio principal em 2012 - não foi organizado nos períodos das Grandes Guerras. Desde que o tênis profissional surgiu, este será o 44º Australian Open e o 176º Grand Slam. Provisoriamente, o torneio tem a maior premiação da história (US$ 26 milhões), porém o recorde mais significativo é o de público para um único dia em qualquer Slam: 77.043 há dois anos, quando o total de ingressos vendidos chegou a 653.860. Na foto acima, o estádio principal de Kooyong no final dos anos 60.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Pequenos desafios para os favoritos, dureza para Murray
às 00h16 - por José Nilton Dalcim

O saque poderoso de Milos Raonic, o espírito guerreiro de David Ferrer ou a fase ascendente de Janko Tipsarevic merecem respeito. Mas estão longe de estremecer o favoritismo de Novak Djokovic para uma vaga na semifinal do Aberto da Austrália.

O número 1 do mundo, na verdade, se vê diante de pequenos desafios até que cheguem as rodadas decisivas. As três primeiras partidas parecem meros treinos, ainda que o tênis vistoso de Radek Stepanek mereça aplausos. Raonic é claro sempre preocupa pelo jogo totalmente sem ritmo que proporciona, mas ele próprio corre risco diante de Philipp Petzschner e principalmente de Andy Roddick.

O número 5 e semifinalista do ano passado David Ferrer também chega cheio de predicados. Porém, não tem bolas vencedoras em número suficiente para colocar Djokovic contra a parede. Em grau ainda menor, pode-se dizer o mesmo de Janko Tipsarevic. Então, só mesmo um conjunto formidável de acasos poderá tirar Nole da penúltima rodada.

Algo bem semelhante caracteriza o sorteio e provável sequência de jogos de Rafael Nadal e Roger Federer. O espanhol poderá cruzar com sacadores como Ivan Ljubicic, John Isner ou Feliciano López, porém a distância técnico é muito grande. O maior perigo deveria ser Tomas Berdych nas quartas, mas isso dependeria de o tcheco estar num dia muito inspirado para arriscar paralelas com sua bola tão chapada.

Federer também deve ter uma primeira semana tranquila, seja contra Jurgen Melzer ou Alexandr Dolgopolov. As quartas prometem mais, já que o adversário poderá ser Mardy Fish ou Juan Martin del Potro. Em qualquer dos casos, tratando-se de melhor de cinco sets, ainda devemos apostar no suíço.

O hipotético quadro das semifinais então teria os três líderes do ranking. E quem é o mais cotado para completar a rodada? Acredito que esse setor da chave reúna a maior promessa de emoções. Andy Murray pega de cara o garotão Ryan Harrison numa estreia que deve dar trabalho. Nas oitavas, a lógica aponta duelo contra Gael Monfils, que mostrou um tênis mais agressivo em Doha. E nas quartas, viria um confronto com Jo-Wilfried Tsonga, que só tem a temer o próprio físico.

E os brasileiros? Bom, o sorteio reservou uma boa primeira rodada se considerarmos que ninguém pegou adversários de peso. Porém, difícil imaginar que Thomaz Bellucci encare Monfils ou que Mello atrapalhe Tsonga. Feijão pegou um australiano e depois deve ter Nishikori. Digamos, foi o mais sortudo.

O torneio feminino, por sua vez, está recheado de dúvidas sobre a condição física e técnica de muitas das favoritas. Wozniacki e Clijsters estão programadas para se cruzar nas quartas, mas será que chegarão tão longe? Por isso, não seria surpresa termos Radwanska ou Azarenka na final.

Kvitova merece o favoritismo, ainda mais porque pegou um grupo com Stosur, Bartoli e Pavlyuchenkova. A outra semifinalista é ainda mais difícil de apontar. Sharapova, Serena e Zvonareva têm histórico e competência, porém não dá para apostar que estejam inteiras para um torneio tão longo e desgastante. Está pintando mesmo uma nova conquista da canhota tcheca, rumo ao número 1.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.



Bellucci começa 2012 assim como terminou 2011
às 12h54 - por José Nilton Dalcim

Jogo duro, decidido nos detalhes. Vantagem no terceiro set, mas que não foi confirmada e permitiu uma virada. No tiebreak final, falhas. Thomaz Bellucci iniciou a nova temporada, agora sob os olhares do técnico argentino Daniel Orsanic, com o mesmo histórico do ano anterior: ficou no quase.

Claro que é prematuro demais analisar mudanças no tênis do nosso número 1 apenas com dois jogos. E não se pode menosprezar o baixinho Olivier Rochus, um jogador experiente, osso duro de roer até para os tops do ranking, para quem o paulista perdeu na semifinal de Estocolmo de 2009.

A derrota necessariamente não muda a expectativa de Bellucci para o Aberto da Austrália. Que, na verdade, é baixa. Sem ser cabeça, precisa de sorte para fugir de feras nas duas primeiras rodadas, mas dificilmente não cruzará com um top 30 até o terceiro jogo. O lado positivo é ver que Thomaz não passou em branco nas duas últimas edições em Melbourne, tendo sempre ganhando uma partida. Quem sabe, sem pressão, a coisa anda.

Aliás, é curioso verificar a dificuldade que os tenistas brasileiros têm quando jogam na Austrália, algo que inclui até mesmo o grande Guga Kuerten, que jamais passou da terceira rodada em Melbourne mesmo no seu auge e somou apenas seis vitórias no Slam da Oceania.

Desde 1980, portanto nos últimos 31 anos, apenas três brasileiros chegaram na terceira rodada do Aberto. Na época da grama, Marcos Hocevar fez isso em 1983 e, no piso sintético, Jaime Oncins ganhou duas em 1991. E só. Retrospecto pior até mesmo que Wimbledon, onde Guga e André Sá atingiram as quartas. Nosso maior histórico em Melbourne, mais uma vez, remonta a Maria Esther Bueno, finalista em 1965 e campeã de duplas em 1960.

Veja se você acertou - Vamos às respostas do quiz:
1. Essa era fácil: The Norman Brookes Challenge Cup é o nome do troféu masculino.
2. Outra bem tranquila: Plexicushion substituiu o Rebound Ace
3. Os US$ 2,3 milhões para cada campeão será o maior prêmio da história
4. O teto retrátil da Rod Laver Arena demora 25 minutos para ser fechado. O da Hisense, apenas 10.
5. Trinity é o sensor eletrônico que vigia a rede e determina o "let" durante o saque.
6. O último torneio sobre a grama foi em janeiro de 1987. Como mudou para janeiro, o torneio não foi disputado em 1986.
7. Outra fácil: Schiavone e Kuznetsova lutaram por 4h44.
8. A final feminina de 2003 foi jogada com teto fechado porque a temperatura ambiente era de 44 graus.
9. O Brasil teve cinco homens nas chaves de 2002 e 2003.
10. Sim, é claro, Gustavo Kuerten foi nosso último tenista a ganhar duas partidas, em 2004.


    envie por e-mail    
Twitter
O espaço de comentários é moderado. Conheça as regras.